Carta ao Sr. bispo de Grenoble, Le Camus, sobre o Amor pœnitens, para rogar-lhe que assumisse sua defesa junto ao papa, 16 de fevereiro de 1685; Carta apologética a um cardeal, 2 de abril de 1686; Apologia do Amor pœnitens, em que se responde a cento e dezessete objeções; Memorial apresentado à Congregação; Resposta à carta de um jesuíta, chamado Honoratus Faber, a um de seus amigos a respeito do Amor pœnitens; Declaração do Sr. de Castória sobre os diversos pontos que se encontram a criticar em sua obra; Dissertação em que se mostra que, para ser justificado, é preciso ter um amor de Deus dominante.
Esses diversos escritos mostram a vivacidade do ataque: contudo Inocêncio XI, sem aprovar o Amor pœnitens, não quis condená-lo, mas seu sucessor, Alexandre VIII, por um decreto de 20 de junho de 1690, condenou-o até correção, como favorecendo abertamente a doutrina proscrita pelo concílio de Trento, segundo a qual «o temor das penas do inferno é mau e nos torna ainda mais maus». Néercassel deixou ainda a seu discípulo outros manuscritos, entre os quais se deve citar dois tratados, um Sobre a adoração em espírito e em verdade, e outro Sobre o sacramento da confirmação.
Néercassel manteve uma correspondência ativa com diversos personagens; a maior parte de suas cartas permaneceu inédita; as que foram publicadas encontram-se particularmente nas Œuvres d'Arnauld, t. III e t. IV, e na Correspondance de Bossuet, editada por Urbain e Levesque, t. I, p. 383-389, e t. II, p. 185-186, 191-192, 223-225, 231-236, 363-364, 380-389.
Michaud, Biographie universelle, t. XXX, p. 282-283; Hœfer, Nouvelle biographie générale, t. XXXVII, col. 609; Feller-Weiss, Biographie universelle, t. VI, p. 187-188; Moréri, Le grand dictionnaire historique, 1759, t. VII, p. 956-957; Richard et Giraud, Bibliothèque sacrée, t. XVII, p. 381-382; Nécrologe des plus célèbres défenseurs de la vérité du XVIIe siècle, in-12, 1761, p. 223-224; Batavia sacra, in-fol., Bruxelles, 1714, IIe partie, p. 476-504 (muito elogioso) e reproduzido em parte nos Mémoires domestiques pour servir à l'histoire de l'Oratoire do P. Batterel, editados por Ingold e Bonnardet, 4 vol., in-8°, Paris, 1904, t. III, p. 209-239; Recueil des vies de quelques prêtres de l'Oratoire do P. Cloyseault (Bibliothèque nationale, ms. fr. n° 20943, fol. 471-491), editado por Ingold, Bibliothèque oratorienne, t. III, p. 57-73; Dictionnaire historique ou Histoire abrégée de tous les hommes nés dans les XVIII provinces belgiques..., 2 vol., in-12, Paris, 1786, t. II, p. 102-104; Dupin, Bibliothèque des auteurs ecclésiastiques du XVIIe siècle, t. III, p. 407-419; Delvenne, Biographie du royaume des Pays-Bas, ancienne et moderne, 2 vol., in-8°, Liège, 1829, t. II, p. 174; Gæthals, Lectures relatives à l'histoire des sciences, des arts, des lettres, des mœurs et de la politique en Belgique, 4 vol., in-8°, Bruxelles, 1837-1838, t. I, p. 179-188; Dupac de Bellegarde, Histoire abrégée de l'Église métropolitaine d'Utrecht, principalement depuis la Révolution arrivée dans les sept Provinces-Unies des Pays-Bas, sous Philippe II jusqu'à l'an 1784, 3e édit., in-8°, Bruxelles, 1852, p. 163-195; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. IV, col. 414-415; Gazier, Histoire générale du mouvement janséniste, 2 vol., in-8°, Paris, 1922, t. II, p. 30, 33.
J. Carreyre.
NEESEN, Lourenço, teólogo belga (1612-1679). Nascido em Saint-Trond (prov. de Liège) em 1612, fez suas humanidades, sua filosofia e sua teologia em Louvain, onde obteve a licenciatura. Desde 1638, foi nomeado presidente do seminário arquiepiscopal de Malines, onde devia, ao mesmo tempo, ensinar teologia. Permaneceu quarenta anos à frente dessa casa, onde morreu em 22 de maio de 1679, deixando fama de extrema caridade e de grande zelo sacerdotal. Seu testamento legava todos os seus bens ao seminário, com a condição de que os professores fossem sempre escolhidos no clero secular, com exclusão dos religiosos.
