APOSTOLICIDADE

APOSTOLICIDADE

APOSTOLICIDADE. A apostolicidade da Igreja pode ser considerada como uma questão de fatos ou como uma questão de noções e de sistematização teológica. A questão de fatos exige que se prove, por meio dos acontecimentos e dos textos, a realidade das noções agrupadas em torno do termo apostolicidade. Esta prova, para ser completa, abarcaria toda a doutrina da Igreja e a história de sua origem, uma vez que a apostolicidade não é outra coisa senão a identidade da Igreja consigo mesma ao longo do tempo, desde Cristo e os apóstolos; ela será tratada no verbete Igreja. Ver também Apóstolos.

O que nos ocupará especialmente aqui será a questão da sistematização e da implementação; os fatos serão apenas indicados. I. Noções e explicações. II. Demonstração teológica. — I. Noções e explicações. i. O termo e a ideia. — 1. História e uso do termo e da ideia. — i. Definição nominal. — A apostolicidade é a propriedade pela qual uma doutrina, uma prática, uma instituição ou uma igreja pode reivindicar os apóstolos como sua origem. Uma doutrina é apostólica quando remonta aos apóstolos; uma igreja é apostólica quando se vincula aos apóstolos.

Pouco importa, aliás, do ponto de vista estrito da apostolicidade, se os apóstolos foram ou não os primeiros a pregar tal doutrina ou a introduzir tal prática; pouco importa se agiram em seu próprio nome e foram realmente instituidores, ou se foram simples porta-vozes do próprio Jesus Cristo, seus ministros, os executores de sua vontade. O jejum da quaresma, se for realmente de origem apostólica, foi instituído (ou introduzido) propriamente pelos apóstolos; a primazia não é de instituição apostólica, tampouco o batismo; ambos são de instituição divina.

Pode-se dizer, contudo, que a doutrina do batismo e a da primazia papal são doutrinas apostólicas, e isso em um duplo sentido: porque remontam aos apóstolos e porque Nosso Senhor encarregou seus apóstolos de transmiti-las à sua Igreja. II. Elementos históricos, elementos teológicos. — Mas esta primeira noção de apostolicidade é ainda muito geral, puramente nominal e histórica, uma questão de fato e de termo mais do que de direito e de doutrina. A teologia deve precisar mais e aprofundar-se na questão para delimitar seu objeto.

Para isso, é necessário distinguir entre práticas, sacramentos, doutrinas e organização social. Quando o teólogo fala de práticas ou de instituições apostólicas, ele tem em vista seu caráter legal, obrigatório, permanente; ele é levado a perguntar se tais instituições e práticas são de origem apostólica propriamente dita ou se têm por autor o próprio Nosso Senhor. No primeiro caso, são leis humanas, eclesiásticas, portanto variáveis (o que a autoridade fez, a autoridade pode desfazer); no segundo caso, são leis divinas e imutáveis (Deus somente pode mudá-las, a própria Igreja nada pode fazer, no máximo pode dispensar, e ainda assim dentro dos limites em que Deus o estabeleceu).

Ora, Nosso Senhor não deu, a rigor, leis disciplinares à sua Igreja (a lei nova não é uma lei no sentido estrito e jurídico do termo). Daí se segue que, por este lado, não há nada de imutável, e que a questão da apostolicidade é uma pura questão histórica. Aí, a Igreja, como qualquer sociedade, possui um poder próprio, um poder de dispensa. Aqui, evidentemente, quanto aos sacramentos, o poder é outro. Aqui, o teólogo não pode instituí-los nem mudá-los; no máximo, o poder ministerial deixou algo a que se acrescentariam elementos exteriores, como a escolha das pessoas ou do rito, tal como Jesus Cristo deixaria à Igreja o cuidado de ordenar que se batize de tal ou qual maneira, por imersão, infusão ou aspersão, ou que os fiéis recebam a eucaristia em jejum, ou sob uma ou sob as duas espécies, etc.

A ordenança permanece imutável. Os sacramentos são, portanto, todos, quanto à substância, de origem divino-apostólica. As mesmas distinções e as mesmas conclusões se aplicam à questão que se complica gradualmente na história quando se trata de doutrinas apostólicas. O que os apóstolos transmitiram à Igreja como doutrina de Jesus ou o que escreveram como autores inspirados é a palavra de Deus infalível, que a Igreja ensina e guarda sem nada acrescentar, sem nada perder. Mas o que os apóstolos disseram por si mesmos, sem magistério infalível, isso não é a doutrina da Igreja, e a tradição pode ter-se perdido.

Aliás, nesse ponto, os apóstolos puderam enganar-se; os Atos guardaram a lembrança de uma previsão de São Paulo que, muito provavelmente, não se realizou, pois parece ter revisto, após seu primeiro cativeiro, aqueles presbíteros ou bispos de Éfeso ou de Mileto que ele não contava mais ver. Act., xx, 25. Resta, enfim, a organização social da Igreja, a instituição de sua hierarquia. A questão da apostolicidade é uma questão teológica na medida em que a Igreja se apresenta primeiro como sociedade de origem divina e, em seguida, como sociedade constituída por Cristo sob uma forma determinada, dotada por ele de seus órgãos essenciais, trazendo em si mesma o germe de vida social destinado a se desenvolver, sempre o mesmo, segundo os tempos e os lugares.

Ninguém pretende que a Igreja fosse, no dia de Pentecostes, o grande arbusto que deveria ser mais tarde. Mas é inteiramente importante saber se o desenvolvimento do germe plantado por Jesus segue a linha e o tipo definidos pelo divino fundador. Por mais ampla que seja a parcela concedida à diferenciação dos órgãos e, se se quiser, à criação de organismos secundários e humanos, a Igreja não pode reivindicar Cristo como seu fundador se não fizer remontar até ele, com suas funções sociais, seus órgãos essenciais concretos: o sacerdócio, seu episcopado, sua primazia papal.

