ARMÊNIA (CONCÍLIOS)

ARMÊNIA (CONCÍLIOS)

II. ARMÉNIE. Concílios. — I. Do concílio de Niceia ao de Vagharchapat (325-491). II. Do concílio de Vagharchapat ao de Karin (491-633). III. Do concílio de Karin ao de Chirakavan (633-862). IV. Do concílio de Chirakavan ao de Hromkla (862-1179). V. Do concílio de Hromkla ao de Florença (1179-1439). VI. Do concílio de Florença aos nossos dias.

O espelho de uma sociedade é a sua legislação. Não se teria, portanto, uma imagem fiel da Igreja da Arménia se, ao quadro das suas vicissitudes externas, não se viesse juntar uma exposição sumária do seu organismo interno, tal como no-lo mostram os seus concílios nacionais. A história destes concílios apresenta, é verdade, uma dificuldade bastante especial; para a maioria deles, os documentos oficiais, quero dizer, as atas, nunca foram publicados. O pouco que se sabe encontra-se disperso em cem livros diversos, de acesso difícil. As informações que se seguem serão, pois, forçosamente incompletas e, para muitas delas, puramente provisórias; é bom prevenir o leitor.

I. DO CONCÍLIO DE NICEIA AO DE VAGHARCHAPAT (325-491). A tradição nacional, registrada por Agatângelo, § 169, em Langlois, Collection des historiens, t. i, p. 190, e por Moisés de Khoren, l. II, c. xc, em Langlois, op. cit., t. ii, p. 129, fixa em 325 o primeiro concílio da Arménia. Ao regressar de Niceia, Aristakès teria trazido para o seu país os cânones da grande assembleia, e São Gregório, ainda vivo, tê-los-ia feito adotar pelo seu clero e pelo seu povo numa reunião plenária realizada em Vagharchapat, após ter acrescentado ele próprio cânones particulares. Isto não passa de uma bela lenda.

Segundo o relato do verídico Korioun, discípulo de Mesrob, em Langlois, op. cit., t. ii, p. 10, foi apenas no século V que Ghévond, Eznik e Korioun ele próprio introduziram na Arménia os cânones de Niceia e de Éfeso, e causa espanto ver autores recentes como Arsak Ter-Mikélian, Die armenische Kirche, p. 28, e K. J. Basmadjian, Le l'Arianismo, em Bessarione, t. vi (1899), p. 522-528, repetirem ainda as falsas asserções do pseudo-Agatângelo e do pseudo-Moisés. Quanto aos cânones de Gregório, sobre os quais Korioun não diz uma palavra, datam sem dúvida do tempo de Sahak, por volta de 365. H. Gelzer, Die Anfänge der arm. Kirche, p. 151.

De resto, Vagharchapat não tem qualquer título para desempenhar no século IV o papel de capital religiosa; este papel pertence a Achtichat, na província de Taron, ao sul da Arménia. H. Gelzer, op. cit., p. 117 sq. Não menos problemático é o concílio de 339, sob Verthanès; os nove cânones que certos autores lhe atribuem provêm de uma tardia falsificação. Ver o resumo destes cânones em J. Issaverdens, History of the armenian Church, in-16, Veneza, 1875, p. 45, e os próprios cânones traduzidos em latim por Arsène Angiarakian, em Angelo Mai, Scriptorum veterum nova collectio, in-4°, Roma, 1838, t. x, p. 270 sq.

O primeiro sínodo verdadeiramente autêntico é o de Achtichat, realizado por volta de 365, sob Nersès, o Grande. Fausto, l. IV, c. iv, em Langlois, t. i, p. 239. Uma nova organização eclesiástica, copiada da de Cesareia, foi ali estabelecida, um símbolo da fé promulgado e os cânones apostólicos tornados obrigatórios para todos. Os costumes já em vigor em Cesareia relativos ao matrimónio e ao jejum foram introduzidos pelo patriarca reformador; os hospícios, os hospitais, todas as obras caritativas até então desconhecidas na Arménia foram criadas, e escolas, onde se ensinava o grego e o siríaco, abertas à juventude. O monaquismo recebeu também ele um forte impulso. Fausto, l. IV, c. iv; l. V, c. xxxi; Gelzer, op. cit., p. 151-153.

