II. APÓSTOLOS — (Símbolo dos). Sua origem e sua autoridade. I. Origem. II. Forma da atribuição aos apóstolos. III. Autoridade. — I. Origem. O símbolo romano era a profissão de fé exigida dos fiéis para o seu batismo. Assim, é natural ser levado a pensar que a fórmula trinitária que serve de arcabouço a este símbolo foi inspirada pelas palavras de Cristo: Baptizantes eos in nomine Patris et Filii et Spiritus Sancti, Matth., xxviii, 19. Por outro lado, segundo os Atos dos Apóstolos, xix, 2-3, o batismo cristão não era conferido, nos tempos apostólicos, senão àqueles que conheciam o Espírito Santo e, consequentemente, a doutrina trinitária.
Pelo simples fato de que os efésios ignoravam o Espírito Santo, São Paulo conclui, com efeito, que eles não haviam recebido o batismo de Cristo. Ele não se enganava; pois tinham recebido apenas o batismo de João. Disso resulta que os apóstolos exigiam para o batismo, não apenas a fé em Cristo, Filho de Deus, que expressava o eunuco da rainha Candace, Act., viii, 37, mas também a fé no Pai e no Espírito Santo. Nenhum documento nos prova que essa fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo era formulada desde então em um símbolo fixo e determinado; mas é difícil não admitir que os apóstolos exigiam a sua profissão antes de conceder o batismo. Burn, An introduction to the creeds, Londres, 1890, p. 20-25; Vacandard, Les origines du Symbole des apôtres, na Revue des questions historiques, 1899, t. lxvi, p. 354.
Como o conhecimento e a profissão da fé da Igreja sempre foram impostos aos catecúmenos antes de lhes ser concedido o batismo, a cerimônia da redditio symboli, usada na Igreja Romana, remontava, em sua substância, senão nos detalhes, até as origens da Igreja. O símbolo batismal romano do século IV era, portanto, uma forma cristalizada e desenvolvida da profissão de fé trinitária em uso nos tempos apostólicos. Parece, pois, que as partes essenciais dessa profissão, isto é, a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo, forneceram-lhe o arcabouço e o núcleo.
Objetou-se, é verdade, que as adições que seguem o artigo relativo ao Espírito Santo não parecem ser o desenvolvimento deste artigo. Pode-se responder que, neste caso, a presença destas palavras Et in Spiritum Sanctum seria uma prova mais peremptória de que provêm da fórmula trinitária, se a sequência não se ligasse a ela: pois, neste caso, como explicar essas palavras que estariam como que perdidas no meio do símbolo, senão como a permanência de uma fórmula anterior onde o fim do símbolo não se encontrava? Aliás, os últimos artigos, que expressam dons sobrenaturais devidos ao Espírito Santo, que é ele mesmo o dom de Deus, podem ser considerados como desenvolvimentos do artigo sobre o Espírito Santo. Revue d'histoire ecclésiastique, Louvain, janeiro de 1901, p. 96.
Podemos, portanto, concluir que o símbolo romano é um desenvolvimento determinado da profissão batismal trinitária. O mesmo parece ocorrer com os símbolos orientais anteriores ao de Niceia. Aqueles que possuem verdadeiramente a forma de uma profissão de fé mencionam as três pessoas da Santíssima Trindade. Indiquemos as profissões de fé de São Gregório Taumaturgo, Hahn, Bibliothek der Symbole, 3ª ed., Breslau, 1897, § 185; do autor do diálogo De recta fide in Deum, ibid., § 14, e de Alexandre, bispo de Alexandria, ibid., § 15 (a profissão de fé de Ário, por volta de 321, ibid., § 186, menciona também as três pessoas, sem conter um artigo expresso para o Espírito Santo, segundo o texto reproduzido por Santo Epifânio, Hæres., lxix, 7, P. G., t. xlii, col. 213). Contudo, como algumas profissões de fé orientais posteriores não possuem artigo dedicado ao Espírito Santo, ou não desenvolvem esse artigo, Harnack, em Herzog-Hauck, Realencyclopädie, 3ª ed., Leipzig, 1896, art. Apostolisches Symbolum, p. 751, pretende que a fórmula primitiva possuía apenas dois membros (a fé no Pai e no Filho), e que não se tratava ali do Espírito Santo.
