ARNO OU ARNON

ARNO OU ARNON

ARNO ou ARNON, cônego regular de Reichersberg, na Baviera, muito zeloso pela reforma dos cônegos regulares e pela defesa da doutrina da Igreja, falecido em 30 de janeiro de 1175. Era o irmão mais novo do célebre Gérhoh, preboste de Reichersberg. Estudou teologia sob a direção de seu mais velho e, após tê-lo sucedido, em 29 de junho de 1169, no governo do convento, tem-se dele:

1° Scrutinium canonicorum regularium, obra digna de interesse para o conhecimento da vida canonical, por volta de meados do século XII; e um Prologue, cujo fragmento fora editado pela P. L., t. CXCIV, col. 1527-1538, no Sylloge veterum scriptorum, p. 244;

2° Apologeticus contra Folmarum, publicado por Schey, Leipzig, 1888. Este tratado, longo e prolixo, é uma refutação de Folmar, preboste de Triefenstein, que pretendia: quod homo Jesus non sit in Christo Deus; quod ille tanquam homo in Deum assumptus, Dei Patris naturalis et proprius Filius non sit; qu'il in plenitudinem paternae gloriae, obedientia mortis consummata, non transierit; ac proinde nec latria ei, quae soli Deo debetur, sed potius dulia sit exhibenda. P. L., t. CXCIV, col. 1533.

Arno combate esses erros, piores que os de Nestório; ele prova a união das duas naturezas divina e humana, em Jesus Cristo, e a possibilidade dessa união tanto do lado da natureza divina quanto da natureza humana. Jesus Cristo, Deus e Filho de Deus, é igual ao seu Pai em poder e em glória. Essa glória, velada durante a infância e a vida terrestre de Jesus, é completa e plena no céu.

A esse respeito, Arno ridiculariza as «crianças», que imaginam que o Cristo assenta-se corporaliter no céu. Ele pretende que ascendit illocaliter ad divinitatis conformitatem atque coaeternitatem; a direita do Pai não é um lugar, e o céu, onde Jesus Cristo habita, é coelum intellectivum. A ascensão de Jesus significa que ele é nostrae beatificationis templum sive domus, nostrae beatitudinis coelum atque paradisus. A humanidade de Jesus merece o culto de latria.

Arno afasta-se por vezes dos sentimentos de Pedro Lombardo e de Hugo de São Vítor; ele cita São Bernardo e Ruperto, abade de Deutz. D. Ceillier, Histoire des auteurs ecclésiastiques, Paris, 1863, t. XIV, p. 633; P. L., t. CXCIV, col. 1489-1492; Richard et Giraud, Bibliothèque sacrée, Paris, 1875, t. I, p. 578; A. Potthast, Bibliotheca medii aevi, Berlin, 1896, t. I, p. 118; Monumenta Germaniae, Scriptores, t. XVII, p. 490 sq., 501; Chronic. Reicherspergense, dans Leipzig, 1896, t. II, p. 106-107; Allgemeine Deutsche Biographie, t. I; Realencyklopädie für protest. Théologie und Kirche, 3e édit., t. II, p. 1527-1528.

Autor original: E. Dublanchy

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