ARNDT (JOÃO)

ARNDT (JOÃO)

ARNDT, Jean, um dos raros místicos luteranos, nasceu em Ballenstedt (Anhalt), em 27 de dezembro de 1555. Desde a juventude, leu Tauler, as obras místicas católicas, a Imitação de Jesus Cristo e os místicos do seu tempo. Estudou medicina em Helmstadt (1576), em Basileia (1577), e teologia em Estrasburgo (1579). De volta, foi preceptor em Badeborn (1581), depois pastor em Quedlinburg (1583) e, em 1590, em Brunswick.

Em 1590, foi expulso por ter se recusado a obedecer ao duque de Anhalt, que defendia as imagens no batismo. Publicou, em 1596, o primeiro tratado sobre este assunto e sobre o uso legítimo das imagens na celebração do culto e o emprego da fórmula de exorcismo.

Fez publicar, em 1606, o primeiro livro do Wahren Christenthums. Esta publicação suscitou ao autor graves dificuldades e o colocou, segundo a sua expressão, numa fornalha ardente. Chamado, em 1609, a Brunswick, pôde imprimir o seu Vrai Christianisme. Os quatro livros foram reunidos em 1610. As edições seguintes contêm um quinto e um sexto livros. Nenhuma obra humana, se excetuarmos a Imitação, foi mais frequentemente impressa do que o Vrai Christianisme de Arndt. Em 1687, foi traduzido para o latim e apareceu sob este nome de autor; difundiu-se entre os católicos. Uma versão francesa, por de Zinzendorf, foi publicada, 3 in-8°, Paris, 1725.

Numa carta escrita em 29 de janeiro de 1621 ao duque de Brunswick, Arndt expôs o objetivo do seu livro: quis desviar os estudantes e os pastores da teologia polêmica, que se tornava novamente uma theologia scolastica, reconduzir os cristãos da fé morta à fé viva, fazê-los passar da ciência teórica a uma piedade prática e fecunda, mostrar-lhes, enfim, que a verdadeira vida cristã, inseparável da verdadeira fé, consiste em aumentar a fé e fazê-la produzir frutos. Recomendava a formação do homem interior pela vida de união com o Cristo.

As suas tendências místicas manifestam-se nos seus sermões sobre os Evangelhos e no Pequeno Catecismo de Lutero e numa coletânea de orações que publicou, em 1612, sob este título: Paradiesgärtlein aller christlichen Tugenden. Deu uma edição da Imitação e da Deutsche Theologie. Todas estas obras foram reunidas por J.-J. Rambach, que era superintendente em Celle, em 1730. Arndt morreu em 11 de maio de 1621.

As suas ideias foram vivamente discutidas durante a sua vida e após a sua morte: foi acusado pelos protestantes de papismo e de diversas heresias. O seu Vrai Christianisme gozou, não obstante, de uma grande popularidade e exerceu uma influência feliz sobre os protestantes da Alemanha, em particular sobre os pietistas. E. MANGENOT.

Joh. Arndt, ein biographischer Versuch, Berlin, 1852; Periz, De Joanne Arndtio ejusque libris qui inscribuntur De vero christianismo, Hanovre, 1877; Encyclopédie des sciences religieuses, t. I, p. 610-612; Realencyklopädie für protestant. Theologie und Kirche, 2e édit., Fribourg-en-Brisgau, 1882, t. I, col. 1411-1414; 3e édit., Leipzig, 1896, t. II, p. 108-112.

Autor original: E. Mangenot

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