ÁFRICA

São Domingos

Dedicaremos um primeiro artigo ao estado religioso da África. Deixaremos de lado o catolicismo e suas missões, dos quais trataremos em um segundo artigo.

I. ÁFRICA (Estado religioso da). — I. Animismo e fetichismo. II. Islamismo. III. Parsismo. IV. Brahmanismo. V. Judaísmo. VI. Cristianismo. VII. Ilhas africanas.

De uma forma geral, pode-se dizer que o Islã e o fetichismo dividem o continente africano: o Islã ao norte do Equador, entre as populações que se vinculam à raça branca; o fetichismo ao sul, entre as tribos de raça negra, com, nas fronteiras indefinidas desses povos e dessas religiões, infiltrações mais ou menos consideráveis de fetichismo entre os brancos aparentados aos negros e, sobretudo, de islamismo entre os negros misturados aos brancos. A esses dois agrupamentos gerais é preciso adicionar, mas em proporções bem menores, o budismo, o parsismo e o judaísmo. O cristianismo está representado pelos coptas e pelos abissínios, pelos gregos cismáticos, pelos protestantes e pelos católicos.

Mas, para se ter uma ideia completa do estado religioso da África, é necessário passar em revista os diversos povos que a habitam: veremos, ao mesmo tempo, a quais religiões eles se vinculam.

Porque lhe dão frequentemente o nome de continente negro, tende-se a acreditar que a África é habitada apenas por negros — com alguns árabes ao norte — e que esses negros, todos semelhantes, estão uniformemente mergulhados em uma espécie de letargia social, religiosa, intelectual e moral, cujo começo não se pode fixar e cujo fim não se vislumbra. Na realidade, as populações africanas apresentam elementos muito complexos; e, talvez mais do que em qualquer outro lugar, elas foram e permanecem submetidas a revoluções, migrações e mudanças contínuas. Elas só não têm história porque não encontraram um historiador. Estudando, portanto, a etnografia africana, chega-se à conclusão de que as raças, as famílias e os grupos diversos que ali se encontram vieram depositar-se ou formar-se como camadas sucessivas, ainda hoje reconhecíveis em seus principais elementos.

I. ANIMISMO E FETICHISMO. — 1º Negritos ou Pigmeus. — Antes de tudo, encontramos os Negritos ou Pigmeus da África, já assinalados pelos antigos e reencontrados em nossos dias. É uma pequena raça, bem distinta e claramente constituída como tal, não somente pela exiguidade de sua estatura (1m20, 1m30, 1m40), mas por seu tipo geral e por todo um conjunto de caracteres étnicos. Desigualmente espalhados em pequenos grupos no meio das outras tribos, em quase toda a África equatorial e meridional, eles vivem apenas do que lhes dão espontaneamente a terra e os homens, sem cultura nem criação, sem habitações permanentes, sem nada que lembre o que honramos com o título de civilização. Eles portam diferentes nomes ou apelidos, segundo os países que habitam; mas, embora sempre errantes, eles se consideram e são considerados pelas outras tribos como os primeiros habitantes do continente, como os "mestres da terra". A esses Negritos (Akka, Akoa, Watwa, etc.) relacionam-se os Saan ou Bushmen (homens do mato), que habitam, misturados aos hotentotes, as regiões semidesérticas do sul. Qual pode ser a religião desses pequenos homens, que parecem ser atualmente os grupos que vivem em maior isolamento material? Curiosamente, verificou-se que, como seus congêneres das ilhas Andaman, da Malásia e de algumas ilhas oceânicas, os Negritos africanos têm uma concepção mais clara da divindade do que muitas outras populações no meio das quais vivem. Esta divindade parece mesmo ser para eles um ser pessoal e soberano ao qual se endereçam preces e a quem se oferecem sacrifícios, particularmente o dos frutos novos. Mas os Negritos têm medo, e quando um dos seus morre no acampamento: "Fujamos", dizem os outros, "pois Deus nos viu!". Por outro lado, eles têm cerimônias para acompanhar o nascimento, a puberdade, o casamento e a morte de seus semelhantes; as da sepultura implicam o conhecimento ou o pressentimento de uma vida futura. Quase não existem ídolos e o que se convencionou chamar de "fetiches" e "amuletos". Quanto aos objetos e às práticas de feitiçaria, para eles é menos um assunto de religião do que de ciência. Os Negritos são, com efeito, por toda parte reputados por conhecer a virtude secreta das coisas; e se usam, por exemplo, de um processo mágico para se tornarem invisíveis ou para encontrar caça, é quase sob o mesmo título que um caçador europeu que possui seus segredos, ou sob o mesmo título que um curandeiro de nossos campos que possui seus mistérios.

