II. Obras. Uma análise detalhada de todas é impossível aqui: encontrar-se-á nas obras de Tillemont e de Ceillier. Limitar-nos-emos às indicações mais importantes, sobretudo para a cronologia e a autenticidade numa série especial. Um quadro final dará a lista cronológica de todas as obras. Aqui, a ordem metódica (por vezes um pouco arbitrária) impõe-se. Distribuiremos as obras em nove classes: 1ª Autobiografia e correspondência; 2ª Filosofia e artes liberais; 3ª Apologia; 4ª Polêmica contra as heresias; 5ª Exposição geral e dogmática; 6ª Exegese e moral; 7ª Teologia pastoral e pregação; 8ª Obras supostas; 9ª Escritos perdidos.
Iª CLASSE. — ESCRITOS AUTOBIOGRÁFICOS E CORRESPONDÊNCIA. As Confissões entregam-nos a história do seu coração, as Retratações a do seu espírito, e as Cartas a da sua atividade na Igreja.
1º Les Confessionum libri tredecim, P. L., t. xxxii, col. 659-868.
1. Objetivo. — É claramente indicado pelo título e bem compreendido: confissão aqui não significa de modo algum admissão ou relato no sentido bíblico da palavra confiteri, mas louvor de uma alma que reconhece e admira a ação divina perante as suas misérias. Os treze livros de Confissões, diz o autor, Retract., luc. cit., col. 632, louvam o Deus justo e bom dos meus males e dos meus bens, elevam para Deus a inteligência e o coração do homem. Assim, é a Deus mesmo que o autor se dirige com ímpetos incomparáveis de fé, de humildade e de amor: em parte alguma se encontrará uma pintura mais impressionante do vazio e da agitação de uma alma sem Deus: Fecisti nos ad te, etc. Conf., l. I, c. I.
2. Divisão. A Iª parte, l. I-IX, é o cântico de louvor da alma de Agostinho à memória da sua vida culpável e das graças de Deus. A IIª parte, contemplação sublime da criação narrando a glória de Deus (l. X-XIII), não é um fora de assunto, como se acreditou, mas o complemento natural do relato: Agostinho devia-nos o retrato íntimo da sua alma, tal como a fé e a graça a tinham transfigurado.
3. Julgamento. De todas as obras do santo doutor, nenhuma foi mais admirada e nenhuma fez verter mais lágrimas salutares. Nem pela análise penetrante das mais complexas impressões da alma, nem pela emoção comunicativa, nem pela elevação dos sentimentos ou pela profundidade dos vislumbres filosóficos, este livro tem o seu igual em qualquer literatura. Edições muito numerosas: as de Sommalius, S. J., in-8°, Douai, 1608, frequentemente reimpressas; de Wagnereck, S. J., com um estudo, notas ascéticas e um comentário latino, Dillingen, 1757. — Edições recentes: de Pusey, Oxford, 1828; de Raumer, Stuttgart, 1856; Corpus de Viena, t. xxxiii, 1898, 2ª ed. 1908. — Cf. Estudos assinados por Km: Vie (Harnack, Worter); Arthur Desjardins, Essai sur les Confessions de saint Augustin, in-8°, Paris, 1858; Douais, Paris, 1893 (estudo, não tradução).
2º Retractationum libri duo, P. L., t. xxxii, col. 583-655. Escrito nos últimos anos, 426-427, ou mesmo terminado em 428, segundo Tillemont, t. xiii, p. 1010. O título deve ser compreendido menos no sentido francês de retratação, que no sentido primitivo de revisão, ou exame crítico das suas obras, pelo autor: « Eu revia, diz ele, Epist., ccxxiv, n. 2, P. L., t. xxxiii, col. 1001, as minhas modestas obras, e, se alguma passagem me ferisse ou pudesse ferir os outros, ora eu a condenava, ora justificando-a, estabelecia o sentido que se podia e devia dar-lhe. » Enumera os seus escritos na ordem cronológica, explicando o objetivo, a ocasião e a ideia mestra de cada um deles. O livro I vai da sua conversão, 386, ao seu episcopado, 395; o II, do episcopado até 426. Esta obra é um guia de um preço inestimável para compreender o progresso do pensamento do santo doutor.
3º Epistolœ, P. L., t. xxxiii. A edição beneditina conta 270 números: é necessário acrescentar-lhe as duas cartas e um fragmento reencontrados desde então, P. L., ibid., col. 751, 789-792, 929-938, e subtrair 53 cartas que são de correspondentes de Agostinho: restam 220 cartas autênticas distribuídas em 4 classes pelos beneditinos: 1. antes do episcopado, i-xxx; 2. do episcopado à conferência de 411, xxxi-cxxiii; 3. de 411 à morte, cxxiv-ccxxxi; 4. cartas sem data mais precisa, ccxxxii-cclxx. Esta correspondência é do maior valor para conhecer a vida, a influência e até a doutrina do bispo de Hipona. As cartas de pura amizade ocupam bastante pouco espaço: também neste género não tem um cunho muito original. Mas, diz Ebert, Histoire de la littérature du moyen âge, trad. franc., t. i, p. 270, « em parte alguma melhor do que aqui se mostra a importância considerável da qual gozava santo Agostinho no seu tempo. » Vê-lo, consultado de todos os lados como o oráculo do Ocidente, responder às questões mais variadas. Bom número das suas cartas são na realidade verdadeiros tratados que classificaremos no quadro das suas obras. Os beneditinos, P. L., t. xxxiii, col. 1173-1177, num índice metódico muito útil, distinguiram as cartas: 1. teológicas; 2. polémicas; 3. exegéticas; 4. eclesiásticas ou litúrgicas; 5. morais; 6. filosóficas; 7. históricas; 8. familiares. Jungmann, ed. t. ii, p. 380-384, fez uma distribuição análoga, precisa e detalhada. Goldbacher, o editor das Epistolœ no Corpus de Viena, deu conta da descoberta de duas novas cartas em Wiener Studien, 1894, t. xvi, p. 72-78. O fragmento col. 751 (extraído do comentário de Primasius), editado mais corretamente por Haussleiter nos Forschungen zur Geschichte des neut. Kanons, de Zahn, fasc. iv, p. 200-283. A correspondência de santo Agostinho e de são Jerónimo foi editada à parte, em Graz, 1777, por Smith. Sobre esta correspondência, cf. Philippe de Barberiis, Roma, 1481; O. Overbeck, Die Zeit der Entstehung des Briefwechsels des Augustinus mit Hieronymus, na Zeitschr. für wiss. Theol., 1879, t. xxii, p. 222-258; segundo outras cartas, na Revue du clergé franc., 1904, t. xxxvii, p. 141-164.
IIª CLASSE. — ESCRITOS FILOSÓFICOS. Estes escritos, cujo fundo resume os solitários de Cassiciacum, foram todos compostos ou pelo menos começados nesta villa, da conversão ao batismo (setembro 386-março 387). Têm um duplo caráter: continuam a autobiografia do santo iniciando-nos nas pesquisas e nas hesitações do seu espírito, bem como nas suas conquistas. Mas há menos abandono do que nas Confissões: são ensaios literários, escritos com simplicidade sem dúvida, mas com uma simplicidade que é o cúmulo da arte e da elegância.
Em parte alguma o estilo de Agostinho será tão castigado, nem a sua língua tão pura; o santo doutor parece ter tido remorso disso: Catechumenus jam... sed adhuc saecularium litterarum inflata turgidine scripsi. Retract., prol., n. 3, P. L., t. xxxii, col. 585. A forma dialogada mostra que se inspirou em Platão e Cícero. Os interlocutores são, com Agostinho, o seu amigo Alípio, o jovem Licêncio, filho de Romaniano, cuja vida mundana preocupará Agostinho até que o tenha convertido, Epist., xxvi, P. L., t. xxxiii, col. 103, Trigécio, irmão de Licêncio. Fr. Worter, Die Geistesentwickelung des h. Augustin, p. 75-210, examina a fundo todas as obras filosóficas. Cf. D. Ohlmann, De S. Augustini dialogis in Cassiciaco scriptis, in-8°, Estrasburgo, 1897 (diss. inaug.).
4° Os três livros Contra academicos, P. L., t. xxxii, col. 905-958; Retract., 1. I, c. I, são o primeiro escrito de Agostinho após a sua conversão (outono de 386) e ele dedica-o ao seu compatriota e amigo, Romaniano, que lhe confiou os seus dois filhos. Neles combate o ceticismo da nova academia, do qual tanto tinha sofrido: a felicidade não reside na busca da verdade, no seu conhecimento, 1. Ier; o espírito pode atingir a certeza e não deve contentar-se com a probabilidade, 1. II e III.
5° O 1. De beata vita, P. L., t. xxxii, col. 959-976, resumo de uma conversa iniciada a 13 de novembro de 386 (33° aniversário do seu nascimento). É dedicado a Teodoro Mânlio, provavelmente o cônsul do ano 399, mencionado em De ciuitate, 1. XXII, c. xxiv. Após um magnífico quadro da humanidade a navegar no oceano da vida em direção ao porto da filosofia que lhe fecha uma montanha escarpada (o orgulho), Agostinho prova que a verdadeira felicidade só se encontra no conhecimento de Deus, e ainda assim apenas na vida futura, acrescentará ele nas Retratações, loc. cit.
6° Os dois livros De ordine, P. L., ibid., col. 977-1020; Retract., 1. I, c. III, dedicados a Zenóbio, amigo rico e letrado (386). A notar no 1. Ier, n. 29-33, a cena fascinante do 1. II, n. 21, a união da razão e da autoridade, o papel das artes liberais na educação.
7° Os Soliloquiorum libri duo, P. L., t. xxxii, col. 869-901; Retract., 1. I, c. iv, sob a forma de conversa de Agostinho com a sua razão, são um prelúdio às Confissões pela magnífica oração inicial, 1. Ier, n. 1-6; pela expressão ardente da sua paixão por Deus, n. 7-10; pelas grandes virtudes que exige do sábio, n. 26. O II° livro, constatando que a verdade é imortal, conclui que a alma, sede da verdade, pode morrer. Foram escritos em 387. A conclusão Trombelli, em P. L., t. XL, col. 1157-1158: S. Augustinus philosophus, qualis fuerit, qualis vixerit, Bonn, 1889.
— Apócrifos. Publicaram-se frequentemente juntos três piedosos opúsculos, um Liber soliloquiorum animœ ad Deum, umas Meditationes e um Manuale certamente não autênticos. São recolhas de passagens (aliás muito impressionantes) extraídas de diversos autores por um compilador desconhecido que não remonta além do século XII. No Liber soliloquiorum, P. L., t. XL, col. 863-898, encontram-se empréstimos aos verdadeiros Solilóquios, às Confissões, a Hugo de São Vítor (L. de arrha animœ) e ao concílio de Latrão de 1198. Entre as Meditationes, P. L., t. XL, col. 902-942, algumas já constam da recolha anselmiana, ver Anselmo, col. 1340, outras parecem ser de João, abade de Fécamp († 1178). O Manuale, P. L., t. XL, col. 951-968, impresso também em parte sob o nome de Anselmo e de Hugo de São Vítor, reúne fragmentos dos santos Agostinho, Cipriano, Gregório e Isidoro de Sevilha. A edição dos beneditinos assinala com cuidado a proveniência de cada capítulo.
8° O Liber de immortalitate animœ, P. L., t. xxxii, col. 1021-1034, foi escrito em Milão em 387, como um complemento dos Solilóquios: retoma a prova da imortalidade da alma, pela eternidade da verdade. Mais tarde, Retract., 1. I, c. v, os argumentos pareceram insuficientes ao próprio autor, e a expressão demasiado obscura.
9° O diálogo com Evódio De quantitate animœ, P. L., t. xxxii, col. 1035-1080; Retract., 1. I, c. viii, composto em Roma por volta do início de 388, estuda a grandeza e a dignidade da alma que decorre da sua imaterialidade.
10° O De magistro, P. L., ibid., col. 1193-1222; Retract., 1. I, c. xii, composto em 389, é um diálogo entre Agostinho e o seu filho Adeodato, com dezasseis anos, destinado a morrer dois anos mais tarde, de quem o seu pai nos diz, Conf., 1. IX, c. vi: Horrori mihi erat illud ingenium. Agostinho desenvolve a sua célebre teoria do Verbo, único mestre interior: será explicada mais adiante, Doutrina do conhecimento. Comparar a questão De magistro inspirada a santo Tomás por este opúsculo: De veritate, q. XI, a. 1. — W. O. Müller, Die Schrift des Augustinus, De magistro, édit. Vives, t. XIV, p. 581, in-8°, Hechingen, 1898 (progr.).
11° Enciclopédia das artes liberais. Santo Agostinho tinha empreendido uma recolha de tratados sobre todos os ramos do ensino: gramática, retórica, dialética, categorias, o De musica, etc. Os tratados estavam concluídos: tudo pereceu, exceto vários longamente atribuídos a santo Agostinho, De grammatica liber, P. L., t. xxxii, col. 1385-1410; Principia dialecticœ, ibid., col. 1411-1420; Categoriœ decem ex Aristotele decerptœ, ibid., 1429-1439; Principia rhetorices, ibid., col. 1439-1448, são todos apócrifos, segundo os beneditinos. Todavia, o P. Rottmanner, Histor. Jahrbuch, 1898, p. 894, diz que o De grammatica nos foi conservado por excertos. Cf. Teuffel, Gesch. der rôm. Literatur, 5ª edição, p. 1133. É também a tese de Huemer, Der Grammatiker Augustinus, em Zeitschrift für österr. Gymn., 1886, t. XXXVII, p. 256.
12° Os seis livros De musica, P. L., t. xxxii, col. 1081-1194; Retract., 1. I, c. xi, começados em Milão em 387 e terminados em Tagaste em 391, expõem primeiro a técnica do ritmo, metro e verso, L. I-V. Mas o diálogo tinha por objetivo elevar o espírito do ritmo mutável dos corpos e das almas, ao ritmo imutável da eterna verdade, L. VI, c. xi-xvii, P. L., ibid., col. 1179-1193. Este último livro merece ser lido, os místicos da Idade Média gostavam de se inspirar nele. Os outros cinco são muito difíceis de compreender, segundo o juízo do próprio Agostinho. Cf. Epist., ci, a Memorius, n. 3, P. L., t. xxxiii, col. 369. Eust. Uriarte, La musica segun s. Agustin, artigos numerosos na Revista Agustiniana, 1885-1886; l'Yver, Biographie latine, Paris 1860, t. I, p. 170-171.
O Psalmus contra Partem Donati, de Agostinho (ver Œuvres contre les donatistes, col. 2294 e segs.), é a mais antiga poesia latina rítmica no célebre tratado de Wilhelm Meyer, Anfang und Ursprung der lateinische und griechischen rhythmischen Dichtung, ver Hist. Abhandl. der bayer. Acad., t. XVII, p. 284-298; Ebert, Gesch. der latein. Litteratur des moyen âge, t. I, p. 271-272, e por Cf. Ed. du Méril, Poésies populaires latines, 1843, p. 120-142; Manitius, Geschichte der christliche latein. Poesie, Stuttgart, 1891, p. 320-323.