Estudando o assunto para os dois primeiros séculos, ele invoca, em favor desta opinião, documentos como 1 Tim., vi, 13, onde se trata apenas do Pai e do Filho, e afirma que, nos documentos numerosíssimos da mesma época onde se encontra a menção ao Espírito Santo, esta menção foi interpolada, em Hahn, op. cit., apêndice, § 2, 4, p. 369, 373. Compreende-se, todavia, que, ao expor o objeto da fé cristã, tenha-se ocupado sobretudo do Filho, cuja natureza divina podia ser explicada sem falar do Espírito Santo e falando apenas do Pai.
Não se pode, ao contrário, dar nenhuma razão pela qual se teria acrescentado a menção ao Espírito Santo, se ela fosse primitivamente desconhecida; pois não conhecemos nenhuma controvérsia particular daquela época sobre a existência ou a natureza do Espírito Santo. Compreende-se, pois, perfeitamente que certos textos falem do Pai e do Filho, sem mencionar o Espírito Santo, sobre o qual a atenção não se voltava então, ou sem desenvolver o que lhe dizia respeito. A menção ao Espírito Santo nos outros textos é, ao contrário, uma prova de que a fé batismal primitiva era trinitária, uma vez que a interpolação de um número tão grande de textos é inadmissível, e que a sequência do relato dos Atos, xix, 2 sq., seria rompida se suprimíssemos o versículo 3, que supõe que ninguém jamais era batizado sem ter professado sua fé no Espírito Santo.
Deve-se, portanto, concluir que as profissões de fé batismais do Oriente se formaram sobre o arcabouço das palavras de Cristo em Matth., xxviii, 19, e que, nas fórmulas orientais, os desenvolvimentos dados a essa profissão eram adições ao símbolo romano, e que é difícil fazer delas um tipo uniforme para além do fato de que a simples profissão de fé era trinitária. Se há motivos para pensar que os símbolos diferem em seus detalhes, é porque todos os símbolos diferem também quanto aos desenvolvimentos dados a cada um dos três artigos da profissão essencial.
Isso não quer dizer que os apóstolos exigissem apenas a fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo para o batismo; eles podiam acrescentar a essa profissão as adições que lhes parecessem úteis, segundo o meio onde batizavam. É, de fato, um exagero pretender, com Kattenbusch, que a profissão batismal continha todas as verdades da fé cristã; ela continha apenas as principais indicações de Cristo, Matth., xxviii, 19, que mostravam que a crença no Pai, no Filho e no Espírito Santo devia fazer parte dela; mas nada impedia que os apóstolos e seus sucessores acrescentassem outras verdades escolhidas dentre aquelas que pregavam em seu evangelho.
Essas adições podiam ser feitas tanto mais facilmente quanto a profissão de fé não parece ter sido feita, nas origens, em uma fórmula estereotipada. Não se sentia ainda, ao que parece, a necessidade de imobilizá-la em uma fórmula fixa, e a liberdade da qual se usufruía a este respeito prolongou-se por mais tempo nas Igrejas do Oriente. Em que momento se formulou o símbolo romano? Remontando às suas origens, acompanhamo-lo, no artigo precedente, em seu texto antigo até a última metade do século II. Determinamos as fórmulas já estabelecidas naquela época e as adições que lhe foram feitas posteriormente.
Faltam-nos documentos para estudar a sua história anterior. Será que São Pedro e São Paulo exigiam dos candidatos ao batismo apenas a simples profissão de fé trinitária, ou pediam-lhes também que afirmassem a sua fé noutras verdades? Impunham-lhes esta profissão batismal fora de qualquer fórmula estabelecida, ou ensinavam-lhes uma fórmula fixa? Em que data foram fixados os elementos do símbolo romano que encontrámos no De Trinitate de Novaciano, Hahn, ibid., § 11, e nas cartas dos papas do século III?
