ANDRÉ DE CESAREIA. Ainda não foi determinado em que época viveu este arcebispo de Cesareia, na Capadócia. As datas atribuídas flutuam entre o século V e o IX; é mais provável, contudo, que tenha escrito na segunda metade do século VI. A menção ao pseudo-Areopagita, cujos escritos aparecem por volta de 533, as alusões às invasões dos hunos que devastaram a Capadócia em 508, o silêncio sobre Orígenes, provocado pelas querelas origenistas na Palestina (521-554), bem como o estilo e o conteúdo de sua obra, são provas suficientes disso. André escreveu o primeiro comentário em grego sobre o Apocalipse, que Aretas, seu sucessor na cátedra de Cesareia, pilhou por volta do ano 895 e ao qual os exegetas bizantinos sempre recorreram como a uma mina inesgotável. André desenvolve nele o triplo sentido histórico ou literal, tropológico e anagógico que corresponde, segundo ele, à tríplice divisão do composto humano: o corpo, a alma e o espírito. Ele afirma expressamente, e em várias ocasiões, a inspiração do Apocalipse, baseando-se nos testemunhos dos antigos como Papias, Ireneu, Hipólito, Metódio e outros escritores de igual importância, que reconheciam igualmente o apóstolo São João como o autor deste livro. A este título, o comentário de André é dos mais preciosos, pelos numerosos trechos que nos fornece dos primeiros Padres da Igreja grega, que haviam aprofundado antes dele a questão do livro selado e cujas obras não foram encontradas. A edição grega do comentário sobre o Apocalipse, com tradução latina de Peltan em 1596, foi reproduzida na P. G., t. CVI, col. 215-486.
Sobre a vida de André e as edições de sua obra, ver Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Literatur, Munique, 1897, p. 129-131; Heinrich, Real-Encyklopädie, Leipzig, 1896, t. I, p. 514-516; Welte, Kirchenlexikon, t. I, col. 830-832.
Autor original: S. VAILHÉ
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