ODON DE DOUAI (século XIII) é mencionado por uma carta de Alexandre IV, dirigida em 17 de julho de 1256 ao bispo de Paris, como um dos mestres em teologia que, com Guilherme de Saint-Amour e outros, recusavam-se a submeter-se à bula Quasi lignum vitae, por demais favorável, diziam eles, às ordens mendicantes, e ameaçavam fazer greve ou transferir para outro lugar o studium generale de Paris. O papa agia com dureza contra esses doutores, pedindo ao rei que os expulsasse do reino.
Odon não se obstinou; em outubro de 1256, estava em Anagni, na corte pontifícia, e, junto com Chrétien de Beauvais, renunciava a seus "erros". Aceitava a bula Quasi lignum vitae, prometia colaborar no futuro com os professores regulares e comprometia-se a pregar contra os erros difundidos pelo libelo de Guilherme de Saint-Amour sobre "os perigos dos últimos tempos"; tornar-se-ia o defensor das doutrinas opostas, videlicet de potestate romani pontificis, quod possit prædicatores et confessores mittere ubique per mundum juxta suae beneplacitum voluntatis sine consensu inferiorum prœlatorum quorumcunque seu parochialium sacerdotum; item quod archiepiscopi et episcopi in suis diæcesibus licentiam dare possint prædicandi et confessiones audiendi sine consensu inferiorum sacerdotum vel rectorum ecclesiarum cum viderint expedire, quodque prædicatores et confessores sic missi possint libere prædicare et licite confessiones audire ac absolvere pœnitentes. Odon reconheceria igualmente que o estado de religioso mendicante nada tinha senão de conforme ao ideal evangélico.
Essa satisfação pareceu suficiente ao papa, que, aliás solicitado em favor desses mestres pelos cabidos catedrais da província de Reims (outubro de 1256), fez restituir a Odon sua situação e seus benefícios, em 2 de outubro de 1257. O conjunto da questão da luta contra as ordens mendicantes será tratado no artigo Saint-Amour. Sobre o próprio Odon, além de du Boulay, Hist. univers. Parisien., l. III, 1666, p. 704, e Duplessis d'Argentré, Collectio judiciorum, t. I, 1728, p. 170, ver todas as peças de seu processo em Denifle e Châtelain, Chartularium univers. Parisien., t. I, 1899, pars I, n. 280, 282, 293, 295, 320.
É. Amann.
Autor original: É. Amann.
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