Aqui também se vê em que limites a questão da apostolicidade é uma questão teológica. §. A apostolicidade e o desenvolvimento. — Compreende-se desde logo quão estreitamente unidas estão a questão da apostolicidade e a do desenvolvimento na Igreja. A apostolicidade não exclui o desenvolvimento, nem o da doutrina, nem o da hierarquia, nem o das instituições litúrgicas ou sociais. A Igreja, como toda sociedade viva, teve sua formação lenta e sucessiva até seu pleno desabrochar; e, uma vez florescida, continua a viver e a evoluir, sem envelhecer e sem sofrer revoluções, como pode ocorrer a qualquer outra sociedade.

Tudo se resume a determinar sob quais condições a sociedade cristã, evoluindo e desenvolvendo-se, permanecerá sempre a mesma, sempre idêntica ao tipo primitivo, sem corrupção, sem alteração. Com efeito, para compreender a natureza e o fim de cada instituição fundamental, a partir do que ela é, é preciso ver o que ela foi como fundada por Cristo. A questão será tratada mais longamente no verbete IGREJA e em outros lugares. Bastará aqui indicar rapidamente o que é necessário para compreender Jesus Cristo. As condições da apostolicidade: Jesus enviou seus apóstolos para pregar uma doutrina determinada, aquela que receberam dele, sem nada acrescentar, sem nada deixar perder; com o poder de pregar a palavra, de batizar, de perdoar os pecados, de dispensar a eucaristia, em suma, os meios de administrar a graça; e, ao poder de santificar as almas, ele juntou o de fundar e de governar a sociedade cristã, sob condições por ele determinadas.

Em breve, ele lhes deu o poder que recebera de seu Pai, mas com as instruções cujo plano ele traçara, e as instituições que ele fundou. Essa sociedade deve ser hierárquica; os apóstolos e seus sucessores, os bispos, são seus chefes. Pois vemos, por outro lado, se uma monarquia deve existir neste corpo, que este poder deve ter à sua frente, como chefe supremo, bispo dos bispos, Pedro, lugar-tenente visível de Cristo, centro e princípio visível de unidade para todo o corpo. Enfim, a esta sociedade assim constituída Jesus promete a sua assistência para sempre.

Edificada sobre a rocha, nenhuma tempestade a destruirá; as portas do inferno não prevalecerão contra ela: ela é indefectível. Indefectível na sua constituição, indefectível no uso dos seus meios de santificação, indefectível na sua forma de governo. E estas são as três coisas estabelecidas por Cristo e destinadas a permanecer para sempre na sua Igreja: mesma fé e mesma doutrina, mesmos sacramentos, mesmo governo. E a apostolicidade: estas são as condições da Igreja. É tudo? Sim e não. Sim, mas sob a condição, implicitamente contida nas precedentes, de que o poder de governar, de pregar, de absolver, de dispensar os sacramentos, se transmita de geração em geração, sem interrupção, seguindo as leis estabelecidas pelo fundador.

Se o poder se perde numa sociedade humana, a sociedade tem em si mesma meios para o recuperar, por assim dizer; o poder na Igreja é de outra natureza; tem o seu princípio em Deus; seria necessária, para o reacender, uma nova intervenção de Deus. De fato, uma sociedade que Deus refizesse assim sobre as ruínas da Igreja já não seria a Igreja; ela teria perecido. Podemos, portanto, com o Pe. de Groot, definir a apostolicidade como a propriedade graças à qual, pela sucessão legítima, pública e ininterrupta dos pastores desde os apóstolos, a Igreja continua no tempo.

É este o alcance deste vocábulo: a identidade de doutrina, a identidade de sacramentos, a identidade de governo pelo qual, através de todos os cristãos, podemos dizê-lo. Estão de acordo com esta definição, enquanto ela diz respeito à identidade dos sacramentos, das doutrinas e do governo, embora, em particular, quando se trata de autoridade, concordem menos sobre quais são as condições para que uma autoridade seja apostólica e divina. O acordo é menos completo sobre a identidade de governo. Existem, com efeito, hereges que negam que Jesus Cristo tenha estabelecido, propriamente falando, um governo, uma hierarquia.

Isso é negar o estabelecimento por Cristo de uma verdadeira sociedade, de uma Igreja. Muitos racionalistas, em nosso século, foram mais longe. Sustentaram que Jesus nunca teve a intenção de fundar uma sociedade propriamente dita, não instituiu sacramentos, nem sequer ensinou uma doutrina, se por doutrina se entendem verdades a crer; e desembaraçam-se como podem dos textos e dos fatos que provam evidentemente o contrário. Mostrar-se-á, no verbete Igreja, quão arbitrários são os seus sistemas e como se impõe ao historiador e ao filósofo o fato de que Jesus fundou a sua Igreja sob forma social, confiou-lhe uma doutrina a guardar e a difundir, deu-lhe a dispensa da sua graça pelos sacramentos e prometeu estar com ela até ao fim do mundo, para que ela pudesse continuar na terra a própria obra de Cristo.

A questão da apostolicidade não supõe apenas que Jesus edificou uma Igreja e lhe confiou uma doutrina a transmitir e graças a distribuir. Supõe ainda que o período das revelações divinas dirigidas ao gênero humano está encerrado com os apóstolos e que a Igreja não terá mais do que transmitir a doutrina recebida; supõe que a economia presente é definitiva e que a sociedade religiosa fundada por Cristo e pelos apóstolos deve bastar à humanidade; supõe, enfim, que não haverá mais, até ao fim, intervenção oficial de Deus na história religiosa do gênero humano.

Estas coisas evidenciar-se-ão suficientemente no curso deste estudo; as que não forem provadas aqui, sê-lo-ão alhures. HISTÓRIA E USO DA PALAVRA E DA IDEIA. — A palavra apostólico encontra-se, tanto em latim como em grego, desde os primeiros séculos, para designar o tempo dos apóstolos (etas apostolica), os homens que tinham vivido com os apóstolos (homo apostolicus), a doutrina recebida dos apóstolos (traditio apostolica), as igrejas fundadas pelos apóstolos ou que se filiavam a essas igrejas-mães. Ver Sophocles, citado na bibliografia.

