ACOLYTO. — I. Nome. II. Origens. III. Funções. IV. Ordenação.
I. Nome. — Acólito provém do grego ἀκόλουθος, comes, sequens, minister, termo que designa, na Igreja latina, a quarta das ordens menores, aquela cuja função é, segundo o Pontifical Romano, ceroferarium ferre; luminaria ecclesiæ accendere; vinum et aquam ad eucharistiam ministrare (portar o castiçal; acender as luzes da igreja; ministrar o vinho e a água para a Eucaristia). O nome não é desconhecido aos orientais, mas não parece ter sido, entre eles, uma ordem propriamente dita, e atualmente tampouco figura na hierarquia das diversas Igrejas orientais, exceto entre os armênios. Cf. Denzinger, Ritus Orientalium, in-8°, Wurzburg, 1864, t. II, p. 281. Encontram-se, de fato, acólitos no concílio de Niceia, Eusébio, De vita Constant., l. III, 8, P. G., t. XX, col. 1064, mas há motivos para crer que fossem acólitos ocidentais que haviam acompanhado seu bispo, ou talvez simplesmente o conjunto de clérigos que formavam o séquito do bispo. Possuímos um exemplo certo onde a palavra acólito foi traduzida por sequens, que, aliás, não é senão a tradução do termo grego ἀκόλουθος. Trata-se da nota do Liber pontificalis sobre o papa Caio (283-296): Hic constituit ut ordines omnes in Ecclesia sic ascenderentur: si quis episcopus mereretur, ut esset ostiarius, lector, exorcista, SEQUENS, subdiaconus, diaconus, presbiter, et exinde episcopus ordinaretur, edit. Duchesne, in-4°, Paris, 1886, t. I, p. 161. O abade Duchesne considera duvidosa, quanto aos acólitos, uma passagem da nota do papa Vítor, onde se diz: Hic fecit SEQUENTES cleros, Op. cit., p. 137.
II. Origens. — A data precisa da instituição dos acólitos não é conhecida, se deixarmos de lado o texto supracitado; porém, o termo grego empregado para designar esta ordem já é um índice inequívoco de alta antiguidade, pois remete a uma época em que a comunidade romana ainda falava principalmente o grego. O que é certo é que, em meados do século III, a existência desta ordem era notória em Roma e, na África, em Cartago. O papa São Cornélio, efetivamente, em uma carta escrita ao bispo Fábio de Antioquia em 251, e relatada por Eusébio, faz o censo do clero romano de seu tempo. Havia então quarenta e seis presbíteros, sete diáconos, sete subdiáconos, quarenta e dois acólitos, cinquenta e dois clérigos inferiores, exorcistas, leitores e porteiros. Eusébio, Hist. eccl., l. VI, c. XLIII, P. G., t. XX, col. 621; cf. P. L., t. III, col. 743. São Cipriano, contemporâneo desse papa, nomeia também várias vezes acólitos em suas cartas. Epist., XXVIII, XLII, LV, LXXVII, etc., P. L., t. IV.
A epigrafia cristã infelizmente não fornece quase nenhuma informação sobre os acólitos. Conhece-se para Roma apenas o epitáfio de Abundantius, acólito, da 4ª região do título de Vestina, do século V aproximadamente, e uma alusão ao acólito Vítor, em uma daquelas placas de metal que, desde o reinado de Constantino, costumava-se suspender no pescoço dos escravos fugitivos: Tene me quia fugi et reboca me Victori acolito a dominicu(basilica) Clementis. Duchesne, Liber pontificalis, t. I, p. 223, notas 6 e 7. Para a Gália, o Sr. Le Blant registra apenas uma única inscrição de acólito, em Lyon, em 517. Le Blant, Inscriptions chrét. de la Gaule, 36, in-4°, Paris, 1856, t. I, p. 77. Portanto, esta ordem parece ter se estabelecido de início apenas nas grandes igrejas, como Roma e Cartago, onde o serviço dos altares era mais importante; e não se deve concluir que, no Ocidente, todas as igrejas, sobretudo as pequenas, estivessem providas de clérigos desta ordem, muito menos difundidos que os exorcistas e os leitores. Como se sabe, por outro lado, que o papa Fabiano (236-250) instituiu sete subdiáconos, Liber pontificalis, t. I, p. 148, e que as funções dos acólitos têm muita semelhança com as destes últimos, pode-se admitir que foi este papa quem os instituiu entre 236 e 250.
