AGOSTINHO (SANTO) — VIDA

AGOSTINHO (SANTO) — VIDA

AGOSTINHO (SANTO)

I. SANTO AGOSTINHO: vida, obras e doutrina. — Aurelius Augustinus, bispo de Hipona, um dos mais ilustres e o mais poderoso dos escritores, cuja profunda influência na doutrina, n. 354-28 de agosto de 430.

I. Vida. II. Obras. III. Doutrina. IV. — Autoridade em teologia.

I. Vida. É a vida do doutor, isto é, de seu espírito, não de suas virtudes ou de seu episcopado, que deve ser apresentada com uma riqueza incomparável; sobre nenhum outro autor da antiguidade temos informações autobiográficas e históricas comparáveis às Confissões, às Retratações, à Vita Augustini de seu amigo Possidius. Limitar-nos-emos a indicar o caráter de cada período desta vida: 1° Infância e a conversão; 2° Da conversão ao episcopado; 3° Período de formação doutrinária e o pleno florescimento da doutrina.

PRIMEIRO PERÍODO: I. A INFÂNCIA E A JUVENTUDE (354-386).

1° Educação cristã. Agostinho nasceu em 13 de novembro de 354 em Tagaste, hoje Souk-Ahras, a vinte e cinco léguas de Bone (antiga Hippo-Regius), então pequena cidade livre da Numídia proconsular, recentemente convertida ao cisma donatista. O segundo nome de Aurelius nunca aparece em sua correspondência, mas é-lhe dado pelos contemporâneos. Paulo Orósio, Lib. apologeticus, P. L., t. xxxi, col. 1176. Sua família, muito honrada, não era rica. Seu pai, Patrício, um dos notáveis curiais da cidade, era pagão; mas Mônica, sua mãe cristã, por suas virtudes e pelos conselhos que ela escrevia assim nos manuscritos enfim levaram seu esposo ao batismo e a uma santa morte (por volta de 371). A educação de Agostinho foi cristã. Sua mãe fê-lo marcar com o sinal da cruz e inscrever entre os catecúmenos. Conf., l. I, c. xi, n. 17. P. L., t. xxxii, col. 668. Ele partilhava a fé de Mônica e, em uma doença, pediu o batismo; mas, segundo o costume deplorável daquela época, tendo logo desaparecido o perigo, diferiram-no. Foi posto em contato com homens de oração, Conf., l. I, c. ix, e, em suas conversas, três grandes ideias fizeram desde então nele uma profunda impressão: 1. Deus, um Deus que exaudire nos et subvenire nobis posset, etiant si non concevait appareils sensibus tuutris, Conf., l. I, c. ix, col. 668: e ele o rezava com fervor. 2. Cristo, salvador: Filii Dei et Salvatoris mei, hoc nomen tenebat cor meum, in ipso adhuc lacte matris, pie biberat, et alte retinebat, et quiequid sine hoc nomine fuisset, quamvis litteratum, et expolitum, et veridicum, non me totum rapiebat, Conf., l. III, c. iv, n. 8, col. 686; texto corrigido segundo o Corpus de Viena: 3. enfim a vida futura e as noções: Audieram enim adhuc puer de vita aeterna mihi promissa per humilitatem Domini, Conf., l. I, c. xi; Qui recessit et me, de pectore meo per varias curas, Conf., l. VI, c. xvi, col. 733. Agostinho logo soube tudo o que podia aprender na escola de Tagaste. Estudou as belas-letras na cidade de Madaura, com sucessos que sobrexcitaram a ambição paterna; Patrício, impondo-se sacrifícios acima de sua fortuna, resolveu enviar seu filho a Cartago para a carreira do foro. Infelizmente, foram necessários longos meses para reunir os recursos e ele permaneceu em uma ociosidade que lhe foi fatal.

2° A crise moral (369). O segundo livro das Confissões deplora esta primeira vitória das paixões. Agostinho, entregue a si mesmo, abandonou-se aos prazeres com toda a fúria de uma natureza ardente. No início desta crise, ele rezou, mas sem desejo sincero de ser atendido: Da mihi castitatem, sed noli modo. Conf., l. VIII, c. vii, n. 17, ibid., col. 757. Quando, por volta do fim de 370, chegou a Cartago, cidade ainda toda a meio pagã, os costumes licenciosos da grande cidade, as seduções dos outros estudantes, a frequência aos teatros, o enlevo de seus sucessos literários e um desejo orgulhoso de ser o primeiro, Tumebam typho, Conf., l. III, c. iii, arrastaram-no. Logo teve que confessar o mal: non pudebat me esse impudentem, a Mônica uma ligação culposa com aquela que lhe deu um filho (372), «o filho de seu pecado», e de quem ele só se separará em Milão, após quinze anos de servidão. Na apreciação desta crise, dois excessos devem ser evitados. Alguns, enganados talvez pelo acento de dor das Confissões, exageraram-na com Mommsen; Loofs, Realencyclopadie, 3ª ed., t. II, p. 268, censura-o com razão; mas, por sua vez, desculpa demais Agostinho, quando pretende que a Igreja permitia então ter uma concubina; as Confissões, por si sós, provam que Loofs não compreendeu o cânone 17º de Toledo. Mas pode-se dizer que Agostinho guardou, até em sua queda, uma certa dignidade, remorsos que o honram, e mesmo, desde a idade de dezenove anos, um verdadeiro desejo de quebrar sua corrente. Em 373, com efeito, uma direção toda nova é impressa à sua vida pela leitura do Hortensius. Ele extrai daí o amor à sabedoria, do qual Cícero faz um tão magnífico elogio. Desde então, um ideal novo levanta-se em sua alma, ele sonha já em renunciar a tudo pela verdade e a imortalidade: Viluil animum meum, et repente mihi vana spes omnis vilescebat, et immortalitatem sapientiae concupiscebam aestu cordis incredibili, Conf., l. III, c. iv, n. 7. Desde este momento, a retórica não é mais para Agostinho senão uma carreira; seu coração é para a filosofia. A solidão de Cassiciacum realizará o sonho, retardado pela 3ª crise: a sedução maniqueísta (373-382). Duplo erro das paixões e do maniqueísmo. É ainda em 373, em seu décimo nono ano, que Agostinho caiu, com seu amigo Honorato, nas armadilhas dos maniqueus. Durante nove anos, novem annos lotos, diz ele, De moribus manich., xix, P. L., t. xxxiii, col. 1374, ele foi seu discípulo, isto é, até sua partida da África para Roma.

1. As causas. — Como um tão grande espírito pôde ser seduzido pelos devaneios orientais, sintetizados pelo persa Mani, em grego Mάνη (215-276), em um dualismo grosseiro e material, e introduzidos na África havia apenas cinquenta anos? Agostinho nos revelou ele mesmo as causas que o arrastaram: a) Seu orgulho deixou-se levar pelas promessas de uma filosofia livre, sem o freio da fé. Os maniqueus repetiam: Rationem ante fidem, non enim vobis praecipimus fidem, nisi prius discussa et enodata veritate. Quis non illiceretur, praesertim adulescentis animus, cupidus veri, superbus et garrulus? De utilit. cred., i, 2, P. L., t. xlii, col. 66. Et dicebant: Veritas et Veritas, et multum dicebant. Conf., l. I, c. vi, col. 102.

b) As contradições que eles acreditavam mostrar nas Escrituras, por exemplo, entre as duas genealogias de Mateus e de Lucas. Serm., LI, 6. P. L., t. xxxviii, col. 336. — Cf. confissões de Agostinho ao seu povo.

c) A esperança de encontrar neles uma explicação científica da natureza e de seus fenômenos mais misteriosos. O espírito curioso de Agostinho era animado pelas ciências naturais, e os maniqueus asseguravam-lhe que, para Fausto, seu doutor, a natureza não guardava mais segredos.

d) A origem do mal atormentava seu espírito e, à falta de uma solução, admitia a luta dos dois princípios.

e) O materialismo, latente em um sistema que explicava tudo pela oposição da luz e das trevas, seduzia Agostinho: seu espírito não conseguia representar uma substância espiritual. Conf., l. IV, c. xxiv; l. V, c. xviii; l. VII, c. iv.

f) Outras causas, de ordem moral, terminaram por arrastá-lo. Por um lado, deixou-se levar pela austeridade aparente e pelas virtudes afetadas dos iniciados maniqueus que, sob o nome de eleitos ou perfeitos, faziam ostentação da abstinência e da castidade mais rigorosas: mais tarde, a hipocrisia desmascarada o converterá. Por outro lado, que poderoso atrativo a irresponsabilidade moral, resultado de uma doutrina que negava a liberdade e atribuía os crimes a um princípio estranho! Adhuc enim mihi videbatur, NON ESSE NOS QUI PECCAMUS, sed nescio quam aliam in nobis peccare naturam; et DELECTABAT SUPERBIAM MEAM, EXTRA CULPAM ESSE. Conf., 1. V, c. x, n. 18, col. 714. Uma vez conquistado pela seita, Agostinho entregou-se a ela com todo o ardor de seu caráter: lia todos os seus livros, adotava e defendia todas as suas opiniões; atacava a lei católica miserrima et furiosissima loquacitate, De dono persever., xx, 53, P. L., t. XLIV, col. 1026, e seu proselitismo fogoso arrastou ao erro seu amigo Alípio, seu Mecenas de Tagaste, Romaniano, amigo de seu pai, cuja fortuna provia as despesas de seus estudos, Cont. acad., 1. I, c. i, 3, P. L., t. XXXII, col. 907, e, finalmente, esse amigo cuja conversão, batismo e morte ele narra. Conf., 1. IV, c. iv, v, P. L., t. XXXII, col. 696.