2° Hotentotes. — Acima dos Negritos e dos Bushmen vêm, do ponto de vista etnográfico, diversas tribos dispersas na bacia do Orange, Nama-Kwa, Gri-Kwa, Korana, etc., que os primeiros colonos europeus confundiram sob o nome, que não significa nada, de Hotentotes. Eles são grandes, bem feitos, de cor clara puxando para o amarelo, com crânio dolicocéfalo. Contrariamente aos Bushmen, eles levam a vida pastoril; sua língua, caracterizada pela presença de sons particulares, espécie de estalidos ou "clics", é aglutinante e tem sufixos pronominais. Porque, entre eles, os fetiches e os amuletos são raros, e porque eles amam as danças noturnas — mais ainda que a maioria dos negros — os viajantes acreditaram que eles não tinham outra religião que o culto da lua! Em realidade, os Hotentotes têm sobretudo o culto dos mortos. As inumações, entre eles, são muito solenes, eles invocam seus ancestrais nas circunstâncias graves da vida e atribuem aos seus manes uma influência certa, seja para o bem, seja para o mal. Acima dessas sombras, aliás, eles reconhecem uma Potência sobrenatural, "Tsu-Goab", expressão que os missionários adotaram para traduzir a palavra "Deus".

3° Bantos. — Desde a bacia do Orange até a do Congo, do Alto Nilo e do Tana, de uma à outra costa ou, se se quiser, do 4° grau norte até o 27° sul aproximadamente, o continente africano é ocupado por um conjunto de tribos mais ou menos importantes, formando a grande família linguística dos Bantos (Ba-ntu, os Homens). O nome de "Cafres", sob o qual eles são conhecidos na região do Cabo, de Natal, de Moçambique, vem do árabe "kafir", "incrédulo", que os muçulmanos lhes aplicaram primeiro, como aliás não deixam de fazer aos próprios europeus. A língua original dos Bantos, aglutinante a prefixos pronominais variáveis, subdividiu-se em tantos idiomas quantas tribos existem, mas reconhece-se facilmente seu parentesco de um oceano ao outro. Ao tomar por base os caracteres etnográficos e linguísticos, distinguem-se os Bantos em três grandes seções: os ocidentais, os orientais e os meridionais. Fisicamente, eles são geralmente bem feitos; mas encontra-se entre eles uma grande variedade de tipos provenientes da mistura com os Negritos, os primeiros habitantes que encontraram no continente africano, com os Hotentotes, com os Nigrícios, com os Etíopes, ou mesmo, em uma fraca proporção, com os Semitas. Há lugar igualmente, para a formação do tipo, de levar grande conta do habitat, da nutrição e do gênero de vida. Em geral, eles são sedentários, agricultores, caçadores, pescadores, pastores, segundo o país que habitam, frequentemente guerreiros, mas parecendo incapazes de se formar em organização durável e ainda menos de constituir um obstáculo sério e prolongado a uma invasão estrangeira.

Viajantes, não tendo os meios de investigação suficientes e desprovidos dos conhecimentos filosóficos e religiosos necessários, puderam achar que tal tribo, através da qual passavam, era desprovida de toda ideia sobrenatural, ou simplesmente dada a "um grosseiro fetichismo". Ora, as práticas religiosas, representadas sobretudo por seus dois elementos principais, a prece e o sacrifício, fazem parte da vida cotidiana dos Bantos. Não é, aliás, fácil expor em algumas linhas o que se poderia chamar sua "religião". Primeiro, em parte alguma se vê entre eles uma teodiceia regular, organizada em sistema e fielmente transmitida pela família ou pela sociedade. Eles não têm livros, nem escolas, nem ensino oficial de qualquer sorte: o que sabem parece ser uma espécie de depósito, guardado por todo mundo, e transmitido sem preocupação superior, aqui mais completo, ali mais restrito, acolá complicado de cerimônias exteriores, por toda parte desnaturado, segundo o temperamento, a inteligência e a organização dos povos. No resto, seu espírito é essencialmente prático e pouco inclinado a personificar, como se disse às vezes, as forças naturais. São essas concepções asiáticas e europeias, o negro não as conhece. Para ele, a chuva é a chuva, o vento é o vento, o trovão é o trovão, e nada mais. Deus é conhecido, e por toda parte ele tem um nome equivalente a estes: "o Grande", "o Ancião", "o Celeste" ou "o Luminoso", "o Mestre da vida e da morte", às vezes mesmo "o Organizador" ou "o Criador". Esta ideia de um ser soberano é às vezes muito distinta, às vezes muito obscura, mas em geral reconhece-se que sobre ele ou contra ele o homem não pode nada: é por isso que quase em parte alguma o homem se ocupa dele. Nossa prece não o atinge; nossa queixa expira a seus pés. Em mais de uma tribo, aliás, seu nome se confunde com o do céu, isto é, desse espaço imenso e luminoso onde se formam as nuvens, as chuvas e os trovões. Tudo isso é Ele, não que ele faça corpo com esses fenômenos, mas ele está atrás, muito perto ou muito longe... embora sempre inacessível. O que ele quer de nós? O que ele nos reserva? A vida tem um objetivo, e qual é ele? Isso, não se sabe, e não se pergunta. O homem encontra-se na terra — é um fato — como nela estão os macacos e os pássaros; ele nela vive, ele nela se reproduz, ele nela faz o que pode, e é provável que ele nela morrerá, embora a morte quase nunca chegue senão pelo fato de um malefício acidental. Toda moralidade não é ausente de sua conduta, longe disso: ele conhece o bem e o mal, embora não seja sempre o que nós estimamos como tal. Mas essa moralidade não lhe parece comandada pelo poder superior de que ele apenas conserva a lembrança distante.