O Exsultet, ou canto triunfal do sábado santo, seria bastante provavelmente de Agostinho, segundo Adalbert Ebner, em Kirchenmusikalisches Jahrbuch, t. VIII (1893), p. 73-83. Cf. Jahresbericht..., de Conr. Bursian, 1895, t. LXXXIV, p. 272.
13ª APOLOGIA GERAL E POLÊMICA CONTRA OS INFIÉIS: De civitate Dei libri XXII, P. L., t. XLI; Retract., l. II, c. XLIII, composto de 413-426 com frequentes interrupções; o livro X foi escrito após 415, e os livros XX-XXII são de 426.
1. Objetivo. Após a queda de Roma, em 410, os pagãos a atribuíam, como todos os infortúnios públicos, à abolição do culto pagão. Apesar de apologias esboçadas nas cartas a Volusiano e ao tribuno Marcelino, Epist., cxxxvi-cxxxviii, P. L., t. xxxiii, col. 514-535, este último pediu uma defesa mais completa da fé. Agostinho pôs-se ao trabalho. Encontrando-se diante do problema da providência sobre o império romano, ele alargou ainda mais o horizonte e, num ímpeto de génio que transformava a apologia em filosofia da história, abarca com um olhar os destinos do mundo agrupados em torno da religião cristã, religião única que, bem compreendida, remonta às origens e conduz a humanidade ao seu termo final. A cidade de Deus, sociedade de todos os servos de Deus em todos os tempos e em todos os países do mundo (novo sentido da palavra civitas, observa muito bem de Hertling, Augustin, Mogúncia, 1902, p. 100), a cidade terrestre ou do demônio, sociedade de todos os inimigos de Deus, essas duas cidades morais construídas por dois amores contrários, eis o verdadeiro objetivo da providência e o centro do plano divino.
2. Análise. — O grande doutor, o verus Deus est, Retract., loc. cit., retrata em detalhe o quadro da sua obra, com as suas divisões em duas grandes partes: 1ª parte (apologética, l. I-X): O politeísmo pagão é neste mundo igualmente impotente para proporcionar a felicidade: a) ao Estado (l. I-V, história das calamidades sob os deuses, e verdadeiros motivos da grandeza futura de Roma); b) aos filósofos (l. VI-X, crítica cerrada, profunda e mordaz da teologia pagã, sob todas as suas formas, sobretudo da demonologia neoplatônica). 2ª parte (expositiva, l. XI-XXII): O cristianismo dá a chave da providência ao mostrar a cidade de Deus, embora misturada aqui na terra à cidade terrestre, em marcha para os seus destinos eternos. E Agostinho narra as três grandes fases desta história, consagrando a cada uma quatro livros: a) o nascimento (ortus) das duas cidades (l. XI-XIV, criação, queda dos anjos, queda de Adão e pecado original); b) o progresso (procursus) ou evolução das duas cidades na história (l. XV-XVIII, os três primeiros explicando os grandes períodos bíblicos marcados pelo dilúvio, Abraão, Davi, o cativeiro, o XVIII reservado à cidade terrestre ou história dos impérios); c) o fim das duas cidades (fines debiti) ou estudo dos fins últimos (l. XIX-XXII, a beatitude, o juízo, o inferno e o céu dos ressuscitados). Neste quadro grandioso, as digressões dogmáticas, morais ou históricas são frequentes: os contemporâneos, que arrancavam ao autor cada livro à medida que era escrito, queixavam-se de que A Cidade de Deus, encarada de tão alto, se preocupava menos com o conjunto da obra do que com os problemas do dia.
3. Juízo. — A Cidade de Deus é considerada a mais importante das grandes obras do santo; a universalidade do sujeito abraça o espírito humano, e o autor aí prodigaliza visões profundas e originais; este livro, com as Confissões, merece um lugar à parte: as outras interessam sobretudo aos teólogos; estas pertencem à literatura geral e apaixonam todas as almas. As Confissões são a teologia vivida numa alma e a história da ação de Deus nos indivíduos. A Cidade de Deus é a teologia viva no quadro histórico da humanidade e explica a ação de Deus no mundo. A erudição de Agostinho estaria hoje atrasada: mas, independentemente do que se tenha dito, as suas visões gerais dominam os fatos e os povos que ele não conheceu.
I. Comentários. — Louis Vives (na edição de Erasmo, 1522), A. Nielli (Coqueau), O. S. A., Lyon, 1636.
II. EDIÇÕES SEPARADAS. B. Sadler, O. S. B., com notas, 5 in-8, Ingolstadt, 1737; sem notas, 2 in-8, Leipzig, 1825; mais recentemente, Strange, 2 in-8, Colônia, 1850; melhor por Dombart, 2 in-8, Leipzig, 1877.
III. ANÁLISE E ESTUDOS. — Ver uma análise muito detalhada na literatura da Idade Média, Ceillier, 2ª ed., t. I, p. 288-327; Ébert, p. 241-259; Boissier, La fin du paganisme, Paris, 1891, t. II, p. 330-390; de Hertling, op. cit., p. 98-105.
IV. OBRAS ESPECIAIS. Fr. A. Bittner, De civitate Dei commentarii, Mogúncia, 1845; Carlson, De civitate Dei, Lundae, 1847; J. Heinkens, Geschichtsphilosophie des h. Augustinus, Schaffhausen, 1846; Seyrich, Die Geschichtsphilosophie Augustins nach seiner Schrift « De civitate Dei », Leipzig, 1891 (diss. inaug.); M. Bonwetsch, Von der Stadt Gottes (nach Augustin), em Mittheilungen u. Nachrichten für die Ev. Kirche in Russland, Riga, 1891, p. 103-200; J. Biegier, Die Civitas Dei des h. Augustinus, in-8, Paderborn, 1894; van Goens, ver adiante Doutrina; Dombart, Zur Textgeschichte « De civitate Dei », Leipzig, 1908. — Sobre as fontes. Karl Frick, Die Quellen Augustins im XVIII Buche seiner Schrift « De civitate Dei », in-8, Hoxter, 1886; Dräseke, Zu Augustins « De civitate Dei », XVIII, 42, eine Quellenuntersuchung, em Zeitschrift f. wiss. Theol., 1889, t. XXXII, p. 230-248.
14° O De vera religione, P. L., t. XXXIV, col. 121-172; Retract., l. I, c. XIII, fruto da solidão de Tagaste (389-391) e endereçado a Romaniano, é uma pequena obra-prima de apologia, não apenas contra os maniqueus, de quem é especialmente falado, mas contra todos os infiéis. A verdadeira religião está apenas na Igreja católica, c.
I-VII, fundada sobre a história da religião e as profecias, c. X-XX (esboço da Cidade de Deus). Mais tarde, em 445, Agostinho, consultado sobre as provas da existência de Deus, remeteu Evódio a este livro. *Epist.*, CLXII, n. 2, P. L., t. XXXIII, col. 750.
15° O *De utilitate credendi*, P. L., t. XLII, col. 65-92; *Retract.*, l. I, c. XIV, endereçado ao seu amigo Honorato, ainda maniqueu (391), prova que a fé, da qual ele zomba, não é de modo algum concedida às cegas, mas sobre provas divinas da autoridade infalível da Igreja católica.
16° O *Liber de fide rerum quæ non videntur*, P. L., t. XL, col. 171-188, trata do mesmo assunto: é de 400, e não é mencionado nas Retratações, mas em *Epist.*, CXXXI, n. 1; talvez seja um sermão.
17° O *Liber de divinatione dæmonum*, P. L., t. XL, col. 581-592; *Retract.*, l. II, c. XXX, foi escrito entre 406-411, após uma conversa do bispo de Hipona com vários leigos instruídos sobre as predições atribuídas aos falsos deuses.
18° As *Sex quæstiones contra paganos expositæ*, ou *Epist.*, CII, a Deogratias, sacerdote de Cartago, P. L., t. XXXIII, col. 370-386; *Retract.*, l. II, c. XXXI, por volta de 408-409, respondem às zombarias de Porfírio e dos pagãos sobre a ressurreição, a novidade do cristianismo, o culto e os sacrifícios, etc.
19° A Carta CXVIII, a um pagão chamado Dióscoro, P. L., t. XXXIII, col. 432-449, é um ensaio de apologia indireta, em resposta a questões de retórica profana que ele descarta (em 410). O quadro que ele traça dos desvios de todas as escolas filosóficas faz ressaltar a autoridade da lei cristã, à qual ele o convida.
20° Tractatus adversus judæos, P. L., t. XLII, col. 51-62, é um sermão (de 428?) sobre a missão de Cristo e a reprovação do povo judeu e de seu culto. Sobre o caráter messiânico de Cristo, cf. Serm., CXCI.
— II CLASSE: POLÊMICA CONTRA OS HERÉTICOS. 1. História geral; 2. contra os maniqueístas; 3. contra os donatistas; 4. contra os pelagianos; 5. contra os arianos. 1. História das heresias.
21° Liber de hæresibus, P. L., t. XLII, col. 15-50. Composto a pedido do diácono Quodvultdeus, é um compêndio para a história das doutrinas, com uma nota de cada uma das 88 heresias que Agostinho conta desde Simão, o Mago, até Pelágio. Infelizmente, a morte deteve o autor antes da refutação que ele havia projetado. Edição especial de De hæresibus, 1571; de Ed. Welchman, Berlim, 1850; commentarii historico-dogmatici in Quodvultdeum, em O. Ceillier, t. I, p. 187-225; Roma, 1757 (apenas sobre as 22 primeiras heresias).
2. Contra os maniqueístas. — 22° Os dois livros De moribus Ecclesiæ catholicæ et de moribus manichæorum, P. L., t. XXXII, col. 1309-1378; Retract., l. I, c. VII, compostos por Agostinho em Roma (388) logo após seu batismo. Este paralelo é uma resposta aos insolentes desafios dos maniqueístas e desvela a hipócrita austeridade de costumes de seus eleitos. O Iº livro, após ter estabelecido a teoria da caridade como fonte de toda santidade, n. 1-62, exalta as virtudes da Igreja em seus religiosos, seus clérigos e seus leigos, n. 62-71. O IIº livro prova os princípios maniqueístas sobre a origem do mal, n. 1-18, e desvela as torpezas secretas dos ouvintes, n. 67-75.
23° O Liber de duabus animabus, P. L., t. XLII, col. 93-112, foi escrito no início do ministério sacerdotal de Agostinho (antes de agosto de 392), para refutar a doutrina das duas almas, das quais uma seria uma emanação de Deus, a outra seria obra do princípio mau. Toda alma vem de Deus, n. 1-9, e a origem do pecado está na liberdade, n. 1-15.
24° Os Acta seu disputatio contra Fortunatum manichœum, P. L., t. XLII, col. 111-129; Retract., l. I, c. XVI, são a ata de uma discussão pública que durou dois dias (28-29 de agosto de 392) entre Agostinho e Fortunato, a quem ele chama de padre maniqueísta. O debate gira em torno da natureza do mal; coeterno a Deus, diz o maniqueísta, nascido da liberdade, diz Agostinho. No segundo dia, Fortunato teve de confessar que não tinha nada a responder, e logo deixou Hipona.
25° O Liber contra Adimantum, manichœi discipulum, P. L., t. XLII, col. 129-172. Il, trait., l. I, c. XXII, foi escrito entre 394 e 396. Entre as obras secretas dos maniqueístas estavam as de Adimanto, talvez o mais ilustre dos discípulos de Manes, sobre as pretensas contradições entre os dois Testamentos. Tendo podido obter esses livros, Agostinho reproduz o texto deles e os refuta conciliando as passagens alegadas. De acordo com as Retratações, lib. II, várias dessas questões foram tratadas na cátedra de Hipona; outras permaneceram sem resposta, por falta de tempo.
26° O Liber contra epistolam manichœi quam vocant fundamenti, P. L., t. XLII, col. 173-206; Retract., l. II, c. II. Esta carta de Manes era o catecismo deles, mesma época, 393-396. Agostinho reproduz o texto e refuta a primeira parte com grande moderação: contenta-se com notas para os dois princípios, a criação, a origem do mal.
27° Os três livros De libero arbitrio, P. L., t. XXXII, col. 1231-1310, foram começados em Roma sob a forma de diálogo, como as outras obras de Agostinho daquela época. O Iº livro é, com efeito, o fruto das conversas com seu amigo Evódio sobre a origem do mal, que se encontra na liberdade. Mais tarde, em Hipona, ele completou os outros dois livros, antes do fim de 395. Ele examina por que Deus nos deu uma liberdade capaz de pecar, e, sobretudo, acrescenta o IIIº livro, quando sua presciência lhe mostrava nossas faltas futuras. Mais tarde, os pelagianos e semipelagianos invocaram certas passagens desses livros, mas erroneamente, diz Santo Agostinho, Retract., l. I, c. IX, n. 3-6. Cf. De natura et gratia, n. 80-81, P. L., t. XLIV, col. 286; De dono persev., n. 26-30, ibid., col. 1008.
28° Contra Faustum manichœum libri XXXIII, P. L., t. XLII, col. 207-518; Retract., l. II, c. VII. Este Faustus, gente Afer, civitate Milevitanus, eloquio suavis, ingenio callidus, l. I, c. I, é aquele mesmo cuja ignorância havia desencantado Agostinho. Confess., l. V, c. III-VI. Em uma obra publicada por volta de 400, "ele blasfemou contra a Lei e os profetas, contra seu Deus, contra a encarnação de Cristo." Agostinho o refutou e, segundo seu método preferido, seguiu passo a passo sua obra: daí os XXXIII livros ou dissertações que são uma admirável apologia do judaísmo e do cristianismo. Infelizmente, a desordem da obra de Fausto tem aqui seu contragolpe, repetições e um pouco de confusão. Fessier, 2ª ed. Jungmann, t. II, 1, p.
295, deu um quadro metódico das questões tratadas.
29° De actis cum Felice manichœo libri duo, P. L., t. XLII, col. 519-552; Retract., l. II, c. VIII. É a ata oficial da conferência de dois dias (em 404) entre Agostinho e o maniqueísta Félix, que se confessou vencido e assinou o anátema contra Manes. A discussão havia girado em torno da missão de Manes, n. 1-15, sobre a imutabilidade de Deus, a liberdade como fonte do mal e a redenção por Cristo.
30° Liber de natura boni contra manichœos, P. L., t. XLII, col. 551-572; Retract., l. II, c. IX. Composto em 405, este opúsculo desenvolve a tese de que todo ser, material ou imaterial, tendo Deus por autor, é bom em sua essência, que o mal é sempre um déficit e que não se poderia conceber um princípio das coisas absolutamente mau.
