ALEXANDRE DE JERUSALÉM, SANTO BISPO

São Domingos

Um grande bispo, instruído, curioso pelas coisas do espírito, ativo e participante nos eventos de seu tempo, cheio de iniciativa. Ele havia recebido, em Alexandria, as lições de Panteno e de Clemente, lá havia conhecido Orígenes e estabelecido amizade com ele. Eusébio, H. E., VI, 14, P. G., t. XX, col. 552. Tornado bispo na Capadócia, foi aprisionado durante a perseguição de Sétimo Severo, por volta de 204. S. Jerônimo, Chron., P. L., t. XXV, col. 638. Ele confiou o cuidado de sua Igreja ao seu antigo mestre, Clemente, então refugiado junto a ele, e mantinha-se a par dos eventos. É assim que, ao saber, em 211, da elevação do confessor Asclepiades à sede de Antioquia, apressou-se em felicitar os fiéis da cidade por meio de uma carta que Clemente lhes levou, na qual manifestava sua alegria, embora ainda se declarasse "prisioneiro de Cristo". P. G., t. XX, col. 544. Finalmente libertado, dirigiu-se a Jerusalém, onde o velho bispo Narciso, na sequência de uma revelação, κατ’ ἀποκάλυψιν, reteve-o e associou-o ao governo de sua Igreja (212). Tratava-se de uma dupla derrogação à disciplina que proibia a translação de bispos de uma sede a outra e que ainda não conhecia a função de coadjutor. Todavia, os bispos da província deram razão a Narciso. Ibid., col. 541.

Muito atento ao movimento intelectual de seu tempo, Alexandre teve a feliz ideia de recolher as obras de todos os escritores eclesiásticos e de formar uma biblioteca, que foi poupada sob Diocleciano e da qual Eusébio bebeu a plenas mãos. Ibid., col. 572. Ele não se contentava em pregar ele mesmo, não sem certa distinção, Orígenes, In lib. Reg., homil. 1, P. G., t. XIII, col. 995; ele fez Orígenes pregar em Jerusalém e em Cesareia, com o consentimento do bispo desta cidade, Teoctisto. O bispo de Alexandria, Demétrio, tendo desaprovado que um leigo de sua diocese interpretasse as Escrituras na presença de bispos, que são os únicos intérpretes oficiais, Alexandre e Teoctisto defenderam seu pregador, alegando o exemplo de Neon de Laranda, de Celso de Icônio e de Ático de Sínada, que haviam feito pregar, respectivamente, em suas igrejas, Euelpis, Paulino e Teodósio. P. G., t. XX, col. 569. Mais tarde, chegaram a ordenar Orígenes e confiaram-lhe, em 228 ou 230, a interpretação das Escrituras e o ensino das ciências eclesiásticas. Ibid., col. 585. Isso demonstra quanto Alexandre estimava o ilustre doutor, o valor que atribuía à ciência sagrada e o cuidado que tomava em proporcionar aos seus fiéis uma sólida cultura intelectual. Ele próprio mantinha-se atualizado; é a ele que Clemente dedicou seus Cânones eclesiásticos. Infelizmente, ele não deixou senão cartas, uma entre outras aos antinoítas; delas restam apenas fragmentos. Na perseguição de Décio, confessou novamente Cristo e morreu na prisão, em Cesareia, em 251. Seu nome consta no catálogo dos santos.

Eusébio, H. E., VI, 14, P. G., t. XX, col. 552; S. Jerônimo, De vir. ill., 62, P. L., t. XXIII, col. 673; Bollandistas, Act. sanct., 18 de março, P. G., t. X, col. 204-205.


Autor original: G. BAREILLE

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