APOTÁCTICOS. Hereges do século III e IV, da seita dos encratitas. Deram a si mesmos o nome de apotácticos, isto é, renunciantes, porque renunciavam ao matrimônio e à propriedade, a exemplo dos apostólicos que se diziam por vezes apotácticos, assim como outros se intitulavam cátaros, isto é, puros por excelência. Epifânio, Hœr., LXI, P. G., t. XLI, col. 1040. Como os apostólicos, professavam princípios de orgulho, de ascetismo exacerbado e de intolerância. Possuíam as mesmas ligações gnósticas; pois São Basílio, em 375, assinala o seu horror ao matrimônio e acrescenta que, a exemplo de Marcion, consideravam a criatura como má e Deus como o autor do mal, Epist., CXCIX, 1, P. G., t. XXXII, col. 732.
Acabaram por integrar a corrente maniqueísta, embora o negassem para escapar à vingança das leis; pois Teodósio, o Grande, em 381 e 383, não se deixou enganar pelos seus subterfúgios e incluiu-os nominativamente na condenação do maniqueísmo. Nec se sub simulatione fallacium eorum scilicet nominum, quibus plerique, ut cognovimus, probatœ vel et propositi castioris dici ac signari volunt, maligna fraude defendant; cum præsertim nonnullos ex his Encratitas, Apotactitas, Hydroparastatas vel Saccophoras nominari se velint, et varietate nominum diversorum velut religiosœ professionis officia mentiantur: eos enim sed omnes notabiles convertit, atque non execrandos professione illam defendi licet sectarum.
Codex Theodos., XVI, tit. V, leg. 11.
Autor original: G. Bareille
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