Mas raramente se fala da Igreja apostólica, sendo a própria ideia de Igreja muito menos habitual do que a de igrejas particulares, unidas, aliás, entre si por múltiplos vínculos e constituindo uma única Igreja santa e católica, corpo místico de Cristo, esposa imaculada do redentor. Esta Igreja é, de resto, fundada sobre os apóstolos, tal como as igrejas particulares que formam a Igreja. O símbolo dos apóstolos não contém a palavra apostólico; é nas profissões de fé de origem alexandrina que a encontramos primeiro. Denzinger, Enchiridion, n. 10.

O símbolo de Niceia detém-se no Espírito Santo e nada diz da Igreja, mas, no anátema, faz-se menção à Igreja católica e apostólica: «Aqueles que dizem: houve um tempo em que ele não existia... a esses a Igreja católica e apostólica diz anátema.» Denzinger, op. cit., n. 18. A Igreja é igualmente designada como «católica e apostólica» no decreto do mesmo concílio sobre o batismo dos hereges. Denzinger, op. cit., n. 19. Finalmente, o símbolo de Constantinopla recebe a palavra: «Cremos numa Igreja única, santa, católica e apostólica.» Denzinger, op. cit., n. 47.

Vê-se que, no texto de Denzinger, a disposição das palavras difere um pouco daquela que foi sancionada pelo texto latino litúrgico: et unam, sanctam, catholicam et apostolicam Ecclesiam. Alhures, em Routh, por exemplo, os quatro adjetivos seguem-se na ordem do latim, sem vírgula nem "et". Os luteranos, os anglicanos e todas as seitas protestantes que conservaram o símbolo de Constantinopla recebem por isso mesmo a apostolicidade. Contudo, a noção tende, entre eles, a apagar-se para ver na Igreja apenas a comunidade dos santos (dos fiéis) e para lhe atribuir como caracteres distintivos apenas a pregação do puro Evangelho e a dispensa evangélica dos sacramentos. Confissão de Augsburgo, art. 7, em Koethe, Die symbolischen Bücher der evangelisch-lutherischen Kirche, Leipzig, 1830, p. 18.

A própria palavra não se encontra nem na Confissão de Augsburgo, nem nos artigos de Esmalcalda, nem nos Catecismos de Lutero. Segundo o artigo 12 de Esmalcalda, «as próprias crianças de sete anos sabem que... a Igreja... são os santos crentes, as ovelhas que ouvem a voz do seu pastor; pois dizem na sua oração: Creio numa santa Igreja cristã (ou de Cristo).» Koethe, p. 236. É a fórmula do símbolo luterano, aquela que é dada e explicada tanto pelo Pequeno Catecismo de Lutero, A fé, terceiro artigo, Koethe, p. 259, como pelo Grande Catecismo, p. 322.

Deve notar-se, aliás, que a palavra "cristã" não substitui, nestas passagens, a palavra "apostólica" do símbolo de Constantinopla, mas sim a palavra "católica" do símbolo dos apóstolos (pois é o símbolo dos apóstolos que Lutero explica nos seus Catecismos, é ele que as crianças recitam na sua oração). Embora se tenha tornado um dos termos oficiais pelos quais se designava a Igreja universal, a palavra apostólico continuava a ser usada ao falar das igrejas particulares, como substantivo, no sentido de bispo; como adjetivo, no sentido de episcopal.

Toda a catedral podia chamar-se ecclesia apostolica, toda a sé episcopal apostolica sedes, todo o bispo Apostolicus. Ver Du Cange, Glossarium, no verbete Apostolicus, Paris, 1733, t. i, p. 567-569. A ideia era sempre a mesma, a de sucessão apostólica, de continuidade com os apóstolos através dos bispos, seus sucessores. Contudo, houve sempre uma tendência para restringir a palavra, fosse ao Papa, fosse às igrejas fundadas imediatamente pelos apóstolos. Já Tertuliano, num momento de irritação, empregava a palavra apostolicus para designar o papa. De pudicitia, 21, P. L., t. ii, col. 1024. São Atanásio, Hist. arian., c. xxxv, P. G., t. xxv, col. 733, chamava a sede apostólica para designar a sede de Roma; desde os tempos de São Gregório Magno, o título de apostólico era corrente para designar o papa, Vita Gregorii, 24, P. L., t. lxxv, col. 54; o concílio de Reims, em 1049, excomungou o arcebispo de Santiago de Compostela que ousou arrogar-se o culmen apostolici nominis, Labbe, Concilia, Paris, 1671, t. ix, col. 1041, e todos sabem que, durante a Idade Média, foi assim que se designou ordinariamente o papa.

É ainda neste sentido que rezamos nas ladainhas pelo «Senhor apostólico», Domnum apostolicum, embora a palavra pudesse, na origem, significar também o «senhor bispo». Sabe-se, por outro lado, que, desde os primeiros séculos até a Idade Média, houve diversos heréticos que adotaram o nome de apostólicos por uma razão ou por outra. Ver Apostoliques, hérétiques, col. 1631. 2. Uso teológico da ideia. Desde os primeiros séculos, a noção de apostolicidade foi de grande uso, seja na exposição, seja na controvérsia.

Clemente, Inácio, Policarpo, a Epístola a Diogneto e o Pastor de Hermas reiteram unanimemente que a Igreja está fundada sobre os apóstolos, que sua doutrina é a dos apóstolos e que não se deve receber outra; que os bispos são os sucessores dos apóstolos e que é necessário permanecer unido a eles para estar unido a Cristo. Ver, para os textos, as tabelas de Funk, Patrum apostolicorum Opera, t. i, Leipzig, 1887. Tertuliano e Irineu dão à apostolicidade pleno desenvolvimento em sua luta contra os gnósticos.

