ÁFRICA (Missões católicas da)

São Domingos

I. Egito. II. Etiópia. III. Países berberes. IV. O resto da África até a primeira metade do século XIX. V. Retomada das missões da África. VI. De 1848 a 1861. VII. Desenvolvimento das missões do oeste. VIII. Desenvolvimento das missões do sul e do leste. IX. Missões no interior da África. X. Estado sumário das missões católicas da África.

A terra da África, da qual todo o norte fazia parte do Império Romano, foi uma das primeiras a receber a Boa Nova: dois evangelistas, São Marcos em Alexandria e São Mateus na Etiópia, lá pregaram e lá morreram; Padres da Igreja, para citar entre os mais célebres, lá desenvolveram e defenderam a fé; milhares de mártires lá verteram seu sangue; e houve um tempo em que se contavam 800 sedes episcopais agrupadas em torno da Igreja patriarcal de Alexandria e da metrópole de Cartago. As sucessivas invasões que passaram por estas terras históricas trouxeram as dissensões religiosas do Baixo-Império, depois os cismas e as heresias, e enfim, para tudo engolir em um abismo comum, o Islã. A história detalhada destas antigas Igrejas — Etiópia, Egito, Tripolitânia, Tunísia, Argélia, Marrocos — merece artigos especiais. Ver ALEXANDRIA, col. 786-801, ETIÓPIA. Digamos somente aqui que doze séculos de opressão e de violências não conseguiram abater a Igreja Católica no Norte da África.

I. EGITO. — O Egito, em particular, com a organização complicada de suas comunidades distintas, apresenta-se a nós como um resto sempre vivo de um longo passado glorioso. Entre estas populações, a religião e a nacionalidade, o rito e a língua, fundiram-se intimamente, e é graças a esta concepção, que às vezes nos espanta, que o Islã as encontrou irredutíveis. Por muito tempo estes pobres cristãos, dos quais infelizmente vários estão separados da unidade católica, viveram em uma situação muito precária. Mas, à medida que a Europa retomava um lugar mais considerável sobre a terra dos Faraós, ela trazia consigo, pelo simples fato de sua presença, uma parte sempre maior de tolerância e de liberdade. Hoje, encontram-se no Egito as jurisdições seguintes:

1º O vicariato apostólico para os latinos, confiado aos Padres franciscanos da Terra Santa; ele se estende sobre todo o Baixo-Egito, à exceção do Delta.

2º O vicariato apostólico para os coptas, do qual se ocupa igualmente a prefeitura apostólica do Alto-Egito. Estes coptas unidos são de 25 a 30.000, perdidos, infelizmente, em meio a 400 ou 500.000 de seus irmãos monofisitas. Os Padres jesuítas da província de Lyon têm para eles um seminário no Cairo e dois colégios, um no Cairo, o outro em Alexandria.

3º A prefeitura apostólica do Delta, cedida desde 1877 às Missões Africanas de Lyon.

4º As comunidades dos ritos unidos: rito armênio, rito grego-melquita, rito siríaco, rito maronita, rito caldeu.

Em resumo, o Pe. Louvet (Les missions catholiques au XIXe siècle, Desclée, Paris) contava em 1894: latinos, 45.000; coptas, 22.000; armênios, 4.200; gregos-melquitas, 800; sírios, 6.000; maronitas, 4.500; caldeus, 5.000. Total, cerca de 80.000 para todo o Egito. Mas, desde 1894, este número certamente aumentou e não deve ser inferior a 100.000.

II. ETIÓPIA. — Da Igreja de Alexandria, a fé católica irradiou sobretudo para o leste. No século IV, Frumêncio, discípulo de Santo Atanásio, passou à Etiópia e lá encontrou o rastro da pregação de São Mateus e do eunuco da rainha Candace, batizado por São Filipe. Infelizmente, esta Igreja seguiu sua metrópole na heresia de Eutiques, e nem os jesuítas portugueses, nos séculos XVI e XVII, nem os franciscanos no século XVIII, nem os capuchinhos no início do século XIX, puderam fazê-la retornar à verdade. Contudo, em 1839, o Pe. de Jacobis, padre da Missão, com alguns lazaristas seus confrades, havia, por sua vez, penetrado na Abissínia. Em 1846, a Santa Sé dividiu o país em dois vicariatos: o da Abissínia, que permaneceu sob a congregação de São Lázaro, e o dos Gallas, que foi confiado aos capuchinhos franceses.