Os dados da literatura dos dois primeiros séculos não nos permitem responder a estas perguntas. Contudo, a semelhança das fórmulas do símbolo romano com as profissões de fé das Igrejas do Ocidente e mesmo do Oriente exige que se reporte esta data para uma época anterior ao século III; muitos autores, alguns até a situaram no século II, outros no século I. Mas é-lhes impossível dar à sua opinião uma base sólida. Não procuremos, pois, apenas a data da primeira forma estereotipada do símbolo, ou dos desenvolvimentos que foram acrescentados à profissão de fé trinitária, tal como era exigida pelos apóstolos a todos os batizados.
Ela constituía, como vimos, o primeiro estado pelo qual passou o símbolo romano do século IV no seu desenvolvimento, uma vez que o símbolo romano do século IV não era mais do que outro estado dessa profissão batismal. Ora, neste estado primitivo, o símbolo romano remonta certamente aos apóstolos. Aos olhos dos historiadores modernos do símbolo, esta observação não tem importância, porque eles apenas consideram no símbolo as fórmulas estereotipadas. Mas o mesmo não sucede aos olhos dos teólogos, que dão mais atenção ao fundo das doutrinas do que às fórmulas.
Com efeito, a profissão de fé trinitária, tomada de certa forma pela pessoa do Filho, é mais histórica do que doutrinal. Ao passo que a fórmula trinitária em si mesma condena antecipadamente as heresias que haviam de surgir sobre a natureza de Deus ou sobre as suas relações mútuas. Seja como for, é incontestável que este símbolo remonta aos apóstolos na parte essencial e primordial, à qual estes elementos secundários foram acrescentados. O símbolo romano não remonta, portanto, apenas aos apóstolos e a Jesus Cristo, no sentido de que todas as verdades que exprime pertencem à doutrina cristã.
Remonta também ao seu caráter de profissão de fé batismal, uma vez que a profissão de fé batismal adotada pelos apóstolos do símbolo batismal romano, e que ela continha não apenas a estrutura, mas também a atribuição dos artigos de fé principais aos apóstolos. — Esta atribuição teve várias formas nas quais se desenvolveu. Importa distingui-las para reconhecer o seu fundamento primitivo.
1ª forma. O símbolo é atribuído aos apóstolos, tal como as outras partes da tradição. — Este sentimento é formulado desde o século II, nos primeiros textos onde o símbolo é claramente reconhecível, e afirma-se a partir de símbolos aparentados ao símbolo romano, bem como do próprio símbolo romano. Santo Ireneu diz que a fé «em um só Deus, o Pai todo-poderoso, que fez o céu, a terra, os mares e tudo o que neles se contém, e em um só Jesus Cristo, o Filho de Deus, que se encarnou para a nossa salvação, e em um só Espírito Santo, etc.» foi recebida dos apóstolos e dos seus discípulos, e que é guardada pela Igreja, embora esteja espalhada por todo o universo até aos confins da terra. Ἡ μὲν γὰρ ἐκκλησία, καίπερ καθ' ὅλης τῆς οἰκουμένης διεσπαρμένη, παρὰ τῶν ἀποστόλων καὶ τῶν ἐκείνων μαθητῶν παραλαבוῦσα. Contra hœreses, l. I, c. x, n. 1, em Hahn, Bibliothek der Symbole, 3ª ed., Breslau, 1897, § 5, p. 6; P. G., t. VII, col. 549.
Noutra passagem onde se reconhecem também os elementos do símbolo, ele diz ainda: Quid autem, si neque apostoli quidquam scripturarum reliquissent, nonne oportebat ordinem sequi traditionis quam tradiderunt iis, quibus committebant ecclesias, etc. Ibid., l. III, c. iv, n. 1, em Hahn, ibid., p. 7; P. G., t. VII, col. 865. Nestas passagens, os elementos do símbolo são fáceis de distinguir. Ora, Ireneu diz que é uma tradição que remonta aos apóstolos. — Tertuliano afirma o mesmo.
