3. ASSÉMANI Joseph Simon nasceu em Trípoli da Síria em 1687, e foi enviado ainda jovem ao colégio dos maronitas, onde souberam notar seus talentos. Clemente XI fez uso de seus serviços.
Em 1707, seguindo as indicações de um monge libanês, Gabriel Hawa, este papa enviou Elias Assémani, primo de Joseph, para visitar as bibliotecas dos mosteiros de Nítria. Elias ali encontrou inestimáveis riquezas literárias, que a negligência dos monges coptas entregava à destruição. Eram principalmente manuscritos siríacos, pertencentes à coleção reunida em Escete por Moisés de Nísibis, no século X. A cupidez dos superiores deste tesouro não permitiu ao viajante comprar, mesmo a peso de ouro, um grande número de volumes. Elias trouxe apenas quarenta. Este foi o primeiro êxodo de manuscritos orientais para as bibliotecas da Europa. A iniciativa de Clemente XI foi imitada pela França, depois, no século XIX, pela Inglaterra. Mas, nos anos que se seguiram imediatamente à recepção dos manuscritos de Elias Assémani na Biblioteca Vaticana, dons generosos vieram aumentar este primeiro depósito.
Em seguida, Clemente XI formou uma nova expedição (1715) que confiou a Joseph Assémani. Depois de ter deixado este contemplar à vontade seus preciosos manuscritos, os monges coptas recusaram-se a vendê-los a ele. Ele só conseguiu obter junto a eles um número muito pequeno. Mais feliz junto ao patriarca do Cairo e aos bispos da Síria, Joseph Assémani trouxe a Clemente XI, em 1717, uma rica colheita de manuscritos siríacos e árabes. Nomeado prefeito da biblioteca apostólica e arcebispo de Tiro, Joseph Assémani publicou, sobre os manuscritos siríacos da Vaticana, suas primeiras obras das quais falaremos mais adiante.
Entrementes, empregava-se nos assuntos de sua nação e servia de intermediário aos bispos maronitas junto à corte romana. Em 1736, Clemente XII enviou-o, revestido da qualidade de ablegado, para tomar parte no primeiro concílio nacional dos maronitas, realizado em Louayzé, mosteiro vizinho de Beirute, de 30 de setembro a 3 de outubro daquele ano. Os prelados maronitas e a Santa Sé uniram-se para louvar a prudência da qual ele deu prova nesta função e atribuir-lhe a glória de um sucesso cujo resultado foi consolidar o episcopado maronita, unir mais estreitamente a nação à sé de Roma e extinguir os dissensos levantados a respeito de questões particulares que serão encontradas mencionadas no breve de Bento XIV indicado a seguir. Enquanto os atos árabes desta assembleia eram publicados no Oriente, Joseph Assémani ocupava-se em fazer aprovar em Roma a tradução latina. Por parecer da Congregação da Propaganda, Bento XIV confirmou o concílio de Louayzé por breve de 1º de setembro de 1741.
Poucos anos depois, uma divisão entre os maronitas tendo acarretado uma dupla eleição patriarcal, Bento XIV interveio novamente e pôs fim a ela pela nomeação direta ao patriarcado de Simon-Evode Assémani, arcebispo de Damasco e decano do episcopado maronita, em 10 de março de 1743. Evode, parente do ablegado, deve ser distinguido das personagens das quais se trata neste artigo.
Após estes sucessos, o douto prelado pôde acrescentar aos seus títulos os de referendário da assinatura, cônego de São Pedro, membro das S. C. da Propaganda e da Inquisição. Sua vida piedosa, sua ciência e sua fé valeram-lhe a benevolência dos papas e a estima universal. Morreu octogenário (1768), deixando a seus compatriotas um nobre exemplo a seguir, e ao mundo erudito a herança de seus úteis trabalhos.