2. Professorado em Cartago. Este período maniqueu coincide, para Agostinho, com o pleno florescimento de suas faculdades literárias. Ele ainda era estudante em Cartago quando abraçou o erro. Terminados seus cursos, deveria ter naturalmente abordado o forum litigiosum: preferiu a carreira das letras e voltou a Tagaste para ensinar «a gramática», diz Possídio. O jovem professor soube cativar seus alunos, e um deles, Alípio, apenas um pouco mais jovem que ele, não desejará mais deixá-lo; ele se tornará, após tê-lo seguido no erro, batizado em Milão, e mais tarde será bispo de Tagaste, sua cidade natal. Contudo, Mônica chorava sua heresia, amplius quam flent matres corpora funera. Conf., 1. III, c. xi, n. 19, col. 691. Um santo bispo, sem dúvida o de Tagaste, consolou-a com estas palavras: Fieri non potest, ut filius istarum lacrimarum pereat. Ibid., 1. III, c. xiii, col. 693. Ela o havia, a princípio, banido de seu lar, mas logo consentiu em recebê-lo em sua casa e à sua mesa. A morte de um amigo muito querido tornou a estadia em Tagaste odiosa para Agostinho. Para distrair-se de sua dor através da glória, vai continuar em Cartago seu ensino de retórica. Sobre este teatro mais vasto, onde o seguiram seus alunos, Alípio e os dois filhos de Romaniano, seus talentos brilham com todo o seu esplendor; seu espírito termina de se formar através de infatigáveis estudos de todas as artes liberais, omnes libros artium, quas liberales vocant, perlegit. Conf., 1. IV, c. xvi, n. 30, col. 705. Tendo participado de uma grande justa poética, conquistou o prêmio, e o procônsul Vindicianus depositou sobre sua cabeça, em pleno teatro, a corona agonistica. É neste momento que compôs sua primeira obra, hoje perdida, sobre a estética, De pulchro et apto. Ibid., n. 27, col. 704.

3. Agostinho desencantado do maniqueísmo. No fundo, mesmo na época de seu primeiro entusiasmo, a doutrina de Manes deixava em seu espírito inquietação; e, longe de ter sido jamais sacerdote da seita, como mais tarde o acusarão, Cont. litt. Petil., III, 30, P. L., t. XLIII, col. 357, ele nunca foi iniciado ou eleito, e permaneceu em uma espécie de catecumenato. Seu espírito inquieto buscava em toda parte uma resposta aos mistérios da natureza; e embora o tenha sempre, Conf., 1. IV, 3, col. 694, do estudo da astronomia passou até às artimanhas da astrologia, feliz por rejeitar suas faltas sobre os astros. Ibid., 1. IV, c. i, 5, col. 695. Em vão, o magistrado Vindicianus e o jovem Nebrídio tentam arrancá-lo desses estudos: foi necessária a história de crianças nascidas no mesmo dia para abalá-lo. Em realidade, o problema do mal o atormentava sempre, e quanto mais o aprofundava, menos o acalmava; ele nos diz abertamente o que pensava então da filosofia maniqueia: eles destroem tudo e não podem construir nada: obruunt enim nos et quoquo modo quod... operiunt, circa eorum sunt dolos, ut aves, De duab. anim., c. X, 12, P. L., t. XLII, col. 100.

b) Sua imoralidade em oposição à sua afetação de virtude; ele constatou que, sob aparências austeras, a vida dos eleitos era escandalosa, e essa hipocrisia o revoltou. De mor. manich., II, 18-20, P. L., t. XXXII, col. 1372-1378.

c) Sua inferioridade na polêmica com os católicos: aos textos escriturísticos, eles opunham apenas esta palavra: «Falsificaram as Escrituras.» Conf., 1. V, 21, col. 716; De util. cred., 1, 7, P. L., t. XLII, col. 69. Ele próprio não sabia o que responder às perguntas de Nebrídio: «Como o princípio mau, se não tinha divindade, poderia ter-se impedido?» Cont. Fortunatum, 7, P. L., t. XLII, col. 115; disp. c. I, P. L., t. XLII, col. 272.

d) Mas, sobretudo, ele não encontrava neles a ciência, essa ciência, no sentido moderno da palavra, o conhecimento da natureza e de suas leis, que lhe haviam prometido; às suas perguntas sobre os movimentos dos astros e suas causas, nenhum maniqueu sabia responder. «Espere Fausto, diziam-lhe; ele lhe explicará tudo.» Fausto de Milevi, o célebre bispo maniqueu, veio finalmente a Cartago; Agostinho viu-o, questionou-o: suas respostas revelaram-lhe um retórico vulgar, absolutamente alheio a toda cultura científica. Conf., 1. V, 3-6, col. 707-710. O encanto estava quebrado. Embora não tenha rompido imediatamente, de forma externa, com a seita, seu espírito desligou-se completamente de suas doutrinas. A ilusão durara nove anos.

4.

A conversão pela filosofia. — Pouco após esta revolução intelectual, em 383, Agostinho, com vinte e nove anos, quis procurar em Roma, com uma situação mais honrada, discípulos mais dignos de si do que os eversores de Cartago. Conf., 1. V, 14, col. 712. Tendo sua mãe adivinhado sua partida e não querendo separar-se dele, ele recorre a um subterfúgio e embarca durante a noite. Mal chegado a Roma, ficou gravemente doente, sem cogitar pedir o batismo. Curado, abriu uma escola de eloquência; mas, desgostoso com as astúcias dos estudantes para não pagar, colocou-se na disputa por uma cátedra vago em Milão, e foi aceito pelo prefeito de Roma, Símaco. Em uma visita que fez ao bispo Ambrósio, a bondade do santo o encantou e o decidiu a seguir sua pregação.

Dois anos de luta ainda o separavam da vitória da fé. O espírito de Agostinho, de 383 a 386, passou por três fases distintas: primeiro, um período de filosofia academicista e de ceticismo desencorajado. De coração, ele já não estava com a seita maniqueísta e, em Roma, ainda se hospedava na casa de um deles: mas a filosofia que ele preferia não lhe oferecia senão dúvidas: « Itaque academicorum more, ut existimantur, dubitans de omnibus atque inter omnia fluctuans, manichaeos quidem relinquendos decernens... » Conf., l. V, 25, col. 718; cf. 13, col. 714. Ele permaneceria, portanto, catecúmeno católico, como o era desde sua infância, donec aliquid certi eluceret, quo cursum dirigeret. Ibid., 25.

Em seguida, um período de entusiasmo neoplatônico. Mal tinha lido, em Milão, algumas obras de Platão e sobretudo de Plotino, quando brilhou para ele a esperança de encontrar a verdade. Ele que se via ainda impotente, col. 733, quando meditou sobre essas teorias profundas acerca da luz espiritual, sobre o Deus, essencialmente imutável, sobre o mal, privação de ser, e sobre o Verbo encarnado, que ele acreditava encontrar, cf. l. VII, 1, col. 753. Ele sentiu em si uma nova paixão, a paixão da filosofia, da verdade, sonho de uma vida comum, vida toda voltada à busca da mesma paixão, Conf., l. VI, 21, col. 731. Sem preocupação vulgar com honrarias, fortuna, prazeres, ele ainda é prisioneiro, pelo celibato, de suas paixões. Mas é Ibid., l. VIII, col. 729, Mônica, que se reuniu ao seu filho em Milão, que o ajuda a aceitar um projeto de casamento, mas a moça é muito jovem.

Agostinho tem outra, infelizmente! Surge-lhe um período de angústias e lutas. A luz entra em seu espírito pela leitura das Escrituras, Conf., l. VII, 21, col. 741; elas lhe revelam as descobertas desconhecidas dos platônicos, o Cristo salvador, que dá a vitória. Em breve, ele tem a certeza de que Jesus Cristo é a via única da vida, da salvação. Ibid., 18, col. 745; cf. l. IX, 15. A resistência vem mais do que do coração. Um encontro com Simpliciano, o futuro sucessor de Ambrósio, o relato da conversão do célebre retórico neoplatônico Vitorino, que, ibid., l. VIII, 1 a 2, derrubou trinta e três anos, preparam o grande golpe do jardim de Milão (setembro de 386). Conf., l. VIII, 12, col. 757. Alguns dias depois, aproveitando as férias de outono, Agostinho, doente, renunciava à sua cátedra, ia, com Mônica, Adeodato e seus amigos, para a vila de Verecundus, dedicar-se à verdadeira filosofia, que ele já não separava do cristianismo.

PERÍODO DE INICIAÇÃO DE AGOSTINHO: 386-396. Estes dez anos constituem a conversão dogmática cristã de Agostinho: então operou-se em seu espírito a fusão da filosofia platônica com a doutrina revelada. A lei que presidiu a evolução de seu pensamento foi conhecida nestes últimos tempos; ela merece ser estudada.

1º O solitário de Cassiciacum (setembro de 386-maio de 387). — 1. O filósofo. O sonho há muito acariciado estava realizado. Agostinho descreveu nos livros Contra academicos esta vida de uma calma ideal, animada pela única paixão da verdade. Encarregado da administração da vila, ele se queixa do tempo perdido dando ordens aos servos, mas sua saúde reclamava essa distração, ao mesmo tempo, ele completava a educação de jovens amigos, ora por leituras literárias em comum, ora por conversas filosóficas, para as quais, às vezes, convidava Mônica e cujas atas, coligidas por um secretário, forneceram a substância dos diálogos Contra academicos, De beata vita, De ordine, etc. Licêncio lembrará, mais tarde, Epist., xxvi, seus destinos filosóficos. A propósito destes deliciosos incidentes vulgares, Agostinho levanta os problemas mais elevados, é uma das páginas encantadoras de seu De ordine, l. I, n. 6, P. L., t. xxxii, col. 981: maximam partem quseruntur, ut efficere soleant. Cont. acad., l. I, n. 1, ibid., col. 909. Ele soube apaixonar seus discípulos, de tal modo que eles já não têm aversão pelo mundo, e um soberano desprezo pela vida dos sentidos. De ord., l. II, c. XX, P. L., t. xxxii, col. 1018. Os assuntos preferidos de suas conversas: a verdadeira felicidade na filosofia, De beata vita; a certeza, Contra academicos; a ordem providencial do mundo e o problema do mal. Em resumo, Deus e a alma, De immortalitate animae.