Indica, sob o nome de regula fidei, diversos elementos do símbolo. De praescriptionibus, 13, Hahn, ibid., § 7, p. 9; P. L., t. II, col. 28. Acrescenta que esta regra foi instituída por Cristo, ut probabitur, a Christo instituta: habet regulam apud nos, nisi quas haereses inferunt et quae haereticos faciunt, ibid., 14, col. 27; que provém dos apóstolos, ibid., 21, col. 33; que foi dada à Igreja por Cristo, a Cristo pelos apóstolos, qua in Ecclesia ab apostolis, ab apostolis a Christo, a Christo in me regulam inoedimus, ibid., 37, col. 50.
Pode notar-se que Tertuliano atribui uma origem apostólica, não às fórmulas do símbolo, mas à doutrina, ao conjunto das verdades contidas no símbolo, do resto da doutrina cristã, sob o nome de regra de fé, nostra doctrina cujus regulam supra edidimus, 21. Se ensina em geral que a doutrina da Igreja provém dos apóstolos, ibid., declara mais especialmente que a regra de fé ou o símbolo vem deles e que eles a receberam de Cristo. Numa das fórmulas de fé contidas nas Constituições Apostólicas e que pertencem à parte mais antiga desta obra, de meados do século III, os apóstolos, «filhos de Deus e filhos da paz», expõem o sumário da sua pregação. L. VI, c. xi, P. G., t. I, col. 936; Hahn, § 9.
Esta fórmula reporta simplesmente a origem apostólica do símbolo, que apresenta como a fé que eles pregavam. São Cirilo de Jerusalém, Catech., XVIII, 32, P. G., t. XXXIII, col. 1054, chama ao símbolo batismal: ἁγία καὶ ἀποστολικὴ πίστις. Hahn, § 124. Santo Epifânio, Ancorat., 118, P. G., t. XLIII, col. 232, recomenda conservar a santa fé da Igreja, que esta recebeu em depósito dos apóstolos do Senhor, e inculcá-la diligentemente a todos os catecúmenos que se preparam para o batismo. Hahn, § 125. A atribuição do próprio símbolo romano aos apóstolos é constatada pela primeira vez na carta do concílio de Milão ao papa Sirício, que já foi citada acima. Ver col. 1661.
São Jerónimo, que foi batizado em Roma, conhece o símbolo batismal desta Igreja. A fórmula, que não está escrita em pergaminho e com tinta, mas apenas no coração dos cristãos, acrescenta ele, é de origem apostólica: In symbolo fidei et spei nostrae, quod ab apostolis traditum non scribitur in charta et atramento, sed in tabulis cordis carnalibus, post confessionem Trinitatis et unitatem Ecclesiae, omne dogmatis christiani sacramentum carnis resurrectione concluditur. Contra Joan. Hierosol., 28, P. L., t. XXIII, col. 396.
São Leão parece fazer alusão à origem apostólica do mesmo símbolo, quando escreve: Catholici symboli brevis et perfecta confessio quae duodecim apostolorum totidem est signata sententiis. Epist., XXXI, ad Pulcheriam, 4, P. L., t. LIV, col. 791. Pela mesma altura, o sacramentário dito gelasiano, que, pelo menos no seu arquétipo, representa o uso litúrgico romano do século VII, mas cujas partes são muito anteriores, e nomeadamente a liturgia da traditio symboli, contém no prefácio que precede esta traditio um desenvolvimento que supõe a mesma crença: Suscipientes evangelici symboli sacramentum a Domino inspiratum, ab apostolis traditum...
Sanctus etenim Spiritus qui magistris Ecclesiae ista dictavit... Nas Gálias, Santo Hilário de Poitiers, De synodis, n. 63, P. L., t. X, col. [...], 523, felicita os seus colegas bispos por terem mantido a fé perfeita e apostólica que aprenderam no seu batismo e por não terem precisado de fórmulas escritas, que os perigos da fé tornaram necessárias em outras igrejas. Na África, Fulgêncio de Ruspe, em Contra Fabianum fragmenta, 36, P. L., t. lxv, col. 822, 823, relata explicitamente que o símbolo é de origem apostólica. Vigílio de Tapso, Cont. Eutych., iv, 1, P. L., t. lxii, col. 119, admitia da mesma forma que a Igreja romana havia recebido o seu símbolo batismal dos próprios apóstolos. Na Espanha, Prisciliano, Tract., II, edit. Schepss, Viena, 1889, p. 49, afirma que Cristo ensinou o símbolo aos seus apóstolos para repelir o erro dos ebionitas.