31° O Liber contra Secundinum manichœum, P. L., t. XLII, col. 577-602; Retract., l. II, c. X, escrito por volta de 405-406, não é mais do que a resposta de Agostinho ao romano Secundino, ouvinte maniqueísta que, tendo lido suas obras contra sua seita, havia-lhe escrito para tentar trazê-lo de volta ao maniqueísmo. P. L., t. XLII, col. 571-577. S. Agostinho declara, Retract., loc. cit., que prefere este escrito a todos os outros contra os maniqueístas.
À controvérsia maniqueísta reportamos duas obras contra os priscilianistas e os marcionitas:
32° O Liber ad Orosium contra priscillianistas et origenistas, P. L., t. XLII, col. 669-678; Retract., l. II, c. XLIV. O espanhol Paulo Orósio, refugiado, em 414, junto a Agostinho, lhe havia entregue uma consultatio ou commonitorium de errore priscillianistarum, P. L., ibid., col. 665-669, quadro das doutrinas maniqueístas, misturadas com mitologia, que Prisciliano havia legado à Espanha. Agostinho, seduzido pelo famoso Marco em 415, refutou-os neste livro ad Orosium, mas brevemente, porque as suas obras antimaniqueístas tinham esgotado a matéria. Na carta CCXXXVII, ad Ceretum, P. L., t. XXXIII, col. 1034, ele censura sobretudo aos priscilianistas as suas impudentes falsificações e a sua famosa lei: Jura, perjura, secretum prodere noli. Quanto ao origenismo, Agostinho preferiu dirigir Orósio a São Jerônimo com a carta CLXVI, De origine animœ, P. L., t. XXXIII, col. 720-728; Retract., l. II, c. XLIV.
33° Os dois livros Contra adversarium legis et prophetarum, P. L., t. XLII, col. 603-666; Retract., l. II, c. LVIII. Em 420, fiéis de Hipona transmitiram ao seu bispo um codex anônimo, que era lido e vendido publicamente em detrimento da fé: o autor, marcionita ou de uma seita análoga (Agostinho não pôde adivinhar), pretendia no seu livro que a criação do mundo era obra do demônio. A resposta de Agostinho é, portanto, uma nova apologia do Antigo Testamento, que o Novo nunca reprovou.
Sobre a controvérsia maniqueísta, consultar: Confessions, passim; De utilitate credendi; Epist., LXXIX, CCXXXVI; De Genesi cont. manichœos; De vera ratio; em Ps. CXL; os Serm., I, II, XII, CLIII, CLXXXXII, CCXXXVII.
— 3. Contra os donatistas. Estas obras, escritas na sua maioria de 400 até à conferência de 412, desenvolvem as grandes teorias da Igreja visível, compreendendo no seu seio até pecadores, da eficácia dos sacramentos independente das disposições do ministro, da não reiteração do batismo, mesmo conferido fora da Igreja.
34° O Psalmus contra partem Donati, ou Ps. abecedarius, P. L., t. XLIII, col. 23-32, é um canto puramente rítmico (o mais antigo documento do gênero) de 280 versos, composto por Agostinho, entre 393-396, para o uso do povo. Cada uma das 20 estrofes de 12 versos era designada por uma letra do alfabeto iniciando a primeira palavra, daí o nome de abecedarius. Após a letra V, Agostinho acrescentou uma prosopopeia da Igreja recordando os seus filhos desgarrados. Quanto ao fundo, é a história e uma curta refutação do cisma. Cf. Retract., l. II, c. XX. Para o estudo literário do salmo, ver mais acima, n. 12.
35° Os três livros Contra Epistolam Parmeniani, P. L., t. XLIII, col. 33-108, foram compostos em 400, após as leis de Honório em 399 contra a idolatria. L. I, c. IX. A ocasião para esta obra foi a carta pela qual o armênio, bispo donatista de Cartago (já morto em 400), tinha censurado Ticônio, o seu correligionário e autor das célebres regras de exegese, por ser demasiado conciliador ao conceder que a Igreja deve ser universal e não pode ser restringida a um canto da África. O santo doutor estabelece, portanto, a catolicidade da Igreja, discute a origem do cisma donatista; de fato, não se pôde provar que os consagradores de Ceciliano fossem traditores, l. I, c. III-VII; em direito, a Igreja não perece porque tem indignos no seu seio, l. II e III; digressões sobre as leis contra os donatistas, l. I, c. VIII-XIV; l. III, c. VI.
36° Os sete livros De baptismo contra donatistas, P. L., t. xliii, col. 107-244; Retract., l. II, c. XVIII, são da mesma época (cerca de 400). A tese da validade do batismo conferido fora da Igreja é aí examinada sobretudo historicamente, para arrancar aos donatistas a autoridade de São Cipriano. Agostinho constata que, apesar do seu erro sobre a reiteração do batismo, Cipriano condenou o cisma, l. II; ele critica sucessivamente as cartas a Jubaianus, l. III-V, a Quinto, l. V, c. XVIII-XIX, a epístola sinodal aos bispos da Numídia, l. V, c. XX-XXII, a carta a Pompeu, l. V, c. XXIII-XXVIII, enfim as Sententia episcoporum (87) do concílio de Cartago em 256, l. VI e VII. A comparar com Contra Crescon., l. I, c. XXXII; l. II, c. XXXI-XXXVIII; De un. bapt. c. Petit., c. XIII-XVI, n. 22-26.
37° Os três livros Contra litteras Petiliani, P. L., t. xliii, col. 245-388; Retract., l. II, c. XXV, abrem a controvérsia com o bispo donatista de Cirta (Constantina); foram escritos de 400 a 402, à medida que os documentos donatistas chegavam ao bispo de Hipona. Petiliano, nascido católico, violentamente arrancado à Igreja pelos donatistas, rebatizado e ordenado contra a sua vontade, tendo-se tornado o seu bispo em Cirta e uma das colunas do partido (ele será um dos oradores da conferência de 411), tinha endereçado aos seus padres uma carta contra a Igreja católica. Agostinho, tendo tido acesso a fragmentos dela, endereçou imediatamente uma carta pastoral aos seus fiéis para os precaver: é o livro I. Tendo-lhe sido entregue o texto mesmo da carta donatista mais tarde, ele refuta-a frase por frase nos cento e oito capítulos do l. II. Enfim, tendo Petiliano respondido ao l.
I por uma segunda carta cheia de invectivas, Agostinho, num III livro, mostra a impotência do ministro donatista: a eficácia do batismo não depende da santidade do ministro, é a justificação do seu adversário, pois os donatistas notam a consciência daqueles que eles anatemizam, os maximianistas, e não os rebatizam, l. I, c. I; l. II, c. X-XVIII; l. III, c. XIV-XXIII, XXXIX-XLIII, LXXIII-CI (debate sobre as leis imperiais de repressão).
38° Ad catholicos epistola contra donatistas, ou De unitate Ecclesiae liber unus, P. L., t. xliii, col. 391-446. Esta carta pastoral, que leva o nome de Agostinho, e, de acordo com c. I, n. 1, teria sido escrita entre o II e o III livro da obra precedente (em 402), antes que Agostinho conhecesse a 2ª carta de Petiliano, é de uma autenticidade muito duvidosa. Tem a seu favor o catálogo de Possídio, c. III, assinalando uma Epistola c. don. ad catholicos fratres (mas será esta?) e uma citação do II concílio de Constantinopla, em 553, Mansi, t. IX, col. 261-262, atribuindo-a a Agostinho. Mas contra ela há o silêncio das Retratações, que assinalam a carta pastoral precedente, Contra litt. Petil., l. I, um estilo não apenas inferior, mas de caráter totalmente diferente, atormentado, declamatório, a obscuridade frequente do pensamento, uma língua por vezes bárbara, opiniões opostas às de Agostinho: os beneditinos, loc. cit., col. 389-390, hesitavam muito; acreditamos que uma comparação minuciosa com os outros tratados deve levar a rejeitar este opúsculo que agita, aliás, as mesmas questões que a obra precedente e combate igualmente Petiliano (o que Possídio não supõe).
39° Os quatro livros Contra Cresconium grammaticum partis Donati, P. L., t. XLIII, col. 445-594; Retract., l. II, c. XXVI, continuam a mesma polêmica. São escritos pouco depois das leis repressivas de Honório em 405, l. III, c. XLVII; Retract., loc. cit., portanto cerca de 406. O retórico Crescônio tinha tomado a defesa da 1ª carta de Petiliano, o seu bispo, e atacado o livro I Contra litt. Petiliani. A assinalar: a inutilidade do batismo dos heréticos, embora válido, l. I, c. XXI-XXXIV; a noção da heresia e do cisma, l. II, c. III-IX (os donatistas são heréticos); todo o livro IV gira em torno da famosa cisão dos maximianistas.
40° O Liber de unico baptismo contra Petilianum, P. L., t. xliii, col. 595-614; Retract., l. II, c. XXXIV, é o último desta polêmica (por volta de 410). Petiliano havia voltado à carga com um escrito, De unico baptismo, o bispo de Hipona deu o mesmo título à sua resposta que retorna às mesmas ideias e toca na questão histórica de Ceciliano, etc., c. XVI-XVII.
41° A Carta, CVIII, a Macróbio, bispo donatista de Hipona, P. L., t. XXXIII, col. 405-418, é da mesma época (410) e deve ser aproximada desta controvérsia. Agostinho censura o sucessor de Proculeianus: a) por rebatizar os católicos, enquanto não rebatiza os maximianistas; b) por separar-se da unidade da Igreja.
42° O Breviculus collationis cum donatistis, P. L., t. XLIII, col. 613-650; Retract., l. II, c. XXXIX, não é senão um resumo, para o uso dos fiéis, do relatório oficial dos três dias de conferência contraditória entre os bispos católicos e donatistas (junho de 411).
43° O Liber post collationem, P. L., t. XLIII, col. 651-690; Retract., l. II, c. XL, é um apelo dirigido, após a conferência, aos leigos donatistas para convidá-los à união e preveni-los contra as falsidades espalhadas por seus bispos. A Epistola, CXLI, P. L., t. XXXIII, col. 577-583, é um convite semelhante, porém mais curto, em nome dos bispos do sínodo de Zerta.
44° A Conferência com Emérito, bispo donatista de Cesareia, é um epílogo da de Cartago. Tendo Agostinho ido a Cesareia, em 418 (encarregado, pelo papa Zósimo, de uma missão que permaneceu secreta), Emérito, que fora um dos oradores donatistas em 411, veio saudar o bispo de Hipona, que o convidou a acompanhá-lo, no mesmo dia, à igreja católica para uma discussão diante do povo: Emérito aceitou, a conferência ocorreu diante de vários bispos, amigos de Agostinho. O bispo de Hipona pronunciou o Sermo ad Caesarienses ecclesiae plebem, P. L., t. XLIII, col. 689-696, sobre Emérito, pela paz, prœsente Emérito, que, sem dúvida sentindo-se vencido, recusou-se a tomar a palavra (setembro de 418). Dois dias depois, nova conferência na igreja, narrada no De gestis cum Emerito Caesariensi donatistarum episcopo liber unus, P. L., t. XLIII, col. 697-700: Emérito obstinou-se, persistiu em seu mutismo, mas sem converter-se.
45° Os dois livros Contra Gaudentium, donatistarum episcopum, P. L., t. xliii, col. 707-752; Retract., l. II, c. LIX, são o último escrito antidonatista do bispo (por volta de 420). Gaudêncio, bispo de Thamugade, um dos oradores de 411, irritado com as leis severas do imperador, mantinha, entre seus fiéis, o furor do suicídio, e havia escrito nesse sentido, ao comissário imperial Dulcitius, duas cartas que este transmitiu ao bispo de Hipona, para refutá-las. É o assunto do 1º livro. Tendo Gaudêncio respondido por sua vez a Agostinho, este replicou pelo livro II; a questão agitada é sobretudo a das leis de rigor e do suicídio. Cf. Epist., CCIV, P. L., t. XXXIII, col. 939-942.
Ver sobre a controvérsia donatista: Epist., XXIII, XXXIII-XXXIV, XLIII, XLIV, XLIX, LI-LIII, LVI-LVIII, LXI, LXVI, LXX, LXXVI, LXXVIII-LXXXIX, XCIII, XCVII, C, CV-CVIII, CXI, CXII, CXXVIII, CXXIX, CXXXIII, CXXXIV, CXXXIX, CXLI, CXLII, CXLIV, CLXXXIII, CLXXXV, CCIV, P. L., t. XXXIII. Tractatus in Joa. Evang., IV-VI, IX-XXIII; In Epist. Io., tr. I-IV, P. L., t. XXXIV; Enar. in Ps. X, XXV (enar. II), XXXII (enar. III), XXXIII (enar. II), XXXV, (serm. II, III), XXXIX, LIV, LVII, LXXXV, XCV, XCVIII, CI, CXXIV, CXXXII, CXLV, CXLVII, CXLIX, P. L., t. XXXVI-XXXVII; CXI, VI, CCIXV, X, XI, VI, CCLXVI, XLVII, CCLXVIII, LXXXVIII, CCLXIX, XC, XCIX, CCXCII, CXXIX, CCCLV, CXXXVIII, II-CCCLX, P. L., t. XXXVIII-XXXIX.
— 4. Contra os pelagianos. Devendo o sistema agostiniano da graça ser estudado mais adiante, limitar-nos-emos aqui às indicações cronológicas necessárias. Cf. Garnier, édit. de Mercator, diss. VI, c. II, p. 546-566. Distinguiremos os escritos agostinianos: a) contra Pelágio e Celestio; b) contra Juliano; c) contra os semipelagianos.
— a) Contra Pelágio e Celestio (412-419). 46° Os três livros De peccatorum meritis et remissione, P. L., t. XLIV, col. 109-200 (frequentemente citados sob este título baptismo parvulorum, pelo próprio Agostinho, Ep. CLXXIX, n. 3, ou ainda Libri ad Marcellinum, Retr. l. II, c.
XXXIII), foram escritos a pedido do tribuno Marcelino (412). O I livro estabelece a queda de Adão, causa da morte e do pecado que o batismo apaga nas crianças; o II combate a impecabilidade pelagiana; o III é uma carta acrescentada a posteriori para precisar a exposição de Rom., V, 12, por Pelágio.
O livro De spiritu et littera, P. L., t. XLIV, 201-216; Retract., l. II, c. XXXVII, responde às preocupações de Marcelino, perturbado por ter lido, na obra precedente, que o homem pode ser sem pecado com a graça, mas de fato não o é. Foi escrito no final de 412, pelo menos antes do assassinato de Marcelino (setembro de 413). No título, os termos spiritus et littera emprestados de Cont. Faust. et Manich., XV, c. VIII; Cont. Julian. imp., l. II, n. 157. A lei sozinha é littera, a graça do Espírito Santo vivifica ao inspirar a deleitação da caridade.