Eles não cessam de repetir que a verdadeira doutrina é aquela que Jesus confiou aos seus apóstolos e os apóstolos aos bispos; se se quer obter a verdade, deve-se, portanto, buscá-la nas igrejas fundadas pelos apóstolos, ou entre as filhas dessas igrejas-mães, buscá-la notadamente na Igreja romana, centro de unidade entre todas as igrejas. É sobretudo a doutrina que preocupa Tertuliano, e é sobretudo o fato da tradição apostólica, conservando e transmitindo essa doutrina, que está encarregado de transmiti-la. Mas a questão do fato episcopal implica uma questão de direito; eles mesmos nos fazem entender suficientemente isso ao nos dizerem a necessidade de ver, através das igrejas, o nível vivo da fé que pesca o erro; e, consequentemente, lembrando que o Espírito Santo é o privilégio divino na Igreja, coube a São Cipriano insistir mais sobre a unidade do corpo apostólico, para fazer ressaltar vivamente a natureza anticristã do cisma e da heresia. Ver na bibliografia.

Desde o século III, a doutrina da apostolicidade estava, portanto, desenvolvida em seus traços principais. Agostinho teve muita ocasião de fazer uso dela, e não falhou nisso. É verdade que ele ainda não justapõe os termos de Igreja apostólica (universal); mas ele fala incessantemente de doutrina apostólica, de sucessão apostólica, de tradição apostólica, de igrejas apostólicas, e a apostolicidade ocupa um grande lugar em seu ensino, como sendo uma propriedade essencial da verdadeira Igreja e como uma marca distintiva frente às comunidades heréticas.

A apostolicidade, por outro lado, concretiza-se nele nas igrejas apostólicas, fundadas pelos apóstolos; e ele nomeia sobretudo a de Jerusalém e a de Roma; toda a sua doutrina, aliás, supõe, evidentemente, que a origem apostólica não é nada se a sucessão não for legítima. Ver Specht, citado na bibliografia. São Tomás não trata em parte alguma explicitamente da apostolicidade da Igreja, e é curioso que, no opúsculo In symbolum (redigido talvez por um discípulo, mas sobre as lições do mestre), a propriedade da apostolicidade seja substituída pela estabilidade inabalável.

Isso dá uma bela ideia, mas menos precisa e menos plena que a apostolicidade. Outra vez, ele coloca a questão da Igreja de outra forma que a dos apóstolos? Belarmino e nossos tempos resolvem; não mais, é verdade, em suas Controvérsias, não dá à apostolicidade toda a importância que se esperaria, ou melhor, ele decompõe, por assim dizer, a noção apostólica em seus diversos elementos: antiguidade, duração, sucessão, unidade de doutrina com a antiga Igreja, união dos membros entre si e com o chefe. Ver na bibliografia.

São Francisco de Sales faz o mesmo, nas Controvérsias. É verdade que ele anuncia um capítulo diretamente intitulado Apostolicidade, mas esse capítulo não foi escrito. Ver na bibliografia. Desde o século XVII, os teólogos serviam-se expressamente da apostolicidade e das controvérsias como de uma arma poderosa contra a heresia; desde então, não cessaram de manejá-la bem. Mas ninguém, e talvez Bossuet, soube tirar proveito dela tão bem quanto Newman.

Em suma, a noção de Igreja sempre foi a noção de apostolicidade. Muitas vezes, até mesmo heréticos abusaram dela para tentar se levantar contra a Igreja, sob pretexto de trazê-la de volta à sua pureza primitiva. Ver Apostoliques, hérétiques. Foi também a pretensão dos católicos da Reforma, o que trouxe a um relevo mais vigoroso não apenas a identidade histórica e doutrinal da Igreja atual com a Igreja dos primeiros séculos, dos apóstolos, de Cristo, mas também a indefectibilidade prometida por Cristo à sua Esposa.

Contudo, uma dificuldade permanecia: a das diferenças manifestas entre a Igreja no berço e a Igreja adulta. São Tomás respondia a isso em algumas linhas profundas, distinguindo o que é substancial e divino do governo do que é desenvolvimento. Entretanto, Newman mostrou, mais do que qualquer outro, que não houve corrupção, ao estudar as condições desse desenvolvimento legítimo. E o desenvolvimento esboçou uma solução da doutrina, trad. franc., Paris, 1848, e a solução respondia aos contraditórios do racionalismo que lança a reprovação à Igreja de ser imóvel e mumificada, ou que se atém às manifestações mais retumbantes, intelectuais ou morais, para gritar que ela muda, que ela não é mais ela mesma.

Enfim, o sentido histórico, mais desenvolvido em nosso século, fez compreender melhor o que há de único e divino nessa admirável identidade da Igreja consigo mesma através dos tempos e dos lugares, nessa sobrevivência a todas as causas de ruína, nessa sobrevivência a todas as revoluções, nessa vida sempre a mesma e sempre com essa fecundidade adaptada às necessidades que nada esgota. Bossuet e Joseph de Maistre haviam atraído a atenção sobre este ponto, que descrentes como Macaulay apontaram eles mesmos com tanta admiração, e mostraram que o dedo de Deus estava ali.

Nossa Senhora, o concílio do Vaticano deveria sancionar e desenvolver o processo. Em nossos dias, todos os teólogos tratam da apostolicidade seja como propriedade essencial, seja como nota distintiva. Para este último ponto, a Igreja, contudo, entre eles, uma diferença para toda a questão das notas: há aqueles que tratam evidentemente independentemente da primazia de Roma, ou sede apostólica, como sede papal; é aquela cuja comunhão foi considerada, desde os primeiros séculos, como um sinal e uma garantia de união com a Igreja apostólica.

Alguns, como o abade L'Idiot, levam em conta, já que é fácil de provar, a Igreja apostólica fundada sobre Pedro: «Béat» sendo, neste ponto, perfeitamente claro. Mas proceder assim é suprimir, de fato, o argumento das notas, é renunciar ao uso tradicional de mostrar a Igreja romana como a verdadeira Igreja pelas notas essenciais, sem passar pela primazia. — II. DEMONSTRAÇÃO TEOLÓGICA. Após as linhas que precedem, a demonstração teológica será fácil de compreender.

