ATOS DE PEDRO E PAULO

Verbete sobre ATOS DE PEDRO E PAULO na Enciclopédia Católica

A Περίοδοι Πέτρου original, composição da segunda metade do século II, crê-se, está perdida. As peças que dela derivam foram publicadas em uma edição crítica por M. Lipsius nos Acta apostolorum apocrypha, Leipzig, 1891, t. I, p. 1-234.

O Martyrium do pseudo-Lino é fortemente colorido de encratismo. São Pedro ali prega a pureza perfeita no matrimônio. À sua voz, «um grande amor pela pudicidade inflama as mulheres de toda idade e de toda condição, a tal ponto que a maioria das matronas de Roma recusam-se a compartilhar o leito de seus esposos para salvaguardar a pureza de seu coração e de seu corpo». Do número são as quatro concubinas do prefeito Agripa, que fazem voto de castidade. Cólera de Agripa. Depois, é Xantipa, esposa de Albino, favorito de César. Albino e Agripa denunciam ao senado este Pedro «que nos separa de nossas mulheres em nome de uma lei nova, inaudita». O apóstolo é preso, depois crucificado. Ao chegar ao local de seu suplício, ele pronuncia uma bela invocação à cruz sobre a qual vai morrer: «Ó nome da cruz, mistério oculto, graça inefável. Ó cruz que uniste o homem a Deus! etc.» Esta invocação recorda a de Santo André, e dissemos em que medida estes temas se relacionavam ao docetismo.

Os Actus descobertos em um manuscrito de Vercelli por M. Studemund e publicados por M. Lipsius, são, em parte, a reprodução em uma recensão diferente do martyrium que representava já o pseudo-Lino, mas, em parte (1-29), um relato dependente, como o pseudo-Lino, da Περίοδοι Πέτρου original. Este relato abre-se com a descrição da partida de Paulo para a Espanha; depois, Simão, o Mago, chega a Roma e faz tantas vítimas que São Pedro é enviado por Jesus para confundi-lo; temos então o relato da viagem de São Pedro, dos numerosos milagres que realiza em Roma, de suas discussões com Simão e, finalmente, da morte de Simão. Os Actus Petri cum Simone estão repletos do maravilhoso e o demônio neles desempenha um papel preponderante; foram manifestamente expurgados de todo arcaísmo doutrinal, mas permanece neles algum traço de um gnosticismo semelhante ao dos Acta Joannis. São Pedro expressa-se assim sobre Jesus: «Ele comeu e bebeu por nós, embora não tendo nem fome nem sede... Ele vos consolará para que o ameis, Ele que é grande e mínimo, belo e horrível, jovem e velho, visível um tempo e eternamente invisível... É Ele a porta, a luz, a via, o pão, a água, a vida, a ressurreição, o refrescamento, a pérola, o tesouro, a semente, a saciedade, o grão de mostarda, a vinha, o arado, a graça, a fé, o Verbo...» (20). Estas expressões pertencem ao docetismo. Do mesmo modo, quando São Pedro pergunta às viúvas o que viram no brilho que lhes apareceu de uma luz sobrenatural, umas respondem-lhe: «Vimos um ancião, cuja aparência era tal que não podemos expressá-la». Outras: «Um adolescente». Outras: «Uma criança que tocava nossos olhos sutilmente, e nossos olhos se abriram» (21). Os Acta Joannis nos haviam apresentado os mesmos traços. Notaremos um último: é dito (22) que os fiéis apresentam a São Paulo para o sacrifício o pão e a água: Optulerunt autem sacrificium Paulo panem et aquam et (pro ut) oratione facta unicuique daret: in quibus conligit quamdam nomine Rufinam, volens itaque et ipsa eucharistiam de manibus Pauli percipere, etc. A história é análoga à do jovem assassino dos Acta Thomae; aqui é uma mulher que vive em concubinato e que São Paulo exclui da comunhão. Mas o interesse do episódio está neste detalhe: a eucaristia é feita de pão e água. Já nos Acta Thomae, a serva de Mygdonia trazia para a eucaristia pão e água. É um traço autêntico de encratismo, pois o encratismo condenava o uso do vinho, e essa condenação estendia-se à própria eucaristia. Daí o que os heresiólogos chamaram a seita dos aquários.



A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o autor do site.