O homem negro, portanto, não tem culto? De modo algum, mas esse culto é endereçado quase unicamente às influências sobrenaturais que podem ter domínio sobre ele e sobre as quais ele tem domínio. Tal é, antes de tudo, em muitas tribos ao menos, o Espírito da Terra, aquele que parece ser o "Príncipe deste Mundo", como Deus é o Mestre do Céu; tais são os espíritos diversos, uns mais favoráveis, outros simplesmente malignos, outros naturalmente perversos, dos quais o universo está cheio. Tais são, sobretudo, as sombras dos mortos, que flutuam desamparadas sem poder reencontrar seu pobre corpo desorganizado, que retornam voluntariamente aos lugares conhecidos e amados, que aparecem no sono, que agitam o corpo das crianças e que, para se ter paz, é necessário fixar em seus crânios, em seus túmulos, em grutas, em árvores particulares, em bosques sagrados, em estatuetas, etc. A esses espíritos, a esses gênios, a essas sombras, dirigem-se preces e fazem-se sacrifícios — ambos andam juntos — e este é o fundo da religião dos bantos: honrar os manes dos ancestrais e os espíritos para torná-los favoráveis ou, ao menos, impedi-los de causar dano. Esse culto é privado ou público, conforme se trate de uma requisição pessoal, de um aniversário de família, de uma doença a prevenir ou a curar, de uma viagem a fazer, de uma caçada a empreender, de uma fortuna a realizar, ou de um evento que interesse à aldeia ou à tribo: calamidade pública, guerra, seca, epidemia, fome, nova estação, aniversário da morte de um chefe, etc.

A importância do sacrifício varia, da mesma forma, com a da fortuna, com a do favor a obter, com a do espírito invocado: é um pedaço de tecido, um pouco de comida, alguns grãos de milho, cerveja, quando se dirige à sombra de um morto. Mas as cerimônias públicas são mais solenes; e, geralmente, invocações, orações, procissões, danças, com trajes especiais, acompanham a imolação da cabra, do carneiro, do boi... ou do homem. Quase sempre participa-se desses sacrifícios de uma forma ou de outra, colocando neles algo de si mesmo, por exemplo, misturando sua saliva ou assimilando-o de alguma maneira, bebendo o sangue da vítima, esfregando-se com suas cinzas, comendo de sua carne. Tal parece ser, de fato, a origem da antropofagia, praticada ainda entre um bom número de tribos bantas, entre os Fans ou Mpawins do Gabão, os Manywéma do Alto Congo, os Bondjos do Ubangui: é uma comunhão, comunhão geralmente provocada, aliás, pelo sentimento de vingança contra um inimigo real ou suposto, ou pelo simples desejo de multiplicar as festas e as refeições de paladar requintado. Esses sacrifícios são preventivos, destinados a preservar de uma desgraça, a afastar uma doença, a obter sucesso em um empreendimento, um saque, um roubo, um comércio, a ter filhos, etc.; ou expiatórios, para afastar o infortúnio e trazer de volta a prosperidade, satisfazer as exigências de um espírito, livrar-se de uma possessão, purificar-se de uma mácula, cumprir um voto, apaziguar ou vingar seus mortos, etc.

Assim, no pensamento do negro, o mundo foi organizado por uma potência superior para caminhar regularmente. Mas por que esses desordens parciais, essas doenças, essas mortes, essas pestes, essas secas, essas inundações, essas fomes, essas epidemias? Pois bem! Todas essas coisas inexplicadas são o fato de uma ação tenebrosa que os "videntes" são encarregados de encontrar e que não pode ser neutralizada senão por processos especiais, muito numerosos e muito diversos, dos quais o sacrifício é a base. É a essa ideia geral que se deve também reconduzir a crença, difundida em toda parte, de que existe, para cada indivíduo ou cada família, uma coisa sagrada ou proibida, o tabu dos maoris, à qual não se pode tocar: é uma árvore, uma fruta, um peixe, um animal qualquer. É a essa ideia, ainda, que se relaciona o uso de amuletos, compostos de coisas tão raras quanto bizarras: em certas tribos, encontram-se para tudo e contra tudo. É a essa preocupação, enfim, que respondem os feitiços lançados sobre os campos, o gado, as pessoas, e os meios postos em prática para conjurá-los ou neutralizá-los. A prova judicial, destinada a dar a conhecer o culpado, desempenha da mesma forma um papel considerável na justiça africana. As possessões, variáveis segundo os espíritos que são seus autores, são frequentes, e cada gênero de possessão exige um tratamento particular. A adivinhação, a segunda visão, os filtros, os encantamentos, os horóscopos, os presságios são igualmente conhecidos; mas todas essas práticas, que se notam talvez mais do que o resto, não constituem, em suma, senão a parte supersticiosa e acessória da religião fundamental dos negros.