De gratia ad Timasium et Jacobum contra Pelagium, P. L., t. XLIV, col. 247-290; Retract., l. II, c. XLII, é a refutação (em 415) do livro de Pelágio De natura, transmitido a Agostinho por esses dois jovens monges, que Pelágio havia atraído para a vida religiosa. A notar: as cautelas em relação a Pelágio, c. VI, col. 250, sua teoria exposta, c. VII-X, XIX, col. 250-256, a discussão dos testemunhos dos santos Hilário, Ambrósio, Jerônimo, etc., c. LXI-LXVIII, col. 284-288. Cf. agradecimentos de Timásio, Epist., CLVIII, P. L., t. XXXIII, col. 711.
49° O Liber de perfectione justitiae hominis, P. L., t. XLIV, col. 221-318, é dirigido, em 415, aos bispos Eutrópio e Paulo que entregaram a Agostinho um escrito trazido da Sicília, as Definitiones ou raciocínios atribuídos a Celestio e certamente de acordo com uma obra sua, c. I. Santo Agostinho refuta as 10 razões de Celestio, c. I-VII, e depois explica os textos escriturários trazidos em favor da impecabilidade possível.
50° O Liber de gestis Pelagii, P. L., t. XLIV, col. 319-360; Retract., l. II, c. XLVII, dedicado em 417 ao bispo Aurélio, de Cartago, é o mais precioso documento para a história do concílio de Dióspolis, do qual reproduz e explica os atos. Encontra-se ali a série dos artigos reprovados a Pelágio, que ele teve de desautorizar ou condenar para ser absolvido. Santo Agostinho dá um resumo de toda a obra, n. 60-66, col. 355-358. Daniel, S. J., Histoire du concile de Palestine ou de Diospolis, no Recueil de divers ouvrages philosophiques, etc., in-4°, Paris, 1724, t. I, p. 700 sq.
51° A Carta CLXXXVI, a Paulino de Nola, P. L., t. XXXIII, col. 815-831, é do mesmo ano (417), resume o sínodo de Dióspolis, n. 32, col. 827, e prova a influência de Pelágio sobre São Paulino, n. 1, col. 516; a carta CLXXXVIII, a Juliana, mãe da virgem Demétriade, é da mesma época (fim de 417 ou início de 418), P. L., ibid., col. 848-854, e mostra a ação perigosa de Pelágio sobre esta ilustre família à qual Juliano de Eclano havia se aliado pelo seu casamento com a filha, de quem Paulino, aparentado ele mesmo aos Anicii, havia cantado, S. J., o epitalâmio. Garnier, S. J., teme mesmo que Demétriade tenha sido favorável à heresia. P. L., t. XLVIII, col. 554.
52° Os dois livros De gratia Christi et de peccato originali, P. L., t. XLIV, col. 359-410; Retract., l. II, c. L, foram escritos contra Pelágio e Celestio em 418, após a condenação da heresia em Roma e na África; Agostinho havia permanecido em Cartago, após o concílio de 1º de maio, e ainda não havia cumprido sua missão em Cesareia. Os nobres e piedosos romanos Piniano (sanctus Pinianus, diz Agostinho, Cont. Jul., l. IV, n. 47), Melânia e Albina, influenciados por Pelágio que protestava sua ortodoxia, dirigiram-se ao bispo de Hipona. Este, no I livro, De gratia, desvenda as astúcias de Pelágio que chama de graça a liberdade, ou a lei, ou a remissão dos pecados. O II livro, De peccato originali, estabelece a existência e o caráter dogmático do pecado original mesmo nas crianças.
A Carta CXCIV, ao sacerdote romano Sisto (mais tarde Sisto III), P. L., t. XXXIII, col. 874-891, é também de 418 e deve ser assinalada, por causa dos distúrbios semipelagianos dos quais foi a ocasião. Agostinho aí insiste no mistério da predestinação gratuita (à graça), n. 4-30, 34; é no n. 19 que está a célebre fórmula: Deus coronat merita nostra, nihil aliud quam munera tua; ele atesta que os pelagianos recorriam já aos méritos futuríveis das crianças, para negar a gratuidade da graça, n. 35-43.
53° Os quatro livros De anima et ejus origine, P. L., t. XLIV, col. 475-548; Retract., l. II, c. LVI, podem ser indicados aqui, embora compostos em 419. Vincentius Victor, jovem donatista recentemente convertido, espantado com as hesitações do bispo de Hipona sobre a origem da alma, escreveu contra ele um factum em dois livros, onde misturava os mais monstruosos erros, emprestando aos maniqueus a emanação, aos origenistas a preexistência das almas, aos pelagianos a salvação sem o batismo. Agostinho respondeu ao monge Renato por este escrito que nos transmitiu a obra de Victor em quatro livros: o 1º endereçado a Victor; o II ao sacerdote espanhol Pedro, a quem Victor dedicou seu livro; o III e o IV ao próprio Victor, a quem trata com uma indulgente bondade. Ele refuta o emanatismo, l. I, n. 4, 23, 24; l. II, n. 4, 7; ele justifica suas hesitações entre o traducianismo e o criacionismo, e enfim afirma que para aqueles que morrem sem batismo, não há nem paraíso, nem oração da Igreja.
— b) Contra Juliano de Eclano (419-430).
55° Dos dois livros De nuptiis et concupiscentia, P. L., t. XLIV, col. 413-474; Retract., l. II, c. LII, o I foi endereçado, no início de 419, ao conde Valério, que o bispo de Hipona queria precaver contra os escritos pelagianos (de Juliano, sem dúvida) que havia recebido, c. II, n. 2, col. 414; aí é provado que a doutrina do pecado original não é a condenação do casamento. Juliano de Eclano publica imediatamente contra a obra de Agostinho um factum em quatro livros, cujos fragmentos são transmitidos pelo conde Valério ao bispo de Hipona, que compôs o livro II com este, em defesa do I contra as calúnias de Juliano. O debate girará habitualmente sobre a concupiscência, inclinação inocente segundo ele, pecado (material) e causa de pecado segundo o santo doutor.
56° Os quatro livros Contra duas epistolas pelagianorum, P. L., t. XLIV, col. 449-638; Retract., l. II, c.
LXI, são endereçados (por volta de 420) ao papa São Bonifácio I (418-422), que havia transmitido a Agostinho duas cartas, uma, dizia-se, de Juliano, enviada a Roma, outra dos dezoito bispos pelagianos enviada a Rufo, bispo de Tessalônica: há alguma dúvida sobre a primeira. Op. imperf. cont. Jul., l. I, c. XVIII. O I livro refuta a 1ª carta que acusa Agostinho de ser maniqueu, de negar a liberdade e de condenar o casamento. Os livros II-IV refutam a 2ª carta sobre censuras análogas, e especificam a doutrina dos pelagianos.
57° Os seis livros Contra Julianum, haeresis pelagianae defensorem, P. L., t. XLIV, col. 641-874; Retract., l. II, c. LXX, foram compostos em 421 após a morte de São Jerônimo, quando a obra integral de Juliano em quatro livros chegou a Agostinho. Os livros I-II formam uma refutação geral de Juliano pelo testemunho dos Padres gregos e latinos: são eles que ele acusa de maniqueísmo; os textos de Irineu, de Cipriano, de Retício, de Olimpo, de Ambrósio, de Basílio, de João Crisóstomo, etc., são discutidos. Os quatro últimos livros refutam passo a passo, segundo o método do grande doutor, cada frase dos quatro livros de Juliano, sobre o pecado original e o casamento, l. III, sobre a concupiscência, l. IV e V, sobre o batismo das crianças, l. IV.
58° O Opus imperfectum contra Julianum, ou contra Julianum, em seis livros, é a última obra do grande doutor, interrompida pela morte. Juliano, refugiado na Cilícia, tendo conhecido a primeira resposta de Agostinho (De nuptiis, l. II), escreveu imediatamente contra ele um panfleto virulento em oito livros, que só chegou ao bispo de Hipona em 428, enquanto ele preparava o III livro das Retratações. À súplica de Alípio, ele refutou, livro por livro e ponto por ponto, o texto integralmente reproduzido de Juliano. As respostas são, por conseguinte, demasiado fragmentadas para guardar toda a sua força, se o leitor não fizer a síntese. O debate versa sobretudo sobre o pecado original, l. II e III, a concupiscência, l. IV-V, e a liberdade após a queda, l. VI.
— c) Contra os semipelagianos (426-430).
59° O livro De gratia et libero arbitrio, P. L., t. xliv, col. 881-912; Retract., l. II, c. lxvi, foi escrito em 426 ou 427 para os monges de Adrumeto, hoje Mahomette na Tunísia. Nesse mosteiro, a carta cxciv a Sisto, enviada pelo monge Floro, havia excitado disputas ardentes, crendo muitos que a liberdade fora aniquilada por Agostinho. O abade Valentim enviou seus monges Floro e Félix para consultar o bispo de Hipona. Este os instrui, entrega-lhes duas cartas para o abade Valentim e sua comunidade, Epist., ccxiv (onde é explicada a carta a Sisto) e ccxv, P. L., t. xxxiii, col. 968-974, e, ao mesmo tempo, este tratado composto para afirmar a gratuidade da graça sem detrimento da liberdade. O calma foi restabelecido, mas não inteiramente; Valentim, com sua carta de agradecimentos, ccxv, ibid., col. 974, enviou Floro ao Santo doutor.
60° O livro De correptione et gratia, P. L., t. xliv, col. 911-946; Retract., l. II, c. lxvii, (427) foi a resposta à questão formulada por Florus, em nome dos monges inquietos: "Se a graça sozinha concede a perseverança no bem, por que somos repreendidos por nossas quedas?" Agostinho responde que, permanecendo a liberdade, a correção é legítima. Si perseverares, homo, msi caelles, eo quod audieris, diz ele aos fiéis, c. vi, n. 11, col. 923. Mas ele desenvolve o dogma da gratuidade da predestinação total, o dom da perseverança. A este respeito, ele estabelece entre a graça de Adão e as de seus filhos redimidos uma distinção que fez correr rios de tinta, e da qual Jansenius quis fazer a chave da doutrina agostiniana. A. Arnauld compôs deste escrito uma Synopsis analytica colocada à frente de alguns exemplares da edição beneditina, mas suprimida em seguida como jansenista.
61° A Epístola, ccxvii, a Vitalis de Cartago, P. L., t. xxxiii, col. 978-989, seria de 427, segundo os beneditinos (Garnier a acreditava mais antiga, 420-424). Ela é muito importante para a história do semipelagianismo, que tinha representantes tanto em Cartago quanto em Marselha. A notar n. 16, col. 981, ou doze: as duodecim regulae de fé sententiae sobre a gratuidade da graça, que marcam um grande progresso da questão desde os cânones de Cartago em 418.
62° e 63° O Liber de praedestinatione sanctorum (dos fiéis), P. L., t. xliv, col. 959-992, e o Liber de dono perseverantiae, ibid., col. 993-1034, foram escritos ambos após as Retratações, em 428-429, contra os semipelagianos das Gálias. Os dois leigos instruídos e zelosos, Próspero e Hilário, testemunhas da agitação suscitada no clero regular e secular do sul da Gália pelos escritos de Agostinho, sobretudo pelo De correptione et gratia, informaram o bispo de Hipona sobre as novas doutrinas. Epist., ccxxv, ccxxvi, P. L., ibid., col. 947-959; t. xxxiii, col. 1002 sq. Pretendia-se, por um lado, que o initium salutis deveria vir da vontade que reza e deseja a salvação, e, por outro, que a perseverança não é um dom, mas depende de nós. Contra o primeiro erro, Agostinho escreve o De praedestinatione sanctorum, estabelece o dom de Deus para o início da salvação, base da gratuidade da predestinação, sendo toda prece ou desejo apenas a preparação da graça, c. x. n. 19, col. 971. O segundo erro é refutado no De dono (e não De bono) perseverantiae, que também se nomeou Liber secundus de praedestinatione.
5. Contra o arianismo.
64° O Liber contra sermonem arianorum, P. L., t. xlii, col. 677-708; Retract., l. II, c. lxviii, é a refutação, escrita em 418, de um sermão ariano anônimo que se difundia entre os fiéis, cujo texto é dado na íntegra. O autor desconhecido sustentava a inferioridade de Cristo em relação ao Pai.
65° A Collatio cum Maximino arianorum episcopo, P. L., t. xlii, col. 709-742, e os Duo libri contra Maximinum arianum, ibid., col. 743-814, referem-se à célebre conferência de 428 em Hipona entre o grande doutor e o bispo ariano Maximino, chegado à África com os godos de Segisvult. A Collatio é a ata oficial do colóquio: após alguns ataques de parte a parte, Maximino eterniza-se em um longo discurso, col. 724-740, que absorveu todo o tempo, e, em vez de retomar o debate no dia seguinte como havia prometido, pronunciou sua partida desleal no livreto que publicou contra Agostinho.
Em seus dois livros, Agostinho refutou o texto de Maximino; ele concedia a Agostinho a distinção das hipóstases, mas negava a unidade de operação e de potência, a consubstancialidade e a igualdade das três pessoas que demonstra o bispo de Hipona. O arianismo é ainda combatido, Serm. cxvii, cxxvi, cxxxv, cxxx9, Tractatus in Joannem, XVII, CCI, XXVII, XXXVIII, XLIX, LX, LXXI, P. L., t. XXXV; Epist., clxxxix, ccxxxviii-ccxli, P. L., t. xxxiii.
— VI CLASSE: EXEGESE SCRIPTURÁRIA. Após um tratado teórico, enumeraremos os escritos exegéticos.
1. Teoria da exegese. 66° De doctrina christiana, libri IV, P. L., t. xxxiv, col. 15-122. — É um verdadeiro tratado de exegese, o primeiro em data (escrito antes de São Jerônimo polemista), composto em grande parte (l. I-III, c. xxxvii) desde 397, concluído em 426, e dividido em duas partes: vendo na Bíblia uma grande fonte da doutrina cristã, não a única nem a primeira, Agostinho traça o método: a) de descobrir o seu sentido; é a 1ª parte, verdadeira hermenêutica compreendendo l. I-III; b) de expô-lo ao povo: é a 2ª parte que dá os princípios, não da exposição científica, mas da homilética ou pregação. Impossível entrar em detalhes: é o monumento histórico mais útil para conhecer o caráter da exegese nesta época. — Edição separada por Bruder, Leipzig, 1838. Estudos importantes de Clausen, Schneegans. Ver mais adiante.