A instituição dos acólitos e das outras ordens menores, incluindo o subdiaconato, pode ser considerada como um desdobramento do diaconato, e é assim que a veem a maioria dos escritores católicos e heterodoxos; ela tem sua fonte na necessidade de ajudar os diáconos nas funções inferiores de sua ordem, e na conveniência de manter o setenário sagrado dos diáconos, a instituição apostólica. Os acólitos respondem a essa necessidade, pois, como pensa o abade Duchesne, eles são os "seguidores" do diácono, Bulletin critique, 1886, p. 376, e têm isto em comum com ele e com o subdiácono: estão ligados ao serviço dos altares, o que não é o caso dos outros clérigos inferiores. Duchesne, Origines du culte chrétien, p. 332.
Contra esta opinião tradicional da origem das ordens menores, o Sr. Harnack julgou dever emitir uma hipótese nova. A propósito de um documento sem título, que figura à frente das coleções canônicas, coptas e abyssinianas, e que o abade Duchesne propõe intitular "Constituição apostólica egípcia", Bulletin critique, 1886, p. 361, o professor da universidade de Berlim escreveu uma dissertação sobre a origem do leitorato e das outras ordens menores: Die Quellen der sogen. apostolischen Kirchenordnung nebst einer Untersuchung über den Ursprung des Lectorats und der anderen niederen Weihen, in-8°, Leipzig, 1886, em Texte u. Untersuch. zur Geschichte der altchristl. Literatur, t. II, fasc. 5. Ele não admite que as ordens menores sejam um desdobramento do diaconato; apenas o subdiaconato tem essa origem; para ele, é uma "criação complexa; ela abarca três categorias que, em sua origem, não têm nada em comum entre si: 1° exorcistas e leitores; 2° subdiáconos; 3° acólitos e porteiros". Ele não quer ver nestes últimos senão uma imitação das instituições religiosas da Roma pagã, loc. cit., p. 98, e nos acólitos notadamente, apenas uma cópia dos calatores, escravos ligados ao serviço pessoal dos sacerdotes pagãos, p. 96. Sem dúvida, a similitude das situações permitirá sempre encontrar aproximações em instituições análogas; mas, no caso, "procurar sempre apanhar o papa em flagrante delito de paganismo", Duchesne, loc. cit., p. 369, é uma tendência que requer ser provada por outros argumentos que não hipóteses. Nenhum texto conhecido nos mostra os acólitos como ligados ao serviço pessoal dos sacerdotes, nem permite assimilá-los aos calatores pagãos. Pelo contrário, o ordo romano, em sua forma mais antiga, nos mostra os acólitos submetidos ao diácono regionário, e uniuscujusque regionis, acolythi per manum subdiaconi regionarii, diacono regionis suae, officii causa subduntur. Ordo rom. I, n. 1, P. L., t. LXXVIII, col. 937. Sabe-se, pelo Liber pontificalis, t. I, p. 148, que o papa Fabiano havia repartido as sete regiões eclesiásticas entre os sete diáconos e que, por outro lado, criou sete subdiáconos. Não é natural supor, com o Sr. Duchesne, que o número das regiões influiu sobre o dos acólitos, e que todo esse pessoal era distribuído segundo o sistema regionário? Abaixo de cada diácono, sete clérigos por região, seis acólitos e um subdiácono, sendo o subdiácono apenas o acólito-chefe. Assim, a ordem de acólito parece prender-se estreitamente ao diaconato e o acólito é o "seguidor" não do sacerdote, mas do diácono. Duchesne, Origines, p. 382, e Bulletin critique, loc. cit., p. 370.
III. FUNÇÕES. — No tempo de São Cipriano, os acólitos eram empregados como tabellarii, correios; mas as mensagens de confiança eram igualmente levadas por outros clérigos, subdiáconos ou leitores (S. Cipriano, Epist., XXIX, LXXIX). Fora de São Cipriano, os autores dos séculos III e IV nada nos ensinam sobre a função primitiva do acólito. Conhece-se bem, na época das perseguições, o caso do acólito Tarcísio (Martyrologium Romanum, 15 de agosto), martirizado pelos pagãos enquanto portava consigo a Sagrada Eucaristia; todavia, não se pode servir disto para caracterizar a função dos acólitos, uma vez que, naquela época, simples leigos também podiam levar a Eucaristia aos ausentes. Contudo, sabemos pela carta de Inocêncio I a Decêncio, bispo de Gubbio (416), que os acólitos iam todos os domingos levar o fermentum aos padres titulares, como sinal de comunhão (P. L., t. XX, col. 556). Não é temerário crer que este uso já existisse há muito tempo.