Gostar-se-ia de possuir em toda a sua extensão estas regras disciplinares da Arménia cristã no seu berço; infelizmente, os historiadores preferiram vangloriá-las a fazê-las conhecer em detalhe. Os cânones que a coletânea de Mai atribui a Nersès não parecem autênticos, op. cit., p. 312 sq. Estamos muito melhor informados sobre a legislação canónica do filho de Nersès, São Sahak, o Grande (390-439). Temos dele uma coletânea de regras disciplinares traduzidas em latim em A. Mai, op. cit., p. 276 sq., e em A. Balgy, Historia doctrinae catholicae inter Armenos, in-8°, Viena, 1878, p. 203-207, e em inglês por F. C. Conybeare, The armenian canons of St. Sahak catholicos of Armenia, em The american journal of theology, t. ii (1898), p. 828-848. J. Issaverdens deu o sumário, History of the armenian Church, p. 73-76. Têm como objetivo regular a conduta dos clérigos e dos monges, a economia do culto divino, a observância das festas, as ágapes e as refeições fúnebres. Segundo a opinião geralmente aceite, Sahak teria promulgado estas leis no concílio de Vagharchapat (426).

A tradição nacional atribui ao mesmo católico uma grande influência nas decisões do concílio de Éfeso (431). Como disse mais acima, os arménios não tiveram qualquer parte nesta assembleia; é provável que o concílio de Achtichat, reunido, diz-se, em 432 com o objetivo de promulgar solenemente as decisões de Éfeso, seja uma pura ficção. O único sínodo realizado na Arménia na questão do nestorianismo parece ser o de 435, no final do qual se enviou uma deputação ao patriarca Proclo para lhe perguntar quem tinha razão, se Teodoro de Mopsuéstia ou Acácio de Melitene, se Diodoro de Tarso ou Rabulas de Edessa. Veja acima, col. 1895, as indicações bibliográficas sobre esta embaixada; adicione-lhe Cl.

Galano, Conciliatio Ecclesiae armenae cum romana, in-fol., Roma, 1690, t. i, p. 68-74. Certos cânones atribuídos a Eliseu e a Isaac encontram-se em A. Mai, op. cit., p. 312.

Em vez de conduzir para fora a campanha contra a heresia, a Arménia devia pensar em extirpá-la do seu próprio seio. Nessa época, encontrava-se ameaçada na sua própria existência por seitas sem número, oriundas do messalianismo. Para se fazer uma ideia desta deplorável situação, basta ler os vinte cânones do concílio de Chahapivan (447), dos quais a maioria, e em particular o 17.º, o 19.º e o 20.º, são precisamente dirigidos contra as seitas locais. Texto dos cânones com data falsa em A. Mai, op. cit., p. 293; cf. Karapet Ter Mkrtitschian, Die Paulikianer im byzantin. Reiche, in-8°, Leipzig, 1893, p. 41-45.

Um outro inimigo ainda mais formidável surgiu: a Pérsia, que queria impor o masdeísmo. A corajosa resistência dos bispos arménios reunidos em assembleia em Artachat (449-450) é bem conhecida. O historiador Eliseu, na sua Collection des historiens, t. ii, p. 191-239, conservou o texto da carta sinodal enviada, algumas semanas depois, ao imperador Teodósio. Esta assembleia foi a última antes da queda do reino (428) e o desmembramento do país, que só se reerguerá, sob um católico, na sequência do concílio realizado em 484 em Choup'haghichou, sob a presidência do católico Hovhannès Mandagouni. Ainda possuímos as atas desta assembleia, documento precioso que deverá constar na tradução alemã dos concílios armênios que Agop Manandian prepara, em sua Geschichte der armenischen Kirche, in-8°, Leipzig, 1897, p. 44-48.