2. Agostinho é cristão em Cassiciacum? Até aqui, ninguém duvidara: os historiadores, confiando no relato das Confissões, todos acreditaram que a conversão de Agostinho datava da cena do jardim e que seu retiro em Cassiciacum, reclamado por sua saúde, tinha também por objetivo prepará-lo para o batismo. Hoje, certos críticos descobrem entre os Diálogos filosóficos, compostos nessa solidão, e o estado de alma descrito nas Confissões, uma oposição radical: segundo Harnack, Augustin's Confessionen, p. 15, o autor das Confissões teria projetado sobre o solitário de 386 os sentimentos do bispo em 400. Outros, Loofs, Realencyclopädie, 3ª ed., t. II, p. 268, e sobretudo Gourdon, em sua tese apresentada à faculdade de teologia protestante de Paris, Essai sur la conversion de saint Augustin, Cahors, 1900, p. 45-50, vão muito mais longe: o solitário da vila de Milão não seria cristão de coração, mas um platônico: a cena do jardim seria uma conversão, não ao cristianismo, mas à filosofia. Segundo Gourdon, p. 83, a fase verdadeiramente cristã só começaria em 390. Wörter, de antemão, fez justiça a essas afirmações em seu estudo, Die Geistesentwickelung des hl. Augustinus bis zu seiner Taufe, Paderborn, 1892, p. 64.

O debate é encerrado pelos fatos mais certos: a) Agostinho foi batizado na Páscoa de 387, admite-se: quem acreditará que isso foi para ele uma cerimônia sem alcance e incompreendida? b) Nas Confissões, os fatos materiais (e não apenas o estado de alma) seriam falsificados com uma rara impudência: a cena do jardim, o exemplo dos solitários, a leitura de São Paulo, a conversão de Vitorino, os arrebatamentos de Agostinho à leitura dos Salmos com Mônica, tudo isso, inventado e composto depois! c) Enfim, como é o De moribus Ecclesiae catholicae, escrito em 388, e ele não seria cristão! Consultemos, aliás, os próprios Diálogos.

3. História de sua formação cristã, segundo os escritos de Cassiciacum. Sem dúvida, entre as Confissões e os Diálogos filosóficos, há toda a diferença que exigem um gênero e um objetivo tão diferentes. Os Diálogos são uma obra de pura filosofia, de juventude, não sem alguma pretensão, como admite ingenuamente Agostinho, Conf., l. IX, c. iv, n. 7, P. L., t. xxxii, col. 466: in litteris jam quidem servientibus tibi, sed adhuc superbise scholam tanquam in pausatione anhelantibus... Como poderiam tais obras relatar as vitórias da graça? É apenas incidentalmente que revelam o estado de espírito do solitário. Contudo, dizem o suficiente para nos mostrar o convertido das Confissões.

a) Eis primeiro a grande lei que preside às suas pesquisas filosóficas. Ela é revelada desde 386, pela primeira obra composta em Cassiciacum. Nas conclusões do III livro Contra academicos, c. xx, n. 43, P. L., t. xxxii, col. 957, são expressos o objetivo das suas pesquisas e a razão: primeiro unir a sua fé à autoridade de Cristo: Christi auctoritate nulla me discedere, certum est, nusquam enim quod explicet, invenio, quod platonicos apud me non habeat. E enfim a fé de que a sua filosofia busca harmonia com as santas Escrituras: apud te mihi est, quod interim confido. Esta confiança excessiva tinha os seus perigos, veremos mais adiante ao expor a doutrina neoplatónica de Agostinho. Mas é evidente que nestes diálogos não é um platónico que fala, mas um cristão, ou, mais exatamente, ambos. Para Agostinho, não há duas verdades; não há senão uma, que ele encontrou no Evangelho, cuja razão busca na filosofia. A ilusão de Gourdon e de Loofs foi a de operar distinções modernas. Mas, para isso, eles tiveram, sobretudo o nosso Gourdon, de recusar ler os textos.

b) A fé de Agostinho manifesta-se nos Diálogos sob diversas formas: a. Um relato da sua conversão. No livro II Cont. acad., c. ii, n. 5, P. L., t. xxxii, col. 921-922, ele conta a paixão irresistível que o arrastava para a filosofia, quando a religião da sua infância o reaveu; respexi tantum, confiteor, quasi de itinere in illam religionem... verum ipsa me ad se nescientem rapiebat. Transtornado e hesitante, ele pegou no apóstolo Paulo, leu-o, e como? Perlegi totum intentissime atque cautissime. E ele revela-nos o argumento que o convenceu, é o quadro da vida e das conquistas dos apóstolos, neque enim isti tanta potuissent, etc. fr. Uma bela profissão de fé na Trindade e na Encarnação no livro II De ordine, c. v, n. 16, ibid., col. 1002; c. Um diálogo característico sobre a divindade de Cristo. Nada prova melhor as relações íntimas que uniam em Agostinho e nos seus amigos a sabedoria filosófica e a fé cristã, que esta cena deliciosa, De ordine, 1. I, c. x, n. 29, P. L., t. xxxii, col. 991, na qual, a propósito de uma definição da ordem providencial, uma discussão se inicia, não certamente sobre a fé em Cristo que defendem estes jovens cristãos também eles, Bellam rem facis, inquit Licentius. Negabimus ergo Dei Filium Deum esse? mas sobre a maneira de entender a sua filiação divina; e não sem razão Agostinho exclama: Cohibe te potius, Filius enim Deus dicitur, ele é Deus em toda a retidão do termo. E imediatamente o jovem Trygetius transtornado suplica que se apague do relato a frase infeliz! d. Também Mónica é admitida a estas conversas filosóficas; ela não é de modo algum estrangeira nestes sacrosancta philosophiae penetralia; a filosofia que Agostinho busca não é de modo algum aquela que as Escrituras condenam, é aquela que Mónica ama, que ela ama mais que o seu próprio filho, e noverim quantum me diligas. De ordine, 1. I, c. xi, n. 32, col. 994.

c) As transformações maravilhosas que a fé opera na sua alma aparecem por sua vez nos Diálogos, a. É a oração que ele dirige cada dia a Deus, De ord., 1. I, c. viii, n. 25, col. 989, surrexi, redditisque Deo quotidianis votis, e que oração! Temos um eco dela nos Solilóquios (escritos em Cassiciacum no início de 387) que se abrem com um admirável grito de um coração todo penetrado pelas palavras evangélicas: Deus qui facis ut pulsantibus aperiatur (Matth., vii, 8). Deus qui nobis das panem vitae (Joa., vi, 35), Deus per quem sitimus potum, quo hausto numquam siliamus (Joa., iv, 13)... E o que ele pede? Auge in me fidem, auge spem, auge charitatem... L. II, c. i, n. 3, P. L., t. XXXII, col. 871. E seria essa a oração de um platónico que não fosse cristão!

b. Os arrependimentos de Agostinho nas Confissões irrompem, mas os acentos deles não são menos penetrantes: Satis sunt multi vani mea, quae ut sanentur, pene quotidianis fletibus Deum rogans... De ord., 1. I, n. 29, ibid., col. 991. E na sua oração dos Solilóquios, i, n. 5, col. 872, ele deplora os seus extravios intelectuais: Domine... jamjam satis... : Recipe, oro, fugitivum tuis... servulum, satis fuerint fallaciarum ludibrium. Accipe me ab istis fugientem famulum tuum... M. Boissier, La fin du paganisme, t. I, p. 376, constatava que «o penitente tinha definitivamente vencido, embora o filósofo ainda vivesse», e M. Gourdon, op. cit., p. 19, ousa negar que nessa época o penitente tivesse aparecido!

c. A vitória moral coroa tudo: vitória sobre o orgulho intelectual superexcitado anteriormente pelas leituras platónicas, Conf., 1. VII, c. xx, n. 26, col. 746; agora, o grande obstáculo à sabedoria, vehementissime formidandus, cautissimeque vitandus, é o orgulho, superbum studium inanisrimo gloriatione, De beata vita, i, n. 2, P. L., t. xxxii, col. 859; a sua ignorância apavora-o. De ordine, 1. I, c. v, n. 13; a imoralidade horroriza-o. Ibid., 1. II, n. 29, col. 991. Vitória também sobre a terra, que renuncia ao que lhe apraz, pela liberdade daquele que o apazigua. Ele tem a grande decisão: a renúncia à alegria da união com uxorem. Soliloq., 1. I, c. x, n. 17, ibid., col. 878.

Assim, o coração de Agostinho, tão bem quanto o seu espírito, estava pronto para o batismo.