OBRAS. — 1º Joseph Assémani tirou proveito principalmente dos manuscritos orientais, adquiridos pela Biblioteca Vaticana, na Bibliotheca orientalis clementino-vaticana, 4 in-fol., Roma, 1719-1728. Esta é apenas uma parte de uma vasta obra, que deveria compreender a publicação por extratos dos manuscritos siríacos, árabes, etíopes, armênios, coptas, persas, turcos, das bibliotecas romanas. Assémani utilizou apenas os manuscritos siríacos e restringiu sua obra à história dos sírios dos três ritos. Por esta obra, Assémani contribuiu mais do que qualquer outro, sem excetuar aqueles que o seguiram, para fazer conhecer na Europa a literatura siríaca e a história das igrejas da Síria, da Caldeia e do Egito. Até as publicações feitas em nossos dias, a Bibliotheca orientalis era a única obra onde se podia estudar esta literatura e esta história em seu conjunto, e os trabalhos posteriores, ao preencher lacunas e ao corrigir imperfeições inevitáveis, não despojaram a obra de Assémani de nenhum de seus méritos, nem retiraram do autor seu mais belo título de glória, que é «l'honneur d'avoir initié les savants de l'Europe aux richesses littéraires renfermées dans les manuscrits syriaques», H. Huval, La littérature syriaque, Paris, 1899, p. XIII. As diversas partes da Bibliotheca orientalis são sucessivamente consagradas aos sírios, aos sírios jacobitas, aos caldeus e aos nestorianos. Assémani fornece notas biográficas sobre os autores, a enumeração e a análise de suas obras, muitas vezes longas citações. Desejar-se-ia, por vezes, um maior número de esclarecimentos ou uma revisão mais atenciosa de certas passagens. Segundo certos orientais, Assémani incorre na reprovação, bem explicável, de ter procurado favorecer sempre sua nação; mas não se pode admitir que um homem de seu caráter tenha usado para isso do procedimento pueril que consiste em modificar os textos dos autores. Uma parte dos materiais não empregados por Assémani encontra-se na Collectio scriptorum veterum, de Mai.
2º Na sequência desta primeira obra, Assémani empreendeu a edição das obras de Santo Efrém, Sancti Ephreem syri opera omnia, 6 in-fol., Roma, 1732-1746. Ele deu o prefácio geral à frente do primeiro volume da série grega-latina, 1732, e a edição dos três volumes desta série, dos quais os dois últimos só foram editados em 1743 e 1746, após seu retorno da Síria. Para a série siríaca-latina, ele foi suplantado pelo jesuíta maronita Pierre Ambarach (Benedictus) para os dois primeiros volumes, e por seu sobrinho Évode Assémani (acima) para o último (1743). Edições parciais contemporâneas, as de Overbeck em Oxford, de Bickell em Leipzig, de Lamy em Malines, de Zingerlé, Hahn, Bedjan e outros, completam ou retificam a edição romana para a parte siríaca. A edição definitiva das obras de Santo Efrém ainda está por ser feita.
3º Tem-se ainda de Joseph Assémani Kalendaria Ecclesiae universae, 6 in-4°, Roma, 1750. Esta obra teve o destino de muita publicação excessivamente vasta: permaneceu inacabada.
Era, por meio dos textos, das inscrições, das representações de todos os tipos, a descrição de todos os santos honrados nas igrejas do mundo inteiro.
4º Italicum; Ecclesiae scriptores, 4 in-4°, Roma, 1751-1753, é um suplemento à coleção de Muratori. Uma parte dos manuscritos de Assémani foi destruída em um incêndio (1768) e a obra não pôde ser completada.
5° Bibliotheca juris orientalis canonici et civilis, 5 in-4°, Roma, 1762-1766; esta importante obra tornou-se muito rara, sobretudo para os volumes 1, 2 e 4, cujos exemplares foram vítimas de um incêndio.
Para o uso dos ocidentais em relação ao Oriente, J. Assémani compôs duas obras: 6° Rudimenta linguae arabicae, in-4°, Roma, 1732; 7° uma gramática grega em italiano, 2 in-8°, Urbino, 1737.
Outras obras publicadas em colaboração foram mencionadas nos artigos que precedem.
Autor original: J. Parisot
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