1° São Gregório, o Iluminador, apóstolo da Armênia (+ 332), em sua Doutrina preservada por Agatângelo, autor contemporâneo, em sua Histoire, Veneza, 1862, diz sobre os anjos: 1° «Deus criou da terra os corpos terrestres, e da luz os anjos, ornando-os com uma luz esplêndida,» c. xxxvi; 2° «Eles habitam nos ares superiores, acima do firmamento das águas,» c. xxiv; 3° «São seres dotados de inteligência e razão: e, pelo ofício de seu ministério, estão encarregados de transmitir aos homens as ordens da majestade de Deus,» c. xxxi. — Ver também Garabed Toumaian, Agathangelos et la doctrine de l’Eglise arménienne au Ve siècle, Lausanne, 1879, p. 118-129.
2° Eznig de Golp, bispo de Pakrévante, autor clássico da primeira metade do século V, compôs um imortal escrito filosófico sobre a Refutação das seitas. Ele explica ali a natureza dos anjos (reproduzimos com retoques a tradução de Le Vaillant de Florival, Paris, 1853): 1º «É preciso saber que os anjos... são incorpóreos, pois está dito na Escritura: Fez de seus anjos espíritos, e de seus ministros chamas de fogo. Hebr., I, 7º Ora, a Escritura chama-os espíritos, por causa de sua velocidade: como se dissesse que são mais leves que os ventos; pois para dizer espírito e vento, emprega-se a mesma palavra em hebraico, em grego, em siríaco e também em armênio. São chamados ainda seres inflamados, por causa de sua impetuosidade: também está escrito sobre eles que são poderosos e cheios de força para fazer sua vontade. Ps. ciii, 20º Não se trata, contudo, de que sejam da natureza do vento e do fogo; pois se fossem dessa natureza, seriam consequentemente chamados corpóreos e não incorpóreos... Sua natureza está, portanto, acima do vento e do fogo, mais sutil e mais veloz que a inteligência.» L. I, c. xxiii. — 2º Eznig de Golp retira daí a seguinte consequência: «Uma vez que os anjos... são incorpóreos, por isso mesmo são sem gerações, nem linhagem.» Ibid., c. xxiv. «Os anjos... não recebem nem acréscimo por nascimento, nem diminuição por morte; mas assim como foram criados e instituídos, da mesma forma permanecem no mesmo número, sem aumento e sem diminuição.» Ibid., c. xxv. — 3º Falando das aparições dos anjos aos patriarcas, ele diz: «O Filho de Deus, vindo perto de Abraão com dois anjos, dignou-se a comer em sua tenda.» Ibid., c. xxiii. — 4º A doutrina dos anjos da guarda está claramente exposta. «Sabemos, diz Eznig, segundo as Santas Escrituras, que os anjos são servos (arpangag) que vêm em socorro dos homens, das nações e dos reinos, segundo estas palavras, Deut., xxxii, 8: Ele marcou os limites dos povos segundo o número dos anjos de Deus (a versão armênia, feita sobre a dos Setenta, traz: segundo o número dos filhos de Deus; enquanto a Vulgata lê aqui: filiorum Israel). Do mesmo modo, Jesus Cristo diz no Evangelho: Não desprezeis um destes pequeninos, pois seus anjos veem sempre a face de meu Pai que está nos céus. Matth., xviii, 10º Parece, portanto, que a cada homem em particular está ligado um anjo da guarda; embora outros tenham acreditado que estas palavras foram ditas por Nosso Senhor a respeito da oração: como se as orações dos homens que sobem sem cessar diante de Deus fossem chamadas anjos.» Ibid., c. xxv. — 5º Falando da vida que possuem os anjos, diz: «É da maior impiedade olhar a vida da essência de Deus como pertencente a todos os seres espirituais... e não admitir antes uma vida criada nos anjos.» L. II, c. vi. — 6º Ele compara as virgens da Santa Igreja aos espíritos celestes, pois «elas renunciam às boas criaturas de Deus, para amar mais ao Senhor: a fim de que, ao se assemelharem aos anjos de Deus, em quem não há nem homem nem mulher, mostrem também na terra a mesma virtude». L. IV, c. xiii. — 7º Ele diz, relativamente aos astros luminosos, que «alguns supuseram que os anjos os dirigem». L. III, c. vii.
3° São Nersés, o Gracioso, patriarca da Armênia (1102-1173), no sermão pronunciado no dia de sua eleição, fala assim dos anjos: «Os espíritos incorpóreos, tendo herdado o estado beatífico, a imortalidade e a impassibilidade, guardaram imutavelmente, desde sua origem, a posse da glória e a honra; pois as dominações, as potências, os principados e as outras ordens hierárquicas não permutam uns com os outros, ao se elevarem mais alto a partir de um grau inferior; nunca sofrerão mudança naquilo que possuem: mas sempre, durante toda a eternidade, conservam o que receberam do Criador no início de sua existência.» Ver Sancti Nersetis Clajensis opera, Veneza, 1833, t. II, p. 198.
Inútil acrescentar, enfim, que a Igreja Armênia, tanto na liturgia da missa quanto no breviário, invoca os santos anjos.
Autor original: J. Miskgian
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