Pode-se resumi-la em dois pontos: I. PRINCÍPIO DA APOSTOLICIDADE. Tudo se resume em duas proposições: 1° A apostolicidade é uma propriedade essencial e distintiva da Igreja; ela implica, tanto na origem quanto na doutrina, a apostolicidade, sendo necessária a sucessão apostólica.

2° A apostolicidade, considerada como marca essencial e legítima, implica a sucessão apostólica de doutrina. — A apostolicidade exige uma e outra. Jesus Cristo fundou a sua Igreja sobre os apóstolos. Os apóstolos deveriam reunir todo o rebanho e apascentar as ovelhas. Foi-lhes dado o poder de continuar a sua obra; como Ele foi enviado, disse-lhes que construíssem o edifício cujo plano Ele próprio traçou e cujos fundamentos lançou. Que ensinem o que Ele lhes ensinou e não o que não será salvo; aquele que não os ouvir, não lhes obedecerá: aquele que não a recebe.

Que batizem, que perdoem, que renovem o rito divino da Eucaristia; em suma, que sejam, ao mesmo tempo que pregadores da palavra, os dispensadores dos sacramentos. Que governem, enfim, esta Igreja, que devem reunir por sua palavra e santificar pelos sacramentos. Jesus está com eles até o fim dos séculos, o seu Espírito os assistirá, e o inferno jamais prevalecerá contra o reino de Cristo. Os Atos e as Epístolas nos mostram os apóstolos em ação; a sociedade que fundam possui uma doutrina, meios determinados de santificação, uma constituição e uma autoridade.

Já também os vemos criando bispos, escolhendo sucessores para a mesma obra de ensino, de santificação e de governo. Os escritos dos Padres apostólicos mostram em ato o que os apóstolos fizeram, e fornecem, ao mesmo tempo que o ensino apostólico, a teoria da apostolicidade. Fica, portanto, estabelecido que os apóstolos são os chefes da Igreja e que os bispos estabelecidos por eles devem suceder-lhes com o mesmo poder; que preguem, não as suas próprias ideias, mas o que aprenderam de Cristo e do Espírito Santo, e que os seus sucessores devem ensinar e transmitir fielmente a doutrina recebida, nada mais, nada menos.

Se deve haver algumas diferenças entre os apóstolos enquanto tais e os bispos seus sucessores, elas dizem respeito a privilégios especiais (ver Apóstolos), não aos pontos que acabamos de indicar. 2. A apostolicidade, marca distintiva da Igreja de Cristo. — Trata-se aqui da sucessão dos pastores ou da identidade de governo. A identidade de doutrina, por si só, não seria uma marca suficiente e exclusiva. Se uma sociedade ensina uma doutrina contrária à de Cristo e dos apóstolos, ela é julgada. Mas do fato de a doutrina ser ou parecer ser verdadeiramente apostólica, nada se pode concluir.

Ocorre o contrário com a sucessão legítima dos pastores. Com ela, há continuidade; sem ela, não. Com ela, aliás, tem-se a certeza, sem outro exame, da verdadeira doutrina, pois foi ao corpo dos pastores que foi confiado o depósito e a quem foi prometido o Espírito Santo para guardá-lo e transmiti-lo. Conhecem-se os belos textos de Irineu e de Tertuliano sobre este assunto. Eles apenas resumem e formulam o ensino de Cristo e dos apóstolos. Sem essa sucessão legítima, não há missão para ensinar; consequentemente, não há autoridade; por maioria de razão, não há garantia divina.

É preciso ver com que desprezo os santos Padres, notadamente São Cipriano, tratam esses hereges e esses cismáticos que têm por única missão aquela que eles mesmos se atribuíram. É o que explica as angústias de Lutero para encontrar uma missão para si; o que explica os esforços desesperados dos anglicanos para sustentar a validade das suas ordenações, condição necessária, ainda que não suficiente, da sucessão legítima, e para sustentar, como podem, a continuidade apesar do cisma. É, com efeito, uma coisa evidente: sendo a Igreja um corpo social hierárquico, é preciso pertencer a este corpo social para ter parte na autoridade da sua hierarquia.

Sem sucessão apostólica, a hierarquia já não é aquela que Cristo instituiu: é uma obra humana; a autoridade nela não existiria, pois o poder de ordem não implica, por si só, o poder de jurisdição: este último está ligado à missão, à sucessão legítima. Não basta reivindicar Cristo, nem mesmo ter os sacramentos. Somos dos seus, somos da sua Igreja (falo no foro externo) quando obedecemos aos pastores por Ele estabelecidos, por Ele enviados. É, portanto, uma questão capital para uma Igreja a da sucessão legítima. Vejamos onde se encontra essa missão. II.

APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO: QUAL É A VERDADEIRA APOSTOLICIDADE? Há duas maneiras de proceder. Pode-se resolver a questão grosso modo, por assim dizer, sem sutilezas, por uma visão de conjunto sobre os diferentes grupos cristãos que se reivindicam de Cristo, e pode-se resolvê-la com uma precisão mais científica. — 1. Solução pela observação concreta. A sociedade fundada por Jesus deve estar em algum lugar do mundo, uma vez que Jesus lhe prometeu a duração; deve ser viva e visível, reivindicando para si essas prerrogativas que o Evangelho lhe promete, mostrando-se como a continuadora do passado, capaz de apresentar os seus títulos e de legitimar as suas pretensões.

Não pode ser, evidentemente, senão a Igreja latina, ou a Igreja grega, ou o protestantismo, sob qualquer nome que se lhe dê, ou o anglicanismo, ou o agrupamento de todos aqueles que, sob qualquer título, se reivindicam do Salvador Jesus. Não pode ser o agrupamento de todas essas seitas, cujas doutrinas se opõem e que se anatematizam: é demasiado evidente que elas não constituem uma sociedade, assim como a França e a Alemanha não constituem um Estado. É preciso renunciar à ideia de uma Igreja visível ou renunciar à ideia de uma Igreja assim separada em fragmentos.