CONCÍLIO. — A história dos concílios da Armênia no século que se seguiu ao concílio de Karin (491-633). — A história dos concílios da Armênia é, durante vários séculos, a da resistência da Igreja armênia contra o mundo oriental, dominante pelo imperador ou pelo católico, e sempre pronta a rejeitar o concílio de Calcedônia quando não podia fazê-lo pela força. O primeiro concílio da história, reunido após 491, é, diz-se, o de Tvin em 525 ou 527, segundo Tchamtchian, t. II, p. 270-272, e a tradução desses concílios em Mai, op. cit., t. III, p. 19 sq. Os cânones desta assembleia, resumidos por Dulaurier, Recherches sur la chronologie arménienne, in-8°, Paris, 1880, p. 16, são, aliás, muito breves e pouco precisos. Neles ter-se-ia instituído a celebração do Natal e da Epifania em um só dia, 6 de janeiro, daí, talvez, a fórmula: «um dos dois, ou o católico, permanece só».

Em 552, outro concílio de Tvin, sob o católico Nersès II, condena mais uma vez os calcedonianos, e Abraham, chefe dos georgianos, encontra-se culpado por ter rejeitado o monofisismo. Ver acima col. 1897, e A. Balgy, op. cit., p. 20. Não menos curioso é o sínodo de 616, onde se vê o rei da Pérsia, com os teólogos coroados, decidir à sua maneira a questão das duas naturezas em Cristo. Ver Ter-Mikélian, op. cit., p. 60.

O concílio de Karin (Theodosiopolis), convocado pelo vitorioso imperador Heráclio, em 627 ou 629, é o momento em que a diofisismo estava prestes a ser definitivamente restabelecido. Foi quando a Armênia tenta fixar a cronologia da assembleia, em 632 ou 633, do ano 622; por volta do ano 633. — A questão das duas naturezas em Cristo, e as festas de Natal e da Epifania, e outros pontos da disciplina são, aliás, proclamados.

Em 652, um concílio de Tvin rejeita com grande alarde outro concílio, aquele de Tvin, realizado em 650, mas que A. Mai, op. cit., p. 310 sq., considera, contudo, legítimo. Sobre este último, ver a passagem de Sebeos em Ter-Mikélian, op. cit., p. 372-375-382. Ibid. Manazkert, cuja data João Otznétzi, católico (717-728), procura fixar, e, a propósito da convocação, é bem difícil aliás fixar a data, e ele é o primeiro a rejeitar estes concílios, em 650, ou em 618, sínodo, e é o de Otznétzi a que se deve reportar a data. De um dos predecessores de João, Isaac de Stelite, nas respostas de João, inseridas em A. Mai, op. cit., III, p. 1077, temos a sequência dos trinta e dois cânones.

Ver o concílio de 719 realizado em Manazkert, segundo o discurso sinodal de Domini Johannis Otniensis opera, Veneza, 1834, p. 5-57, e com os cânones, aquele de Manazkert, após ter identificado as decisões deste sínodo, permaneceram inéditas, encontram-se reproduzidas em Mai, op. cit., p. 302 sq., e em A. Balgy, op. cit., p. 208-216. Coisa digna de nota, encontra-se nestes documentos uma menção expressa do sacramento da extrema-unção e uma justificativa do crucifixo. Os escritores católicos censuraram vivamente esta justificativa ao católico João, ao contrário, para outros pontos, nada de repreensível, este concílio declara as seitas indígenas.

É bom lembrar neste lugar que João Otznétzi é o primeiro compilador do corpus juris da Igreja armênia; todos os cânones dos Padres e dos concílios anteriores ao século VIII foram reunidos por ele em um único volume, que depositou nos arquivos patriarcais, após ter colocado na frente um prefácio, publicado por J.-B. Aucher, Johannis Ozniensis opera, p. 250-253. Giovanni de Serpos fala de um segundo concílio realizado sob João Otznétzi na cidade de Tvin, em 726, contra os julianistas, mas não cita nenhum testemunho em apoio ao seu dizer; como este autor, é bem provável que este concílio seja o mesmo que o de 719.