1. Milão — O neófito e o religioso (quaresma 387-391). Pelo começo da quaresma de 387, Agostinho dirigiu-se a Milão: com Adeodato e Alípio, colocou-se entre os competentes. As Confissões, 1. IX, c. vi, revelam-nos as mortificações e o fervor destes jovens. No dia de Páscoa, ou pelo menos no tempo pascal, Agostinho foi batizado por Ambrósio. A tradição do Te Deum cantado neste dia alternadamente pelo bispo e pelo neófito não repousa sobre nenhum fundamento (o autor seria antes o bispo do século V, Nicetas de Remesiana, cf. dom Morin, Revue bénéd., 1891, p. 49-77). Mas esta lenda traduz exatamente a alegria da Igreja recebendo como filho aquele que iria ser o seu mais ilustre doutor. Desta época data a resolução tomada, de comum acordo com Alípio e Evódio, de se retirar para África numa solidão. Ele permaneceu sem dúvida em Milão até por volta do outono, continuando as suas obras sobre a imortalidade da alma e a música. No outono de 387, ele estava prestes a embarcar em Óstia quando Mónica deixou a terra. Nenhuma literatura tem páginas de um sentimento mais requintado que o relato desta morte abençoada e da dor de Agostinho. Conf., 1. IX. Agostinho permaneceu em Roma vários meses, ocupado sobretudo na refutação do maniqueísmo. Embarcou para a África, após a morte do tirano Máximo (agosto de 388) e, depois de uma curta estadia em Cartago (cura de Innocentius, De civil., l. XXII, c. viii), dirigiu-se à sua cidade natal.

2. A fundação do mosteiro de Tagaste. Mal havia chegado, Agostinho quis realizar o seu projeto de vida perfeita. Vendeu todos os seus bens e deu o valor aos pobres. Epist., cxliii, n. 7, P. L., t. xxxiii, col. 180; cl, vii, n. 39, ibid., col. 692. Depois, com os seus amigos, retirou-se para a sua propriedade, já alienada, para aí viver em comum na pobreza, na oração e no estudo das santas Letras. Epist., xvii, n. 5. O Liber LXXXIII quaestionum é o fruto das conversas desta solidão. Compôs aí também o De Genesi contra manich., De magistro, De vera religione.

3º O padre de Hipona (391-396). Agostinho não pensava de modo algum no sacerdócio: fugia até do episcopado, por medo das cidades onde uma eleição era necessária. Um dia, chamado a Hipona por um amigo para a salvação da sua alma, rezava na igreja; o povo aclamou-o subitamente, pedindo ao bispo Valério que o elevasse ao sacerdócio (começo de 391; apesar das suas lágrimas, teve de ceder). Cf. Serv., CCCLV, n. 1; Epist., cxxvi, n. 7. O novo padre não viu no sacerdócio senão um motivo a mais para retomar a vida religiosa de Tagaste. Valério apoiou-o e concedeu-lhe uma propriedade intra ecclesiam, nas dependências da igreja. É o segundo mosteiro que ele fundava. Eis os principais fatos do seu ministério sacerdotal de cinco anos:

1. A pregação é confiada, apesar do costume (deplorável, diz são Jerônimo, Epist., lii, P. L., t. xxii, col. 531) que na África reservava este ministério ao bispo. Valério, longe de ter inveja dos talentos do seu padre, abriu uma exceção em seu favor, apesar dos murmúrios de certos bispos, e o exemplo foi logo imitado. O De Genesi ad litt. liber imperf. e o De serm. Domini in monte são o resumo desta pregação.

2. Combateu as heresias, sobretudo os maniqueístas, e o sucesso foi prodigioso. Assim, um dos seus grandes doutores, Fortunato, provocou uma conferência pública, e ficou tão humilhado com a sua derrota que fugiu de Hipona. Deste período datam o De utilitate credendi, a conclusão do De libero arbitrio.

3. Participou, a 8 de outubro de 393, no concílio que se realizou em Hipona. A pedido de Aurélio, um dos mais ilustres bispos, teve de proferir o discurso que, completado, tornou-se o De fide et symbolo, P. L., t. xl, col. 181-196.

4. Combateu o abuso dos banquetes nas capelas dos mártires. Encorajado pela confiança que Aurélio lhe demonstrava, exortou-o a aboli-los na sua diocese. Epist., xxix, P. L., t. xxxiii, col. 90. No concílio de Hipona, etc. les conciles, tr. id. franc., t. II, p. conhece a sua influência no cânon sobre este assunto. Finalmente, na própria Hipona, o escândalo foi abolido em 393, não sem grandes lutas contadas em Epist., xxix, P. L., t. xxxiii, col. 114.

IIª período: o episcopado (396-430). Valério, pela idade e querendo assegurar a Hipona tal pastor, obteve do primaz da África, Aurélio, a autorização de associar Agostinho como coadjutor. Mas este último só consentiu em ser sagrado quando lhe provaram que o 8º cânon de Niceia permitia este uso. Possidius, Vita, c. VIII. Foi sagrado por Mégale, bispo de Calama e primaz da Numídia. Não se pode determinar seguramente se o ano da sua sagração foi 395 ou 396. Cf. Rauscher e Rotlmanner, Histor. Jahrbuch, 1898, p. 894, inclinamo-nos para 396. Agostinho tinha então quarenta e dois anos e deveria permanecer o pastor de Hipona durante trinta e quatro anos. A alegria da Igreja é expressa na bela carta de Paulino de Nola a Romaniano. P. L., t. xxxiii, col. 175.

1º O bispo religioso e pastor.

1. Agostinho deixou a sua fundação monástica para a residência episcopal: mas o seu palácio tornou-se um mosteiro onde estabeleceu a vida comum com os seus clérigos que a pobreza de Hipona e a regra religiosa. Ele fundara uma ordem de clérigos regulares, ou duas ordens distintas. Ele, sem dúvida, pouco se preocupou com essas distinções. Mas é de fato um compromisso formal com a pobreza que ele exigia dos seus clérigos. Nada de mais curioso que as confidências do bispo ao seu povo sobre este assunto nos sermões CCCLV, n. 6; CCCLVI, n. 14, P. L., t. xxxix, col. 1578 e depois 1581: ele celebra a seguir a de uma vida de despojamento de um deles, e conta que deu a todos tempo para refletir e optar e, a partir de então, evitar a infidelidade; eles quiseram viver na clausura. A casa episcopal de Hipona tornou-se um viveiro de fundadores que logo cobriram a África de mosteiros, e de bispos para as sedes das cidades vizinhas. Possidius, Vita, c. xxii, enumera dez discípulos do santo promovidos ao episcopado. Assim, Agostinho merecia o título de patriarca da vida religiosa, renovador da vida clerical na África. Ele arrastava, aliás, os outros pelo seu exemplo. É preciso ler o quadro das suas virtudes por Possidius, loc. cit.: a sua pobreza e simplicidade em tudo, austeridade e caridade que o levava a vender os vasos sagrados para resgatar os cativos.

Ele, entre outras coisas, mandou erguer um xenodochium onde foram e cinco do primeiro diácono santo Estêvão.

2. Mas ele foi, sobretudo, o pastor e doutor: tanto que a sua ação doutrinal, cuja influência deveria durar séculos, foi múltipla: a pregação frequente, com um acento que canta muitas vezes ao coração; a sua correspondência que levava a todo o universo as suas respostas sobre os problemas do tempo; a direção impressa aos diversos concílios da África aos quais assistiu, por exemplo em Cartago em 398, 401, 407, 419, em Milevo em 416 e 418; enfim, as suas lutas infatigáveis contra todos os erros. Narrar estas lutas seria infinito: demos apenas as indicações cronológicas que ajudarão a compreender tanto os seus escritos como as mudanças na sua conduta.

— 2º Luta contra os maniqueístas. O zelo que, desde o seu batismo, Agostinho tinha demonstrado para trazer de volta os seus antigos correligionários, sem perder o seu ardor, revestiu uma forma mais paternal: «Que aqueles se desencadeiem contra vós, que não sabem a que preço se conquista a verdade... Quanto a mim, devo ter para convosco a mesma paciência que me demonstraram os meus irmãos, quando eu errava, cego e cheio de raiva, nas vossas doutrinas.» Cont. epist. Fundani. (em 397), c. III, P. L., t. xlii, col. 174.

Sem entrar no detalhe das obras, assinalemos a grande vitória alcançada em 404 sobre Félix, eleito maniqueísta e doutor dos mais renomados. Como ele espalhava os seus erros em Hipona, Agostinho convidou-o para uma conferência pública, cujo resultado teve um imenso impacto: Félix confessou-se vencido, abraçou a fé e subscreveu com Agostinho as atas da conferência. Cf. P. L., t. xlii, col. 519. Em seus escritos, Agostinho refutou sucessivamente Manes (397), o famoso Fausto (400), Secundino (405); depois, por volta de 415, os priscilianistas fatalistas e astrólogos que lhe foram denunciados por Paulo Orósio e, por fim, uma obra marcionita por volta de 420.

— 3º Luta contra o donatismo. O cisma durava há quase um século. Foi em 312 que os bispos da Numídia haviam deposto ilegitimamente Ceciliano, bispo de Cartago (por ter sido consagrado por um traditor), e nomeado um bispo intruso, Majorino, a quem sucedeu Donato, o Grande. Embora condenado pelo papa e pelos imperadores, o cisma havia se propagado a ponto de, em 330, um sínodo do partido contar 270 bispos. Ele havia fundido, ressuscitando-as, duas velhas heresias: a dos rebatizantes e a dos novacianos. Como os primeiros, ele fazia a fé e a moralidade dependerem do ministro; como os segundos, excluía da Igreja os pecadores pela validade dos sacramentos. Além disso, é difícil não ver aí uma corrente de reivindicações antissociais que os imperadores tiveram de combater por leis rigorosas. A estranha seita dos milites Christi, que os católicos chamavam de circumcelliones (rondadores, brigões), montenses, campitenses, assemelhava-se, por seu fanatismo destrutivo, às seitas revolucionárias da Idade Média. Talvez até, segundo Thummel, Döllinger e Harnack, houvesse um movimento nacional de oposição à dominação romana.