Causará estranhamento, sem dúvida, não ter aprendido, neste estudo, nada ainda sobre os feiticeiros, os fetiches, as práticas bárbaras ou abomináveis do paganismo africano, nem sobre as manifestações extraordinárias provocadas durante essas cerimônias... Chegaremos lá. Por «feiticeiro» ou «feticheiro», entende-se habitualmente em francês todos aqueles que, em algum grau e de alguma forma, são agentes da religião ou da superstição africana. Existe aí uma confusão e um erro que os negros jamais cometem. O verdadeiro «feiticeiro» é o «lançador de feitiços», aquele que, em relação com as potências ocultas do mal, envia doenças, determina a morte, enfeitiça seus inimigos e vai, à noite, sob a forma de uma bola de fogo, de um pássaro ou de outro animal, espalhar seus malefícios: esses feiticeiros são temidos e odiados. Muitos recorrem a eles para se livrar de seus inimigos; mas ai deles se forem descobertos! Eles são descobertos pelos «adivinhos» ou pelos «videntes», que devem procurar os autores da doença ou da morte. Se for Deus, não há nada a fazer; se for um espírito, ele exige um sacrifício; se for o feiticeiro, sob a sugestão de um inimigo, é preciso encontrar um e outro. Eles são encontrados, impõe-se-lhes uma multa, são queimados, são devorados: tudo depende dos costumes. Uma prática também muito difundida, sobretudo entre os bantos ocidentais, é a do enfeitiçamento, e é curioso reencontrar, no centro da África, as mesmas práticas de feitiçaria assinaladas em nossa Europa, não apenas na Idade Média, mas ainda no final do século XIX. Talvez seja útil acrescentar aqui que esses feiticeiros e essas feiticeiras nem sempre são condenados injustamente: deixando de lado seu papel sobrenatural, é certo que muitos são hábeis e autênticos envenenadores. O «adivinho» ou o «vidente» também descobre objetos perdidos, aconselha as famílias, interpreta os sortilégios: é um homem ouvido, respeitado e influente. Frequentemente ele é «médico»: ele trata e, algumas vezes, até cura. Mas ele é, além disso, «mago», e é ele quem prepara os amuletos; ele é «farmacêutico» e, a esse título, dispõe de remédios, de plantas medicinais, de segredos, de receitas maravilhosas que afastam ou previnem doenças, que evitam acidentes, que trazem felicidade. Frequentemente ele torna-se «exorcista», trata os possuídos e força o espírito a ir embora. Mas voltamos...

Aqui, o ato religioso, pois não se afasta o espírito senão pela oferenda da vítima que o próprio espírito reclama pela boca do possuído. Enfim, se o «sacerdote» não existe no sentido próprio da palavra, há aquele que preenche a função: é aquele que reza e sacrifica pela família ou pela tribo, que vela pelo cumprimento das cerimônias de nascimento, da puberdade, do casamento, da sepultura, dos serviços de aniversário, que se preocupa em desviar os flagelos, etc. Em geral, essas funções são assumidas pelo chefe da família, da aldeia ou da tribo. A circuncisão deve aqui figurar como prática familiar, mas não essencialmente religiosa, em um grande número de tribos bantas; os hotentotes a possuem também, assim como a maioria dos nigrícios.

Não é tudo. Além da religião e do que a ela se liga de perto ou de longe, encontram-se, sobretudo nas tribos da África ocidental, verdadeiras sociedades secretas que têm sua organização, suas provas, seus ritos, seus mistérios, sua hierarquia: há para os homens e há para as mulheres. O objetivo real dessas sociedades parece ser o de manter pelo terror as leis e as práticas da tribo, ao mesmo tempo que explorar os fracos, os simples e os «profanos», em proveito dos anciãos e dos iniciados. É lá que se decidem os envenenamentos, os assassinatos, a supressão daqueles que incomodam, a impunidade dos colegas, todos os maus golpes; é lá que se passam as cenas mais degradantes; é lá que se faz banquete, às custas do povo, sob pretexto de que o espírito quer comer; é de lá, enfim, que saem as manifestações extraordinárias... Mas tudo isso é estritamente fechado, e ninguém melhor que o negro guarda o segredo de seus mistérios: é por isso que é tão difícil ao europeu conhecê-los.