Ver contudo Ter-Mkrttschian, Die Paulikianer, p. 73, que admite a existência do concílio de 726.

Cerca de meio século depois, realizou-se, por volta de 770, o sínodo de Partav, onde foram promulgados vinte e quatro cânones, cujo último tem por objeto fixar aqueles dos livros do Antigo Testamento que os armênios consideram autênticos; os outros regulam diversos detalhes de disciplina eclesiástica. J. Issaverdens dá o sumário, History of the armenian Church, p. 124-127. É dele que tomo emprestada a data de 767; G. de Serpos, op. cit., p. 432, marca 768. Uma não vale talvez mais do que a outra. Concorda-se em dizer que este sínodo ocorreu sob Sion Pavonelzi; ora, segundo recentes pesquisas, este católico teria ocupado a sede do Iluminador de 770 a 778. E como certos cronistas relatam a assembleia de Partav sob o primeiro ano do pontificado de Sion, estar-se-ia sem dúvida muito perto da verdade ao situar esta assembleia em 770. Ver em A. Mai, op. cit., p. 307 sq., a tradução dos cânones deste sínodo.

IV. DO CONCÍLIO DE CHIRAKAVAN AO DE HROMKLA (862-1179).

O concílio de Partav é o último do século VIII. No século seguinte, não encontramos senão um único, mas esse é de importância capital, quero falar do sínodo de Chirakavan, realizado em 862, sob a presidência do católico Zacarias I Tsakétzi (855-877), contemporâneo e correspondente de Fócio. Lá, pela primeira vez desde Karin, toda a nação reunida aceitou o concílio de Calcedônia, gritou anátema aos conciliábulos de Tvin e de Manazkert, e condensou sua crença em quinze cânones de grande alcance teológico. Ver o texto destes cânones em Galano, op. cit., Roma, 1658, t. II, p. 124-137; em G. de Serpos, t. II, p. 435-438; em A. Balgy, op. cit., p. 217-219, e o resumo em J. Issaverdens, op. cit., p. 133-135. Sem serem de todo irrepreensíveis, estas decisões trouxeram pelo menos, por um tempo, a paz entre gregos e armênios e tornaram os perturbadores sírios menos audaciosos.

Digo «por um tempo», pois, um século depois, o católico Vahan (968-969) era deposto por um sínodo de Ani por ter querido «renovar a heresia de Calcedônia». Ter-Mikrtitschian, Die Paulikianer, p. 58-59. É verdade que outro sínodo de Ani, o de 1030, presidido pelo patriarca dos Aghovans, José, depôs o católico Dióscoro, culpado de ter «ultrajado a memória de São Leão», o papa de Calcedônia. Matthieu d'Édesse, trad. Dulaurier, in-8°, Paris, 1858, 1re part., c. xi, p. 67; cf. Et. Azarian, Ecclesiam armenam traditio de romani pontificis primatu, in-12, Roma, 1870, p. 11.

No início do século XII, esquece-se momentaneamente a questão do monofisismo para ocupar-se, antes de tudo, em manter intacta a unidade hierárquica, ameaçada por divisões intestinas. Por volta de 1114, perto de 2 500 pessoas do clero e do povo reunidas em sínodo condenaram o anticatholicos David d'Aghtamar e seus aderentes. Ter-Mikélian, op. cit., p. 86.