De 373 a 379, os imperadores Valentiniano I e Graciano renovaram os antigos éditos para proibir este culto fanático e confiscar as suas igrejas. Os donatistas na Numídia eram suficientemente poderosos para paralisar as leis. Mas um fermento de dissolução estava no interior, e uma multidão de seitas diferentes havia fragmentado o partido. No momento em que Agostinho chegava a Hipona, uma luta impiedosa acabava de eclodir entre duas facções: em junho de 393, um sínodo de cem bispos donatistas em Cabarsussi condenava Primiano, sucessor de Parmeniano, e substituía-o por Maximiano; mas Primiano reuniu ao longe trezentos e dez bispos, seus partidários, que excomungaram Maximiano e, com o socorro do poder público, tomou as igrejas de seus adversários. Contra os católicos, todos os partidos se uniam, e em Hipona, onde dominavam, o seu ódio chegava ao ponto de proibir que se fizesse pão para os católicos. I-Ionth, em Realencyclopädie, t. IV, p. 79. A história das lutas de Agostinho contra os donatistas é a história da mudança das suas opiniões sobre o emprego do rigor contra os hereges: e esta mudança é a da Igreja da África, da qual ele era a alma em seus concílios.

— 1. Período de doçura e de discussão pacífica. É por meio de conferências e de uma controvérsia amigável que o bispo de Hipona teria querido restabelecer a unidade. Desde 393, no sínodo de Hipona, ao qual assistiu como simples presbítero, os Padres abrandaram a lei que ordenava não receber os clérigos donatistas, exceto aqueles que não rebatizaram, ou que, no grau de leigos, trazem sua paróquia ao seio da Igreja. Hefele, Hist. des conciles, trad. Leclercq, t. II, p. 89; Mansi, t. III, col. 921. É o momento em que Agostinho publicou seu Psalmus contra partem Donati. Em 397, o concílio de Cartago renova as medidas de 393. Às propostas dos católicos e aos escritos de Agostinho, os donatistas respondem com o silêncio. Eles têm medo, não ousam sequer assinar suas cartas e opúsculos, ocultam-nos dos olhares e recusam qualquer colóquio. Ver estas reprovações em Contra litt. Petiliani, 1. I, c. xix, n. 21, P. L., t. xliii, col. 255. Ele não pôde obter a carta de Petiliano senão após um ano de pesquisas. Houve, contudo, duas controvérsias: em 377 ou 378, uma conferência com Fortúnio, bispo donatista de Tubursicum, Epist., xliv, P. L., t. xxxiii, col. 173-180; depois, em 398, uma controvérsia epistolar, a pedido do donatista Honorato, Epist., XLIX, col. 189-191. Ele propôs uma terceira (399) a Crispino, bispo de Calama, mas sem sucesso, Epist., LI, col. 191-192. Em 398-400, na obra perdida Contra partem Donati, ele pleiteava pela tolerância e pela doçura. Por volta de 400, ele escreve seus grandes tratados contra Parmeniano, De baptismo, l. VII, e em 400-402, Contra litteras Petiliani, etc. Os concílios da África, sob a inspiração de Agostinho, continuam a mostrar um grande espírito de conciliação. Em 16 de junho de 401, o V concílio de Cartago pede ao papa Anastácio que autorize as crianças donatistas ao clericato. Em 13 de setembro de 401, o VI permite manter em sua ordem os clérigos convertidos do donatismo, e sobretudo decreta o envio de embaixadores aos donatistas para convidá-los a retornar à Igreja. Hefele, Hist. des concil., t. II, p. 126; Mansi, t. III, col. 771-772 (são os cânones 66-69 do Codex Ecclesiœ africanœ).

Em 25 de agosto de 403, o VII sínodo de Cartago decide que, por intermédio dos magistrados civis, se convidará os donatistas a enviar deputados a um colóquio. Hefele, loc. cit., p. 154; Mansi, t. III, col. 787; S. Augustin, Cont. Crescon., l. III, c. xiv, P. L., t. XLIII, col. 523.

Os donatistas responderam primeiro com recusas injuriosas (em Hipona, Proculeianus declinou qualquer colóquio em nome do partido, Epist., LXXXVIII, n. 7, P. L., t. XXXIII, col. 306; LXXVI, ibid., col. 263-266, apelo aos leigos donatistas; em Calama, Crispino insultou os católicos, Cont. Crescon., loc. cit., n. 50, col. 523), depois as violências redobraram. Possídio, bispo de Calama, amigo do santo, não escapou senão pela fuga, Cont. Crescon., l. III, c. xlvi; o bispo de Bagai foi deixado coberto de horríveis ferimentos, ibid., c. xliii; tentou-se várias vezes atentar contra a vida do bispo de Hipona. Possídio, Vita, c. XII. Estas atrocidades levaram a uma mudança nas disposições dos Padres da África.

2. Período de repressão rigorosa. — Santo Agostinho indicou os dois motivos pelos quais ele aprovava o rigor das leis que antes lhe desagradavam: Nondum expertus eram vel quantum mali eorum auderet impunitas, vel quantum eis in melius mutandis conferre possit diligentia disciplina. A vista das numerosas conversões encorajou-o, portanto, mas foi o furor dos circunceliões que o havia inicialmente decidido.

Em junho de 404, o IX concílio de Cartago envia aos imperadores Arcádio e Honório dois bispos, dos quais um é Evódio, amigo de Agostinho, para expor a recusa do colóquio, as atrocidades dos donatistas e pedir a aplicação das leis teodosianas. Hefele, op. cit., t. II, p. 155; Mansi, t. III, col. 794, 1159. Mas Agostinho explica-nos em vários de seus livros: não se suplicava ao imperador senão onde os católicos teriam, antes da chegada dos deputados, sofrido violências. Epist., LXXXVIII, ad Bonif., n. 7, 25, P. L., t. XXXIII, col. 306, 804.

Honório, informado por seus funcionários das atrocidades cometidas, publica uma série de éditos, ordenando retirar os locais aos donatistas. Estes resistem e os furores recomeçaram. Em 23 de agosto de 405, o X concílio de Cartago agradece aos imperadores, mas pressiona novamente os donatistas para enviarem a um colóquio deputados em número igual, com plenos poderes, libera legatio.

Em 406, Agostinho teve de escrever, em nome de todo o clero de Hipona, uma carta de protesto ao bispo donatista Januarius, para se queixar das crueldades dos circunceliões (quadro a ser lido para julgar imparcialmente a conduta dos católicos). Epist., LXXXVIII, P. L., t. XXXIII, col. 302; cf. Epist., LXXXIX, a Festus, para pedir o apoio das leis, ibid., col. 309. De 407 a 410, houve alternativas de rigor e indulgência por parte do poder civil. É certo que um sério movimento de conversões se manifestou e isolou os obstinados.

Em 13 de junho de 407, o XI concílio de Cartago regularizou a situação das igrejas convertidas: os bispos que trouxeram suas paróquias de volta antes dos editos imperiais podem mantê-las; as outras igrejas são reunidas aos dioceses católicas. Diversas cartas de Agostinho justificam as leis rigorosas, Epist., XCIII, ad Vincent. (408), ibid., col. 521-547 (trata a questão a fundo); Epist., XCVII, a Olympus; Epist., CV, ad donatistis, ibid., col. 396-401; cf. a correspondência com Nectário, pagão, sobre um assunto análogo, Epist., XC, XCI, CIII, CIV. É preciso notar a restrição importante de Santo Agostinho: ele não quer que se puna jamais com a morte por heresia. Epist., C. Donato proconsuli Africœ, col. 366-367, vos rogamus ne occidatis. Cf. Cont. Crescon., l. III, c. lv, n. 55, P. L., t. XLIII, col. 526. Sem cessar, ele lembra o convite para um colóquio, de tanto que conta com o sucesso.

3. A conferência de 411. — Um edito de Honório, de 14 de outubro de 410, ordenando uma conferência entre os bispos católicos e donatistas, pôs fim às recusas destes últimos. Em uma carta coletiva, redigida por Agostinho, Epist., CXXVIII, P. L., t. XXXIII, col. 487-490, os bispos católicos prometeram ceder suas sedes se fossem convencidos de erro, e conservar aos donatistas seus bispados se estes reconhecessem seu desvario.

A reunião ocorreu em Cartago, nos dias 1, 3 e 8 de junho de 411, cem anos após a origem do cisma; as sessões eram realizadas no secretarium das termas, sob a presidência do comissário imperial Marcelino. Estavam presentes 286 bispos católicos e 279 bispos donatistas; em nome dos donatistas, falavam Petiliano de Constantina, Primiano de Cartago e Emérito de Cesareia; os católicos tinham como oradores Aurélio e, sobretudo, Santo Agostinho. Os dois primeiros dias consumiram-se em miseráveis chicanas suscitadas pelos donatistas.

No terceiro dia, Agostinho conseguiu entrar no cerne do debate. Sobre a questão histórica, a inocência de Ceciliano e de seu consagrante Félix foi estabelecida por documentos autênticos. Sobre a controvérsia dogmática, Agostinho provou, pelos textos escriturísticos, a tese católica de que a Igreja, enquanto estiver na terra, pode tolerar em seu seio pecadores para trazê-los de volta, sem perder sua santidade. O juiz Marcelino, em nome do imperador, atribuiu aos católicos a vitória em todos os pontos. Agostinho publicou um resumo dos atos para o uso dos fiéis, Breviculus collationis cum donatistis, P. L., t. XLIII, col. 613-650, com um apelo aos donatistas, e as conversões foram numerosas. Assim, a visita de Agostinho a Constantina (Cirta) levou à conversão da cidade. Epist., CXLIV, P. L., t. XXXIII, col. 590-592.

A lei foi até retomada para punir com a morte os seus conventículos. Agostinho, em várias circunstâncias, pediu mais doçura. Epist., CXXXIII, ao procônsul Apringius. Em sua carta CLXXIII ao conde Bonifácio (417), col. 792-815, ele exprime seu pensamento completo sobre a repressão. Ver Jules Martin, Saint Augustin, 1904, p. 373-388, excelente estudo sobre a tolerância nas obras do santo doutor.

