ÁFRICA (MISSÕES CATÓLICAS NA)

São Domingos

Foi então que, no santuário de Notre-Dame-des-Victoires, em Paris, ele foi providencialmente colocado em contato com o Pe. Libermann, que se perguntava para onde enviar seus filhos e forneceu-lhe imediatamente sete cooperadores. As missões da África foram retomadas e não deveriam mais ser abandonadas. Pouco depois, Dom Barron, desencorajado pelos reveses e pela doença, retirou-se e teve como sucessor o único missionário poupado pela morte nesta primeira expedição, Dom Bessieux.

VI. De 1848 a 1861. — A leste, o movimento de evangelização partiu de Bourbon. Sucessivamente, dois santos sacerdotes da Congregação do Espírito Santo, o Sr. Dalmond e o Sr. Monnet, em 1848 e em 1849, após terem evangelizado as ilhas Sainte-Marie e Nossi-Bé, foram nomeados vigários apostólicos de Madagascar, mas a morte impediu que ambos se estabelecessem lá. Foi então (1850) que a missão foi entregue aos Padres da Companhia de Jesus, e sabe-se o bem imenso que eles fizeram lá: sem eles, Madagascar seria hoje protestante e inglês. Atualmente, a grande ilha encontra-se dividida em três vicariatos: o centro permanece confiado aos jesuítas, o sul aos lazaristas e o norte aos Padres do Espírito Santo. — Quanto às outras ilhas do oceano Índico, Bourbon forma uma diocese atendida pelos padres do seminário das colônias, de Paris; Maurício também é erigida como diocese desde 1847 e evangelizada por padres seculares e Padres do Espírito Santo; os Padres do Espírito Santo também possuem a prefeitura de Nossi-Bé, de Mayotte e das Comores (1848); e os capuchinhos franceses, a das Seychelles (1852).

Foi de Bourbon, ainda, que partiu o primeiro missionário, o Pe. Fava, falecido posteriormente como bispo de Grenoble, para levar o Evangelho a Zanzibar (1860). Pouco tempo depois, os filhos do Pe. Libermann tomavam posse da missão, desmembrada da prelatura de Moçambique, que passava a se limitar ao cabo Delgado. A Congregação do Espírito Santo encontrava-se, assim, encarregada da evangelização de todo o continente negro, à exceção dos Estados do norte (Marrocos, Argélia, Tunísia, Trípoli, Egito, Abissínia), da diocese de Luanda, de Moçambique e das colônias inglesas do Cabo e de Natal, onde os oblatos de Maria haviam, desde 1850, lançado os primeiros fundamentos de missões florescentes.

Mas o ímpeto apostólico já estava dado e, nestes últimos anos, vimo-lo crescer de forma inesperada: hoje, a África está dividida em uma infinidade de circunscrições — bispados, vicariatos apostólicos, prefeituras, missões, etc. — e este "assalto aos países negros", neste final do século XIX, recorda o vigor apostólico dos melhores tempos do cristianismo.

VII. DESENVOLVIMENTO DAS MISSÕES DO OESTE. — Em 1842, a Santa Sé confiava, portanto, aos Padres do Espírito Santo o vicariato apostólico das Duas Guineés, cujo desenvolvimento se estendia do Senegal ao Orange. Sucessivamente, estabeleceram-se: 1º o vicariato apostólico do Gabão (1842); o da Senegâmbia (1863); o de Serra Leoa (1858); o do Congo francês (1886); o de Ubangui (1890), que a mesma sociedade mantém, com as prefeituras do Senegal (1779), da Guiné francesa (1897) e do Baixo Níger (1889); 2º a prefeitura apostólica de Fernando Pó, Annobón, Corisco, Elobey e cabo São João, confiada à congregação espanhola dos Filhos do Imaculado Coração de Maria (1883); 3º o vicariato apostólico de Daomé (1870), e as prefeituras da Costa do Marfim (1895), da Costa do Ouro (1879), do Daomé (1882) e do Alto Níger (1884), entregues à Sociedade das Missões Africanas. As conquistas alemãs do Togo, dos Camarões e da colônia do Oeste africano provocaram a fundação de outras missões confiadas aos missionários de Steyl (1892), aos palotinos do Tirol (1890) e aos oblatos de Maria (1892); enfim, o rápido desenvolvimento do Estado Livre do Congo atraía sucessivamente as missões estrangeiras de Scheut-lez-Bruxelles (1888), os jesuítas (1892), os premonstratenses (1898) e os padres do Sagrado Coração, de Saint-Quentin (1899).