Mas a situação permanecia sempre difícil quando a Itália se sentiu impelida a realizar a conquista do país. Esta tentativa, cujos infortúnios são conhecidos, teve dois resultados contrários às previsões da política: a constituição em um só império dos diversos reinos da Abissínia — Amhara, Tigré, Choa — sem contar as regiões do sudeste, ocupadas pelos Gallas; e uma liberdade muito maior, que parece doravante assegurada, concedida à ação dos missionários católicos.

No entanto, a Itália pôde guardar um pequeno território ao longo do mar, com o porto de Massawa: é a Eritreia. Esta colônia foi erigida em prefeitura apostólica por decreto de 11 de setembro de 1894 e cedida aos capuchinhos italianos.

III. PAÍS BARBARESCO. — A oeste, a antiga Igreja de Cartago rivalizava outrora em esplendor com a de Alexandria. Caída em 698 sob o poder do Islã, a grande cidade viu suas 20 basílicas convertidas em mesquitas, e pouco a pouco o cristianismo não foi representado nos Estados bárbaros senão pelos escravos europeus capturados pelos muçulmanos e abandonados à sua sorte pelos príncipes cristãos: em certas épocas, contava-se, apenas na Tunísia, mais de 200.000 desses infelizes. Após a expedição de São Luís, uma missão foi contudo fundada em Túnis e, graças à dedicação das grandes ordens de São Domingos, de São Francisco, dos Trinitários, da Mercê e, mais tarde, dos filhos de São Vicente de Paulo, a luz da fé nunca se extinguiu completamente nessas praias.

Esta situação lamentável só mudaria a partir do dia em que a França, retomando, sem saber e sem querer, a obra das cruzadas, apoderou-se de Argel (1830) e foi forçada, para salvar a honra, a guardá-la, a fortificar-se e a estender-se cada vez mais, até hoje.

Hoje, portanto, graças ao zelo e à atividade do grande cardeal Lavigerie, a sé de Cartago, fundada no século I da era cristã, foi restabelecida por uma bula de Leão XIII, datada de 10 de novembro de 1884. O arcebispo ostenta o título honorífico de primaz da África e reside em Túnis. Por outro lado, a província eclesiástica da Argélia compreende o arcebispado de Argel (bispado fundado no século XI, restabelecido em 1838, erigido em arcebispado em 1866) e os dois bispados de Constantina e Orã, estabelecidos em 1866.

A leste das possessões francesas, a regência de Trípoli, dependente do império turco, forma uma prefeitura apostólica, confiada aos frades menores italianos; a oeste, o Marrocos, igualmente prefeitura, é evangelizado pelos franciscanos de Compostela. Apenas a praça espanhola de Ceuta, em frente a Gibraltar, foi reunida ao bispado de Cádis.

IV. O RESTANTE DA ÁFRICA ATÉ A PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX. — O restante da África havia caído, na primeira metade deste século, no mesmo estado de languidez e abandono. Isso ocorreu porque Portugal, que primeiro percorreu essas costas, a oeste e a leste, reservara para si a evangelização exclusiva e porque, de fato, após ter organizado missões na Guiné, no Benim, no Congo, em Angola, em Moçambique, etc., tudo foi suprimido pela política tão inépta quanto sectária do marquês de Pombal, em 1759, e de seus imitadores de 1834. Ah! Ao desorganizar as ordens religiosas que se dedicavam ao apostolado e ao não permitir que ninguém mais as substituísse, Portugal arruinou, ao mesmo tempo, sua potência colonial e perdeu sua importância política. A França da época não tinha, aliás, feito melhor nas possessões africanas que lhe pertenciam e, para completar o quadro, a Holanda e a Inglaterra, em seu fanatismo protestante, haviam acabado nessas costas com o que a Revolução havia poupado.