Vêm, em seguida, as múltiplas iniciativas tomadas sob Manuel Comneno com o intuito de promover uma reconciliação mais íntima entre as Igrejas grega e armênia. Basta aqui indicar as conferências ou assembleias realizadas nesta ocasião: elas formam uma das páginas mais interessantes da história dos concílios. A primeira ocorreu em 1170. O relatório oficial, redigido por Théorianos, foi publicado inicialmente por J. Leunclavius, depois, de uma forma muito mais correta, por A. Mai, Scriptorum vet. nova collectio, t. VI; P. G., t. CXXXIII, col. 119-210. A segunda conferência é ainda mais interessante; encontra-se a sua ata, precedida pela correspondência trocada no intervalo, em Migne, P. G., t. CXXXIII, col. 211-296. Cf. A. Balgy, op. cit., p. 33-47, 220-285. Na intenção de seus autores, essas conferências não tinham outro objetivo senão preparar as conclusões a serem submetidas à aprovação de um concílio geral.

Este concílio, várias vezes adiado, realizou-se finalmente em 1179 em Hromkla. O bispo de Lampron, Nersès, abriu-o com um discurso muito conciliador e inteiramente favorável à doutrina das duas naturezas. Orazione sinodale, édit. P. Aucher, in-8°, Veneza, 1812 (arm.-ital.). Cada parte apresentou, em seguida, uma série de questões ou de queixas que a parte adversa deveria explicar. Possuímos ainda este questionário; ele compensa, em certa medida, a perda das atas da assembleia. Cf. Balgy, op. cit., p. 52, 286-293. Galano, op. cit., t. I, p. 331-335; Hefele, Histoire des conciles, trad. Delarc, t. VII, p. 496-498; G. de Serpos, t. II, p. 442-454; Ter-Mikélian, op. cit., p. 104-106.

CONCÍLIO DE HROMKLA AO DE FLORENÇA (1170-1439).

Com a fundação da realeza roupênia (1196), as instituições religiosas ganham um grande desenvolvimento para a Igreja da Armênia; os concílios multiplicam-se. Não há questão de certa gravidade cujo exame não seja remetido a uma assembleia sinodal. Em 1196, no dia de Ramos, um concílio é realizado em Tarso, na presença de vários delegados gregos, e é ainda Nersès de Lampron quem profere o discurso de abertura, convidando todos os cristãos a viverem na unidade. Dulaurier, Hist. arm. des croisades, t. I, p. 422-424; Ter-Mikélian, p. 109-111. O objetivo da assembleia era conferir ao poder do novo rei uma espécie de consagração religiosa, ele 1204, outro concílio convocado desta vez em Sis, capital do reino; a julgar pelos oito cânones que nos restam, tratou-se apenas de regulamentações litúrgicas. Ver o sumário, em J. Issaverdens, op. cit., p. 176, 177. Mas o grave diferendo ocorrido entre o patriarca João e o legado da Santa Sé, Pedro, a respeito da extensão do patriarcado de Antioquia, não deve ter permanecido alheio às deliberações da assembleia.

De todos os concílios do século XIII, o mais notável é o de 1243, convocado em Sis pelo catholicos Constantino e pelo rei Héthoum. Vinte e cinco cânones foram elaborados.

Eis os principais: as ordenações devem ser gratuitas; ninguém, se não tiver trinta anos e um bom testemunho, pode ser elevado ao episcopado; ninguém antes da idade de vinte e cinco anos, e se não for digno, deve ser promovido ao sacerdócio; os padres não devem celebrar a missa sem estar em jejum; é dever dos bispos visitar duas vezes por ano a sua diocese, e os leigos são obrigados a prover as necessidades de seus pastores; enfim, o sacramento da extrema-unção, por vezes negligenciado, deve sempre ser conferido aos enfermos. Constantino publicou estes cânones em toda a Arménia por uma encíclica que chegou até nós. A. Balgy, op. cit., p. 294-300. Cf. J. Issaverdens, op. cit., p. 180-182.