2. Comentários sobre o Antigo Testamento. Três comentários sobre o Gênese, inseridos no l. XI-XVI das Confessionum, sem contar os tratados, mostram a inquietação de Agostinho buscando com ansiedade crescente a explicação científica das origens. 67° Os dois livros De Genesi contra Manichaeos, P. L., t. xxxiv, col. 173-220; Retract., l. I, c. x, foram escritos pelo recém-convertido ao seu retorno da Itália (388) para refutar as objeções dos maniqueístas contra o relato da criação. Nesta explicação de Gen., I-III, ele mesmo censurou o abuso do sentido alegórico. 68° O De Genesi ad litteram liber imperfectus, P. L., t. xxxiv, col. 219-346; Retract., l. I, c. xvi, é um ensaio de exegese literal que Agostinho, tornado padre, tentou por volta de 393-394. "Mas, diz ele, sua inexperiência sucumbiu sob o fardo," Retract., loc. cit., e ele renunciou a prosseguir. Na revisão de 426, ele acrescentou os c. 61-62. 69° Os doze livros De Genesi ad litteram, P. L., t. xxxiv, col. 245-486; Retract., l. II, c. xxiv, são o trabalho definitivo de exegese literal sobre o relato das origens. Foi escrito de 401 a 415, após a interpretação mais alegórica dada nas Confess. O objetivo é realmente afastar qualquer desacordo entre o relato bíblico e a verdadeira ciência. Mas, diz ele mesmo, pauciora firmata, plura quaesita, et eorumque quaedam adhuc inventa, et incerta, velut posita, sunt requirenda: Retract., l. II, c. xxix; loc. cit. Os doze livros encerram toda uma psicologia, ou mesmo, juntando-lhes o arrebatamento de São Paulo, II Cor., xii, 1-4, uma antropologia. 70° Os sete livros Locutionum in Heptateuchum, P. L., t. xxxiv, col. 485-546; Retract., l. II, c. liv, são notas críticas de linguística sobre os hebraísmos e helenismos que obscurecem a versão latina. 71° Os sete livros Quaestionum in Heptateuchum, P. L., ibid., col. 547-824, são scholia mais desenvolvidos assinalando os problemas que levanta o texto. Por volta de 419. 72° As Annotationes in Job, P. L., ibid., col. 825-886, são notas marginais de Agostinho escritas de 397 a 400, publicadas por outros, e de forma bastante desajeitada, sicut potuerunt vel voluerunt, diz ele. Retract., l. II, c. xiii. Daí, a desordem, a obscuridade, a hesitação do autor em aceitar-lhes a paternidade. 73° As Enarrationes in Psalmos, P. L., t. xxxvi-xxxvii, são a obra de toda a vida de Agostinho. Mal ordenado sacerdote, pôs-se a expor, porém sem ordem determinada, os diversos salmos: só mais tarde é que ele pôs em ordem esses discursos. Vários jamais foram pronunciados: assim, em 415, ele escreveu diversos comentários que não são sermones, por exemplo para os Ps. lxvii, lxxi, lxxvii. Os trinta e dois sermões sobre o Ps. lxviii foram escritos por último, bem depois de 415. Não se deve, de modo algum, procurar neles a explicação literal dos salmos: mas, segundo a confissão de Ellies Dupin, ainda que tão hostil à alegoria, é uma obra-prima de eloquência popular, de um vigor e de uma originalidade inimitáveis.
3. Escritos sobre os Evangelhos. 74° Os quatro livros De consensu Evangelistarum, P. L., t. xxxiv, col. 1041-1230; Retract., l. II, c. xvi, escritos por volta do ano 400, são uma apologia dos Evangelhos contra os infiéis e um ensaio de conciliação das aparentes contradições dos quatro relatos. O Iº livro, sobre a autoridade, o caráter e o objetivo dos evangelistas, refuta a acusação de terem alterado a doutrina de Cristo. O IIº e o IIIº conciliam Mateus com Marcos, Lucas e João. O IVº estuda as particularidades dos três últimos evangelistas. Sem dúvida, certas observações são mais sutis que sólidas. Mas, segundo a confissão do protestante Clausen, Augustinus... interpres, 1827, p. 107-115, em parte alguma Agostinho demonstrou mais finura e engenhosidade. II. J. Vogels, S. Augustins Schrift De consensu Evangelistarum, Friburgo em Brisgóvia, 1908. 75° Os dois livros Quaestionum Evangeliorum, P. L., t. xxxv, col. 1321-1364; Retract., l. II, c. xii, são a coletânea feita depois do ocorrido (por volta de 400) de respostas enviadas em diversos momentos e sem ordem a um leitor apaixonado pelas Escrituras: a nota moral e mística domina; o Iº livro é sobre São Mateus, o IIº sobre São Lucas. 76° Os dois livros De sermone Domini in monte, P. L., t. xxxiv, col. 1229-1308, são o fruto do ministério sacerdotal de Agostinho (393-396). Tomando como base Mt, v-vii, ele agrupa, no quadro do sermão da montanha, e sobretudo das bem-aventuranças, as outras palavras de Cristo, e, em uma síntese notável de unção e profundidade, ele resume o que se chamaria hoje a teologia moral de Cristo. 77° Os Tractatus CXXIV in Joannis Evangelium, P. L., t. xxxv, col. 1379-1976, são homilias pronunciadas por volta de 416. Este comentário seguido de São João, de ritmo alternadamente dogmático e moral, é com justiça classificado entre as obras magistrais de Agostinho. Arianos, pelagianos, donatistas são sucessivamente combatidos, e a alma é sempre arrebatada. 78° Os Tractatus X in epistolam Joannis (ad Parthos), P. L., ibid., col. 1977-2062, são do mesmo ano (416) e interrompem-se no c. v, 3. O orador deteve-se sobretudo na caridade, tr.
VIII-X, e na unidade da Igreja, tr. II, III, X, 8-10.
4. Epístolas de São Paulo, datando de seu ministério sacerdotal. 79° A Expositio quarumdam propositionum ex Epist. ad Romanos, P. L., t. xxxv, col. 2063-2088; Retract., l. I, c. xxiii, é o fruto das conversas com os irmãos do mosteiro de Hipona (393-396): como ali se lia a Epístola aos Romanos, Agostinho era interrogado sobre as passagens difíceis: suas respostas, escritas pelos irmãos com sua permissão, formam esta coletânea. Os semipelagianos reivindicavam a 9ª, e Agostinho confessa que, na época, ele não havia compreendido o papel da graça ad initiant salutis. De praedest. sanct., c. iii-iv.
80° A Epistolae ad Romanos expositio inchoata, P. L., t. xxxv, col. 2088-2106, desenvolve apenas as saudações, i, 1-7, e a questão do pecado contra o Espírito Santo, n. 14-23 (tratada também em Serm., lxxi, e Enchirid., c. lxxxiii). A dificuldade fez com que ele renunciasse ao empreendimento.
81° A Expositio ad Galatas, P. L., ibid., col. 2105-2148, é um verdadeiro comentário explicando o sentido literal de cada versículo. Cf. Retract., l. I, c. xxiv.
5. Coletânea escriturística. 82° O Speculum, P. L., t. xxxiv, col. 887-1010, é uma simples coletânea das prescrições morais extraídas na própria ordem dos Livros santos, sem qualquer tentativa de sistematização. Foi composto por Agostinho como um espelho da lei divina, com um objetivo de edificação, no fim de sua vida (427). Foi publicado por Cl. Ménard em Paris em 1654; os críticos provam sua autenticidade pelo testemunho de Possídio e pelos extratos de Eugípio. Apenas, à versão itálica, da qual se servia quase exclusivamente Agostinho, substituiu-se (exceto em raríssimas passagens) o texto hieronimiano. Tommasi editou-o à parte, Roma, 1679.
Uma obra análoga, sob este título de Liber de divinis scripturis sive speculum, foi sucessivamente publicada: 1º por Vignier em seu Supplementum operum S. Augustini, 1654, t. i, p. 515-546, a partir de um manuscrito de Teodulfo de Orleães que fornece apenas um resumo da obra primitiva, e muito mal reproduzido por Vignier; 2º pelo Cardeal Mai em sua Nova PP. Bibliotheca, t. i, reproduzindo o Codex sessorianus, que dá o texto mais completo da primeira obra; 3º pelo Weihrich, na sequência do Speculum, t. xii do Corpus de Viena, p. 287-700, a partir do Sessorianus; ele acrescenta em nota o texto completo do resumo de Teodulfo, a partir dos dois manuscritos Auiciensis (Le Puy) e Mesmianus (hoje em Paris, 9380). Este Liber difere do Speculum precedente por classificar os textos em uma ordem metódica para deles fazer uma suma doutrinal. Embora Vignier, Mai e recentemente Léopold Delisle tenham visto neste Liber o verdadeiro Speculum de Santo Agostinho, ele é certamente suposto, e o Speculum dos beneditinos responde apenas às indicações de Possídio. Cf. Weihrich no início de sua edição; Léopold Delisle, em Biblioth. de l'École des chartes, 1884, p. 478-487.
VI. CLAUSE: EXPOSIÇÃO DOGMÁTICA E MORAL.
1. Exposição geral da fé. 83° O De fide et symbolo, P. L., t. xl, col. 181-196; Retract., l. I, c. xvii, é o discurso sobre o símbolo pronunciado no concílio de Hipona, em 393, por Agostinho, simples sacerdote, que não pôde recusar-se a entregá-lo ao público completando-o.
84° O De agone christiano, ibid., col. 283-310, composto já em 396, é um manual de vida cristã, «expondo, com extrema simplicidade de linguagem para nossos irmãos pouco exercitados na língua latina, a regra da fé e dos costumes.» Retract., l. II, c. xi. É o Enchiridion do povo: como no outro, o dogma ali é mais desenvolvido que a moral.
85° Enchiridion ad Laurentium seu liber de fide, spe et caritate, P. L., t. xl, col. 231-290; Laurentius, irmão do tribuno Dulcitius, pediu a Agostinho sobre a fé cristã um enchiridion no sentido grego da palavra, um pequeno livro substancial que ele tivesse sem cessar em mãos. A resposta foi, em 421, este opúsculo, precioso entre todos, admirável síntese da teologia de Agostinho reduzida às três virtudes teologais: a) à fé, ele vincula a explicação de todo o símbolo, c. viii-cxiii, e esta é a maior parte do livro; b) à esperança, o comentário da oração dominical, c. cxiv-cxvi; c) à caridade, todos os preceitos, c. cxvii-cxxii. Os teólogos sempre o consideraram como um manual do verdadeiro agostinianismo. Edições especiais de Augusti, Krabbinger, Tubinga, 1838; por H. Danée, Genebra, 1845; nos Opéra patristica, t. ii, Paris, 1875; na Chrestomatia patristica de Hurter, Innsbruck, 1892; ver P. G., col. 2303, e sobretudo Schell, Katolische Dogmatik, t. i, Roma, 1895, 2ª ed. (Passaglia). Nota do Enchiridion por Harnack, Lehrbuch der Dogmengesch., 3ª ed., t. iii, p. 205-221; trad. franç. p. 291-296.
2. Questões diversas ou miscelâneas. — 86° O De diversis quaestionibus LXXXIII, P. L., t. xl, col. 11-102; Retract., l. I, c. xxvi, é o fruto das conversas teológicas com os solitários de Tagaste e de Hipona (393-396). Tornado bispo, ele mandou recolher as folhas nas quais suas respostas haviam sido consignadas, e as publicou sem as coordenar. As questões tratadas são de todo gênero, filosóficas (q. viii, ix, xii, xv, etc.), exegéticas (a maioria a partir da q. xliix; sobre São Paulo, q. lxvi-lxxvii), sobretudo dogmáticas. Fessler-Jungmann, op. cit., p. 365, fornece um índice metódico.
87° Os três livros De diversis quaestionibus ad Simplicianum, P. L., t. xl, col. 101-148; Retract., l. II, c. i, são a primeira obra de Agostinho bispo, endereçada a Simpliciano (ver Confes., l. VIII, c. i-ii), sucessor de Ambrósio na sé de Milão. O 1º livro, de longe o mais importante, responde a duas questões sobre a graça, Rom., vii, 7-25, e sobretudo sobre a predestinação, Rom., ix, 10-29. Os melhores críticos, seja católicos como Fessler, seja protestantes como Loofs e Ritschl, consideram esta obra como a expressão da verdadeira doutrina agostiniana sobre a graça. Cf. Retract., loc. cit.; De praedestin. sanct., n. 8, etc. Cf. Análise deste livro por Loofs em Realencyklop., t. ii, p. 278 sq. Ver Franzelin, De Deo, th. lvii, p. 579; e mais abaixo, Doutrina da graça.
88° O Liber de octo Dulcitii quaestionibus, P. L., t. xl, col. 147-170, endereçado por volta de 422 ao tribuno Dulcitius, «é formado, diz o autor, Retract., l. II, c. lxv, de citações extraídas das obras que eu havia anteriormente composto.» Ele o conserva, contudo, por causa de novos desenvolvimentos e de uma questão nova.
3. Questões particulares e dogmáticas. — 89° Os quinze livros De Trinitate, P. L., t. xlii, col.
819-1098, são a obra dogmática mais desenvolvida e mais profunda de Agostinho. Durante mais de quinze anos, de 400 a 416, ele trabalhou neles, e relata, Retract., l. II, c. xv, que, tendo os doze primeiros livros sido distribuídos ao público sem seu conhecimento, antes da correção completa, foi necessária a súplica dos irmãos para fazê-lo terminar a obra. Ele se propõe a justificar o mistério da Trindade. A 1ª parte (l. I-VII) estabelece o dogma e resolve as objeções escriturísticas e racionais. A 2ª parte (l. VIII-XV) tenta dar a inteligência do mistério pela imagem que Agostinho descobre: a) na alma que se conhece (l. IX); b) em suas três faculdades: memória, inteligência e vontade (l. X); c) até mesmo na visão corporal (l. XI); d) finalmente na ciência, na fé e na sabedoria (l. XII, XIII, XIV). Esta última parte é ao mesmo tempo a mais sutil e a mais discutida. O santo doutor proclama ele mesmo que estas são apenas analogias distantes; em outro lugar, Epist., clxix, clxxiv (prefácio do livro), ele confessa a grande obscuridade destes últimos livros. Stilting, Acta sanct., Iun. iii, n. 125, estabelece que o encontro de Agostinho com o anjo criança tentando esvaziar a água do mar é uma lenda sem autoridade.
90° A Carta, cxx, ad Consentium sobre a Trindade, P. L., t. xxxiii, col. 452-462 (por volta de 410?), em resposta à carta cxix, insiste: a) na subordinação da razão à fé, n. 2-10; b) na infinita simplicidade da Trindade que não seria a Trindade, se fosse outra coisa que a Trindade, n. 13-20.
91° De fide et operibus, P. L., t. xl, col. 197-230. Retract., l. II, c. xxxviii. Por volta de 413, fiéis instruídos enviaram a Agostinho certos escritos assegurando a salvação a todos os batizados, e não exigindo para o batismo senão a fé sem emenda de vida. Contra esta forma de erro, o bispo de Hipona diz: a) que não se deve admitir ao batismo senão sob a condição de viver bem; b) que, apesar da fé, o pecador impenitente será condenado para sempre. (Repetiu frequentemente: viver bem é necessário para a fé). Às questões de Pollentius, Agostinho responde (em 419) que o matrimônio cristão é absolutamente indissolúvel, mesmo em caso de adultério (o que Pollentius negava). Ele estuda o célebre privilegium paulinum. L. I, c. xx, 99.