Havia em Roma três tipos de acólitos: os acólitos palatinos, que serviam o Papa no palácio apostólico e na basílica de Latrão; os acólitos estacionários, que o serviam nas igrejas onde ocorriam as estações; e os acólitos regionários, que secundavam os diáconos, cada um em sua região. Mabillon, baseando-se no I e no III Ordo Romanus, admite apenas dois tipos de acólitos: os regionários, que serviam os diáconos regionários e o pontífice, e os titulares, que secundavam os padres titulares. Segundo ele, os palatinos eram os acólitos de Latrão, e os acólitos estacionários eram escolhidos dentre os regionários (Mabillon, In ord. rom. comment. praev., P. L., t. LXXVIII, col. 861).
Na Igreja romana, nas missas papais, os acólitos desempenhavam um papel bastante importante, sob as ordens dos diáconos e dos subdiáconos regionários. Levavam o santo crisma, os evangelhos, os panos e as bolsas de linho destinadas a receber as oblata ou hóstias consagradas diante do pontífice, quando este ia oficiar nas igrejas estacionais. Deviam trazer ao altar, no início da missa, um vaso (capsa) contendo um fragmento de pão consagrado, reservado da missa anterior, o qual era colocado no cálice com outra parcela da hóstia consagrada naquele mesmo dia, para significar por este rito a unidade e a perpetuidade do sacrifício (Ordo I, n. 8, e Comment. praev., col. 869, 870). Acompanhavam, como agora, o diácono com seus círios acesos para a leitura do evangelho, que era feita então no ambão (n. 11). Seguravam a patena durante o cânon, como faz atualmente o subdiácono (n. 17). Antes da comunhão, apresentavam-se ao altar com bolsas de linho suspensas ao pescoço e ali recebiam as oblatas, que levavam em seguida diante dos bispos e dos padres para a fração operada por todo o presbyterium (n. 19). Na Quinta-feira Santa, levavam as galhetas contendo os santos óleos (n. 31); na Sexta-feira Santa, dois deles seguravam, de cada lado, a cruz apresentada à veneração do clero e do povo (n. 35); no Sábado Santo, ajudavam, em caso de necessidade, os padres e diáconos na administração do batismo (n. 43), etc. Desde a instituição da schola cantorum, os acólitos, por serem os únicos clérigos menores em serviço ativo, adquiriram uma importância cada vez maior; assistem os padres cardeais em suas igrejas titulares; nas cerimônias pontifícias, são encarregados de todos os serviços inferiores, cada vez mais complicados; durante a quaresma e nas solenidades batismais, assistem os catecúmenos e recitam com eles o símbolo, etc. (Duchesne, Origines, p. 333). Hoje, perderam muito de sua antiga importância, visto que já não levam a Sagrada Eucaristia nem os vasos sagrados; as funções de sua ordem são devolvidas, na maioria das vezes, a leigos, apesar dos votos do Concílio de Trento para que os ministérios eclesiásticos inferiores fossem cumpridos por clérigos propriamente ditos (Sess. XXIII, De reform., c. xvii).
IV. ORDENAÇÃO. — 1º Ritos antigos. — Na Igreja romana, o mais antigo rito conhecido da ordenação dos acólitos é fornecido pelo oitavo Ordo Romanus — ou, pelo menos, Mabillon o considera o mais puro sobre a ordenação dos ministros sagrados. Esta cerimônia ocorria não em um dia de ordenação solene, mas em uma missa ordinária; nela se revestia o candidato com a planeta e o orário, traje singular em relação à disciplina atual, mas, como se sabe, a planeta era então comum a todos os clérigos. Quanto ao orário, é menos certo; de qualquer modo, não era uma insígnia, mas uma peça do vestuário comum, o sudarium antigo, segundo M. Duchesne, que acabou por tornar-se a estola e a insígnia dos graus superiores, a partir do diaconato. Cf. Gerbert, Liturgia alemannica, part. 1, disq. II, c. I, p. 500, e Duchesne, Origines, p. 376. Depois, no momento da comunhão, o candidato aproximava-se do bispo ou do papa, se este estivesse presente; o pontífice entregava-lhe uma bolsa de linho que, como visto acima, servia-lhe para levar as oblatas aos padres (Cf. Ordo VIII, n. 1). Ele prostrava-se em terra com a bolsa, e o pontífice dava-lhe a sua bênção nestes termos: Intercedente beata et gloriosa, semperque virgine Maria et B. apostolo Petro salvet et custodiat et protegat te Dominus. Quando cessou o uso de fazer com que os acólitos levassem a Eucaristia, deu-se-lhes como símbolo do seu ministério, não