Em 1251, novo concílio, o VII de Sis, reunido por ordem do papa Inocêncio IV, com o objetivo de obter de todos os arménios a profissão explícita da processão do Espírito Santo. O catholicos Constantino escreveu ao papa, ao término do concílio, que os arménios admitiam este dogma, rejeitado pelos gregos e pelos sírios. Ver o relato de Vartan, testemunha ocular, em A. Balgy, op. cit., p. 67-68; cf. G. Avedichian, Dissertazione sopra la processione dello Spirito Santo dal Padre e dal Figliuolo, Veneza, 1824, p. 71-74.

O concílio de 1307, preparado pelo patriarca Gregório VII de Anazarbe, falecido no ano anterior. Partidário das reformas reivindicadas, Gregório havia proposto um tratado completo que foi, de fato, reconhecido por um concílio em 1307. Admitiu duas naturezas, duas vontades e duas operações; aceitou os sete primeiros concílios e vários cânones disciplinares, dos quais eis os principais: o Natal será celebrado em 25 de dezembro, e o nome de Cristo deve ser acrescentado às outras festas no trisagion nos dias em que elas caem no restante da Igreja católica; cinco dias de abstinência precederão a festa do Natal, e outros cinco a da Epifania; nas vésperas da Epifania e da Páscoa, será permitido, após a missa da noite, comer ovos, óleo e peixe; um pouco de água deve ser misturada ao vinho do santo sacrifício. Ver a carta do catholicos Gregório em Galano, t. I, p. 435-450, e as atas do concílio, ibid., p. 455-471. Cf. A. Balgy, p. 70-72, 301-312; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, t. VI, p. 613; Historiens arm. des croisades, t. I, p. XXXI.

As decisões deste concílio não puderam ser executadas fora da cidade de Sis devido à oposição dos monges e de alguns prelados. Foi necessário revisá-las em uma nova assembleia plenária reunida em Adana, em 1316. Os cânones de 1307 foram examinados, confirmados, completados por outros e subscritos por todos os membros presentes, dezoito bispos, cinco vartapets, dois abades e o patriarca com o rei. Galano, op. cit., t. I, p. 471-506; A. Balgy, p. 72-76, 313-335; Hefele, Histoire des conciles, t. IX, p. 473; G. de Serpos, t. II, p. 459-466.

A controvérsia, por um instante apaziguada, reacendeu-se logo. Missionários latinos e arménios convertidos redigiram uma exposição dos erros arménios, compreendendo nada menos que cento e dezessete artigos, e enviaram-na a Roma. Aterrorizado, o papa Bento XII ordenou a convocação de um concílio, onde estes erros seriam condenados, e a fé restabelecida em toda a sua pureza. O concílio realizou-se, de fato, em 1342, e redigiu um memorial justificativo onde, com exceção de um único, declarou que as acusações lançadas contra a Igreja arménia eram sem fundamento. Cf. A. Balgy, p. 77-87; G. de Serpos, t. II, p. 166-171, e sobretudo Hefele, op. cit., t. VI, p. 707; este último autor resume cada artigo. Encontrar-se-á em Mansi, Amplissima conciliorum collectio, t. XXV, col. 1185-1270, o texto da acusação e o da resposta. Sobre a relação nominal dos membros do concílio, ver Historiens des croisades, t. I, p. LXXI, sq.

Continuou-se, depois como antes, a discutir certas questões já decididas muitas vezes. Tal como a da mistura de água ao vinho no sacrifício da missa. Mesrop de Ardaz quis (1359-1372), em Sis, reuni-las como testemunha e reunir disputas num novo concílio que levantava este detalhe, mas os bispos não puderam entender-se, ou melhor, voltando sobre a decisão tomada em 1307, a maior parte deles declarou-se a favor do vinho puro, sem admixtion d'eau. J. Issaverdens, op. cit., p. 196.

Mencionemos ainda o concílio reunido, no início do seu pontificado, pelo patriarca Jacques III com os 11 bispos da Alta Arménia, com o objetivo de derrubar o pseudo-patriarcado de Aghtamar. D. Verr, Histoire du patriarcat arménien catholique, in-8°, Paris-Lyon, 1891, p. 259, segundo os anais de Thomas de Medzoph.