O De patientia, P. L., t. XL, col. 611-626, propriamente um sermão pronunciado antes de 418. Cf. Epist., cxxxi, n. 7. A ideia mestra é que a paciência dos justos e dos verdadeiros mártires é um dom da graça, n. 19.
100° De cura gerenda pro mortuis, P. L., t. XL, col. 591-610; Retract., l. II, c. lxiv. Por volta de 421, neste tratado sobre os túmulos dos mártires, Agostinho demonstra a vantagem de ser sepultado perto dos mártires, a eficácia das orações, sobretudo do sacrifício do altar pelos defuntos, e acrescenta que estas orações são ordinariamente mais fervorosas perto das memórias dos mártires. — Comparar Serm., ccxxii-ccxxiii. A. Fraidl, Die Todtenbestattung nach den Schriften des Augustinus, in-8°, Schaffhouse, 1861 (tese interessante).
101° O livro De opere monachorum, P. L., t. XL, col. 549-592; Retract., l. II, c. xxi, foi composto por volta de 401 a pedido de Aurélio, bispo de Cartago, para apaziguar a divisão que repartia os fiéis nos mosteiros recentemente fundados: uns se reclamavam de Matth., vi, 25-34, para excluir e desprezar o trabalho corporal que os outros praticavam para viver. Agostinho se alinha a este último parecer, e recomenda o trabalho, praticado por São Paulo, n. 1-26, conforme ao Evangelho, n. 27-35, preservativo contra os vícios. Ver Le Camus, bispo de Belley, Saint Augustin, De l'ouvrage des moines, in-8°, Rouen, 1633 (com outros opúsculos e comentários sobre este assunto).
— VIIª CLASSE: PASTORAL E PREGAÇÃO. A teoria da pregação foi dada pelo bispo de Hipona no IVº livro De doctrina christiana (ver n. 66). Para Agostinho o pregador é acima de tudo o divinarum Scripturarum tractator et doctor, c. IV, n. 6. Ele deve, portanto, apropriar-se de memória das santas Letras e aprofundá-las, n. 7. Mas a sabedoria cristã deve também pôr em obra os recursos da eloquência, c. III.
102° O De catechizandis rudibus, P. L., t. XL, col. 309-348; Retract., l. II, c. xiv, foi composto por volta de 400, a pedido do diácono Deogratias, encarregado de instruir os catecúmenos. Agostinho ensina a prevenir os espíritos contra o escândalo dos vícios dos cristãos indignos, a instruir sem tédio nem fadiga, graças às variadas artes do zelo; ele oferece mesmo dois modelos de instrução, n. 24-55. Cf. mesmo assunto em C. Faustum, l. XIII, c. VII; l. XXII, c. xvi-xxi. Edições separadas na coleção de Hurter e nos Quellenschriften, de G. Krüger, 2ª ed., Tubinga, 1893. Estudos: Fr. X. Schöberl, Die Katechetik des hl. Augustinus, in-8°, Dingolfing, 1880; Au- Mayer, Geschichte des Katechumenates und der Katechese, Kempten, 1868; Jos. Gruber, Des h. Augustin Theorie der Katechetik, Salzburgo, 1830, frequentemente reimpressa com adições; Rentschka, Die Dekalogkatechese des hl. Augustinus, 1905.
103° Sermones, P. L., t. xxxviii-xxxix. A obra oratória de santo Agostinho é imensa: ela abrange as Enarrationes in Psalmos (n. 73), os Tractatus in Joannem (n. 77, 78), etc. Sob o título de Sermões, os beneditinos classificaram os discursos mais isolados, em número de 363, seguramente autênticos. Eles os dividiram em quatro classes:
A 1ª, De Scripturis, Serm., i-cxxxiii, outrora chamados De verbis Domini, De verbis apostoli, etc. Era o costume ler uma passagem do Antigo Testamento ou das Epístolas antes do canto do gradual, seguido ou de uma ou de outra leitura, a seu bel-prazer, mesmo Agostinho reunia e desenvolvia ambas. Cf. Serm., xxxii.
A 2ª, De tempore, sobre as diferentes solenidades, sermões panegíricos ou dogmáticos, clxxxiv-ccltrxiii; a 3ª, De sanctis, mártires, ccltrxiii-cccxl; a 4ª, De diversis, morais ou de circunstância. Os sermões são, em geral, bastante curtos; ouvia-os de pé; tomava notas quem queria. Agostinho revisava o trabalho dos taquígrafos ou, por vezes, ditava ele mesmo, mas na maioria das vezes após o sermão. Assim se explicam as redações diferentes do mesmo sermão. Já o maniqueísta Secundinus chamava Agostinho de summum oratorem et deum pene totius eloquentiæ, P. L., t. XLII, col. 574.
Ele traduzia a impressão geral dos contemporâneos ratificada pela posteridade; se o doutor domina nele o orador, se ele tem menos cor, abundância de atualidade e charme oriental que João Crisóstomo, ele tem também uma lógica mais nervosa, aproximações mais audazes, mais elevação e profundidade no pensamento, e por vezes, em seus ímpetos de coração e seus dialogismos audazes, ele iguala a potência irresistível do orador grego. Em nosso tempo, os críticos puseram em relevo o mérito oratório de santo Agostinho que seu papel doutrinal relegava ao segundo plano. Ver Rottmanner, Historisches Jahrbuch, 1898, p. 304.
1° Sobre a eloquência oratória de santo Agostinho: Collnkamp, Étude critique sur l'éloquence de saint Augustin, in-8°, Paris, 1848; Sadous, S. Augustini de doctrina christiana libri expenduntur, seu de rhetorica, apud christianos disquisitio, in-8°, Paris, 1847; A. Lezat, De oratore christiano apud S. Augustinum, disquisitio, in-8°, Paris, 1871; Longhaye, La prédication, grands maîtres et grandes lois, in-8°, Paris, 1888, p. 153 sq., e em Études religieuses, 1888; Wolfsgruber, Augustinus, 1898, p. 464-499; J. Vérin, S. Augustini auditores, sive de Afrorum christianorum circa Augustinum ingenio ac moribus disquisitio, in-8°, Blois, 1869; A. Degert, Quid ad mores ingeniaque Afrorum cognoscenda conferant S' Augustini sermones, in-8°, Paris, 1894; A. Régnier, La latinité des sermons de saint Augustin, in-8°, Paris, 1887. Cf. Norden, Die antike Kunstprosa, t. II, p. 621-624.
2° Sobre a data dos sermões, não podemos senão remeter às conclusões às quais chegou para certos sermões o Sr. Degert, valendo-se das pesquisas dos beneditinos. Op. cit., p. 20-30.
3° Novos sermões publicados desde a edição beneditina, sob o nome de Agostinho: 1. A coleção de Viena, 1792, um valor real 25 sermões; a crítica, em P. L., t. XLVI, col. 813-940; dom Michel Morin, Revue bénédictine, 1895, p. 45, assim como Rottmanner, Histor. Jahrb., 1898, p. 304, admiram-se de que o confundam com os seguintes; 2. Coleções de sermões, supostos ao menos muito duvidosos: a) a de Fontani, em Florença, 1793, 4 sermões, P. L., t. XLVI, col. 1113-1140; b) de Frangipane, monge do Monte Cassino, Roma, 1819, 10 sermões, P. L., t. XLVI, col. 939-1004; c) de Caillau, in-fol., Paris, 1842, 160 sermões; d) os Sermones inediti ex codicibus Vaticanis, 713-715, no Spicilegium romanum, t. I, Mai, 201 sermões; t. VIII, e) Liverani também publicou algumas homilias, no Spicilegium liberianum, in-fol., Florença, 1863. Ver as discussões sobre essas coletâneas na 2ª edição de dom Ceillier, t. IX, p. 833-844; dom Morin, Revue bénédictine, 1893, p. 28-36, sobre Godofredo de Bath (autor presumido de vários desses sermões); 3. Mais recentemente Caspari, em Alte u. neue Quellen z. Geschichte der Taufsymbols, Christiania, 1870, provou a autenticidade do sermão ccxxii, P. L., t. XXXVIII, col. 1060-1065, erradamente suspeito. 4. Publicações de dom Morin, Revue bénédictine, 1895, p. 388; ver o discurso sobre Faustinus, publicado em Revue bénédictine, 1890, p. 267, não é de 390, e permanece duvidoso; outro discurso inédito atribuído a santo Agostinho em Revue bénéd., 1892, p. 173, é pseudoagostiniano.
4° Sermões duvidosos ou supostos da edição beneditina. Os editores, com um senso crítico admirado por todos, separaram, como duvidosa, uma 5ª classe de 32 sermões e relegaram ao Apêndice 317 sermões apócrifos. O erro, entre outras causas, proveio do sistema de plágio cuja lei foi formulada por são Cesário, cf. Malnory, Vie de saint Césaire, p. XII. Os beneditinos tentaram restituir aos seus autores os diversos sermões que não são de Agostinho, por exemplo a Pelágio o n. CCXXXVI emprestado do Libellus fidei do heresiarca, a Orígenes, e sobretudo a são Cesário. Encontrar-se-ão sermões de Cesário extraviados entre esses pseudoagostinianos, uma 1ª tabela de 128 sermões pelos editores beneditinos, P. L., t. LXVII, col. 21-22; uma 2ª lista bastante diferente é fornecida pelo editor de são Cesário, P. L., t. LXVII, col. 1041-1042, ela subtrai um certo número de números na 3ª lista, a melhor, Revue biblique, 1895, p. 594, segundo o estudo dos manuscritos pelo Sr. Malnory, op. cit.
— OBRAS SUPOSTAS. — Nós as agrupamos na mesma ordem que as autênticas.
1° Cartas. 1. A Carta a Demétrias, col. 1098-1120, foi escrita por Pelágio em 413 quando Demétrias, tocada por um sermão de Agostinho, tomou o véu e, nessa ocasião, recebeu as felicitações de Jerônimo, de Agostinho, de Inocêncio I. É estranho que se pudesse atribuí-la a Agostinho quando se relerá o que ele denuncia sobre seu caráter pelagiano. Epist., CLXXXVIII, e nomeia o autor no De gratia Christi, c. XXII, assim como as confissões de Pelágio. Ibid., c. XXXVIII, P. L., t. XLIV, col. 371, 378. Paulo Orósio, em seu Apologeticus (editado em 415), atribuía-o a Pelágio, acrescentando que um secretário (Anião) o teria escrito em seu nome. Beda, In Cant., refutou-o atribuindo-o a Juliano de Eclano.
2. A Regula ad monachos, P. L., t. XXXII, col. 1449-1452, adaptação aos monges da carta CCXI para as religiosas, é posterior a Santo Agostinho.
3. Carta de consolação a Probo, P. L., t. XXXIII, col. 1178-1180, considerada com razão pelos beneditinos como absolutamente desconhecida dos antigos, admitida por Barônio, S. e o autor.
4. A correspondência com São Jerônimo, P. L., t. XXXIII, col. 120-153, exercício de retórica de um impostor desajeitado (já que os dois santos morreram bem antes dos erros de Cirilo e dos monotelitas). Cf. Epist. IV, col. 1132.
Filosofia. O De spiritu et anima, P. L., t. XL, col. 779-832, falsamente atribuído a Santo Agostinho, foi impresso também nas obras de Hugo de São Vítor, onde forma o II livro De anima. Esta psicologia, teórica e ascética, é uma compilação curiosa que reproduz ou abrevia as teorias dos Padres latinos desde Agostinho, Genádio e Boécio até São Bernardo e Hugo, passando por Isidoro, Alcuíno e Anselmo. São Tomás, De anima, a. 12, ad 1um, atribui-o a um cisterciense e preocupa-se pouco em estar em desacordo com ele sobre a distinção da alma e de suas faculdades. Os beneditinos, e Stöckl, Geschichte der Philos. d. M. A., t. I, p. 389, creem que é de Alcher de Claraval.
3º Apologia contra os infiéis. 1. O Tractatus (sermão) adversus quinque hæreses seu contra quinque hostium genera, P. L., t. XLII, col.
1101-1116, é posterior a Agostinho, do tempo da perseguição dos vândalos. O segundo título é o único exato, já que os pagãos e os judeus são combatidos com os maniqueístas, os sabelianos e os arianos. Os lovanistas, Belarmino e outros acreditaram ser autêntico.
2. O Sermo de symbolo contra judæos, paganos et arianos, P. L., t. XLII, col. 1117-1130, é da mesma época; os beneditinos constataram empréstimos de Santo Agostinho.
3. O Dialogus de altercatione Ecclesiæ et Synagogæ, P. L., t. XLII, col. 1131-1140, parece ser a obra de um jurista, dizem os beneditinos, col. 1131; não seria uma declamação de retórico?
4º Apologia contra os heréticos.
A. Contra os maniqueístas.
1. O De fide contra manichæos, P. L., t. XLII, col. 1139-1154, é uma imitação de Agostinho, especialmente no De natura boni contra manichæos. Sirmond atribuía-o a Evódio, sob a fé de um manuscrito.
2. O Commonitorium quomodo sit agendum cum manichæis qui convertuntur foi falsamente atribuído a Santo Agostinho e fornece a fórmula de abjuração em 10 anátemas para os maniqueístas convertidos, com as regras a seguir. Cf. fórmula greco-latina mais antiga e mais desenvolvida, editada por Galland, e reproduzida P. G., t. I, col. 1462-1477.
B. Contra os donatistas.
1. O Sermo de rebaptizato et madiacono Bæticiano ordinato, P. L., t. XLIII, col. 753-758, não é de Agostinho. Ver ibid., col. 752. Segundo Harnack, Lehrb. d. Dogmeng., t. III, p. 131, seria uma peça fabricada pelo famoso Jérôme Vignier.
2. O livro Contra Fulgentium donatistam, P. L., t. XLIII, col. 763-766, é igualmente suposto: parece ser o escrito publicado sob o título de Liber de fide catholica contra donatistas por Dom Pitra em Analecta sacra et classica, part. I, Paris, 1888, p. 147-158, não é nem de Agostinho, nem contra os donatistas, mas contra os arianos e os macedonianos, e de um autor mais recente; talvez seja o Libellus adversus arianos et macedonianos de Fausto de Riez (conjectura de Dom Cabrol, Revue des quest. hist., 1890, t. XLVIII, p. 232-243).
C. Contra os pelagianos.
1. O Hypomnesticon contra pelagianos et cœlestianos, P. L., t. XLV, col. 1609-1664. Este comentário é também chamado Hypognosticon (subnotationum libri), títulos empregados um e outro por Mário Mercator. É uma refutação em seis livros, de verdadeiro valor, das cinco grandes teses pelagianas. Embora Juliano não seja nomeado, o autor parece escrever contra ele; todo o livro IV é contra a concupiscência. O autor é desconhecido, apesar das discussões, segundo Garnier, seria o mais tardar do século sexto, que teria querido atribuí-lo primeiro a Mário Mercator, depois a Hincmar de Lyon, outros inclinam-se por Prudêncio contra Escoto Erígena. Cf. P. L., t. CXXV, col. 1044, e P. L., t. LXV, col. 1200. Ver a ed. de 1736.