O donatismo decaiu pouco a pouco, mas não desapareceu completamente senão após a invasão dos Vândalos. Ainda em 419, Agostinho, encontrando-se em Cesareia (hoje Cherchell), teve uma conferência pública com Emérito, um dos oradores de Cartago. Sermo ad plebem Emerito praesente habitus, P. L., t. XLIII, col. 689-698; De gestis cum Emerito Cæsareensi donatistarum episcopo, ibid., col. 698-706. Em 420, a pedido de Dulcícius, tribuno imperial, ele refuta um opúsculo do bispo donatista Gaudêncio. Cf. Epist., CCIV, ad Dulcitium, P. L., t. XXXIII, col.

Contra Gaudentium libri II. Mas nessa época o pelagianismo reclamava sua atividade.

4° Luta contra o pelagianismo. — 1ª fase: Da origem — à condenação por Inocêncio. Foi por volta de 410 que veio a essa região um monge, mas não Pelágio, alcunhado de B... na realidade de origem irlandesa ou por Rufino o Sírio, discípulo de Teodoro de Mopsuéstia, ele atacou o dogma da graça e indignou-se um dia ao ouvir um bispo citar o da quod jubes et jube quod vis de Agostinho. Cf. De dono persev., c. xx, n. 53, P. L., t. XLV, col. 1026.

Celestio, antigo advogado tornado monge, fez-se o propagador dessa doutrina. Após 410, os dois heresiarcas, fugindo de Roma, tomada por Alarico, chegaram à África. Pelágio ali permaneceu pouco; dirigiu-se a João de Jerusalém. Agostinho nos informa, De gestis Pelagii, n. 46, P. L., t. XLIV, col. 346, que haviam falado dele com louvor. Ele não estava em Hipona quando Pelágio passou por lá; mal o viu em Cartago, no momento em que a conferência com os donatistas o absorvia; e, como Pelágio lhe escreveu uma carta respeitosa, Agostinho dirigiu-lhe uma resposta amigável, da qual ele se prevalecerá mais tarde em Dióspolis, sem querer notar a lição que continha, segundo o De gestis Pelagii, n. 46, col. 347.

Mas desde 411, Celestio foi desmascarado em Cartago e o concílio reunido nessa cidade (III ou, segundo Quesnel, 412) condenou seis proposições denunciadas pelo diácono Paulino de Milão. Cf. M. Mercator, Commonitorium super nomine Cœlestii, P. L., t. XLVIII, col. 69, 114; Mansi, t. IV, col. 290; Hefele, t. II, p. 108; S. Aug., De grat. et pecc. orig., l. II, c. III-IV, P. L., t. XLIV, col. 386-387. Celestio, tendo se recusado a retratar-se, foi excomungado; apelou a Roma, mas, em vez de dirigir-se para lá, retirou-se para Éfeso, onde foi bastante habilidoso para obter a ordenação sacerdotal.

Agostinho não havia assistido ao concílio de Cartago (Hipona pertencia à província da Numídia). A pedido dos fiéis e, sobretudo, de Marcelino, ele refutou os erros de Celestio: em 412, no De peccatorum meritis et remissione, De spiritu et littera; em 415, no De perfectione justitiæ. O nome de Pelágio não aparece neles. Agostinho nos informa, De gestis Pel., c. XXII-XXIII, P. L., t. XLIV, que queria poupá-lo. Mas, em 415, ele refutou vivamente, sem ainda nomear Pelágio, um de seus livros sobre a natureza, em seu De natura et gratia.

Ao mesmo tempo, com o progresso do erro, ele envia seu amigo, Paulo Orósio, a Jerusalém. Pelágio tinha neste bispo um hábil protetor. Em junho de 415, a questão foi debatida em um sínodo diocesano. João dirigiu os debates de maneira a fazer triunfar Pelágio. Seis meses depois (dezembro de 415), um concílio de quatorze bispos reuniu-se em Dióspolis (Lida) para julgar Pelágio, oficialmente denunciado por dois bispos das Gálias, Heros de Arles e Lázaro de Aix. Mas, pela influência de João de Jerusalém, e na ausência dos acusadores, o sínodo contentou-se demasiado facilmente com as negações hipócritas ou com as explicações ambíguas de Pelágio, e admitiu-o à comunhão católica. Doutrinariamente, nada estava comprometido, mas o efeito foi deplorável, e São Jerônimo chamava este concílio de miserabilis synodus. Epist., CXLI, P. L., t. XXII, col. 1181.

Assim, em 416, logo que o sínodo de Cartago (63 bispos) teve conhecimento, pela boca de Heros e de Lázaro, dos acontecimentos de Dióspolis, renovou a sentença de 411 e enviou ao Papa Inocêncio uma carta sinodal muito detalhada. Cf. S. Agostinho, Epist., CLXXV, P. L., t. XXXIII, col. 758, Mansi, t. IV, col. 321. No mesmo ano, Agostinho, com 60 bispos, assistiu, em Milève, ao sínodo da Numídia, que tomou as mesmas decisões. Ver a carta sinodal a Inocêncio, Epist., CLXXVI, col. 762; Mansi, t. IV, col. 334; além disso, uma outra carta particular de Agostinho, de Aurélio e de três outros bispos informava o Papa do boato difundido na África de que Roma favorecia a doutrina pelagiana, e solicitava uma condenação. Epist., CLXXVII, col. 754-772; Mansi, t. IV, col. 337.

Em 27 de janeiro de 417, Inocêncio examinou as três cartas da África: três respostas louvaram os bispos, confirmando a excomunhão de Pelágio e de Celestius, até à retratação dos seus erros. Jaffé, n. 321-323; Mansi, t. III, col. 1071-1081; S. Agostinho, Epist., CLXXXI-CLXXXIII, P. L., t. XXXIII, col. 779-787. Contudo, para deter os maus efeitos do sínodo de Dióspolis, Agostinho escreveu ao sacerdote Hilário, Epist., CLXXVIII, col. 772, a João de Jerusalém, para lhe pedir as Atas do concílio, sobre as quais compôs o seu De gestis Pelagii in synodo diospolitano (no início de 417).

2ª fase: — Intrigas sob Zósimo e segunda condenação. Pelágio tinha endereçado a Inocêncio I um Libellus fidei que só foi recebido por Zósimo, o seu sucessor (março de 417). S. Agostinho, De grat. Christi, l. I, c. XXXII, n. 35, 36; l. II, n. 19, 24, P. L., t. XLIV, col. 1715-1716. Celestius, por seu lado, expulso de Éfeso, tinha-se dirigido a Constantinopla, onde foi condenado novamente pelo bispo Ático. Tendo-se refugiado em Roma, apresentou ele também a Zósimo um Libellus fidei ambíguo. Fragmentos em P. L., t. XLV, col. 1718.

Tudo contribuiu para enganar Zósimo: protestos mentirosos de Celestius, caráter suspeito dos acusadores Heros e Lázaro, enfim, uma apologia de Pelágio por Praíle, sucessor de João de Jerusalém. O Papa levantou então o apelo, interrogou, em um sínodo romano, Celestius, que não hesitou em condenar tudo o que condenava Inocêncio I. Duas cartas de Zósimo aos bispos africanos (a segunda é de setembro de 417) reprovam aos Padres da África demasiada precipitação, aprovam as declarações de Celestius e de Pelágio, e pedem que se enviem a Roma os seus acusadores. P. L., t. XLV, col. 1720-1721.

Imediatamente os bispos da África reunidos em concílio em Cartago (final de 417 ou início de 418) escrevem ao Papa para o advertir das trapaças pelagianas, e suplicam-lhe que mantenha a decisão de Inocêncio. S. Agostinho, De pecc. orig., c. VI, n. 7, P. L., t. XLIV, col. 376-378; Mansi, t. IV, col. 388; Cont. duob. epist. Pel., l. II, c. III, ibid., col. 573-575; Libellus Paulini diaconi, enviado ao Papa pelo acusador de Pelágio, P. L., t. XLV, col. 1721-1725. Numa terceira carta (21 de março de 418), Zósimo responde aos bispos da África que quer tratar o assunto de maneira que ele deixou todas as coisas no estado em que estavam. P. L., t. XLV, col. 1725-1726; Jaffé, n. 342.

Esta carta recebida, a 1º de maio de 418, o sínodo geral de Cartago, composto por mais de 214 bispos (segundo Fócio, P. L., t. XLV, col. 1730), redigiu oito (ou nove) cânones contra a doutrina pelagiana: foram inseridos no Codex can. Eccl. africanæ, n. 110-127, Mansi, t. III, col. 810-823, cf. Denzinger, Enchiridion, n. 65-72, e foram falsamente atribuídos ao II concílio de Milève em 416. Hefele, Conciliengeschichte, 2ª ed., t. II, p. 113; trad. franc., t. II, p. 184.

Contudo, em Roma, Zósimo tinha reconhecido a trapaça de Celestius no sínodo romano: este, citado a comparecer para um julgamento definitivo, fugiu novamente de Roma, e o Papa pronunciou a condenação dos dois heresiarcas. Jaffé, ann. 418.

Pouco depois (verão de 418), o Papa expôs a doutrina católica numa carta circular (tractoria) que recebeu as subscrições dos bispos do mundo inteiro. Cf. Hergenrother, Hist. de l'Église, trad. franc., t. II, p. 164; Jaffé, n. 343. Este documento perdeu-se, mas pelos fragmentos conservados em S. Agostinho, Epist., CXC, n. 23, S. Próspero, Lib. cont. collat., n. 15, 57, cf. P. L., t. XLV, col. 1730-1731, sabemos que o pontífice sancionava os decretos dos concílios da África, condenava Celestius e Pelágio, definia em particular o dogma do pecado original e a necessidade da graça para todo o bem, omnia enim bona ad auctorem suum referenda sunt, unde nascuntur. S. Próspero, loc. cit., n. 15.