O que é o «fetiche» africano? Entende-se geralmente por ele (do português feitiço, «ídolo, objeto encantado»), certas estatuetas de madeira ou de terra, certas árvores, certos objetos, etc., «aos quais os negros atribuem um poder próprio e sobrenatural, e que eles adoram».

Antes de tudo, há aí uma grande distinção a fazer entre os bantos da costa oriental e aqueles da costa ocidental da África. Livingstone escreveu o primeiro que os negros aparecem mais supersticiosos e mais idólatras à medida que se penetra mais nos países de florestas: esta observação é justa. As noções de religião anteriormente expostas aplicam-se em seu conjunto a todas as tribos da família; mas aquelas que habitam os países mais ou menos descobertos da vertente do oceano Índico seriam de classificar antes entre os animistas, e aquelas da vertente do Atlântico entre os fetichistas propriamente ditos. Entre os primeiros, com efeito, a crença nas sombras e nos gênios não produz essas estátuas grotescas e repugnantes que se encontram na costa ocidental, em verdadeiros pequenos templos abertos no meio das aldeias, ou em santuários domésticos. Mas, quaisquer que sejam os fetiches que se tenha, estatuetas, ossadas de homens ou de animais, figuras quaisquer, pedras sagradas, é um erro dos antropólogos acreditar que o negro «adora» neles a matéria em si mesma e lhe atribui um poder sobrenatural. Em realidade, o fetiche não tem influência senão pela virtude especial que o feiticeiro nele fixou. Assim, muitas dessas estatuetas, dessas árvores sagradas ou dessas pedras repousam sobre crânios e ossadas; muitas contêm despojos humanos, muitas são untadas de sangue ou esfregadas de cinzas, e nenhum tem poder senão se for regularmente consagrado.

Em resumo, pode-se, portanto, dizer que entre os bantos, como em toda parte na África, se se pode encontrar individualidades que parecem estar sem noções religiosas, nenhuma tribo delas é desprovida. Essas noções compreendem em geral a existência de um princípio superior celeste, inacessível ao homem; a de um gênio da terra, que é o verdadeiro deus das sociedades secretas; a de uma quantidade de espíritos, bons, indiferentes ou maus, cuja influência pode ser utilizada ou neutralizada, e cujo poder é, por assim dizer, localizado, pelas tribos da costa ocidental, em estátuas e estatuetas de toda natureza; a de, enfim, manes, sombras ou larvas dos mortos, a quem vai o culto familiar. Por outro lado, muitas superstições particulares, de práticas vãs, ridículas, obscenas, cruéis, de cerimônias privadas ou públicas, simples ou complicadas, transmitidas pelo costume ou nascidas de uma inspiração particular, tudo isso repousando sobre a prece e o sacrifício, com o objetivo de se procurar um bem, de conjurar um mal ou de pôr fim a um flagelo. A religião não comanda de modo algum entre os negros bantos uma moral que lhe seja própria, e a preocupação das recompensas ou dos castigos da vida futura não aparece, entre eles, quase em parte alguma.

Nigrícios ou Sudaneses. — Todas essas noções e essas práticas religiosas são mais ou menos aquelas que se reencontra entre as populações estrangeiras à família dos bantos e às quais se aplica o nome genérico de nigrícios ou sudaneses: são, por exemplo, salvo numerosas infiltrações, a maioria dos habitantes dos vales do Senegal, do Níger, da Gâmbia, da Volta, do Chari, etc. Todos esses negros formam tribos às vezes poderosas, de tipos, de origens, de costumes e de caracteres que estão longe de ser idênticos; mas, em geral, encontra-se entre eles um estado de organização mais sério que entre os bantos, mais indústria, mais trabalho, mais recursos de todas as sortes. Todos os gêneros de vida, pastoril, comercial, agrícola, e todos os gêneros de governo, república, monarquia e mesmo anarquia, encontram-se representados neste mundo dos negros.