De Florença aos nossos dias. — Como a maior parte dos bispos arménios tomaram parte no concílio unionista de Florença, por intermédio da Arménia, os 11 bispos de Constantinopla, dos quais dois invil, cujo nome não nos chegou, o papa enviou-lhes uma carta muito favorável. Balgy, p. 90-91, 93. Pelo facto, o papa Eugénio IV fez-se representar no concílio. Sobre os passos preliminares, ver Balgy, p. 93-101. A 22 de novembro de 1439, promulgou a união pela sua bula Exultate Deo. Texto latino e arménio em Balgy, p. 102-155. Ver CONCILE DE FLORENCE.

A história dos concílios gerais da Igreja arménia termina, propriamente falando, com o de Florença. A partir desta época, a unidade hierárquica é rompida na Arménia; dois centros rivais estabelecem-se, um em Etchmiadzin, o outro em Sis; ambos tiveram no curso dos séculos os seus sínodos particulares, cuja história é muito obscura. Mais tarde, um terceiro centro independente, o dos católicos de Constantinopla, que contará também ele as suas assembleias sinodais distintas. Mas são, na maioria das vezes, simples conselhos episcopais, não sínodos propriamente ditos.

Algumas destas assembleias tiveram, contudo, uma certa notoriedade. A primeira em data é a de Etchmiadzin onde foi criado, em 1441, o novo patriarcado da Grande-Arménia pela eleição de Grégoire Virabetzi. Ver a este propósito Thomas de Medzoph, De l'union des Arméniens et du catholicos, o ano 890 da era arménia (A. D. 1441), em apêndice à sua crónica. Cf. Tchaïntchian, Histoire d'Arménie, t. III, p. 173-492; F. Nève, L'Arménie chrétienne, p. 377-381. O relato de Thomas tem tanto mais valor quanto o narrador tomou parte nos acontecimentos da eleição da época de Grégoire. Chegou mesmo a escrever o auto.

Entre os sínodos realizados sob os diversos patriarcas católicos, é preciso mencionar:

1° o de Bzommar, no monte Líbano, de Grégoire Pierre VIII, teve lugar em outubro de 1851; mas os seus atos, desaprovados por Roma, não entraram em nenhum compêndio oficial. Cf. Ormanian, Le Vatican et les Arméniens, t. VI a, p. 149, 150, 153 sq.

2° o de Constantinopla, de 1869, interrompido ao fim de algumas sessões, e cujo questionário foi o único a ver a luz do dia. Cf. Jur. pontif. Prop. fide, part. I, t. VI a, p. 156;

3° o de Constantinopla em 1890, cujos atos formam um volumoso dossiê ainda em exame na corte de Roma.

Certos sínodos reunidos por ocasião da eleição dos patriarcas tiveram por vezes uma grande importância; tal como o de Zinar, em 1866, onde foi inaugurada a nova forma do patriarcado arménio-católico. Falei aliás disso acima. Ver os atos em Jur. pontif. Prop. fide, part. I, t. VI a, p. 453-465.

Poder-se-ia mencionar também outros documentos, tais como profissões de fé, bulas pontificais, circulares patriarcais, tratando da organização administrativa ou da disciplina. Um bom número deles são indicados mais acima no curso da história religiosa.

Bastar-me-á assinalar, devido ao seu caráter geral não menos que à sua atualidade, o mandamento enviado ao seu clero pelo patriarca atual por ocasião da sua entronização, Litterae Pauli Pétri XI Emmanuèlian, patriarchae Ciliciss Armenorum catholicorum, in-8°, Constantinople, 1912. Para o artigo, pode-se consultar as contendas de M. Ormanian.

V. Langlois, Histoire de l'Arménie, in-8°, Vagharchapat, 1874 (arm.). O Nomocanon arménio (Kanounakirk) ainda é inédito.

Autor original: L. Petit

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