2. De prædestinatione et gratia, P. L., t. XLV, col. 1665-1678, tratado curto e sem grande valor, não de Agostinho, nem de Fulgêncio de Ruspe. Belarmino e outros, ibid., col. 1677-1680, viram no c. IX traços de semipelagianismo. O libellus é um curto protesto contra a predestinação ao mal, muito bem caracterizada, c. III, como um impulso irresistível.
D. Contra os arianos.
1. A Collatio beati Augustini cum Pascentio ariano, P. L., t. XXXIII, col. 1159-1172, é apresentada como ata oficial de uma conferência que teria tido lugar em Hipona. Os beneditinos demonstraram, col. 1153-1156, que ela não é histórica, cf. Epist. CCXXXVIII, P. L., t. XXXIII, col. 1039, e que se deve ver nela uma obra de Vigílio de Tapso publicando sob o nome de Agostinho o que a perseguição dos vândalos não lhe permitia dizer em seu nome.
2. Mesma explicação para o livro Contra Felicianum arianum de unitate Trinitatis, P. L., t. XLII, col. 1157-1172; este diálogo entre Agostinho e Feliciano é suposto por Vigílio, verdadeiro autor.
3. O livro De trinitate et de unitate Dei, P. L., t. XLII, col. 1193-1200, é formado de empréstimos ao diálogo apócrifo entre Orósio e Agostinho, L. contra sermonem arianorum.
5º Exegese.
1. Os três livros De mirabilibus sacræ Scripturæ, P. L., t. XXXV, col. 2149-2200, não são obra de Agostinho, como havia notado São Tomás, Sum. theol., IIIa, q. 66, a. 1, ad 3, mas de um homônimo escrevendo XLV, cf. col. 2176, muito provavelmente na Irlanda, um exame, segundo a ciência do tempo e sem grande interesse, de todos os milagres da Bíblia.
2. O comentário t. XXXV, col. 2199-2206, benedictionibus é um Jacob extraído, dos I., o Gênesis de Alcuíno imitado de São Jerônimo e de São Gregório o Grande.
3. As Quæstiones Veteris et Novi Testamenti, P. L., t. XXXV, col. 2205-2415; t. i. do Corpus de Viena; a coletânea não pode ser de Agostinho (duas opiniões: 9ª ed. de Sovo pela confissão de Souter; 3ª de ex todos utroque). Esta vasta coletânea, estranha, ver col. 2206 t. A coleção foi aliás remanejada e aumentada pelo menos uma vez, já que uma família de manuscritos intercala novas questões. Cf. index, col. 2207. A coleção primitiva seria, segundo os beneditinos, obra de vários autores e de diversas épocas. Jansenius acusava-a de pelagianismo; A. Harnack, em I. Abhandlungen, Munique, 1898, p. 54-93.
4. O Liber que, segundo t. XXIV, col. 1365-1368, é também muito provavelmente apócrifo. Cf. Cellier, t. vii, n. 2.
5. Le Psalterium quod manu, P. L., t. xl, col. 1135, é atribuído a Jean X.
6. Cantici Magnificat expositio, ibid., col. 1137-1149, um tratado, horrivelmente mutilado, de Hugues de Saint-Victor, não dogmático ou moral.
1. 2309 Ad Petrum sive de regula veræ fidei liber unus, P. L., t. xl, col. 753-780, exposição da fé com xl regras, é de inspiração agostiniana; mas o autor é Fulgence de Ruspe.
2. O livro De ecclesiasticis dogmatibus, P. L., t. xlii, col. 1215-1222, há muito tempo foi restituído ao seu autor, Gennade de Marseille.
3. Os dois livros De incarnatione Verbi ad Januarium, P. L., t. xlii, col. 1175-1194, são formados por extratos do περὶ ἀρχῶν de Orígenes, traduzido por Rufin.
4. O De essentia divinitatis, P. L., t. xlii, col. 1199-1208, atribuído também a Jerônimo, a Ambrósio, etc., é, em grande parte, extraído do De formulis spiritualis intelligentise, de Eucher de Lyon.
5. O diálogo De unitate sanctæ Trinitatis, P. L., t. xlii, col. 1207-1212, é de um autor desconhecido, mas muito antigo.
6.
As Quæstiones de Trinitate et de Genesi, P. L., t. xlii, col. 1171-1176, são extraídas de Alcuíno.
7. O Dialogus quæstionum LXV, sub titulo Orosii percontantis et Augustini respondentis, P. L., t. xl, col. 733-752, é uma coletânea de extratos, colhidos aqui e ali, das obras de Agostinho e dos comentários in Genesim, atribuídos a Eucher.
8. O Liber XXI sententiarum seu quæstionum, P. L., t. xl, col. 725-732, coletânea mais curta, mal digerida, de empréstimos diversos.
9. O De Antichristo, ibid., col. 1131-1134, atribuído também a Alcuíno, é do monge inglês Adson de Derby.
10. O De assumptione, ibid., col. 1141-1148, responde a uma consulta sobre a realidade da assunção: o autor (talvez Fulbert de Chartres, no século XI), indica as razões de conveniência.
11. O De vita christiana, P. L., t. xl, col. 1031-1046, é de um rigorismo pelagiano, já reconhecido por Tillemont, t. xv, p. 15-17. Os críticos atribuíam-no até aqui ao bispo bretão Fastidius, pelagiano ardente, autor de um livro De vita christiana, e de quem Caspari publicou vários opúsculos, Briefe und Abhandlungen, Christiania, 1890, p. 361. Mas dom Morin reconheceu o De vita christiana de Fastidius na primeira carta publicada por Caspari; por outro lado, o De vita christiana que estudamos, encerra textualmente a oração orgulhosa que foi tão fortemente reprovada a Pelágio; dom Morin conclui que este opúsculo é, muito provavelmente, o famoso livro de Pelágio, Ad viduam, que se julgava perdido.
12. O De vera et falsa pœnitentia ad Christi devotam, P. L., t. xl, col. 1113-1130, atribuído a Agostinho e o próprio escrito do heresiarca, embora citado quase integralmente por Graciano e Pedro Lombardo sob o nome de Agostinho, não é certamente deste Pai: ele cita os atos apócrifos de São André, n. 22, e descreve uma economia penitencial bem posterior a Agostinho, cf. casuística complicada (e errônea), n. 27. O autor deste documento interessante é desconhecido.
13. O Liber exhortationis, vulgo De salutaribus documentis ad quemdam comitem, P. L., t. xl, col. 1047-1078, coletânea de conselhos de um ascetismo elevado, é certamente de Paulin d'Aquilée († 802-803).
14. O De cognitione veræ vitæ, P. L., t. xl, col. 1005-1032, é a obra de Honorius d'Autun († 1152) sob a forma de diálogo entre o mestre e os discípulos. Os † traduziram-no atribuindo-o a Agostinho.
15. O De amicitia, P. L., t. xl, col. 831-848, é um resumo, muito mal executado por um monge inglês desconhecido, Ethelred de Riedval.
16. O belo tratado em três livros De sororem sui eremitica, P. L., t. xxxii, col. 1451-1474, cita a regra de São Bento, c. xiv, e transcreve as Méditations anselmiennes, c. xv-xviii. O autor parece ser o mesmo Ethelred.
17. Speculum, P. L., t. xl, col. 968-984: é a primeira parte da Confessio fidei, atribuída a Alcuíno, que é ela mesma formada de extratos de Agostinho e outros Pais, e forneceu por sua vez empréstimos às Meditationes s. Augustini.
18. O Speculum peccatoris, ibid., col. 983-992, é de um autor posterior ao século XI.
19. O De diligendo Deo, P. L., t. xl, col. 847-864, é uma coletânea piedosa e feita com cuidado de extratos de Hugues de Saint-Victor, de São Bernardo e do Proslogium de Anselmo.
20. As Soliloquia, Meditationes et Manuale, P. L., t. xl, mencionados no n. 7, parecem ser do mesmo autor que o precedente.
21. De triplici habitaculo, P. L., t. xl, col. 891-898, de um autor desconhecido, mas não sem mérito, estuda o céu, a terra ou a viagem, e o inferno.
22. De contritione cordis, ibid., col. 941-951, extratos das Méditations anselmiennes.
23. Scala paradisi, ibid., col. 998-1004, não é de Santo Agostinho, nem de São Bernardo, mas do cartuxo Gui.
24. De septem vitiis et septem donis, ibid., col. 1089-1091, encontra-se nas Allégories de Hugues de Saint-Victor.
25. O De conflictu vitiorum et virtutum, ibid., col. 1091-1106, atribuído a quatro Pais, é de Ambroise Autbert, beneditino, abade de Saint-Vincent-en-Vulturne.
26. A autores desconhecidos pertencem: De duodecim abusionum gradibus, P. L., t. xl, col. 1079-1088, estudo sobre doze defeitos, atribuído falsamente também a Santo Ambrósio; De sobrietate et castitate, ibid., col. 1105-1112; De visitatione infirmorum, ibid., col. 1147-1158, arte de preparar para a morte.
7º Predicação. Aos 317 sermões apócrifos assinalados no n. 3, é preciso acrescentar:
1. Os Sermones ad fratres in eremo, P. L., t. xl, col. 1133-1358: eles são em número de 76, postos em circulação pelo célebre agostiniano Jourdain de Saxe (Jourdain de Quedlinberg, † 1380). Os 48 primeiros são todos de um mesmo autor que se faz passar pelo bispo de Hipona, mas todos indignos dele, repletos de fábulas ridículas (exceto os dois autênticos já conhecidos ccclv e ccclvi). Exercícios de um retórico galo-flamengo, dizem os editores Lovanienses: impostura de um ignorante do século X ou XI, segundo Christianus Lupus.
2. Sermões ou fragmentos de sermões reunidos pelos beneditinos, P. L., t. xl, col. 1159-1230, entre os quais dois De consolatione mortuorum, col. 1159-1168, atribuídos por um manuscrito a São Crisóstomo, outros, sob o título De rectitudine catholicæ conversationis, col. 1179-1190, são extratos não de Santo Elói, mas de São Cesário.
3. Na série de onze sermões, editados entre os opúsculos, P. L., t. xl, col. 626-723, os quatro primeiros eram outrora chamados De symbolo libri quatuor: na realidade são sermões aos catecúmenos in traditione symboli (a comparar com os sermões autênticos ccxii-ccxv, P. L., t. xxxviii, col. 1058-1076); apenas o primeiro é autêntico. Dos outros três que são apócrifos, Hahn, Bibliothek der Symbol, 3ª ed., p. 60, extraiu uma fórmula de símbolo um pouco diferente da de Agostinho; assinalou também, depois de Usher, o parentesco desses discursos com o Sermo (apocr.) de symbolo contra judaeos, paganos et arianos, assinalado mais acima, P. L., t. xlii, col. 1117. Os sete outros sermões De disciplina christiana, De cantico novo (no batismo), De IV ferris, De cataclysmo, De tempore barbarico, são igualmente apócrifos e provavelmente compostos pelo mesmo autor que os precedentes, durante a dominação dos Vândalos.
4. O Serm. CCCLI, reconhecido autêntico pelos beneditinos, era suspeito para Erasmo, e com razão, ao que parece: examinado com atenção, não tem nenhum parentesco de estilo nem de língua com os outros escritos de Agostinho.
V. OBRAS PERDIDAS. — Cf. Schœnemann, em P. L., t. XLVII, col.
34; Cave, Scriptorum ecclesiasticorum historia litteraria..., saec. v.
1º Obras filosóficas e literárias: 1. O De apto et pulchro, composto sob a influência maniqueísta, o jovem professor de retórica de Cartago. 2. Quase todas as partes de sua grande obra sobre as Artes liberais [Retract., l. I, c. vi, P. L., t. xxxii, col. 591), por exemplo os De musica, etc., começados em Milão em 387.
2º ORDEM CRONOLÓGICA DOS ESCRITOS: 1ª ed. beneditinos; 2ª Stüting em P. L., t. XLVII, col. 26-34; Realencyclopädie, t. iv, p. 574 sq.; Harnack, Geschichte der christlichen Kirche, 1897. O sábio P. Odilo Rottmanner, O. S. B., teve a bondade de revisar este quadro, que foi corrigido segundo as suas preciosas indicações. As datas são frequentemente aproximadas.
— 1ª Época. Escritos de Agostinho catecúmeno (386-387). Contra academicos l. III (em Cassiciacum) De beata vita (fim de 386, ibid.) De ordine l. II (ibid.) Soliloquiorum l. II (ibid.) 387-391 De immortalitate animae (em Milão) De musica l. VI (um fragmento conservado na África).
— IIª Época. Do batismo ao sacerdócio (387-391). 387-388 De quantitate animae (em Roma) 388-395 De moribus Eccl. cath. et de morib. manich. l. II (em Roma). 388-390 De Genesi contra manichaeos l. III (em Roma e na África) 389 De magistro (em Tagaste) 389-391 De vera religione (em Tagaste) 389-396 De diversis quaestionibus lxxxiii.
— IIIª Época. Do sacerdócio à consagração episcopal (391-396). 391-392 De utilitate credendi (ad Honoratum) 391-392 De duabus animabus c. manich. (antes de agosto de 392) 392 Disputatio c. Fortunatum (28 de agosto) 393 (out.) De fide et symbole (disc. no conc. de Hip.) 393-394 Contra Adimantum manichaei discipulum 393-396 De Genesi ad litteram imperfectum l. I 394-395 Contra partem Donati (abecedarius) Expositio quarumdam proposit. ex Epist. ad Rom. Expositio epist. ad Galatas Epist. ad Romanos inchoata expositio Epist. xxviii ad Hieronymum (De noua V. T. versione). 394-395 De mendacio 395 De continentia.
IVª Época. — Do episcopado à controvérsia pelagiana (396-412). 396-397 De diversis quaest. ad Simplicianum De agone christiano 397-400 Annotationes in Job 397 De doctrina christiana (l. I-III, ex quibus l. I, c. 1-14, em 397) 397-426 In Joannis Evangelium (tr. cxxiv) 399-419 De catechizandis rudibus 400 Contra Faustum manichaeum l. XXXIII De consensu evangelistarum l. IV Ad inquisit. Januarii l. II (Epist. liv, lv) De fide et symbolo (sermo) Contra epistolam Parmeniani l. III De baptismo contra donatistas l. VII 400-401 De bono conjugali (contra Jovin.) De sancta uirginitate 400-402 402 Ad catholicos epistola (c. donatistas), ou Contra donatistas l. III 400-416 Contra epistolam Petiliani l. III 401-415 De trinitate l. XV 404 De actis cum Felice manichaeo l. II Contra Cresconium grammaticum l. IV 405 De natura boni contra manichaeos l. unus Epist. lxxxii ad Hieronymum 406-406 Contra secundinum manichaeum. 406-411 De divinatione daemonum l. unus 408-409 Epist. xciii ad Vincent. (De donat.) 408 Epist. cviii ad Macrobium contra paganos (De coercendis haereticis) 409 Epist. cxviii ad Dioscorum (De philosophiœ erroribus) Epist. cxx ad Consortium (De Trinitate) 410 De unico baptismo contra Petilianum 411 Breuiculus collationis cum donatistis 412 Liber contra donatistas post collationem.