Nicetas, bispo de Remesiana, na Dácia, reporta a profissão de fé batismal à tradição dos apóstolos. De Spiritus Sancti potentia, n. 18, P. L., t. lii, col. 862. Cf. Explicatio symboli, n. 8, ibid., col. 870. Desse conjunto de testemunhos, permanece incontestável que o símbolo batismal, seja na sua forma original, seja na fórmula romana ou outras fórmulas aparentadas, foi considerado como provindo dos apóstolos, ao menos em um sentido lato. Aliás, à falta de atestações explícitas, ter-se-ia podido concluir rigorosamente ao aplicar à profissão de fé batismal a regra estabelecida por Santo Agostinho, Epist., 94, ad Januar., i, 1, P. L., t. xxxiii, col. 200, de que as tradições recebidas no mundo inteiro provêm dos apóstolos.
2ª forma. A própria redação da fórmula do símbolo foi atribuída aos apóstolos. Essa forma de atribuição apostólica circulava na Itália desde o século IV. Rufino escrevia, por volta de 400: «Nossos antigos relatam (tradunt majores nostri) que após a ascensão do Senhor, quando o Espírito Santo repousou sobre cada um dos apóstolos sob a forma de línguas de fogo a fim de que pudessem ser ouvidos em todas as línguas, receberam do Senhor a ordem de se separar e de ir a todas as nações para pregar a palavra de Deus. Antes de se separarem, estabeleceram em comum uma regra da pregação que deveriam fazer, a fim de que, uma vez separados, não estivessem expostos a ensinar uma doutrina diferente àqueles que atraíam para a fé de Cristo.
Estando, pois, todos reunidos e cheios do Espírito Santo, compuseram este breve resumo da sua futura pregação, pondo em comum o que cada um pensava, e decidindo que tal deveria ser a regra a dar aos crentes. Por múltiplas e justíssimas razões, quiseram que esta regra se chamasse símbolo.» Comment. in symbolum apostolorum, 2, P. L., t. xxi, col. 337. A Explanatio symboli ad initiandos, que, na esteira de Caspari e Harnack, consideramos como obra de Santo Ambrósio, e que é em qualquer hipótese um documento italiano, no sentido indicado acima, atribui tão firmemente quanto Rufino a redação do símbolo aos próprios apóstolos: Si unius apostoli scripturis nihil est detrahendum, quomodo nos symbolum, quod accepimus ab apostolis traditum atque compositum, commaculabimus? P. L., t. xvi, col. 1155.
Rufino vinculava essa tradição dos antigos ao símbolo romano; ela não possui, contudo, nem testemunho romano nem ligação romana. Como as Constituições apostólicas, vi, 14, P. G., t. i, col. 915; Hahn, § 10, contêm com detalhes análogos uma doutrina católica, αποστολικὴν διδασκαλίαν, composta pelos apóstolos reunidos, pensou-se que Rufino tivesse extraído essa tradição, se não das próprias Constituições apostólicas, pelo menos da Didascalia apostolorum, de origem síria, da qual o seu sexto livro não é senão uma adaptação.
Essa conclusão é tanto mais verossímil quanto existiu, por volta do século IV, uma versão latina, provavelmente de origem milanesa, dessa Didascalia. E. Hauler, Didascaliæ apostolorum fragmenta, Veronensia latina, Leipzig, 1900. Se assim fosse, a tradição, que atribui a redação da fórmula do símbolo aos apóstolos reunidos em Jerusalém, teria tomado nascimento na literatura pseudoapostólica do século III. Zahn, Neuere Beiträge zur Geschichte des Apost. Symbolum, p. 215, citado por Burn, p. 316. Essa crença na redação do símbolo pelos apóstolos perpetuou-se e popularizou-se.
