Wimpheling. Sempre e em tudo pediu, na Igreja e à Igreja, uma melhoria da disciplina e dos costumes, e esperou que essa melhoria fosse realizada pelas autoridades eclesiásticas. Protestou tão logo se tocou nas doutrinas e no culto da Igreja. Em sua protestação de 18 de março de 1521, ele próprio dá, aliás, as razões que o decidiram a tomar partido contra Lutero. Declara nela que, tendo sido publicados em Estrasburgo tratados de Lutero que lhe pareceram conter ataques injustos contra a Santa Sé, sentiu-se obrigado, por seu voto de obediência e por sua qualidade de doutor em teologia, a refutá-los e a entrar em luta contra Lutero.
Assim, Murner está longe de ser irrepreensível, mas não se pode desconhecer nem suas boas intenções, nem sua lealdade, nem sua dedicação à causa católica, nem sua importância histórica. «Ele é», como escreve Ch. Schmidt, Histoire littéraire de l'Alsace, t. ii, Paris, 1879, p. 315, «um desses espíritos móveis e complexos que é difícil apreender. Apenas parece fixar-se em algum lugar, e já deixa sua residência, e muitas vezes não se sabe para onde vai. O mesmo se dá com seu caráter: cremos apreendê-lo e logo ele nos escapa. Reúne em si todos os contrastes de sua época. Alternadamente zombeteiro e grave, o mais impaciente dos homens e tendo por divisa patientia, ardente em reformar costumes grosseiros e brutal em sua linguagem, apaixonado pelas novidades e aferrado às tradições, ele caracteriza melhor do que qualquer outro essa época inquieta e atormentada que encerra a Idade Média e anuncia os tempos modernos.»
J. J. Hottinger, Historia der Reformation in der Eidgenossenschaft, Zurique, 1708, p. 297 sq.; do mesmo, Geschichte der Eidgenossen während der Zeiten der Kirchenspaltung, Zurique, 1725, t. ii, p. 80 sq.; Ruchat, Histoire de la Réforme suisse, t. iii, Genebra, 1727; L. Wadding, Scriptores ordinis Minorum, Roma, 1906; Sbaralea, Supplementum et castigatio ad scriptores ordinis Minorum, Roma, 1908-1921; Jöcher, Gelehrten-Lexikon, Leipzig, 1751; von Waldau, Nachrichten von Murners Leben und Schriften, Nuremberga, 1775; A. Jung, Geschichte der Reformation in Strassburg, p. 238 sq.; K. Hagen, Deutschlands literarische und religiöse Verhältnisse im Reformationszeitalter, t. ii, Erlangen, 1843, p. 61 e 183 sq; Scheible, Das Kloster, 12 vol., Stuttgart, 1845-1849; B. Hidler, D. Thomas Murners Streithandel mit den Eidgenossen von Bern und Zurich, mit Urkunden, em Archiv für schweizerische Geschichte, t. x, 1855, p. 272-304; J. Gyss, Histoire de la ville d'Obernai, part. II, Estrasburgo, 1866, p. 425-430; H. Kurz und Fr. Paldamus, Deutsche Dichter und Prosaisten nach ihrem Leben und Wirken, t. 1, Leipzig, 1867, p. 78-108; Fr. J. Schiffmann, Ueber D. Thomas Murners Flucht nach Luzern und speziell über eine bisher unbekannte, von ihm daselbst herausg. Schrift, em Geschichtsfreund, t. xxvii, 1872, p. 230-239; Th. von Liebenau, Th. Murner in Basel, em Basler Jahrbuch, 1879, p. 70-101; Ch. Schmidt, Histoire littéraire de l'Alsace à la fin du XVe et au commencement du XVIe siècle, t. ii, Paris, 1879, p. 209-315 e 419-431; K. Goedeke, Grundriss zur Geschichte der deutschen Dichtung, t. ii, 2e édit., Dresden, 1886, p. 215-220; Ries, Quellenstudien zu Murners satirisch-didaktischen Dichtungen, Berlim, 1890; W. Kawerau, Thomas Murner und die Kirche des Mittelalters, Halle, 1890; do mesmo, Thomas Murner und die deutsche Reformation, Halle, 1891; O. Winkelmann, Neue Beiträge zur Lebensgeschichte Thomas Murners, em Zeitschrift für die Geschichte des Oberrheins, 1891, p. 119-131; G. Balke, Thomas Murner. Die deutsche Dichtungen des Ulrich von Hutten, Stuttgart, s. d.; F. H. von Funk, Thomas Murner, em Kirchenlexikon, t. viii, 2e édit., Friburgo, 1893, col. 2024-2027; List, Thomas Murner, em Protest. Realencyklopädie, t. xiii, 3e édit., 1903, p. 569-572; K. Ott, Ueber Murners Verhältnis zu Geiler, em Alamannia, t. xxiii, p. 114-188, e 231-288; Th. von Liebenau, Documenta quædam circa vitam fr. Thomæ Murneri, O. M. Conv., em Archivum francisc. Historicum, t. v, 1912, p. 727-736, e t. vi, 1913, p. 118-128.
A. Teetaert.
MUSEU, padre de Marselha, no século V, só nos é conhecido pela notícia que lhe dedica Gennadius, De viris ill., n. 79. Floresceu sob os bispos Venério (431-452) e Êustase (453-472), e morreu sob os imperadores Leão e Majoriano (portanto entre 456 e 461). Versado na ciência da Escritura, não lhe faltando estilo nem eloquência, havia, a pedido de Venério, extraído da Bíblia leituras apropriadas aos dias festivos do ano, com respostas (responsoria psalmorum capitula) adaptadas aos tempos e às lições. Gennadius assinala o interesse que podia apresentar tal obra para a boa organização do serviço litúrgico.
Prosseguindo seus trabalhos no mesmo sentido, Museu dedicou ao bispo Êustase um sacramentário (sacramentorum egregium et non parvum volumen); segundo a descrição um pouco demasiado oratória que dele dá Gennadius, devia tratar-se de um livro relativo à sinaxe eucarística, no qual se indicavam, para os diversos tempos, as leituras a ler, os salmos a cantar e também as súplicas e as ações de graças (supplicandi Deo et contestandi beneficiorum ejus), isto é, no fundo, as orações próprias da liturgia eucarística, litanias e prefácios. Museu teria sido, no fundo, o primeiro editor do breviário e do missal marselhês. Gennadius sabia também que dele se conservavam algumas homilias, mas que não as havia lido. De tudo isso, absolutamente nada se conservou.
Gennadius, De viris illustribus, n. 79, P. L., t. lviii, col. 1103; Histoire littéraire de la France, t. ii, p. 340-342; dom Ceillier, Histoire générale des auteurs sacrés et ecclésiastiques, 2e édit., t. x, 1861, p. 471.
Autor original: É. Amann
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