ANATÓLIO DE ALEXANDRIA, bispo de Laodiceia, na Síria (fim do século III), é um alexandrino que hauriu do ambiente intelectual da Escola Catequética toda a ciência do seu tempo e que gozou, entre os seus contemporâneos, da mais alta renomeada. Eusébio, que o conheceu, coloca-o sem hesitação no primeiro escalão entre os mais doutos, exalta a sua erudição enciclopédica e afirma que ele levou aos últimos limites o conhecimento da aritmética, da geometria, da astronomia, da física, da dialética e da retórica. Eusébio, H. E., VII, 32, 2º P. G., t. XX, col. 724. São Jerónimo, na sua carta a Magnus, Epist., LXX, P. L., t. XXII, col. 667, classifica-o entre os gregos que souberam conjugar, de forma paralela e com sucesso, o estudo da Escritura Sagrada e a cultura das ciências profanas. Tanto que os seus concidadãos rogaram-lhe que abrisse uma escola aristotélica; mas não parece que se tenha dado seguimento a tal pedido.
Em 264, estando de passagem pela Palestina, Anatólio foi retido pelo bispo de Cesareia, Teotecno, que dele fez o seu coadjutor e lhe destinava a sua sucessão. Contudo, em 269, enquanto se dirigia a Antioquia para o último sínodo convocado contra Paulo de Samósata, os fiéis de Laodiceia elegeram-no para seu bispo, em substituição do seu compatriota e amigo Eusébio, que acabara de falecer. Eusébio, H. E., VII, 32, 3º P. G., t. XX, col. 729. Foi em Laodiceia que Anatólio terminou a sua vida, não se sabendo exatamente em que época, mas certamente após 276, pois foi o ano em que compôs um dos seus trabalhos mais importantes, o Περὶ τοῦ Πάσχα.
Embora muito erudito, escreveu pouco. As poucas obras da sua autoria que Eusébio de Cesareia pôde ler traziam a marca irrecusável da sua eloquência e da sua vasta erudição. Ibid., col. 725. Ignoramos se tratavam de temas dogmáticos ou morais e se davam continuidade aos trabalhos de exegese ou de controvérsia, em honra à escola de Alexandria. Aquelas que nos são assinaladas são de ordem puramente científica, tal como o tratado em dez livros sobre a Aritmética. O seu tratado sobre a Páscoa foi, sobretudo, célebre. Resta dele apenas uma citação, bastante longa, é verdade, que Eusébio inseriu na sua História, H. E., VII, 32, P. G., t. XX, col. 728, mas que não nos permite formar uma ideia exata e completa desse computus eclesiástico de dezenove anos sobre a fixação do dia da Páscoa.
Era ainda exaltado, um século mais tarde, por São Jerónimo. De vir. ill., LXXIII, P. L., t. XXIII, col. 685. Vê-se ali que Anatólio consultara cuidadosamente a tradição judaica e lera, sobre a questão, os trabalhos de Fílon, de Josefo, de Museu, dos dois Agatóbulo e de Aristóbulo; e que a Páscoa deveria celebrar-se após o equinócio da primavera, no momento da lua cheia. O Canon paschalis publicado em Antuérpia, em 1624, por Bucher, P. G., t. X, col. 209-222, é muito mais explícito, embora não resolva a questão de maneira satisfatória e definitiva. Infelizmente, não está acima de qualquer suspeita quanto à sua autenticidade. Bucher, encontrando nele o longo fragmento citado por Eusébio, não duvidou de que a tradução latina que encontrara fosse a obra completa de Anatólio. A sua opinião foi longamente partilhada pela maioria dos críticos. Ora, na primeira metade do nosso século, Ideler demonstrou que essa tradução não poderia representar a obra original de Anatólio, porque se opõe, em pontos importantes da cronologia, ao fragmento grego já conhecido, e que seria, sim, a obra de um desconhecido do século VI, bastante pouco instruído. Manuel de chronol., t. II, p. 266, e Éléments de chronol., p. 361. Em 1880, Krusch reeditou o Liber Anatoli de ratione paschali, em Leipzig, não lhe conferindo maior crédito que Ideler e considerando-o um apócrifo do século VI.
Para os raros fragmentos que nos restam de Anatólio, ver P. G., t. X, col. 204-236 e t. XX, col. 728-729.
Autor original: G. BAREILLE
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