Durante este período de hesitações do Papa, o papel de Agostinho tinha sido muito delicado. Foi ele quem redigiu a carta dos bispos africanos a Zósimo e inspirou os oito cânones de Cartago. Por outro lado, como os pelagianos se vangloriavam inicialmente de serem apoiados em Roma pelo Papa e pelos sacerdotes do seu círculo (sobretudo por Sisto, mais tarde o Papa São Sisto III) e, após a condenação, acusavam Roma de se ter desmentido, o bispo de Hipona esclareceu Sisto através de cartas tão hábeis quanto urgentes. Epist., cxcv, P. L., t. xxxiii, col. 867, 874-891. Assumiu depois a defesa de Zósimo. Separando a questão dogmática da questão de pessoa, demonstrou que o Papa nunca tinha aprovado a doutrina pelagiana, mas apenas tinha aceite provisoriamente os protestos de Celestius prometendo se omnia damnaturum quœ sedes apostolica damnaret. De pecc. orig., c. vii, n. 8, P. L., t. xliv, col. 389. O papel preponderante de Agostinho na condenação dos pelagianos é posto em relevo por uma carta de São Jerônimo, S. Agostinho, Epist., ccii, P. L., t. xxxiii, col. 928, e pela missão que lhe confiam os imperadores Honório e Teodósio de obter a subscrição dos bispos a esta condenação. Epist., cci, ibid., col. 927.

— 3ª fase: Após a condenação por Zósimo. A Tractoria de Zósimo, subscrita pelos bispos e confirmada pelas leis dos imperadores (cf. decreto de Constâncio, pai de Valentiniano, em 421, P. L., t. xliv, col. 1750), marca o declínio do pelagianismo. Mas, por muito tempo ainda, tentou resistir. Três fatos são mais salientes nesta nova fase das lutas de Santo Agostinho:

1. A entrada na disputa de Juliano, o nascimento do semipelagianismo. A retratação de Lepório. Juliano, filho do bispo Memório e da ilustre cristã Juliana, antigo amigo de Agostinho, até então muito estimado por sua ciência e suas imensas esmolas, promovido por Inocêncio I ao bispado de Eclano na Apúlia, torna-se de repente o chefe do partido pelagiano. Espírito vivo e penetrante, tanto quanto obstinado dialético verdadeiramente formidável, ele substitui Pelágio e Celestius, que desaparecem quase completamente da cena. Ele arrasta 17 bispos da Itália a recusar com ele a assinatura da Tractoria, e eles dirigem ao papa seu protesto, com apelo ao concílio plenário. P. L., t. xliv, col. 1732-1736. Eles foram todos depostos canonicamente e banidos pelo imperador. Juliano, exilado da Itália em 421, continuou a escrever panfleto sobre panfleto contra Agostinho, a quem chama injuriosamente de maniqueísta e chefe dos traducianos. Cf. Opus imperf. cont. Iul., l. I, n. 1, 2, 7, 9, 27, 32, 86; l. III, n. 144, 165, etc. Sua doutrina nos é conhecida pelas citações extensas que relatou Santo Agostinho, por Mário Mercator, Liber subnotationum in verba Iuliani, P. L., t. xlviii, col. 109-174; Agostinho publicou contra ele, por volta de 421, o De nuptiis et concupiscentia, defesa sumária do livro que Juliano havia atacado em uma obra em quatro livros; por volta de 422, Contra duas epist. Pelag., l. IV, resposta a dois manifestos, um de Juliano, outro dos 18 bispos contra a sentença de Zósimo; por volta de 422, Contra Iul., l. VI, réplica mais detalhada à grande obra de Juliano. Tendo este último replicado ao De nuptiis por um escrito em oito livros endereçado a Floro, outro bispo pelagiano, o bispo de Hipona, em 429, pareceu refutá-lo ponto por ponto, mas surpreendido pela morte, pôde completar apenas os seis primeiros livros. Juliano obstinou-se em sua heresia: tentou em vão com Celestius renovar suas intrigas sob o papa Celestino I; morreu na miséria na Sicília em 454.

2. A retratação de Lepório em 426. Este monge gaulês era ao mesmo tempo pelagiano e nestoriano. Expulso das Gálias em virtude das leis imperiais, havia se refugiado na África, onde foi convertido por Santo Agostinho. O concílio de Cartago em 426 recebeu o Libellus emendationis, ou retratação de Lepório, e enviou-o ele mesmo aos bispos das Gálias, com uma carta de recomendação. Mansi, t. iv, col. 518-523; cf. Cassien, De l'incarn., I, c. 2, 4, P. L., t. L, col. 13-18; Tillemont, t. XII, p. 883-885.

3. Luta contra o semipelagianismo nascente. Não há dúvida de que a doutrina do bispo de Hipona, e sobretudo suas fórmulas por vezes demasiado absolutas, tenham perturbado um bom número de católicos: a graça que dá o querer e o agir parecia destruir a liberdade. O primeiro ataque veio de um convento de Adrumeto, em 426 ou 427: os monges estavam chocados com a carta endereçada a Sisto. É injusto, diziam eles, nos reprovar nossas faltas, já que foi a graça que nos faltou. Agostinho escreveu para eles os tratados De gratia et libero arbitrio; De correptione et gratia, e diversas cartas ao abade Valentim, que, ao que parece, trouxeram a calma. Epist., ccxiv, ccxv, e resposta de Valentim, ccxvi, P. L., t. xxxiii, col. 968-978. Cf. Hadrumetum (Moines d'). Na mesma época, um certo Vitalis de Cartago, provavelmente monge, ele também, guardava algo do veneno pelagiano: a aceitação da fé é obra da liberdade apenas e merece as graças seguintes.

Agostinho lhe dirige um verdadeiro tratado, Epist., ccxvii, ibid., col. 978-989, e apoia-se especialmente em textos de São Cipriano, cuja autoridade Vitalis invocava.

Mas no sul da Gália, em Marselha sobretudo, a obra De correptione et gratia suscitou uma oposição mais viva, que se prolongou durante todo um século. Vários sacerdotes e monges de Marselha (à frente deles estava o célebre abade de São Vítor, Cassien, Collât., XIII, c. ix-xviii; XVIII, c. xiv, obra composta antes de 426), não podendo admitir a gratuidade absoluta da predestinação, buscaram uma via média entre Agostinho e Pelágio: a graça, diziam eles, é dada sem o mérito, mas aquilo que é recusado aos outros, a boa vontade precede, portanto, ela deseja, ela pede, e Deus recompensa.

Dois discípulos do santo bispo, Próspero da Aquitânia e Hilário, leigos zelosos e instruídos, informaram-no em 428 ou 429 dessa doutrina. Epist., ccxxv, ccxxvi, ibid., col. 1002-1012. O santo doutor expôs novamente nas duas obras De praedestinatione sanctorum e De dono perseverantiæ, como os primeiros desejos da salvação eram eles próprios devidos à graça de Deus, que é assim o autor absoluto de nossa predestinação.

— 4. Últimos anos. Lutas contra o arianismo. Em 426, o santo bispo, aos 72 anos de idade, querendo poupar ao seu povo os problemas de uma eleição após sua morte, fez aclamar pelo clero e pelo povo a escolha do diácono Eraclius como auxiliar e sucessor, e a ele remeteu a administração exterior. Relato oficial por Agostinho, Epist., ccxiii, P. L., t. xxxiii, col. 965.

Contudo, a desgraça imediata e imerecida para a África, a revolta do conde Bonifácio, e os Vândalos chamados por ele, transtornaram tudo. As tropas imperiais, como também os Vândalos, eram arianos. Maximino, bispo ariano, entrou em Hipona com as tropas imperiais. O santo doutor defendeu a fé em uma conferência pública contra Maximino; e em diversos escritos. Cf. Collatio cum Maximino, P. L., t. xlii, col. 709-814; Serm., cxl, P. L., t. xxxviii, col. 773-775.

Dez anos antes, o bispo de Hipona, à prece de fiéis, havia refutado um sermão ariano do qual se espalhavam cópias entre o povo. Cf. Contra sermonem Arianorum, P. L., t. xlii, col. 683. Contudo, o santo bispo, desolado pela devastação da África, trabalhou para reconciliar o conde Bonifácio com a imperatriz. Epist., ccxx, P. L., t. xxxiii, col. 997.

A paz foi feita, de fato, mas não com o rei vândalo. Bonifácio vencido refugiou-se em Hipona, onde já se tinham retirado numerosos bispos. Este lugar, então muito forte, sofreria os horrores de um cerco de dezoito meses. O santo ancião continuava sua refutação de Juliano de Eclano, quando desde o início do cerco sentiu-se ferido de morte, e após três meses deixou este mundo de paciência no dia 28 de agosto de 430, aos setenta e seis anos de idade e de fervorosa piedade.

O corpo do santo bispo foi depositado com honra na basílica de Santo Estêvão. Mas Hipona, primeiramente libertada, sucumbiu após novas derrotas e foi presa das chamas: a biblioteca de Agostinho escapou providencialmente do desastre. Em 486, São Fulgêncio e outros bispos da África, exilados pela perseguição dos Vândalos, levaram consigo para a Sardenha o corpo venerado de seu grande doutor.

Mais tarde, tendo os sarracenos se apoderado da ilha, Luitprando, rei dos lombardos, resgatou as relíquias, que foram depositadas na igreja de São Pedro, em Pavia. É ali que, em 1695, pretendeu-se tê-las encontrado em um sarcófago de mármore; mas, depois de Muratori (ver a bibliografia), o Pe. Rottmanner, Histor. Jahrbuch, 1898, p. 897, não acredita em nada da descoberta. Hoje, sobre as ruínas de Hipona, ergue-se, construída pelo cardeal Lavigerie, uma magnífica basílica, para a glória de seu imortal doutor.