mais a bolsa de linho, mas o castiçal com um círio e uma galheta vazia, para significar o encargo que tinham de acender a iluminação da igreja e de apresentar ao altar o vinho da Eucaristia. É o rito que se encontra no sacramentário dito gregoriano, publicado pelo D. Hugues Ménard (P. L., t. LXXVIII, col. 249), e nos Statuta Ecclesiae antiqua, aquele conjunto de cânones disciplinares e litúrgicos que se aceitava outrora como IV Concílio de Cartago (398), mas que foi redigido, verossimilmente, na Gália, na segunda metade do século V. Cf. Maassen, Geschichte der Quellen und der Literatur des canonischen Rechts, in-8°, Gratz, 1871, t. 1, p. 390 ss. A descrição é quase idêntica em ambos, e é repetida em quase todos os pontificais de origem diversa, a partir do século IX. Martène, De antiq. Eccl. rit., t. ii, p. 90 ss.; Morin, Comm. de sacris Eccl. ordinat., p. 212 ss.: Acolythus, cum ordinatur, primum ab episcopo doceatur, qualiter in officio suo agere debeat, sed ab archidiacono accipiat ceroferarium cum cereo, ut sciat se, ad accendenda Ecclesie luminaria mancipari. Accipiat et urceolum vacuum ad fundendum vinum in eucharistiam sanguinis Christi. Apenas, ora é o arquidiácono quem faz a entrega dos instrumentos, sem fórmula pronunciada nem por ele nem pelo bispo, ora é o bispo quem profere a fórmula enquanto o arquidiácono faz a entrega. Finalmente, prevaleceu o uso de o próprio bispo apresentar a matéria e proferir a forma, como prescreve hoje o Pontifical Romano. Note-se esta rubrica do sacramentário gregoriano sobre o momento da ordenação: Majores gradus ante Evangelium, minores vero post communionem dantur, et minores quidem, Dominicis diebus, si necesse est.
Quase não existem mais que dois tipos de fórmulas para a tradição; o do sacramentário gregoriano, bastante diferente daquele que é usado atualmente: Accipite hoc gestatorium luminis, etc., P. L., t. lxxviii, col. 219, mas que não indica nada para a galheta; depois, a partir do século XI, um tipo muito mais frequente, quase idêntico ao nosso atual: Accipite ceroferarium cum cereo, etc. Accipite urceolum, etc., exceto pela final, in nomine Domini. Amen, que é uma adição recente. O número de orações pronunciadas sobre os acólitos variou de uma a quatro, no máximo; mas o texto encontra-se quase o mesmo em toda parte, em uma ordem por vezes diferente. São as mesmas fórmulas que encontramos no pontifical atual.
2º Rito atual. — Segundo a disciplina atual, o acolitato pode ser conferido fora da missa, todos os domingos e dias de festas duplas de preceito, mas apenas pela manhã. O rito essencial consiste na tradição, pelo próprio bispo, de um castiçal com um círio apagado, que os ordinandos devem tocar simultaneamente, enquanto o bispo pronuncia a fórmula: Accipite ceroferarium cum cereo, etc., e, em seguida, na tradição de uma galheta vazia sobre uma bandeja, que os ordinandos devem tocar, enquanto o bispo pronuncia a fórmula: Accipite urceolum, etc. Pontificale rom., De ord. acol. A S. C. dos Ritos declarou que o castiçal do bispo não pode ser a matéria da ordem do acólito, em lugar do castiçal . S. R. C., 8 de junho de 1709, in Bracharen., n. 3809, ad 5um; cf. Lerosey, Explication des rubr. du missel, du bréviaire, du rituel et du pontif., in-12, Paris, 1889, p. 467. A comunhão não é de rigor para a recepção das ordens menores. Sobre a questão de saber se há sacramento na ordenação do acólito e sobre as outras questões que lhe são conexas, ver o verbete ORDENS MENORES.
Joan. Morin, Commentarius de sacris Ecclesiae ordinationibus, in-fol. Antuérpia, 1685, part. II, p. 209; part. III, p. 152; R. Sala (em Bona, Opera), Rerum liturgicarum, in-fol., Turim, 1749, t. ii, l. I, c. xxv, § 17, p. 863 sq.; dom Edm. Martène, De antiquis Ecclesiae ritibus, 2ª ed., in-fol., Antuérpia, 1736; Domin. Giorgi, De liturgia Romani Pontificis, in-4°, Roma, 1843, t. II, diss. I, c. V, p. lxxiv; D. Mart. Gerbert, Vetus liturgia alemannica, part. II, dist. V, De sacris ordin., in-4°, Saint-Blaise, 1776; p. 500; Catalan, Pontificale romanum, in-4°, Paris, 1850, t. I, tit. VIII, p. 173; Mons. Duchesne, Origines du culte chrétien, in-8°, Paris, 1889, p. 330, 339, 352; Dictionnaire de théologie catholique, t. I, col. 348-356.
V. Maurice.
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