Resta, portanto, buscar qual é, dentre as seitas cristãs, aquela que continua os apóstolos, aquela que é a sua legítima herdeira. Seria a Igreja grega ou a Igreja russa? Quem o crerá? Não existe nem mesmo uma Igreja grega; e, quanto à Igreja russa enquanto tal, é uma instituição de Estado. Seria o protestantismo? Mas ele não forma uma Igreja. Seria o anglicanismo? Sinais demais evidentes mostram que o cisma marcou a sua mão: tem a sua data, e Roma se impõe. Assim, mais ou menos, raciocinava Newman, e foi o que o tornou católico.

"Os escritos dos Padres... foram a única e exclusiva causa intelectual da sua ruptura com a religião do seu nascimento e da sua submissão à Igreja Católica..." Se lhe for perguntado por que se tornou católico, ele não pode dar outra resposta, aquela que sua experiência íntima, que sua consciência das coisas católicas lhe apresenta simplesmente como a única porque verdadeira: — ele a recebeu porque a via, a Igreja e ela apenas, como a Igreja dos Padres; porque mantinha que havia uma Igreja sobre a terra até o fim do mundo, e apenas uma; e porque, se não fosse a comunhão de Roma, e ela apenas, não haveria nenhuma; porque, para empregar uma linguagem de uma reserva deliberada, por ser a linguagem da controvérsia, « todos os partidos estarão de acordo que, de todos os sistemas existentes, a comunhão atual de Roma é, de fato, a imagem mais próxima da Igreja dos Padres, ainda que se creia, se se quiser, que se pode estar mais perto dela ainda no papel; » porque, « se são Atanásio ou são Ambrósio voltassem subitamente à vida, não haveria dúvida possível sobre a comunhão que escolheriam, — » entenda-se, « que reconheceriam como a sua; » porque « todos concordarão que esses Padres, apesar de todas as diferenças de opinião e, se quiserem, de todos os protestos, encontrar-se-iam mais em seu elemento com homens como são Bernardo ou santo Inácio de Loyola, ou com o padre solitário em sua morada, ou com as santas irmãs de caridade, ou com a multidão iletrada diante dos altares, do que com os chefes ou os membros de qualquer outra comunidade religiosa ».

Eis o grande fato histórico, para o qual convergiram todas as minhas pesquisas particulares. O cristianismo não é matéria de opinião, é um fato exterior, que penetra a história do mundo, que nela se realiza, que dela é inseparável. Ele cobre materialmente o mundo, é um fato contínuo, o mesmo de ponta a ponta, distinto de todo o resto; ser cristão é pertencer a este sistema, é submeter-se a ele; e toda a questão era ou é: qual é atualmente essa coisa que, ao princípio, era a Igreja católica? A resposta impunha-se; a Igreja agora chamada católica.

O cristianismo não é, portanto, matéria de opinião. [...] A Igreja apostólica é uma sociedade real, e se não é uma sociedade real, não é nada. Mas as igrejas orientais ou a de Atenas formam uma unidade real? Se o patriarca de Moscou, ou o de Constantinopla, ou os governos das igrejas autônomas pretendiam que uma unidade real dependia de um concílio ecumênico, o fato é que tal autoridade suprema não existe, pois nunca houve um concílio ecumênico que fosse, ele mesmo, o governo supremo, a menos que se admita que a autoridade suprema supõe o recurso ao papa.

E, de fato, entre os gregos, os russos, os búlgaros, etc., não há uma autoridade social, uma autoridade que pudesse impor seus decretos ou exigir a obediência dos bispos latinos. Se não existe tal autoridade, ela não é a Igreja apostólica. [...] A conclusão é que a unidade visível é a marca da Igreja. Mas os anglicanos? Eles não olham para a comunhão romana, que se impõe como a continuidade, senão como um cisma; eles reivindicam a apostolicidade como a Inglaterra. O primado do papa, como dizia Newman, é, nas igrejas protestantes, uma "teoria de papel". [...] Quer-se tomar a questão por outro viés?

Estudemos a continuidade e a missão legítima. A Igreja apostólica teve de vir dos apóstolos até nós por uma continuidade de missão. Esta cadeia foi rompida? Se foi, em que dia? Se a Igreja continuou, ela era una com a Igreja dos apóstolos. A Igreja de Roma foi uma com a Igreja dos apóstolos. Mas e as outras igrejas? Ou são cismáticas, ou são, cada uma, a Igreja? Ter posto a questão é tê-la resolvido. Mas, então, o que dizer dos chefes das igrejas autônomas e autocéfalas? O mesmo raciocínio aplica-se à igreja anglicana, e seria divertido ver os esforços dos anglicanos para se forjar uma continuidade a todo custo, para lançar uma ponte sobre o cisma, como se os bispos bretões, aos quais são Agostinho veio como missionário, não tivessem recebido a fé de Roma, como se a sua situação não fosse o resultado, num momento dado, de um cisma, mais fruto do obstinação de Henrique ou de Isabel do que de qualquer outra coisa!

O mesmo se aplica às seitas de Lutero e de Calvino e aos esforços para se conferir uma continuidade. Enquanto reclamarem e se ligarem diretamente aos apóstolos, sem passar pela sucessão da Igreja, negam a realidade da missão, que os apóstolos protegiam e que as seitas separadas do corpo de Cristo não possuíam. [...] Esses raciocínios não supõem a primazia do papa, a qual, contudo, aparece tão luminosa no Evangelho e na história. Eles não explicam tudo, mas apoiam-se sobre um fato, manifesto contudo nos primeiros séculos, e que lança ele também uma luz nova sobre nossa tese.