I. Obras. — Estudos patrológicos principais: Tillemont, Mémoires, in-4°, Paris, 1710: todo o t. xiii (preciso na ordem cronológica); cf. t. xiii. Dupin, in-4°, Paris, 1686-1702. Ceillier, ed. Paris, t. ix; J. Fessler, Patrologie (ed. Jungmann), Innsbruck, 1890-1896, t. ii, 2, p. 416-447; trad. também Bellarmin-Labbe, por Godet e Verschaffel, de scriptoribus eccl. Paris, 1890. — Patristische Zeit, 2ª ed., Friburgo em Brisgóvia, 1897, t. ii, p. 395 sq.; Bardenhewer, Patrologie, Friburgo em Brisgóvia, 1901, p. 385-422.

A. Harnack, Lehrbuch der Dogmengeschichte, 3ª ed., Friburgo em Brisgóvia, 1897, t. iii, p. 56-221 (muito importante); Grundriss der Dogmengeschichte, trad. francesa na Bibl. de théol. chrétienne, Paris, 1893. — Harnack deu um resumo no Studium der Theologie, Tubinga, 1898; art. sobre a piedade de Santo Agostinho na Realencyclopädie für protest. Theol. u. Kirche, por Herzog, 3ª ed., Leipzig, 1897, t. ii, p. 257-285 (estudo cronológico importante por Loofs); Enciclopédia religiosa de Ph. Schaff, in-4°, Edimburgo, 1883, t. i, p. 173 sq., art. de Dorner.

4° Histórias eclesiásticas. G. Cuper e Jo. Stilting, S. J., bolandistas, Acta S. Aur. Augustini, in-fol., Antuérpia, 1743, e em Acta sanctorum, t. vi augusti, p. 213-460; Hergenröther, Histoire de l'Église, trad. francesa, 1880, t. ii, p. 141-190; Hefele, Hist. des conciles, trad. Leclercq, t. ii, p. 97 sq.

5° Histórias da filosofia. Ritter, Geschichte der christlichen Philosophie, in-8°, 1841, t. i, p. 151-443; trad. francesa pelas ciências filosóficas, 1875, p. 122-127; Gard. Gonzalez, O. P., Histoire de la philosophie, trad. francesa por de Pascal, in-8°, Paris, 1890, t. ii, p. 71-96; Alb. Stöckl, Geschichte der christlichen Philosophie zur Zeit der Kirchenväter, in-8°, Mogúncia, 1891, p. 293-366; Id., Lehrbuch der Geschichte der Philosophie, 3ª ed., Mogúncia, 1888, t. i, p. 288-308; Brucker, Hist. critica philosophie, in-4°, 1766, t. iii, p. 485-507; A. Weber, Hist. de la philosophie européenne, 1886, p. 167-177; Prantl, Geschichte der Logik im Abendland, Leipzig, 1855, t. i; Huber, Philosophie der Kirchenväter.

6° Histórias literárias. Ebert, Geschichte der Litteratur des Mittelalters, 2ª ed., Leipzig, 1889, t. i, p. 212-251; trad. francesa, Paris, 1883, t. i, p. 229-272; Bähr, Geschichte der römischen Litteratur, Karlsruhe, 1837, Supplement-band, t. ii, p. 222-307; Villemain, Éloq. chrét. au iv siècle, Paris, 1849, p. 373-513.

— II. Fontes especiais. 1° Biografias contemporâneas. — Com os escritos autobiográficos de Santo Agostinho, a Vita S. Aur. Aug. por Possídio, bispo de Calama, amigo íntimo e comensal de Agostinho, à frente da ed. dos beneditinos, P. L., t. xxxii, col.

33-66; separadamente, cum notis Salmasii, Roma, 1731; anotada por Cuper e Stilting (cf. supra), nos Acta sanctorum, p. 215-228; traduzida para o francês nas Œuvres complètes, Paris, 1872, t. i, p. 3-25.

2° Biografias completas. — As mais importantes são: Vita S. Aur. Aug. Hipp. episc. ex ejus potissimum scriptis concinnata, pelos beneditinos Hugues Vaillant e Jacques du Frische, composta sobre as notas então inéditas de Tillemont no t. xi da edição das Opera, em P. L. à frente das Œuvres, t. xxxii, col. 65-578; L. Berti, De rebus gestis S. Aug. librisque ab eo conscriptis commentarius, in-4°, Veneza, 1756; G. Kloth, Der h. Kirchenlehrer Aur. Augustin, 2 in-8°, Aachen, 1839-1840; Poujoulat, Hist. de saint Augustin, sa vie, ses œuvres, son siècle, influence de son génie, 3 in-8°, Paris, 1845-1846; 2ª ed., 2 vol., 1852; trad. alemã, italiana; Hist. de saint Augustin d'après ses écrits et l'édit. bénédict., por um membro da grande família de Santo Agostinho, 2 in-8°, Bruxelas, 1892; Ad. Hatzfeld, Saint Augustin, 3ª ed., in-8°, Paris, 1897; D'Célestin Wolfsgruber (beneditino), Augustinus (auf Grund des kirchengeschichtlichen Schriftennachlasses, von... Kardinal Rauscher), in-8°, Paderborn, 1898; G. von Hertling, Der Untergang der antiken Kultur, Augustin (na col. Weltgeschichte in Charakterbildern), gr. in-8°, Mogúncia, 1902. — Escritores protestantes: Fr. Böhringer, Die Kirche Christi und ihre Zeugen, 2 vol., Zurique, 1877-1878; Aurelius Augustin, I, p. 97-774; C. Bindemann, Der heilige Augustinus, 3 in-8°, Berlim, Leipzig, Greifswald, 1844-1860; A. Eisenbarth, Der heilig. Augustinus, ein Lehre, in-8°, Stuttgart, 1853; J. Farrar, S. Aug. and his angl. Fathers, 1889, criticado na Dublin Review, julho de 1890, p. 119-149.

Nomeemos apenas os outros historiadores do santo: em latim: Filipe de Harvengt (+1182), P. L., t. cciii, col. 1206-1234; Jordão da Saxônia (1280), no Supplementum Patrum de Hommey, Paris, 1686; anônimo ed. por Cramer, Colônia, 1532; Erasmo, Basileia, 1543, à frente de sua ed.; G. Moringus, Antuérpia, 1533; Fivizani, Roma, 1587; Corn. Lancelotus, Paris, 1614; F. Rivius, Antuérpia, 1646; Luc Dachery, 1648; em francês: A. Godeau, 1652; Malebranche, Paris, 1835; A., Saint-Augustin, Lille, 1898; em alemão: Ida Hahn-Hahn, Mogúncia, 1866; Phil. Schaff, Berlim, 1854; A. Egger, Kempten, 1864; em inglês: J. Moriarty, Londres, 1873; em italiano: C. G. S. I., Palestrina, 1723; Callai, S. J., Bréscia, 1775; em espanhol: Benvenuto, Saragoça, 1810.

III. Sobre a conversão de Agostinho e o desenvolvimento do seu pensamento. Ignace Werner, Conversio magni Augustini, estudo sobre o desenvolvimento do seu pensamento até a época da sua ordenação, Linz, 1861; A. Naville, Saint Augustin, Paris, 1872; G. Boissier, La fin du paganisme, Paris, 1891, t. i, p. 339-379; A. Harnack, Augustin's Confessionem, 2ª ed., Giessen, 1895; L. Gourdon, Essai sur la conversion de saint Augustin, tese protest., Cahors, 1900; T. Wörter, Die Geistesentwickelung des hl. Aur. Augustinus bis zu seiner Taufe, in-8°, Paderborn, 1892; W. Timme, Augustins geistige Entwicklung in den ersten Jahren nach seiner Bekehrung, Berlim, 1908; H. Becker, Augustin. Studien zu seiner geistigen Entwicklung, Leipzig, 1908.

2° Sobre a profissão monástica ou eremítica de Agostinho, ver o relato da famosa controvérsia nos Acta sanctorum, t. vi augusti, p. 248-256 d. apologetica pro S. Aug. Augustini (lista de obras pro e contra); habitu monachali, regula..., in-4°, Paris, 1649; Boaventura de Santa Ana, Monachatus Augustini ab Augustino potissimum propugnatus, in-12, Lyon, 1674; Fulgentius Fosseus (pseudônimo do célebre Aug. H. de Noris), Somnia L. Francisci Macedo in itinerario sancti Augustini post baptismum..., Haia (Paris), 1687; Louis Ferrand, Discours où l'on fait voir que saint Augustin a été moine, in-8°, Paris, 1689.

3- Sobre as relíquias do santo e seu túmulo em Pavia, ver no Répertoire de U. Chevalier as obras a favor ou contra a descoberta das relíquias em Pavia em 1695, sobretudo Muratori, Motivi di credere, tuttavia ascoso, e non iscoperto in Pavia l'anno M.DCXCV, il sacro corpo di S. Agostino, dottore della Chiesa, Trento, 1730 (anônimo, mas reimpresso nas Opere, Arezzo, 1770, t. x); Germer-Durand, Le tombeau de saint Augustin à Pavie, na Revue de l'art chrétien, 1878, p. 257-274; Beccard, Histoire des reliques de saint Augustin et de leur translation à Hippone, 2ª ed., Paris, 1867. Sobre essa translação, ver cartas do abade Sibour a M. Nicolas (1842), Vie de saint Augustin, por Nicolas, — t. i, Apêndice, p. 413-456.

Autor original: E. Portalié

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