VIII. DESENVOLVIMENTO DAS MISSÕES DO SUL E DO LESTE. — Ao sul, a região do Cabo, erigida em vicariato desde 1837, fracionava-se igualmente, e nela encontramos hoje estabelecidos: 1º os três vicariatos apostólicos do Cabo Ocidental (1837), do Cabo Central (1874) e do Cabo Oriental (1847), atendidos por padres seculares de língua inglesa; 2º a prefeitura do rio Orange (1884), recentemente erigida em vicariato (1898) e confiada aos oblatos de São Francisco de Sales, de Troyes; 3º as prefeituras do Basutolândia (1894) e do Transvaal (1886), os vicariatos do Estado Livre de Orange (1886) e de Natal (1850), que os oblatos de Maria evangelizam.

A prelazia de Moçambique ainda está ocupada pelo clero colonial português do seminário de Sernache, assim como Angola; porém, os Padres do Espírito Santo foram admitidos para retomar as missões do Congo português (1872), de Luanda (1890), do Cubango (1889) e do Cunene (1881), e os jesuítas as do Zambeze (1879). Mais ao norte, os beneditinos da Baviera seguiram os alemães para Zanzibar, onde possuem uma prefeitura (1887).

IX. MISSÕES NO INTERIOR DA ÁFRICA. — Entretanto, um novo e providencial socorro chegava à Igreja. Desde 1859, um antigo bispo da Sociedade das Missões Estrangeiras de Paris, Monsenhor Marion de Brésilhac, fundava outra família apostólica, as Missões Africanas de Lyon. Dez anos mais tarde, em 1868, para responder às necessidades criadas pela fome, Monsenhor Lavigerie, arcebispo de Argel, reunia ao seu redor alguns padres de boa vontade, que formaram a sociedade dos «Missionários de Nossa Senhora da África». Os «Padres Brancos» fizeram suas primeiras tentativas de apostolado na Cabília, onde trabalham até hoje. Mas, na sequência da célebre conferência de Bruxelas (1876), que deveria culminar oito anos depois no Congresso de Berlim e na partilha da África, viram abrir-se diante de si um campo novo, imenso e fecundo: ele compreende hoje os vicariatos de Niassa (1889), Unianyembe (1886), Tanganica (1880), Alto Congo (1880), Nyanza do Sul (1880) e Nyanza do Norte (1880). Após os distúrbios políticos e religiosos suscitados em Uganda, onde o mundo católico admirou a constância admirável de 31 mártires (1886), uma parte desta última missão foi confiada aos missionários ingleses do seminário de Mill-Hill, sob o nome de vicariato do Alto Nilo (1894).

Acrescentemos, para sermos completos, que o instituto de Verona, retomando algumas tentativas anteriores, está encarregado desde 1872 do Sudão egípcio, enquanto os Padres Brancos, a oeste, guardam o Saara e o curso superior do Níger. — Estas regiões são imensas; mas é justo acrescentar que são em parte desertas e em parte muçulmanas. É ali que se encontram as regiões mais extensas onde as missões católicas não penetraram: o Saara, o Sudão francês, os reinos muçulmanos que cercam o Chade, o interior da Tripolitânia, o Sudão egípcio, o Alto Nilo e seus afluentes, aos quais se deve somar o país somali e, finalmente, a bacia do Alto Congo e seus afluentes, com a do Alto Zambeze.