Vª Época. — Desde as lutas pelagianas (412-426). 412 Epist. cxxxvii ad Volusianum (De incarnat.) Epist. cxxxviii ad Marcellinum (De incarnat.) Epist. cxl ad Honorium. De peccatorum mer. et rem. l. III De spiritu et littera ad Marcellinum 413 De fide et operibus (complemento do De spiritu) 413-426 De civitate Dei l. XXII 414 Epist. cxlvii ad Paulinum (De videndo Deo) 415 Epist. clvii ad Hilarium (De pelagianismo) De natura et gratia contra PELAGIUM (ad Timasium et Jac.) 415 De perfectione justitiae hominis (contra as Definitiones de Célestius) Epist. clxv ad Hieronymum seu de origine animae hominis Epist. clxvii ad Hieronymum seu de sentent. Jacobi, ii, 10 415 Enarr. in Ps. lxvii, lxxi, lxvii, etc.; os outros desde Orósio 391 até muito depois de 415 416-417 IN JOANNIS EVANGELIUM TR. CXXIV 416 Epist. clxxxv ad Bonifacium (De correctione donatistarum liber) 417 Epist. clxxxvi ad Paulinum (De pelagianismo) Sermo ad Caesareensis Eccl. plebem, Emerito episcopo (mais tarde pressente. Emerito). 418 Epist. clxxxviii ad Dardanum (De praesentia Dei liber) De gratia Christi et de peccato originali l. II De gestis Pelagii ad Aurelium episcopum Contra sermonem quemdam arianorum liber 418 De patientia liber (seu potius sermo) 419 De conjugiis adulterinis l. II Locutionum (in Heptateuchum) l. VII Quaestionum (in Heptateuchum) l. VII 419-420 De nuptiis et concupiscentia l. II Epist. ad Hesychium episcopum (De anima et eius origine). il L. 11 seu (I, de 419; fine II, sseculi 420) . . . 420 Contra duas epist. pelagianorum ad Bonifacium papam IV, Contra mendacium liber ad Consentium 421 Contra ENCHIRIDION Contra adversarium Gaudentium Julianum [et] Laurbavrensis Thamugadensem Legis Pelagianum et Prophetarum DEFENSORUM episc. sin. i. donat. II CHARITATE i. . I. IV. VIII X I. II IF R VI De cura pro mortuis gerenda (ad Paulin. Nol.) VI 436-427 422 129 Epist. De octo Dulcitii et moniales quæstionibus et gratia ARBITRIO (L. & Règle de S. ad eumdem liber Vnle, Aug. il m ma étr Adrumet. extraite). X X II VI Retractationum I. II 427 Epist. ccm ad Vitalem carthag. (Doze regras de fé contra os semipelagianos) 428 Collatio Spéculum Contra Maximinum cum Maximino arianorum episcopum VIII II III III De hæresibus ad Quodvultdeum I. VIII ad versus judæos (S. D" adv. jud.) III 428-429 De DONO PERSEVERANTIE II III . iv ml I. risilem ad Prospere et Hilarium X X opus Imperfectum contra Julianum I, VI 231 [corpus MIGNE, P. L. de Retract. d'ordre Mil [m VIENNE.
XL, 581-592 XLI II, 30 17 XXXIII, 321-347 XXXIV xxxiii, 370-386 XXXIV II, 31 18 XXXIII, 405-417 XXXIV 41 XXXIII, 432-449 XXXIV 19 XXXIII, 452-462 XXXIV 90 XLIII, 595-613 II, 36 40 XLIII, 613-650 II, 39 42 XLIII, 651-689 II, 40 43 até à morte (412-430) xxxiii, 515-525 XLIV 13 xxxiii, 525-535 XLIV 13 xxxiii, 538-577 XLIV xliv, 109-200 II, 33 46 xliv, 201-246 II, 37 47 XL, 197-230 XLI II, 38 91 XXXIII, 596-622 XLIV XLII, 11-51 14 XLII, 45 13 XL, 429-450 XLI 97 XXXIII, 674-693 XLIV XLIV, 247-290 II, 42 48 xliv, 291-318 XLII 49 xxxiii, 720-733 XLIV II, 45 3 xxxiii, 733-741 XLIV II, 45 3 xlii, 669-678 II, 44 32 xi, 66-191 XLI 73 xxxv, 1379-1976 77 xxxv, 1977-2111 78 xliv, 319-360 II, 47 50 XXXIII, 792-815 XXXIII, 815-831 XXXIII, 832-848 II, 59 XLIV, 359-410 XLII II, 50 52 XXXIII, 874-891 XLIV 53 XLIII, 686-697 44 XLIII, 697-716 II, 51 44 XLII, 683-708 II, 52 64 XL, 611-626 XL 99 XL, 451-480 XLII II, 57 98 XXXIV, 485-546 XXVIII II, 54 70 XXXIV, 547-625 XXVIII II, 65 71 XXXIII, 904-925 XLIV, 411-474 11, 53 XLIV, 474-548 II, 56 54 xliv, 549-638 II, 61 56 xl, 517-548 II, 60 93 xli, 707-754 11, 59 45 xlii, 603-666 11, 58 38 xliv, 641-874 11, 62 XL, 231-290 II, 63 86 XL, 591-610 II, 64 XL, 147-170 II, 65 88 XXXIII, 958-965 XLIV, 875-911 II, 66 59 XLIV, 911-946 II, 67 60 xxxii, 583-656 XXXIII, 978-1081 XXXIII, 890-1040 XLII, 709-743 XLII, 743-814 XLII, 21-50 XLII, 51-64 XLIV, 959-992 XLV, 993-1034 1049-1608 231 29 que assinalam um bom número que Contre I. il partem c. i. Donati 2. (l. II, escrito entre 397-400. Retract., l. II, c. xix. Probati- et testimoniorum contra c. após xxviii. Nescio quem, ad I. mesmo II, c. donatistarum época. Contradonatistis, após Retract., l. II, c. xix. de maxima donatistis. Retract., l. II, c. xxix. contra Liber donatistas, Emeritum vers episcopum vers 412. Retract., l. II, c. xlvi. Possidius assinala ainda outros escritos anti-donatistas, não mencionados nas Retratações.
— Adversus Primianum, Indiculus, c. donatistarum Carthaginensium episcopum commonitorium. De baptismo contra donatistas et de falsa traditione in persecutionibus libri très.
— Sujeitos diversos. Nas Retratações são assinalados os seguintes: Liber contra Hilarium, l. II, c. xi com Responsio ad objecta Hilarii, l. II, c. xxxii. Após Possidius, Cave e Schœnemann acrescentam ainda De sacrificiis spiritualibus libri très, com Exhortatio ad paganos; De die secundum Sophoniam prophetam contra manichæos. Divers Tractatus contra os arianos e também De charitate.
EDIÇÕES. — I. Fontes. 1° Fontes antigas. — As Retractationum, t. II, P. L., t. xxxii, col. 583-656; Indiculus librorum, tractatuum et epistolarum s. Augustini, por Possidius, P. L., t. xlvi, col. 5-22; os prefácios dos editores beneditinos.
2° Bibliografias gerais ou eclesiásticas. Bellarmin, De scriptoribus ecclesiasticis, sæc. v, edit. Latine; J. M. Suores, Dissertatio de chronologia operum s. Augustini, in-4°, Roma, 1670; Oudin, Commentarius de scriptoribus Ecclesiæ antiquis, 3 in-fol., Leipzig, 1722, t. I, p. 931-993; Cave, Scriptorum ecclesiasticorum historia litteraria, 2 in-fol., Basileia, 1741-1745, t. I, p. 290-299; L. Hain, Repertorium bibliographicum, in-8°, Paris, 1825, t. I, n. 1946-2114, p. 244-264; Potthast, Bibliotheca hist. med. ævi, 2ª ed., Berlim, 1886, p. 126, 1186-1188; C. T. S. Schœnemann, Bibliotheca histor. litter. PP. lat., 2 vol., Leipzig, 1792-1794, muito detalhado (t. II, p. 8-363, edições em P. L., isoladas); F. Buschius, Librorum S. Aug. recensus plane novus, in-4°, Dorpat, 1822; C. F. Urlichs, Beiträge zur Geschichte der Augustinichen-text Kritik, in-8°, Viena, 1889 (extrato das Sitzungsberichte Acad. Wien) : observação sobre a edição empreendida em Roma, por ordem de Sisto V, mas não executada.
II. Edições das obras. — 1° A primeira foi em Basileia, 1506, por Amerbach, com o concurso do cónego Aug. Dodon, em onze partes, 9 in-fol., seguindo a ordem cronológica indicada pelas Retractat. Muito incompleta. Não possui nem as Cartas, nem os Sermões, nem os Enarrat. in psal., que Amerbach tinha impresso à parte. Reimpressa em Paris, 1515.
2° Erasmo, em 1528-1529, foi encarregado por Froben, de Basileia, de dirigir uma edição mais crítica seguindo uma ordem metódica em 10 vol. in-fol., 1531, 1541; reimpressa em Veneza, em Basileia, 1543, 1552, 1556, 1569, 1570, 1584. As notas de Erasmo com os Indices rerum memorabilium em cada volume.
3° A terceira em Lyon, 1560-1563, etc.
4° A quarta. Ad theologos Lovanienses emendata... et illustrata eruditis censuris, 11 in-fol., Antuérpia, 1577. A redação, após a morte de Th. Gozée, foi confiada a Jean van der Meulen (Molanus); pela primeira vez, os supposititia são rejeitados para o fim dos diversos tomos. Reimpressa 1608, 1609, 1613; em Genebra, 1576; em Colónia, 1646. Oct. Worst, O. Cap., publicou uma edição crítica desta edição: Vindicte augustiniane, 1654-1655, 2 in-fol. O oratoriano Vignier publicou em Paris, em 1671, um Suplemento a todas as edições precedentes, contendo novos sermões, um Speculum (apócrifo), 6 livros da obra Contra Julianum, etc.
Melhor edição, a dos beneditinos, 1679-1700, por dom Donat, Blampin e Pierre Coustant, 11 in-fol., Paris, com o concurso da Cong. de S. Maur, t. I, 1679, etc. Sobre a edição maurista, cf.: 1° a história detalhada desta edição, em Hist. littér. de la Cong. de S. Maur, por dom Tassin, 1770, p. 296 seg.; 2° B. S. J. Kukula, nota sobre a edição nos Sitzungsberichte da academia de Viena, 1890, 1898, t. cxxi, cxxii, cxxvii, cxxxviii (acusações de tendências, cf. a influência exercida por J. Bossuet sobre os redatores da primeira edição, Paris, 1900, n. 3, p. 555-558; o R. P. Reuscher, em Bibliographische Nachrichten, mesma coletânea, Viena, t. cxxiv, p. 1-12, corrigiu as datas de publicação t. I em 1679, t. III em 1688 e 1689. A primeira edição foi reproduzida em Antuérpia, 1700-1703; 10 vol., in-fol. (Amesterdão). xii, 1783) por Phereponus (Jean Leclerc), Veneza, 1729, 1735; 1756-1769; 1797. 1807 (edição muito falha segundo Bottmanner, p. 10); por Caillau, 43 in-8°, Paris, 1840; por Gaume, Paris, 1836-1839, 11 vol. em 22 partes, gr. por Migne, os estudos P. L. de t. Vives, xxxii-xlvii; Erasmo, o Schünemann, t. xii, contém Le Clerc, e s. N. Merlin, etc., assim como os prefácios de certos editores das obras de santo Agostinho, — por exemplo os de Vives, Claude Hénard, Sirmond, etc.
6° Edição da academia imperial de Viena, no Corpus script. Eccl. lat., apareceram: Confess., edit. P. Knöll, 1896 (sect. i, t. xxxiii); edit. P.
Knöll, 1902 (sect. i, 2, t. xxxvi); Epistulae, 1-123, edit. Al. Goldbacher, 1895-1898 (sect. ii, t. xxxiv); div. Script., edit. J. Zycha, 1897-1898 (sect. iii, 1-2, t. xxviii); De Genesi ad litt., e outros opúsculos sobre o Heptateuco; Annot. in Job, edit. J. Zycha, 1894-1895 (iii, 2-3, t. xxviii); De civitate, edit. E. Hoffmann, 1898-1900 (v, 1-2, t. xl, xli); De utilitate credendi, e outros opúsculos de moral, e outras obras contra os maniqueus, ed. J. Zycha, 1900 (vi, 1, t. xxv); De bono coniugali, etc., ed. J. Zycha, 1900 (vi, 2, t. xli).
III. EDIÇÕES de obras isoladas. Ver o quadro. Consultar sobretudo Schünemann e a segunda edição de dom Ceillier, t. XIII, col. 812-814. Aqui assinalaremos as indicações dadas para a coleção de Innsbruck, 1868. Nela encontram-se principalmente: De utilitate credendi, t. I; De catechizandis rudibus, t. I; Enchiridion, t. I; De lib. arbitrio, t. I; De trinitate, t. II; De doctrina christ., t. III; Epistola ad Vaurentium, t. III; De caritate, t. III; In Evangelium tractatus, t. II.
IV. Traduções francesas.
1° por Raulx e Poujoulat, 17 vol. in-8°, Bar-le-Duc, 1864-1872; por Péronne e outros colaboradores, 34 in-8°, Paris, 1869-1878, com o texto latino e as notas da edição dos beneditinos.
2° Traduções antigas, cf. as Vidas e a anotação das Obras do santo; daí, p. 815. Em particular, Ceillier, Hist. des aut. eccl., 1861, t. IX.
3° Obras traduzidas: As Confissões, por Arnauld d'Andilly, Paris, 1649, 1695; 2 in-32, Paris, 1844; por Charpentier, 1840; por Léonce de Lavergne, 1861; por Paul Janet, in-12, Paris, 1857; por Moreau, in-12, Paris, 1861; por Saint-Prestes, in-12, Abbeville, 1884; ilustrado, Paris, pelos beneditinos, 2 in-8°, 1729, com introdução; os Seis livros contra Juliano, pelo abade de Vence, 2 in-12, Paris, 1736. Dubois traduziu os seguintes opúsculos: De vera relig., 1685; De util. credendi, 1690; De doctr. christ., 1701; De spir. et litt., 1701; De prœdest. SS., 1741; De ordine, 1741; De dono persev., 1741. Temos de Arnauld a primeira vez em francês: Os Solilóquios, Paris, 1676, 1686; Pellissier, in-12, 1853. Tinham sido traduzidos, contudo, com o manual e as meditações, por La Croix, in-12, 1745-1747.
Autor original: E. Portalié
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