Neesen deixou uma obra teológica considerável, fruto de seu longo magistério; ela apareceu, ainda em vida do autor, em tratados separados, que foram reunidos posteriormente em dois grossos volumes in-fólio. Em 1675, fez aparecer em Malines Theologia moralis christiana de actibus humanis, ad mentem SS. Augustini et Thomæ, continens tutiores et securiores regulas dirigendi conscientias, in-4°; 2ª ed., nesse mesmo ano de 1675, em Malines; Colônia, 1679. Em 1676, em Malines: Theologia moralis christiana de sacramentis ad mentem SS. Augustini et Thomæ, continens securiores et tutiores regulas ea administrandi et suscipiendi, in-4°; 2ª ed., Colônia, 1682. Em 1678, em Malines, Theologia christiana affectiva de Deo uno in essentia, trino in personis et Verbo incarnato, in-4°; edição corrigida, Liège, 1708. Ainda em 1678, em Colônia: Theologia moralis christiana de tribus virtutibus theologicis, fide, spe et charitate, in-4°.
Depois da morte de Neesen, Filipe Bertrand, cônego teólogo de Malines, publicou, em Liège, 1684: Tractatus tres de justitia et jure ad supplementum theologiæ moralis christianæ, in-4°.
Posteriormente, achou-se conveniente reunir esses diversos tratados segundo a ordem geral da Suma Teológica de São Tomás. Teve-se assim: Universa theologia in duos tomos divisa ad mentem SS. Augustini et Thomæ exposita, in-fol., Lille, 1687, contendo: 1° as questões sobre Deus uno e trino, e o Verbo incarnado, p. 1-148; 2° com nova paginação, os atos humanos, a consciência, as virtudes, os pecados, as leis, a graça, a justificação, o mérito, p. 1-279; 3° com outra nova paginação ainda, e a indicação t. II, a fé, a esperança, a caridade.
No mesmo ano, 1687, aparecia em Antuérpia, em um vol. in-fol., De justitia et jure tractatus tres (I. De justitia et jure; II. De contractibus; III. De injuriis et damnis et restitutione) e, com uma nova paginação, o De sacramentis. A Universa theologia, publicada em Antuérpia em 1707, em um grosso volume in-fólio em dois tomos, reproduz todos os tratados na ordem em que os apresentamos.
Em teologia moral, Neesen representa, como indicam vários de seus títulos, a tendência oposta ao laxismo; ele se exprime em termos muito severos sobre muitos pontos: condena o probabilismo em geral; julga com rigor a probabilidade ab extrinseco, e erige em princípio a tese de que não é permitido seguir uma opinião menos provável, em detrimento de outra que o é mais: quamvis multi hoc tempore affirment, tamen attentis et bene consideratis rationibus complurium magnae authoritatis theologorum cogimur in oppositam tutioremque sententiam abire, et absolute respondere, neminem, per se loquendo, tuta conscientia posse sequi sententiam minus probabilem relicta probabiliori. De act. hum., edit. de 1707, p. 107.
Essa atitude geral se traduz por certo rigorismo nas aplicações práticas, em que muitas vezes o autor se pronuncia pela existência de pecado mortal onde não parece haver matéria. Em teologia dogmática, Neesen é profundamente tomista, ou melhor, agostiniano, e se inscreve em viva reação contra o molinismo; ele dá a diversas proposições de Baio uma interpretação benigna que declara compatível com a fé católica. Ver mesmo tratado, p. 213 e seguintes.
Quanto à infalibilidade do papa, ele tenta encontrar um meio-termo entre a opinião galicana e a doutrina ultramontana. «Para que o papa seja infalível», diz ele, «é preciso que, antes de se pronunciar em matéria de fé ou de costumes, ele tenha procedido a um exame cuidadoso da questão, discutido o pró e o contra e tomado conselho de pessoas sábias e piedosas. Quod tamen non ita venit intelligendum quasi infallibilitas resideat in coetu virorum doctorum quos assumit, sed quia ille praerequiritur tanquam conditio sine qua Spiritus Sanctus ei definienti infallibiliter non assistet». De tribus virt. theol., p. 21-22.
Não era inútil caracterizar essa teologia de Neesen sobre os pontos discutidos no século XVII e no século XVIII, tanto em dogma como em moral. A Theologia universa, com efeito, foi clássica na Bélgica durante todo esse período. Quando Pierre Dens (ver aqui t. IV, col. 421), um dos sucessores de Neesen na direção do seminário de Malines, quis atender às novas necessidades intelectuais do clero, começou por complementar a teologia de Neesen e, finalmente, sua Theologia ad usum seminariorum se apresentará como uma refundição da de Neesen, da qual conserva o plano geral e, até certo ponto, o espírito.
Foppens, Bibliotheca belgica, t. II, p. 811; Paquot, Mémoires pour servir à l'histoire littéraire des Pays-Bas, t. XVI, p. 300-405; Biographie nationale de Belgique, t. XV, col. 560; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. IV, col. 49, que não deixa suspeitar a importância do autor.
É. Amann.
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