Lá, ainda, temos de fazer a diferença já constatada: de um lado, para o leste e em país mais ou menos descoberto, a religião tende antes para o animismo, com pouco ou nenhum ídolo, amuletos e práticas exteriores; do outro, a oeste, nas regiões povoadas, férteis, irrigadas e arborizadas, o fetichismo clássico se mostra, ao contrário, em todo o seu desabrochar hediondo. Aliás, as ideias fundamentais permanecem as mesmas. A noção de Deus, de um Deus distinto e soberano, parece mais clara entre essas populações: várias mesmo, como os malinkés, os bambaras, os songhais, os sereres, os achantis, etc., têm uma ideia muito nítida: Deus é para elas um ser soberano, criador do mundo e que, em uma outra vida, pune os maus e recompensa os bons. Eles admitem a existência de bons e de maus espíritos. A alma do homem é imperecível; mas, após um certo tempo de gozo ou de sofrimento material, ela retorna entre nós para começar uma nova vida: é uma sorte de metempsicose. Quanto ao mundo, ele é governado por gênios, sorte de seres intermediários entre Deus e o homem. Mas o verdadeiro culto permanece, contudo, para as almas dos mortos, e, entre algumas tribos, ele determinou esses horríveis sacrifícios humanos que tornaram o Daomé célebre. A esse culto vem se juntar naturalmente o dos espíritos. Entre os achantis, os volofs e alhures, cada indivíduo, cada família ou cada aldeia tem mesmo seu gênio tutelar ao qual se rende seus deveres. Outros espíritos habitam as águas, os bosques, os rochedos, e se os concilia por oferendas e cerimônias. Frequentemente eles se apoderam do corpo dos mortais e é preciso fazê-los fugir; eles se misturam à nossa vida, eles causam doenças, eles se divertem com os vivos, e assim, atrás de todo fato inexplicado, o negro descobre voluntariamente a ação de um ser sobrenatural. Os feiticeiros desempenham aqui um papel maior, geralmente, que na parte meridional da África, e há países onde eles têm um verdadeiro poder com o qual é preciso contar.

Habitantes do norte da África. — Mais ao norte... No interior, onde se constituíram em repúblicas, as duas repúblicas irmãs do Orange e do Transvaal. São calvinistas intransigentes, mas fazem pouca ou nenhuma propaganda entre os negros, a quem desprezam profundamente. A primeira missão do Cabo foi fundada em 1736, como na Costa do Ouro, pelos irmãos morávios, que se estabeleceram em Genadendal (o Vale da Graça). Em 1799, surgiu a Sociedade Missionária de Londres, à qual pertenceram os célebres exploradores Moffat e Livingstone. Trinta e três anos mais tarde, chegou a missão escocesa, cuja escola profissional de Lovedale (1841) adquiriu grande reputação. Outras sociedades da França, da Alemanha, da Holanda, da Noruega e da Finlândia vieram juntar-se a estas primeiras e, do Cunene ao Zambeze, no Ovampo, entre os Damaras, os Héréros, os Hottentots, os Betchouana, os Basouto, os Zoulous, os Bamangouato, os Matébélé e os Barotsi, todo o país está ocupado por missões protestantes.

Ao norte da África, ao nordeste e ao centro, o protestantismo também não permaneceu inativo. Sem falar das poucas missões inglesas, cuja mais antiga remonta a 1881, estabelecidas no Marrocos, na Argélia, na Tunísia e na Tripolitânia, encontramos a Church Missionary Society no Egito desde 1826, e na Abissínia desde 1829. Forçado a deixar este último país em 1844, um desses missionários, o Dr. L. Krapf, de nacionalidade alemã, veio a Zanzibar e de lá para Mombassa, onde dois anos mais tarde foi unido por seu compatriota Rebmann: ambos fizeram viagens notáveis no interior. Foi Rebmann quem, em 1848, descobriu o Kilima-Ndjaro. A Missão das Universidades, fundada em Oxford sob a inspiração de Livingstone, enviou primeiro seus missionários ao Zambeze em 1859, mas, cinco anos mais tarde, transferiu a sede de suas operações para Zanzibar. Seus principais estabelecimentos permanecem, contudo, na região do Niassa, onde operam também as sociedades escocesas: citam-se com elogios suas fundações de Bandawé e de Blantyre.

As explorações destes últimos anos abriram a África a todas as empresas: os missionários protestantes foram dos primeiros a aproveitar. Enquanto a London Missionary Society se estabelecia no Tanganica, a Church Missionary Society, após um apelo de Stanley relatando sua recepção junto a Mtésa, rei de Uganda, reuniu em poucos dias 600.000 francos de subscrição e enviou uma expedição que chegou em 30 de junho de 1877 a Roubaga, capital do país. A missão, cujo membro mais ativo foi o Rev. Mackay, passou por fases de sucesso e de reveses; teve seus mártires, como os católicos, durante a perseguição de 1885-1886; o bispo Hannington foi mesmo assassinado por ordem do rei Mouanga, filho e sucessor de Mtésa. Mas hoje, que o Leste africano, desde Zanzibar e Mombassa até o lago Vitória, tornou-se país inglês, a pax britannica lhe está assegurada. Nas contradas alemãs, em Dar-és-Salaam, no Ousambara, no Kilima-Ndjaro, as sociedades evangélicas estabeleceram-se semelhantemente e buscam fazer perto dos indígenas uma propaganda cada vez mais extensa.