Foi admitida no século V, por São Máximo de Turim, Hom., lxxxiii, P. L., t. lvii, col. 433; por Cassiano, De incarnatione Domini, vi, 3, P. L., t. l, col. 147-149, em Silva et bibliotheca Patrum, Lyon, t. vi, p. 627; no século VII, por Santo Isidoro de Sevilha, De officiis eccl., ii, 23, P. L., t. LXXXIII, col. 815, 816, e por Santo Ildefonso de Toledo, Liber adnotat. in cognitione baptismi, 21 e 22, em Maxima bibliotheca Patrum, Lyon, t. xiii, p. 359; no século VIII, por Elipando, ibid., t. xiii, p. 556. Precisaram-se até os dados: cada apóstolo tornou-se o autor de um dos doze artigos.
Pedro havia ditado o primeiro, André o segundo, Tiago o terceiro, João o quarto, e assim por diante. O representante mais antigo dessa evolução é o Sermão 241 do pseudo-Agostinho, P. L., t. xxxix, col. 2189, que o deve, assegura-se, a uma peça do pseudo-Agostinho, do século VI, crê-se, da mesma mão que P. L., ibid., col. 2180; Hahn, § 12. Encontra-mo-la em Alcuíno, P. L., t. ci, col. 1034, sob o nome de São Bernardo, numa peça assim concebida: Petrus dixit: Credo in Deum Patrem; Andreas dixit: Et in Jesum Christum... etc. Alcuíno, Disputatio puerorum per interrogationes, 11, P. L., t. ci, col. 1138, e Rabano Mauro, De clericis inst., ii, 56, P. L., t. cvii, col. 368, 369, admitem-na. São Tomás, no seu Comment. in lib. IV Sentent., dist. XXV, q. i, a. 1, ad 1, Opera, Paris, 1878, t. xxx, p. 546, atribui-lhe pouca importância. Mas São Boaventura, Comment. in quatuor libros Sentent., ibid., Opera, Quaracchi, 1887, t. iii, p. 535, admite a redação dos artigos por cada um dos apóstolos, tomados separadamente. Suarez, De fide, disp. II, sect. v, n. 3, Paris, 1858, t. XII, p. 27, relata as duas explicações.
Embora esta forma de atribuição apostólica do símbolo tenha sido introduzida no Catecismo do Concílio de Trento, 1ª parte, introd., a Igreja não a reconheceu por nenhum ato oficial. «Quando o Catecismo Romano faz sua a opinião, ainda muito difundida no século XVI, de que os apóstolos, sob a direção do Espírito Santo, christianæ fidei formulam componendam censuerunt, e que christianæ fidei et spei professionem a se compositam Symbolum appellârunt, e que duodecim symboli articulis distinxerunt, o Catecismo Romano não faz senão adotar um sentimento que é o de muitos Padres.» Dom Bäumer, Das apostolische Glaubensbekenntnis, Mainz, 1893, p. 26, nota.
Em 1529, a Sorbonne censurou Erasmo por ter dito: Symbolum an ab apostolis traditum sit nescio. A Sorbonne opinava que era de fé que o símbolo dito dos apóstolos tinha sido ab apostolis editum et promulgatum, e, segundo os Padres, deveria começar por Clemente de Roma (?), D'Argentré, Collectio judiciorum, Paris, 1728, t. ii, p. 60. Mas os críticos católicos mais ortodoxos não hesitam em qualificá-la de lenda, Bäumer, loc. cit.; Vacandard, Les origines du symbole des Apôtres, na Revue des questions historiques, outubro de 1899, p. 381-410; Fouard, Saint Pierre et les premières années du christianisme, Paris, 1886, p. 318.
Outros críticos foram mais longe e pretenderam que o símbolo não provém de modo algum dos apóstolos. A discussão da sua origem apostólica começou no século XV, «por ocasião da tentativa de união feita entre a Igreja latina e a Igreja grega no Concílio de Florença. Desde o início das negociações, em 1438, enquanto os Padres ainda estavam sentados em Ferrara, como os latinos invocavam a autoridade do Símbolo dos apóstolos, os teólogos gregos, nomeadamente Marcos de Éfeso, estranharam e disseram: Para nós, não temos conhecimento deste Símbolo dos apóstolos.»
