Francisco, capuchinho irlandês (1569-1635). Nascido em Mayrath Castle (condado de Meath, na Irlanda), em 1569, fez seus estudos nas universidades de Paris e de Lovaina e entrou na ordem dos frades menores capuchinhos, em 4 de outubro de 1591. Incorporado à província belga, foi enviado, depois de sua ordenação sacerdotal, em 1594, à França, para ali ensinar filosofia aos jovens religiosos.
Foi um dos mais ardentes propagadores do movimento pseudomístico que se manifestou, nessa época, entre os capuchinhos belgas. Apenas regressado de Roma, aonde fora chamado em 1598 para se justificar, foi seguido, na Bélgica, pelo geral, Jerônimo de Sorbo, canonista conhecido, que veio fazer a visita da província. Este privou Francisco Nugent de sua voz ativa e passiva, assim como o provincial cessante, Hipólito de Bérgamo. Mas Nugent justificou-se no capítulo geral de 1599, diante do papa Paulo V, de modo que as penas com que fora atingido foram levantadas.
Nomeado guardião do convento de Tournai, em 1610, foi encarregado, em 1611, de propagar os capuchinhos na Alemanha. Partiu, na qualidade de comissário geral, com alguns outros religiosos, e fundou o convento de Colônia. Em 1615, o papa Paulo V o nomeou vigário apostólico e comissário geral da Irlanda. Veio morar em Charleville, onde reuniu vários capuchinhos irlandeses.
Partiu, em 1634, com a primeira missão, composta de dois Padres, para a Irlanda. De volta a Charleville, em 1625, partiu de novo para a Irlanda, em 1629, e, em 1634, fundou um colégio irlandês em Lille. Tendo renunciado, no mesmo ano, ao cargo de comissário geral da missão irlandesa, teve como sucessor o P. Barnabé Barnewall. Morreu em Charleville, a 18 de maio de 1635, e foi enterrado diante do altar-mor da igreja dos capuchinhos.
Francisco Nugent não se tornou célebre apenas por seu zelo em propagar sua ordem na Renânia e na Irlanda, mas também por suas numerosas obras teológicas, ascéticas e místicas. J. H. Sbaralea, Supplementum, atribui-lhe as seguintes obras: 1. Cursus theologicus; 2. Cursus philosophicus; 3. Tractatus contra ministrum acatholicum; 4. Epitome Coccey de controversiis; 5. Taulerus expensus ac defensus, no qual se justifica, no capítulo geral de 1599, do pseudomisticismo, pelo qual ele havia sido punido, em 1598, pelo geral; 6. Secreta itinera orationis; 7. Paradisus contemplationum; 8. Liber de meditatione et conscientiae examine, que teria sido muito difundido entre os capuchinhos da Flandres; 9. Sermones plurimi; 10. Tractatus de Hibernia. Bernard de Bologne, Bibliotheca scriptorum ordinis minorum S. Francisci Capuccinorum, Veneza, 1747, p. 97; J. H. Sbaralea, Supplementum ad scriptores trium ordinum S. Francisci, t. i, 2ª ed., Roma, 1908, p. 290; Michael a Tugio, Bullarium capuccinorum, t. iv, Roma, 1746, p. 279-280; t. v, Roma, 1748, p. 271-281; Analecta ordinis minorum capuccinorum, t. xvi, 1900, p. 150, 180-183 e 217; Father Angelus, O. S. F. C., Pages from the story of the irish capuchins, Cork, 1915; Father William, O. S. F. C., The story of the capuchin franciscans in England, Rochdale, 1924; A. O'Flanders, Erin, Eenige bladzijden uit Ierland's geschiedenis en zyn betrekkingen met Vlaanderen, Nieuport, 1922, p. 129 sq.; P. Hildebrand, Un mouvement pseudo-mystique chez les premiers capucins belges, em Franciscana, t. vii, 1927, p. 256-263; Pater Franciscus Nugent, O. M. Cap. (1569-1635), em Franciscaansch Leven, t. xi, 1928, p. 21-28.
A. Teetaert.
Autor original: A. Teetaert
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