
A potência e o ato dividem o ser e todos os gêneros do ser. O primeiro gênero é a substância. A substância é a primeiríssima perfeição do ser: sub stat. O ato pelo qual a substância é substância chamar-se-á, portanto, com justiça, ato primeiro, ou ainda ato do imperfeito (actus imperfecti), para expressar que ele não é precedido por nenhuma realidade acabada, mas apenas por uma pura potência. A forma substancial é um ato primeiro.
Toda perfeição que sobrevém ao ato primeiro, todo acidente, poderia ser chamado de ato segundo. Contudo, reserva-se essa denominação à ação ou operação. A razão disso é que a ação de um ser é a expressão última de sua atualidade. Na ação, não há mais potencialidade, como a que ainda resta na virtude (ultimum potentiae), que a precede imediatamente. Os outros acidentes seguem a essência, da qual são complementos; eles concorrem para formar a substância individual que é o seu supremo desfecho; eles situam-se na linha do ato primeiro. A ação, pelo contrário, segue o ser perfeitamente constituído na ordem substancial; o indivíduo, o suposto (actiones sunt suppositorum), a pessoa. Ela é puramente ato segundo, assim como a matéria-prima é pura potência.