Em resumo, o protestantismo desdobra na África uma atividade considerável, secundado que é pelo apoio dos governos, pela generosidade magnífica de seus fiéis, pelo concurso de todos. É impossível, em um artigo desta natureza, indicar todas as sociedades protestantes que se ocupam das missões africanas, as estações que ocupam, o pessoal que empregam, os fundos de que dispõem, ainda menos o número de neófitos que pretendem ter agrupado ao seu redor: os números que se poderiam citar variam segundo os documentos que se consultam; cada ano traz a esta estatística divergências singulares e, sob cor de precisão, expõe-se a erros evidentes. Eis, contudo, alguns dados:

Em 1891, M. R. N. Cust, secretário-geral do Comitê das missões de Londres, contava 55 sociedades protestantes dedicando-se à evangelização da África: 22 inglesas, 14 americanas, 10 alemãs, 3 das colônias britânicas, 2 suecas, 1 norueguesa, 1 finlandesa, 1 suíça, 1 francesa (Sociedade das Missões Evangélicas). A tradução da Bíblia tinha sido feita em 67 línguas indígenas. Para dar agora uma simples ideia do orçamento de que dispõem, digamos apenas que as receitas da Sociedade de Basileia, em 1897, elevaram-se ao número de 1.260.423 francos, dos quais 373.300 francos fornecidos pela Suíça. A população da pobre Noruega (2 milhões de habitantes) dá por ano para suas diversas missões (Zoulous, Madagascar, etc.), uma soma ultrapassando um milhão de francos. As Missões evangélicas de Paris não ficam atrás: calculou-se que cada um dos protestantes franceses dá em média 0 fr. 60 para a propagação de sua fé, no Senegal, no Congo francês, no Lessouto, no Zambeze, em Madagascar.

ILHAS AFRICANAS

Não dissemos nada ainda das ilhas africanas. Nos Açores (cerca de 400.000 hab.), a população é católica; o mesmo ocorre na Madeira (134.000 hab.), nas Canárias (280.000 hab.) e nas ilhas de Cabo Verde (cerca de 100.000 hab.). Em Fernando Pó (80.000 hab.), os indígenas, chamados Boubis, são a classificar, salvo alguns cristãos, entre os fetichistas mais degradados. Os negros da ilha do Príncipe (8.000 hab.) gostam de se dizer católicos, assim como vários daqueles que habitam São Tomé. No oceano Índico, a população crioula da Reunião, de Maurício e das Seychelles é católica, à exceção de um pequeno número de protestantes e da imensa maioria dos imigrantes indianos e chineses, que são budistas. Todas as Comores (45.000 hab.) são muçulmanas.

Quanto a Madagascar, estima-se que a população seja de 4.000.000 de habitantes, entre os quais os Hovas contam para 1 milhão e os Betsileos para 600.000. São as duas raças principais, que, etnograficamente, se ligam à raça malaia; as outras são de origem africana. O fetichismo ou, melhor dizendo, o animismo, repousando sobre o culto dos mortos, com seu cortejo de práticas supersticiosas, de honras rendidas às pedras sagradas, de fé aos amuletos e à adivinhação, é a religião primitiva da população malgaxe. Na costa noroeste, contudo, muitos Sakalaves estão islamizados. Mas é preciso apressar-se em acrescentar que Madagascar, e sobretudo o país Hova, foi neste século um dos principais campos de ação do protestantismo. Quatro grandes sociedades aí tomaram sucessivamente posição, das quais três inglesas: os independentes (L. M. S.), também chamados metodistas (1820), que tinham conseguido, antes da conquista francesa, fazer-se reconhecer como Igreja de Estado; os anglicanos; e os quakers ou "amigos"; depois vêm os luteranos da Noruega e da América. Finalmente, desde a conquista, as Missões evangélicas de Paris enviaram a Madagascar um certo número de representantes para tomar a direção oficial das principais escolas e cobrir seus correligionários estrangeiros.

Em 1892, contavam-se, nas missões inglesas, 68 missionários ingleses, dos quais 2 médicos; 6.110 auxiliares, escolhidos entre os chefes e os notáveis do país, empregados como pastores, pregadores ou professores; 92.316 alunos nas escolas; 310.313 aderentes ou discípulos; 1.333 templos; 3 gráficas; 2 hospitais; 1 leprosaria. O orçamento era de cerca de um milhão. As missões norueguesas compreendiam 44 missionários, dos quais 2 médicos; 1.130 auxiliares indígenas; 37.487 alunos; 47.681 aderentes, etc.

Falta acrescentar que estes números estão longe de ser a expressão da realidade? Desde que o governo francês foi obrigado a proclamar a neutralidade religiosa, defecções se produziram por milhares, e cada dia, por assim dizer, traz uma nova estatística. Pode-se, contudo, pelos números citados acima, fazer uma ideia das forças enormes de que dispõe o protestantismo em Madagascar, como em toda parte.

