AMOR (IRMÃOS DO)

AMOR (IRMÃOS DO)

Seita de anabatistas conhecidos também sob o nome de familistas, porque se davam o nome de Family of love. Eles remontam a um anabatista holandês chamado David Joris (1501-1556), homem sem educação que quis fundar uma seita especial. Ele alegava ter visões, foi perseguido em seu país e veio a Basileia, onde morreu rico sob um nome falso. Sua sucessão religiosa foi recolhida por um certo Henri Nicolas, ainda mais fanático que seu mestre. Ele queria destruir todas as religiões para estabelecer uma nova. Ele veio à Inglaterra por volta do fim do reinado de Eduardo VI, e ali fez muitos adeptos.

Aqui estão os pontos principais da doutrina dos irmãos do amor. Eles não admitiam verdadeiro conhecimento de Cristo ou das Escrituras fora deles. A seus olhos, Moisés representava a lei, Cristo, a fé, eles, o amor. Pretendiam ter atingido uma espécie de deificação por comunhão com Deus; quanto àqueles que eram estranhos à sua seita, eles os chamavam de não deificados, não iluminados. Sua interpretação da doutrina cristã era totalmente alegórica; eles negavam a realidade da encarnação e do último advento; não admitiam nem a ressurreição dos corpos, nem o juízo final: tudo isso, para eles, não passava de alegorias; eram muito imorais e pretendiam que o que era pecado para os outros não o era para eles. Muitos deles questionavam se havia um céu e um inferno para além dos prazeres e penas da vida presente. Por isso eram tratados como epicuristas.

O governo tomou medidas para combatê-los. Em 3 de outubro de 1580, uma proclamação de Elisabeth foi lançada contra eles, onde seus livros eram qualificados de obscenos, heréticos e sediciosos. O que a rainha lhes reprochava sobretudo era «manter esta opinião, de que diante de qualquer magistrado eclesiástico ou civil, ou diante de qualquer outra pessoa que não professasse pertencer à sua seita, podiam, para se justificar, negar qualquer coisa, com juramento ou de outra forma». Dessa forma, não podiam ser condenados com base em suas confissões, embora muitos fossem conhecidos como apóstolos da seita. A abjuração de seus erros lhes foi imposta. Eles desapareceram pouco a pouco e acabaram por se fundir com os puritanos. Uma seita de outros fanáticos chamados Rankers, que se destacaram durante a República (1649-1660), parece ter tido relações com os familistas. Sua moral... ...era a mesma: eles se pretendiam incapazes de pecar e se entregavam, sob este pretexto, a todas as infâmias.

Blunt, Dictionary of sects, heresies, ecclesiastical parties and schools of religious thought, 1874; Strype, Annals of the Reformation, 1824; Wilkins, Concilia Magnae Britanniae, t. IV, Londres, 1736.

Autor original: A. GATARD

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