Mas se, ao examinar em um mapa a extensão tomada pela evangelização africana, somos tomados de admiração e reconhecimento, este sentimento logo dá lugar a uma impressão de tristeza profunda quando, no local, o missionário constata a inumerável multidão de infiéis que, nos países mais bem conhecidos e mais bem providos de padres, ainda não ouviram a Boa Nova. Tal país que, no mapa, figura como evangelizado, conta talvez 12.000 cristãos contra 10 milhões de fetichistas ou muçulmanos! O desenvolvimento rápido do Estado Independente do Congo provocou a fundação de outras missões confiadas aos missionários de Steyl (1892), aos palotinos do Tirol (1890) e aos oblatos de Maria (1892).

X. ESTADO SUMÁRIO DAS MISSÕES CATÓLICAS NA ÁFRICA. — Podemos aqui oferecer números mais seguros do que para as religiões não católicas; mas, antes de apresentá-los, é necessário, contudo, fazer notar que eles são frequentemente de uma exatidão duvidosa — como, por exemplo, para os católicos de Angola. Em todo caso, as estatísticas permanecem muito variáveis, mas com uma tendência a dar, de ano em ano, de mês em mês, de dia em dia, um número mais considerável de missionários, de igrejas ou de católicos.

Eis, portanto, segundo a edição das *Missiones catholicae* de 1898, o último levantamento que se pode fazer do estado do catolicismo na África, nas únicas missões dependentes da Propaganda. Nessas estatísticas, não estão compreendidas, portanto, as dioceses da Tunísia e da Argélia, de Luanda ou Angola, de Moçambique, dos Açores, da Madeira, das Canárias, de São Tomé e da Reunião.

4. TABELA DAS MISSÕES CATÓLICAS DA ÁFRICA
(Ver o mapa das Missões católicas da África em 1899.)

Abreviações: D., Diocese; Vic. ap., Vicariato apostólico; Préf. ap., Prefeitura apostólica; B. B., Beneditinos da Baviera (Munique); C. I. M., Congregação do Coração Imaculado de Maria (Barcelona); C. S. Sp., Padres do Espírito Santo (Paris); Cl. séc., Clero secular; Fr. Min., Frades Menores (Roma); Fr. Min. C., Capuchinhos (Roma); Fr. Min. C. T. S., Custódia da Terra Santa; I. V., Instituto de Verona (Verona); M. A. A., Missionários da África de Argel; M. A. L., Missões Africanas de Lyon; M. E. A., Missões estrangeiras inglesas (Mill Hill); M. E. All., Missões estrangeiras alemãs (Steyl); M. E. B., Missões estrangeiras belgas (Scheut); O. M. I., Oblatos de Maria (Paris); O. P. B., Premonstratenses da Bélgica; O. S. F., Oblatos de São Francisco de Sales (Troyes); P. M., Padres da Missão (Paris); P. S. C., Padres do Sagrado Coração (Roma); S. J., Companhia de Jesus (Roma); S. M. P., Sociedade dos Missionários Palotinos (Roma); Tr., Trapistas (Roma).

[Nota: A tabela apresentada no texto original contém apenas a listagem das missões e suas respectivas jurisdições e ordens religiosas, sem os dados numéricos específicos preenchidos na página escaneada.] (Tabela de estatísticas das missões católicas na África, itens 38 a 72, detalhando o número de católicos, estações, igrejas, padres, escolas e hospitais por jurisdição eclesiástica).

2. RESUMO DAS DIOCESES E DAS MISSÕES
Padres seculares: 14 missões.
Padres do Espírito Santo: 17 missões.
Padres Brancos (de Argel): 8 missões.
Oblatos de Maria: 5 missões.
Missões Africanas (Lyon): 5 missões.
Capuchinhos: 4 missões.
Jesuítas: 4 missões.
Lazaristas: 2 missões.
Outras sociedades (cada uma): 4 missões.

N. B. — Com estas sociedades de missionários padres, seria justo mencionar os irmãos e as irmãs de várias congregações, que trabalham em todos ou quase todos os países evangelizados: o desenvolvimento já dado a este artigo não o permite, mas poderiam ser encontradas essas informações, pelo menos em parte, na última edição da Missiones catholicae, Roma, livraria da Propaganda.

A. Le Roy.
A bibliografia é a mesma que para o artigo anterior.



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