Esta declaração, bem como a de não conhecer o Símbolo, foi uma surpresa. Tendo caído em domínio público, foi recolhida e explorada pelo cânone cético Laurent Valla, que escreveu um libelo, aliás desprovido de ciência e de crítica, contra a origem apostólica do Credo latino” (Vacandard, loc. cit., p. 329). Isso ocorreu em 1440. O bispo de Chichester, Reginald Peacock, seguiu os passos de Valla em 1450. Jacques Usher inaugurou, em 1647, a crítica histórica do tema. Esta foi levada tão longe quanto possível no século XIX.
Dos fatos principais, expostos anteriormente, resulta que, descartada a lenda da redação do símbolo pelos doze apóstolos, a antiga tradição eclesiástica reportou justamente aos apóstolos as partes essenciais do símbolo que leva o seu nome (Mazzella, De virtutibus... Roma, 1891). AUTORIDADE. 1. A autoridade da profissão de fé trinitária no rito do batismo, profissão que servia de moldura e núcleo ao símbolo e que continha os seus elementos essenciais, resulta do fato de que ela provém dos apóstolos e de que lhes é atribuída pela tradição eclesiástica. Todavia, como a fórmula não era estereotipada na origem e como os apóstolos não a haviam escrito, é inexato dizer que, se o Credo batismal é obra dos próprios apóstolos, deve ser considerado como colocado ao nível da Escritura inspirada (Dom Chamard, na Revue des questions historiques, 1 de abril de 1901, p. 341-343). Suarez, De fide, disp. II, sect. V, n. 1, Paris, 1858, t. XII, observou justamente que, seguindo a doutrina dos Padres, o símbolo não foi escrito, mas apenas apresentado pelos apóstolos aos fiéis para ser aprendido de cor.
Ainda que tivesse sido redigido por escrito pelos apóstolos, não seria por isso inspirado, visto que a Igreja não o colocou na categoria das Escrituras sagradas e visto que, por outro lado, se os apóstolos, no ministério da sua pregação, gozavam da infalibilidade, não lhes era necessário, em tudo o que escreviam, o dom da inspiração. Franzelin, De divina traditione, 3ª ed., Roma, 1882, p. 372-378. Mas, se a profissão de fé batismal, que os apóstolos instituíram, não é inspirada, ela é uma dessas tradições apostólicas que, de acordo com o concílio de Trento, sess.
IV, venera-se com a mesma piedade e o mesmo respeito que as santas Escrituras. 2. Quanto ao símbolo romano sob as suas diversas formas, este não é apenas um testemunho histórico antigo, precioso e venerável da fé católica; é uma regra de fé, imposta pela Igreja aos neófitos na dispensação solene do sacramento do batismo. Os protestantes, que querem ater-se estritamente à doutrina evangélica, podem bem procurar demonstrar que o símbolo dito dos apóstolos é mais completo do que a fé do Evangelho e não se impõe, na sua totalidade, à adesão dos cristãos. Ver a Revue biblique, t. III, 1894, p. 30-32.
Os católicos não têm o direito de contestar a sua autoridade dogmática. Quaisquer que sejam a sua data e as fases diversas da sua história, a Igreja católica utiliza-o há séculos na sua liturgia e no seu ensino catequético. Ela o considera, portanto, e o impõe como um documento da sua fé oficial. S. Tomás, Sum. theol., IIa IIae, q. I, a. 9. Embora não seja, no seu teor atual, um documento sinodal e teológico, este monumento litúrgico e catequético é a expressão infalível do ensino cotidiano da Igreja; é um órgão do seu magistério expresso, e todos os pontos de doutrina que nele são afirmados impõem-se como de fé católica e, consequentemente, sob pena de heresia.
Vacant, Études théologiques sur les constitutions du concile du Vatican. La constitution « Dei Filius », Paris, 1895, t. II, p. 112.
Autor original: A. Vacant
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