ATOS DE SÃO FILIPE

Verbete sobre ATOS DE SÃO FILIPE na Enciclopédia Católica

É ainda o encratismo que nos apresentam os fragmentos dos Acta Philippi reencontrados por nós (Analecta Bollandiana, 1890, t. IX, p. 204-249; ed. Bonnet, 1903). Uma mulher acaba de perder seu filho e se lamenta: não há mais alegria possível para ela, não lhe convém mais contrair núpcias, nem ingerir alimentos que edificam o corpo, a saber, o vinho e a carne. «Tu tens razão, responde-lhe São Filipe. Que pensas tu da pureza? É a pureza que tem comércio com Deus, mas ela é odiosa aos homens, pois eles não sabem nem ser castos, nem beber água» (I, 3). Em Azoto, o apóstolo é acusado de ser um mago e um homem perigoso, porque «ele separa os casados, ensina que a pureza só contempla a Deus, e que o fato de gerar filhos é uma calamidade» (IV, 1). Em Nicotera, ele é perseguido sob o pretexto de que ensina «uma doutrina nova e estrangeira, a saber: permanecei puros e vivereis e brilhareis como astros no céu» (VI, 8).

Se resumirmos as observações precedentes, diremos que os atos apócrifos nos fornecem interessantíssimos espécimes, primeiramente do docetismo, depois do encratismo. O docetismo tem sua data na história da cristologia; o encratismo, na história da teologia moral e, mais precisamente, da doutrina penitencial, pois é evidente que o encratismo é uma tendência antipenitencial. A liturgia, enfim, seja no estilo de suas orações, das quais encontramos modelos tão arcaicos e gnósticos, seja na economia de seus ritos, por exemplo, os elementos do batismo e os elementos da eucaristia, tem muito a retificar a partir do estudo desses textos apócrifos.

BIBLIOGRAFIA: R. A. Lipsius et M. Bonnet, Acta apostol. apocrypha, 3 in-8°, Leipzig, 1891-1903; R. A. Lipsius, Die apocryphen Apostelgeschichten und Apostellegenden, Brunswick, 1883-1890; M. R. James, Apocrypha anecdota, Cambridge, 1897; P. Batiffol, Anc. litt. chr. grecque, Paris, 1898, p. 41-46; Theolog. Literaturzeitung, 1897, t. XXII, p. 625-629; Anal. bolland., 1898, t. XVII, p. 231-233; E. Hennecke, Neutestam. Apocryphen, Tubinga, 1904.



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