RECAPITULAÇÃO. — Tal é, em seu conjunto, a situação religiosa da África. Mas, como dissemos para o protestantismo, é difícil e seria enganoso fazê-la apreciar por dados precisos baseados em números. Todas as estatísticas publicadas a este respeito, se não são fantasiosas, são certamente falhas. Se, contudo, a título de simples indicação, se quiser números, eis aqueles que dava, há dez anos, M. E. Fournier de Flaix, Statistique des religions, Roma, 1890:

Animistas, Fetichistas: 97.000.000
Muçulmanos: 36.000.000
Judeus: 400.000
Cristãos: Igreja da Abissínia (3.000.000); Protestantes (4.744.080); Católicos (2.655.920) — Total: 7.400.000
Total geral: 440.800.000

Para mostrar quão pouco seguros são estes números, acrescentemos que as estatísticas mais recentes avaliam a população da África em 200 milhões de habitantes, 60 milhões a mais que Fournier de Flaix. Mas, no suplemento do Dictionnaire de Géographie universelle de Vivien de Saint-Martin, M. Louis Rousselet (1897) retorna ao número de 164.000.000, fazendo justamente notar que ele não repousa senão sobre cálculos de densidade relativa que são talvez distantes da realidade.

Não temos que mencionar aqui as obras que se ocupam da África em geral ou de tal ou qual região africana do ponto de vista especialmente geográfico; contentar-nos-emos em indicar algumas daquelas que podem dar informações relativas às questões visadas por este artigo. — Vivien de Saint-Martin, Nouveau Dictionnaire de Géographie universelle, Paris, 1879, 7 vol. in-4°; Louis Rousselet, mesma obra: Supplément, Paris, 1897; Élisée Reclus, Nouvelle Géographie universelle (Afrique), Paris, 1887; A. de Quatrefages, Introduction à l’histoire des races humaines, Paris, 1 vol. grand in-8°, 1887; Mgr Le Roy, Les Pygmées (nas Missions catholiques, de Lyon, 1896); Henri Junod, Les Ba-Ronga (no Bulletin de la Société neuchâteloise de géographie, t. x, 1898); Robert Brown, The Story of Africa and its Explorers, Londres, 1894, 4 vol. grand in-8°; F. Schrader, Prudent et Anthoine, Atlas de Géographie moderne, Paris, 1 vol. in-4°, 1890; R. Hartmann, Die Nigritier, Berlim, 1876, I, 1 vol. gr. in-8°; do mesmo, Völker Afrikas (trad. franç. Les peuples de l’Afrique, Paris, 4 vol. in-8°, 1884); Ch. Paulitschke, Ethnographie Nordost Africas, Berlim, 4 vol. 1893; R. N. Cust, Africa rediviva, Londres, 1 vol. in-8°, 1891; G. Kayser, Bibliographie d’ouvrages ayant trait à l’Afrique en général dans ses rapports avec l’exploration et la civilisation, Bruxelas, 1887, in-8°; Oppel, Die religiösen Verhältnisse von Africa (Bulletin de la Soc. de géographie de Berlin, 1887, XXII, n. 3-4); E. Blyden, Christianity, Islam, and the Negro Race, Londres, 1887, in-8°; F. Barret, Afrique occidentale, Paris, 1888, 2 vol. in-8°; Philibert, La conquête pacifique de l’intérieur africain, Paris, 1889, in-8°; A. de Préville, Les Sociétés africaines, Paris, 1894; de Castries, L’Islam, Paris, in-12, 1890; A. J. Wauters, L’État indépendant du Congo, Bruxelas, in-18; P. Morcelli, S. J., Africa christiana, Brixen, 1816; Henrion, Histoire des missions catholiques, Paris; Marshall, Les missions chrétiennes (trad. do inglês), Paris; B. L. de Béthune, Les missions catholiques d’Afrique, Lille, 1894, in-4°; Louvet, Les missions catholiques au XIXe siècle, Lille, in-4° 1894; cardeal Pitra, Vie du vén. Libermann, Paris, in-8°, 1885; abbé Durand, Les missions catholiques françaises, Paris, in-12, 1874 (com atlas); O. Werner, S. J., Orbis terrarum catholicus, Friburgo, in-4°, 1890; O. Werner et Groffier, Atlas des missions catholiques, Lyon, in-4°, 1886; Grussenmeyer, Documents sur le cardinal Lavigerie, Argel, in-8°, 1888; P. Meillorat, C. S. Sp., Carte ecclésiastique de l’Afrique, Paris, 1891; Les Missions catholiques (revista periódica, Lyon). A consultar sobretudo o levantamento oficial das missões católicas que se publica em Roma aproximadamente a cada três anos: Missiones catholicae, cura S. C. de Propaganda Fide descriptae, A. 1898, Roma, in-12.



Nota Editorial: Este verbete foi originalmente redigido no início do século XX e continha expressões antropológicas da época que classificavam etnias como "inferiores" ou "superiores". Tais termos de cunho racista foram amenizados nesta edição para refletir o respeito à dignidade humana, sem alterar o valor histórico e documental do texto.



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