ADAM SCOT ou O ESCOCÊS (frequentemente designado também pelo nome de Adam de Prémontré, da ordem à qual pertencia) viveu na segunda metade do século XII. Nasceu na Inglaterra ou na Escócia, razão pela qual lhe são atribuídos indistintamente os cognomes de Inglês ou Escocês. Abraçou a vida religiosa na ordem que acabara de ser fundada, alguns anos antes, por São Norberto, seja no próprio mosteiro de Prémontré, segundo alguns, ou, mais provavelmente, conforme acreditamos com Pez (Thesaurus anecdotorum novissimus, Viena, 1721, t. I, p. LXXI), no mosteiro de Saint-Andrew, na Escócia. Acredita-se também que tenha sido abade e bispo de Case-Blanche (Candida Casa ou Withorn, na Escócia), cuja igreja catedral estava unida à ordem de Prémontré, mas isto não está absolutamente comprovado. Morreu, ao que parece, nos últimos anos do século XII. É quase tudo o que se sabe de sua vida.
O Padre Ghiselbert, em uma dissertação sobre Adam Scot, da qual se falará logo mais, aponta três outros personagens de nome Adam, da ordem de Prémontré, com os quais não se deve confundi-lo. O primeiro, morto em 1165, fora discípulo de São Norberto. O segundo, abade do próprio mosteiro de Prémontré e superior-geral da ordem, morreu em 1327; havia assistido ao Concílio de Viena sob Clemente V. O terceiro, morto em 1333, sucedeu ao precedente em seu duplo encargo de abade e superior-geral. Todos os três são por vezes designados, assim como o personagem de que aqui tratamos, pelo nome de Adam de Prémontré.
De Adam Scot conservamos:
1. Sermones ou Homilias, em número de 47 (P. L., t. CXCVIII, col. 91-440), sobre os diversos tempos do ano litúrgico e sobre as festas: 18 para o tempo do Advento até a véspera de Natal, 4 para a vigília de Natal, 6 para o Natal, 4 sobre Santo Estêvão, primeiro mártir, 1 sobre São João Evangelista, 3 sobre os Santos Inocentes, 4 para o domingo na oitava de Natal, 2 para a festa da Circuncisão, 2 para a Epifania, 3 para o segundo domingo após a Epifania. Estas homilias são precedidas de um prólogo ou carta de envio do autor aos seus confrades. Nota-se que a coletânea fora feita pelo próprio Adam. A coletânea completa, tal como saiu das mãos de Adam, compreendia 100 sermões semelhantes. Os demais, à exceção dos 14 que serão mencionados, não chegaram até nós.
2. Liber de ordine, habitu et professione canonicorum ordinis præmonstratensis, P. L., t. CXCVIII, col. 439-610. É uma série de 14 sermões destinados aos religiosos da ordem de Prémontré, sobre o seu estado e as obrigações que ele acarreta. O autor explica longamente a regra de Santo Agostinho, donde provém o nome Comentário sobre a regra de Santo Agostinho, por vezes dado a este opúsculo.
3. Um tratado De tripartito tabernaculo, cuja divisão indica suficientemente o caráter e o objeto: 1. De tabernaculo Moysis in sensu litterali; 2. De tabernaculo Christi quod est in fide; 3. De tabernaculo animi quod est in interna cogitatione, P. L., t. CXCVIII, col. 609-792. Este tratado é acompanhado de duas cartas de Adam, endereçadas uma aos cônegos do mosteiro de Prémontré e a outra ao abade João de Kelso, por cuja súplica a obra havia sido composta.
4. Outro tratado De triplice genere contemplationis, onde, em três partes, o autor considera sucessivamente: 1. quam Deus sit in seipso incomprehensibilis; 2. quam terribilis in reprobis; 3. quam amabilis et suavis in electis. P. L., t. CXCVIII, col. 791-842.
5. Finalmente, um tratado em dois livros sobre os solilóquios da alma: Soliloquiorum de instructione animæ libri duo, P. L., t. CXCVIII, col. 841-872, considerações ascéticas sob a forma de um diálogo entre a razão e a alma de um religioso, sobre o estado monástico e seus deveres. O segundo livro é especialmente consagrado à explicação da fórmula da profissão usada na ordem de Prémontré. Este opúsculo é dedicado ao prior e aos religiosos do mosteiro de Saint-Andrew, e os termos do prólogo parecem indicar claramente que era a este mosteiro que Adam pertencia.
Outras obras de Adam Scot não chegaram até nós. Compusera, nomeadamente, um tratado De dulcedine Dei, onde celebrava os benefícios da criação, da providência e da redenção. De acordo com o que vimos acima, faltam-nos também 39 de seus sermões. Casimir Oudin, em obra citada mais adiante (col. 1544), fornece alguns detalhes sobre vários deles, que vira em manuscrito junto aos celestinos de Mantes.
Adam Scot deve ser classificado entre os autores místicos mais apreciados da Idade Média. Seus escritos ascéticos, de uma doutrina elevada e, ao mesmo tempo, de um estilo pleno de unção, respiram a mais profunda piedade. Sabemos que eram tidos em grande estima, mesmo fora da ordem de Prémontré. Segundo o testemunho de Casimir Oudin, os celestinos da França os colocavam nas mãos de seus noviços para servir à sua formação religiosa. Adam sobressai também nas interpretações alegóricas e morais que confere à Sagrada Escritura.
As obras de Adam Scot foram publicadas pela primeira vez, em parte, em 1518, Paris, in-folio. Em 1659, o P. Ghiselbert, cônego premonstratense da abadia de Saint-Nicolas de Furnes, ofereceu uma edição mais completa, Antuérpia, in-folio, na casa de Pierre Beller. Esta edição compreendia, além da precedente, os sermões, mas não os solilóquios. O P. Ghiselbert fê-la preceder de longos prolegômenos, por vezes difusos, mas nos quais se encontram, todavia, discutidas com cuidado — em meio a generalidades históricas ou ascéticas — muitas questões concernentes a Adam. Em 1721, o dom Bernard Pez publicou pela primeira vez os solilóquios da alma em seu Thesaurus anecdotorum novissimus, Viena, 1721, t. I, parte 2, p. 337. Todos estes escritos estão reproduzidos no t. CXCVIII da P. L. de Migne, col. 97-872. Encontram-se ali, igualmente, a dissertação de Ghiselbert (col. 19-90) e a nota de Pez (col. 841-842). Ver também: Casimir Oudin, Commentarius de scriptoribus Ecclesiae antiquis, Leipzig, 1722, t. II, col. 1544-1547; Fabricius, Bibliotheca latina mediae et infimae aetatis, Pádua, 1754, t. I, p. 11; Cave, Scriptorum ecclesiasticorum historia literaria, Genebra, 1720, p. 589; Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, Paris, 1763, t. XXIII, p. 293-296; 2ª ed., Paris, 1868, t. XIV, p. 687-689; Hurter, Nomenclator literarius recentioris theologiae catholicae, Innsbruck, 1899, t. IV, col. 662.
Autor original: L. JÉROME
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