A comunhão com a sede apostólica era tida por todas as igrejas como uma condição necessária e um sinal suficiente de ortodoxia e de unidade. Não é preciso deter-se aqui para provar que a Igreja dos primeiros séculos era a Igreja visível e gloriosa, aquela em que se encarnava a doutrina dos apóstolos; os textos conhecidos de Irineu, de Tertuliano e de Cipriano são demonstrações eloquentes disso. A totalidade da continuidade da Igreja é conhecida; é um organismo poderoso, cuja doutrina é a sua própria vida. Quando as diferenças se manifestam ou se eclipsam, percebe-se que elas não fazem mais do que tornar patente, através dos séculos, que a Igreja foi e é sempre a mesma, segundo a promessa de Jesus.

Quanto à convicção de que a Igreja é uma árvore que remonta sem interrupção aos apóstolos, Bossuet resume a questão com uma linguagem digna de Deus: «É também essa sucessão que nenhuma heresia, nenhuma seita, nenhuma outra sociedade senão a única Igreja de Deus pôde arrogar-se. Aqui caem aos pés da Igreja todas as sociedades e todas as seitas que os homens estabeleceram dentro ou fora do cristianismo... Há sempre um fato infeliz para eles (os heresiarcas), que jamais puderam ocultar: o da sua novidade. Parecerá sempre, aos olhos de todo o universo, que eles e a seita que estabeleceram se destacaram desse grande corpo e dessa Igreja antiga que Jesus Cristo fundou, onde São Pedro e seus sucessores ocupavam o primeiro lugar, na qual todas as seitas os encontraram estabelecidos.

O momento da separação será sempre tão constante que os próprios heréticos não o poderão desmentir, e que não ousarão sequer tentar fazer com que derivem da fonte por uma sucessão que jamais se tenha visto interrompida. [Desde Bossuet, alguns o tentaram, mas sem sucesso; se antes dele alguns esforços foram feitos no mesmo sentido, eram desprezíveis.] É a fraqueza inevitável de todas as seitas que os homens estabeleceram. Assim, além da vantagem que tem a Igreja de Jesus Cristo de ser a única fundada sobre fatos miraculosos e divinos... eis, em favor daqueles que não viveram naqueles tempos, um milagre sempre subsistente, que confirma a verdade de todos os outros: é a sucessão da religião sempre vitoriosa sobre os erros que tentaram destruí-la.»

Discours sur l'histoire universelle, IIe part., C XXXI. Concluamos em poucas palavras. A Escritura e os Padres nos dizem que a verdadeira Igreja deve ser apostólica. A história nos mostra que a Igreja romana é, e é a única, apostólica. I. Principais textos da Escritura relacionados com a apostolicidade: Matth., iv, 18-19; x, 1-4; xvi, 18-19; xviii, 17-18; xxviii, 18-20; Marc, iii, 13-15; xvi, 15,16; Luc, v, 10; vi, 13-16; ix, 1-2; x, 1, 16; xxii, 26-27, 33; xxiv, 45-48; Joa., i, 42; x, 16; xi, 52; xiii, 20; xiv, 16-17; xv, 16; xvi, 12-15; xvii, 17-22; xx, 21-23; xxi, 15-17; Act., i, 2-5, 8, 21-26; ii, 14, 42; iv, 33; v, 12; viii, 14; xiii, 1-4; xiv, 22; xv, 4-5, 6, 22-23; xvi, 4; xx, 28; Rom., i, 1, 5; x, 14-18; I Cor., i, 1; iii, 5-11; iv, 1; ix, 1-2; xii, 28; II Cor., v, 20; Gal., i, 1, 8-9; ii, 6-9; Eph., ii, 20; iv, 11-16; I Tim., iii, 14-15; iv, 14; vi, 20-21; II Tim., i, 6, 13-14; ii, 2; iii, 14; Tit., i, 5; Apoc., xxi, 14. II.

Textos dos santos PADRES. Para os Padres apostólicos, ver Funk, Opera Patrum apostolicorum, t. I, Tubinga, 1881, aos vocábulos 'A7to

Ver ainda os índices de Hartel ou de Migne (t. IV) aos vocábulos Apostoli, Ecclesia, Episcopus; e a dissertação de Dom Maran, P. G., t. XLVIII, col. 15 sq.; cf. Specht, Les traités de l'Église, t. III, col. VIII sq. Para Santo Agostinho, ver nomeadamente o belo grupo desses textos; ver Segna, abaixo. III. Autores diversos. Todos os tratados teológicos sobre a Igreja abordam, sob uma forma ou de outra, a questão da apostolicidade. Vários autores, como Franzelin e Batiffol, ligam a apostolicidade (enquanto tal), fornecem os textos e noções das quais a apostolicidade se depreende.

