NOTTINGHAM (GUILHERME DE)

NOTTINGHAM (GUILHERME DE)

NOTTINGHAM — (Guilherme de), frade menor. Um antigo catálogo dos provinciais da Inglaterra, reproduzido em L. Wadding, Annales minorum, t. ix, p. 210-241, cita dois frades menores do mesmo nome e do mesmo prenome, que foram provinciais da Inglaterra. Um teria sucedido a Haymon, que, em 1239, foi eleito ministro geral da Ordem; atingido pela peste em Gênova, teria morrido em Marselha. O outro, o mais importante, viveu durante a primeira metade do século XIV. Originário da Inglaterra, foi cônego de York, antes de se alistar na Ordem dos frades menores. Promovido doutor em teologia na universidade de Oxford, nela se tornou depois professor por volta de 1312. L. Wadding, Annales minorum, t. vii, p. 115, nos informa que, em 1330, era ministro provincial da Inglaterra e, na p. 169, que exerceu esse cargo durante catorze anos e cedeu, depois, o lugar a Ricardo Conington. É preciso provavelmente identificar esse último Guilherme Nottingham com Guilherme da Inglaterra, que, segundo Wadding, op. cit., t. vi, p. 396-401, participou do capítulo geral de Perúgia, em 1322, no qual se travaram vivas discussões entre os capitulares sobre a pobreza de Cristo e dos apóstolos e sobre o sentido a atribuir à bula Exiit de Nicolau III, relativa à prática da pobreza franciscana. O nome de Guilherme da Inglaterra figura entre os redatores das duas cartas que se dirigiram aos fiéis do universo inteiro, para lhes comunicar as conclusões e as declarações admitidas pelo capítulo geral.

O mesmo Wadding, op. cit., t. vii, p. 169, informa que, após ter renunciado ao provincialato, Guilherme fez uma viagem à Itália. Surpreendido pela peste em Gênova, curou-se dela e voltou à Inglaterra. Morreu em Leicester, em 1336, e foi enterrado no convento dos frades menores.

Um grande número de obras leva o nome de Guilherme de Nottingham. Mas, como há dois frades menores que levam esse nome, é difícil determinar quais dessas obras devem ser atribuídas ao mais antigo, e quais outras, ao mais jovem. Acreditamos, no entanto, que a maior parte deve ser considerada obra do mais jovem, que deu provas de uma atividade professoral e literária muito maior que a do primeiro.

L. Wadding, Scriptores, e J. H. Sbaralea, Supplementum, atribuem a Guilherme Nottingham as seguintes obras: 1. Libri quatuor super Sententiarum Magistrum, contidos no ms. 300 de Caius Collège em Cambridge; 2. Distinctiones theologicæ, que começam: Acedia adversatur hominis; 3. Contra errores Pelagii; 4. Regula Vivendi; 5. De obedientia; 6. Pro lege christianorum, cujo início é: Numquid Deus possit revelare; 7. Quaestiones ordinariæ; 8. Quaestiones in oratione dominica; 9. Lecturæ Scripturarum; 10. Expositio evangeliorum ou commentaria evangeliorum, do qual João Viccamus fez um resumo ou compêndio; 11. Quaestiones in evangelia, que têm como título: Istae sunt quaestiones, quas movet Notingam in scripto suo super Evangelia secundum ordinem alphabeticum, e que começam: Abel. Quæritur super illo dicto Math., 23, ut veniat super vos omnis sanguis justus, qui effusus est, a sanguine Abel justi usque ad sanguinem Zachariae; 12. Concordantia quatuor Evangeliorum, cujo início é o seguinte: Da mihi intellectum et scrutabor; 13. Sermones, que começam pelo texto: Cum appropinquasset Jerosolymis et venisset Bethphage.

É preciso notar, porém, que Antônio de Parma, O. P., que viveu por volta de 1410, compôs sermões que começam pelo mesmo texto.

L. Wadding, Annales minorum, t. vi, Rome, 1733, p. 396-401; t. vii, p. 115 e 169; t. ix, Rome, 1734, p. 240-241; do mesmo, Scriptores ordinis minorum, 2e édit., 1906, p. 106; J. H. Sbaralea, Supplementum ad scriptores trium ordinum S. Francisci, t. i, 2e édit., Rome, 1908, p. 343-344; Ph. Labbe, De scriptoribus ecclesiasticis, t. i, Paris, 1660; A. Possevin, Apparatus sacer, t. i, Cologne, 1608; Oudin, De scriptoribus ecclesiasticis, t. iii, ad ann. 1320, Leipzig, 1722; Longpré, O. M., Le commentaire sur les Sentences de Guillaume de Nottingham, O. F. M., dans Arch. franc. histor., t. xxii, 1929, p. 232-233.

A. Teetaert.

Autor original: A. Teetaert

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