No Senegal, contudo, a evangelização havia sido empreendida por dois padres da antiga congregação do Espírito Santo, MM. Bertout e de Glicourt, que, ao se dirigirem à Guiana, naufragaram no Cabo Branco, foram mantidos em escravidão pelos mouros e conseguiram finalmente fundar a prefeitura apostólica em 1779.

Alguns padres de São Tiago de Cabo Verde passavam de tempos em tempos pela costa e visitavam os entrepostos da Guiné portuguesa: encontravam-se também às vezes nas ilhas de São Tomé e Príncipe, que formam um bispado dependente da metrópole de Lisboa; mas, de fato, não havia mais, em toda a costa ocidental, em 1845, senão o bispado de São Paulo de Luanda, com seus 10 padres, 36 paróquias e 700.000 católicos, segundo uma estatística, mas que não tinham — e ainda não têm — de "católico" senão o nome.

No Cabo, um vicariato apostólico, estabelecido em 1837, abrangia toda a África meridional.

Na costa ocidental, Moçambique havia sido erigido, por uma bula de 1612 do papa Paulo V, em prelatura nullius, dependente diretamente da Santa Sé e compreendendo sob sua jurisdição todo o país situado entre o Cabo da Boa Esperança e o Cabo Guardafui. Mas lá, como na outra costa, à prosperidade sucedera a irremediável decadência. Pelos cuidados de Pombal e de seus sucessores, os jesuítas, os dominicanos e os capuchinhos haviam sido substituídos por deportados de direito comum e o silêncio se instalara sobre esses países abandonados.

V. RETOMADA DAS MISSÕES NA ÁFRICA. — Contudo, a Providência preparava uma nova era para o grande continente negro: ao mesmo tempo que as potências da Europa iam partilhá-lo, era necessário que novos apóstolos surgissem para precedê-las ou segui-las. Este movimento, que marcaria o fim do século XIX, foi dos mais modestos em sua origem e partiu do seminário de São Sulpício, em Paris. Havia então naquela casa dois jovens crioulos, os senhores Frédéric Le Vavasseur, originário da ilha Bourbon, e Tisserand, do Haiti. Tendo visto de perto o lamentável abandono em que vivia a raça negra, comunicaram essa situação a um de seus mais velhos, o senhor Libermann, nascido em Saverne em 1803 e recentemente convertido do judaísmo à fé cristã. Pouco depois, uma nova congregação era fundada (1841): a Sociedade do Sagrado Coração de Maria, que, reunida mais tarde à do Espírito Santo (1848), tem desde então portado esse duplo título. O primeiro cuidado do fundador, falecido em 1852 e desde então declarado venerável, foi evangelizar os negros das colônias, então ainda submetidos à escravidão, e prepará-los suavemente para a liberdade: o apostolado do Padre Laval na ilha Maurício permaneceu particularmente célebre. Mais tarde, pelos cuidados do Padre Libermann, as colônias francesas (Reunião, Martinica, Guadalupe) foram erigidas em dioceses, e a nova sociedade fez sua entrada na terra africana.

Excitado pela atividade dos protestantes da América, que acabavam de fundar a Libéria, Monsenhor England, bispo de Charlestown, havia chamado, desde 1833, a atenção da Propaganda sobre esse estado de coisas, e o concílio de Baltimore havia apoiado sua iniciativa. Sete anos depois, um vigário-geral, o senhor Barron, visitou ele mesmo a costa da África e foi nomeado, em seu retorno, vigário apostólico das Duas Guinés. Mas onde encontrar missionários?

MISSÕES CATÓLICAS DA ÁFRICA

[Continuação da página anterior]

As missões de origem francesa na África em 1899.

Explicação das abreviações:
(Pref. ap.) Prefeitura apostólica
(Vic. ap.) Vicariato apostólico
(Archid.) Arquidiocese
(D.) Diocese

Distribuição geográfica e jurisdições eclesiásticas:
Sudão, Cartago, Trípoli, Seychelles (Vic. ap.), Maurício (D.), Reunião ou Bourbon (Diocese).



Autor original: A. Le Roy



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