Na lista alfabética que segue, serão indicados alguns desses tratados teológicos De Ecclesia (em geral, aqueles que oferecem alguma particularidade sobre o tema que nos ocupa); mas faz-se menção sobretudo de trabalhos que seriam ou menos conhecidos, ou mais especiais, ou menos designados pelo seu título: — J.-V. Bainvel, L'idée de l'Église et son évolution, na Science catholique, maio de 1890, p. 485 sq.; L'Église, (passim): L'évolution de l'apostolicité dans les papes, seguindo Hugues d'Amiens, junho de 1890, p. 578; Les évêques et le pape, segundo Inocêncio III, p. 588; L'Église romaine et l'Église universelle, segundo o mesmo, outubro de 1899, p. 978 sq., e 985, L'apostolicité d'après saint Thomas; Batiffol, L'Église naissante, na Revue biblique, 1894, p. 503 sq., 1896, t. IV, p. 137 sq., 493 sq.; Bellarmino, Controversia de Ecclesia, 1. IV, c. v, vi, viii, ix, x, xix, Nápoles, 1856, t. II (muitas vezes reeditado); Bossuet, Histoire des variations, 1. XV, n. 3, 44, Œuvres, Versalhes, 1816, t. XX; sobretudo as duas peças e as Instructions pastorales sur les promesses de l'Église, t. XXII; Discours sur l'histoire universelle, IIe part., c. xxxi; Billot, Tractatus de Ecclesia Christi, Roma, 1898, 1. I, q. VI, p. 81 sq., 94 sq., 120 sq., 152 sq., 174 sq. e passim. de Broise, De Ecclesia Christi (curso autografado), Paris, 1899-1900, p. 78-88; Paris, 1891, col. 1024-1034; Logique surnaturelle objective, Paris, 1892, teorema 87, n. 817 sq.; Döllinger, La réforme, trad. franc., Paris, 1850, t. III, p. 190 sq.; t. I, p. 567-569; Du Cange, Glossarium, vocábulo Apostolicus, t. IV, p. 1733, sq.; S. François de Sales, Les controverses, Œuvres, editadas por dom Mackey, Annecy, 1874; p. 40 sq.; De la mission, 1892, p. 140 sq.; Franzelin, De Ecclesia, Roma, 1887, t. I, c. III, p. 123 sq.; De traditione et Scriptura, Roma, 1882, c. II, art. 13 e 14, passim; Freppel, Saint Irénée, Paris, 1886; 3ª ed., 1887; Tertullien, Paris, 1887; 2ª ed., 1889 (insiste, com mais aparência talvez aqui e ali do que sólida razão, sobre o fato de que a Igreja deve ter prerrogativas apostólicas, e não as possui senão na e pela pessoa do papa); P. Gallwey, Apostolic succession, Londres, 3ª ed., 1889; — Groot, Summa apologetica de Ecclesia catholica, Ratisbona, 1890, t. I, q. V, a. 5, p. 155; q. VI, a. 1, 2, 5, p. 187; Ad. Harnack, Lehrbuch der Dogmengeschichte, 3ª ed., Friburgo em Brisgóvia e Leipzig, 1894; ver o índice, t. III, aos vocábulos Apostolische Succession, Apostel, Kirche e Kirchenbegriff (visões do racionalismo dito histórico sobre o nascimento da Igreja e sobre a origem das nossas teorias da Igreja; o Précis de Harnack foi traduzido por E. Choisy, Précis de l'histoire des dogmes, Paris, 1893, ver a tabela nas entradas Apôtres, apostolique, Église, Kerygma); Fr. Aug. Koethe, Concordia, Die symbolischen Bücher der evangelisch-lutherischen Kirche, Leipzig, 1830; cardeal de la Luzerne, Instruction pastorale sur le schisme de France, Langres, 1805, n. 17 e segs., t. I, p. 45 e segs.; Dissertations sur les Églises catholiques et protestantes, Paris, 1816, t. II, c. VII, p. 51-70 (erudito e bem conduzido); Macaire, Introduction à la théologie orthodoxe, traduzido por um russo, Paris, 1857, parte II, seita. III, cf. n. 3, § 143-144, p. 566 e segs., cf. seita. II, § 119 e segs., p. 504 e segs. (visões de um bispo russo sobre a apostolicidade e críticas habituais contra a Igreja romana); J. de Maistre, Du pape, passim, nomeadamente sobre a unidade e os efeitos do cisma, e sobre a natureza da Igreja, l. IV, em Migne, Theologiae cursus, t. XXV, col. 1194-1206; Milner, Fin de la controverse religieuse, cartas 31-33; trad. franc., em Migne, Démonstrations évangéliques, t. XVII, col. 777-810; Th. Moore, Voyage d'un gentilhomme irlandais à la recherche d'une religion, passim, nomeadamente c. XXI, XXVII, XXIX, XXXIV, XLIX (demonstra vivamente a identidade do catolicismo com o cristianismo dos primeiros séculos, e a novidade do protestantismo ou do anglicanismo), trad. franc. em Migne, Démonstrations évangéliques, t. XIV; Newman, Lectures on the difficulties of anglicans, 4ª ed., Londres, trad. franc. por J. Gondon, Conférences prêchées à l'oratoire de Londres, 5ª conferência, Paris, 1851, t. I, p. 153 e segs.; An essay on the development of Christian doctrine, 2ª ed., Londres, 1894; trad. franc. pelo abade Gondon, Paris, 1848; Palmieri, De romano pontifice, prolegomenon, § XXVI, Roma, 1877, p. 215 e segs., existe uma segunda edição (1891); abade Perreyve, Entretiens sur l'Église, Paris, 1865, c. II, § 2-7; c. III, § 1-11; Perrone, Prælectiones theologicae, t. I, De vera religione, c. III, propos. 1 e 2, n. 167 e segs., Paris, 1879, t. I, p. 284 e segs.; Régnier, De Ecclesia, Paris, 1894, p. 61 e segs.; Pesch, Prælectiones dogmaticæ, t. I, Friburgo em Brisgóvia, 1894, parte I, p. 388 e segs., p. 427 e segs. (muito desenvolvido); Schwane, Dogmengeschichte, Münster, 1862, t. I, § 70; t. IV, p. 321; ver a tabela na entrada Apostolicité; — Sixtus, De constitutione et regimine Ecclesiae, Roma, 1900, passim, nomeadamente parte I, c. I, II, VII; parte II, c. X, XI (muitos documentos úteis); Sydney-Smith, em The Month, abril e junho de 1888, abril de 1889 (sobre as pretensões anglicanas à apostolicidade); S. Tomás, Summa theol., II-II, q. I, a. 9, 10; q. II, a. 6; q. III, a. 3; q. IV, a. 1; q. V, a. 3, 4; III, q. VIII, a. 3; Quodlibet., XI, a. 19; Opusc. XXVII; — Wilmers, De Ecclesia Christi, Ratisbona, 1897, p. 576 e segs.; ver também Wiseman, Conférences, sobretudo a IXª, trad. Nettement, Paris, 1839, t. II, p. 91 e segs., e em Migne, Démonstrations évangéliques, t. XVIII, col. 487 e segs. (sobre as pretensões anglicanas). IV.

ESCRITOS HISTÓRICOS. — Poder-se-ia citar ainda uma multidão de escritos históricos, seja sobre as origens da Igreja, seja sobre os cismas e as heresias.

Autor original: J. Bainvel

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