MONTALEMBERT Carlos-Forbes-René de, orador, escritor, homem político, e um dos chefes do liberalismo católico na França, nascido em Londres em 15 de abril de 1810, morto em Paris, em 18 de março de 1870.
I. Infância e juventude (1810-1830). Filho mais velho de Marc-René, conde de Montalembert, que, emigrado em 1792, aos quinze anos, servira no exército de Condé, depois no exército inglês, e desposara, em 1808, a filha única de James Forbes, dos condes de Granard, Carlos foi educado até os nove anos por esse avô, homem de alta cultura, imbuído de todas as tradições do liberalismo inglês e protestante austero. Com ele, Montalembert aprendeu a amar, acima de tudo, Deus e a liberdade. Seu avô teria querido reservar-lhe o direito de escolher, aos vinte anos, entre a religião de seu pai e a de sua mãe.
Mas, em 1819, o conde, de volta à França com Luís XVIII e nomeado ministro plenipotenciário em Stuttgart, chamou de volta o filho e, a fim de educá-lo «à francesa», colocou-o por um ano como interno no liceu Bourbon, 1819-1820; depois, ante o sofrimento da criança nessa vida nova, conservou-o em Stuttgart até o momento em que, feito par da França, voltou a Paris. Em março de 1822, a Sra. de Montalembert abjurava o protestantismo; em 1823, Carlos fazia a primeira comunhão; já então não separava mais Deus da Igreja católica.
Em outubro de 1827, depois de ter estudado vários anos com professores particulares, tornou-se, por dois anos, aluno em Sainte-Barbe. Liberal, mas católico, teve muito a sofrer de seus colegas, quase todos liberais, mas à moda da época, isto é, hostis aos Bourbons e voltairianos. Começa então preciosas relações; durante as férias de 1827, é, em La Roche-Guyon, hóspede do futuro cardeal de Rohan, que, em circunstâncias trágicas, reencontrará mais tarde em Roma. Cf. Baille, Le cardinal de Rohan-Chabot, in-8°, Paris, 1904, p. 175 e segs.
Terminados os estudos, em agosto de 1828, reúne-se ao pai em Estocolmo, preocupado com este problema: por que a Igreja, apoiada pelo poder, é impopular? Como reconciliá-la com o povo? Com o mundo intelectual? E possuído pelo desejo de apostolado. Para o apostolado, precisa ainda se formar. Em Estocolmo, estuda, pois, as instituições e os homens; depois, enquanto Cousin o orienta para Kant, conhece, por um abade Studach, a Escola de Munique, que pretende pôr a história e a filosofia ao serviço do cristianismo, e reconciliar este com o pensamento moderno: abandona Kant para estudar Schelling, Zimmer, Baader.
Em 1829, volta à França, onde morre sua irmã; segue em Paris os cursos de Cousin, Jouffroy, Guizot, e também de Villemain, que pouco lhe agrada; entra em relações com Michelet, Vigny, Sainte-Beuve, Lamartine e, sobretudo, Victor Hugo; está dentro do «romantismo». Cf. P. de Lallemand, Montalembert et ses amis dans le romantisme, 1830-1840, in-8°, Paris, 1927. Dá à Revue française, maio de 1830, dirigida por Guizot, de Broglie, de Barante, um artigo: De la liberté constitutionnelle en Suède et de la diète de 1822 à 1830. Cf. Œuvres de Montalembert, 9 vols. in-8°, Paris, 1860-1868, t. IV, p. 3; e entra no primeiro Correspondant, que fizera sua a divisa de Canning. Por fim, na véspera da revolução de Julho, parte para a Inglaterra, a fim de, de lá, visitar a Irlanda e O'Connell.
A revolução de 1830, a que primeiro aplaude, pois se fizera em nome da Carta e da liberdade, mas que em breve julgará severamente, e, por outro lado, o espetáculo da Irlanda católica, fornecem-lhe a solução dos problemas que o preocupam: se a Igreja é impopular na França, é porque aí ligou sua causa à dos Bourbons: foi comprometida pelas faltas destes; se é poderosa na Irlanda, é porque aí está, como o povo, separada do poder, pobre, próxima dele. Ora, no mesmo momento aparecia o prospecto de l'Avenir; Lamennais chamava a si os homens tomados de amor por Deus e pela liberdade.
Em 4 de novembro de 1830, Montalembert voltava a Paris; no dia 5, via Lamennais; no dia 12, em casa de Lamennais, encontrava Lacordaire. Lacordaire e ele tornavam-se assim colaboradores de l'Avenir. Montalembert tinha então vinte anos. Sobre esse período, cf. Bucaille, Quelques années de la jeunesse de Montalembert, in-8°, Paris, 1911.
II. Montalembert ao lado de Lamennais (1830-1834). Tal era o ascendente do Lamennais de 1830, «o Mestre», que nunca os dois discípulos se opuseram, em um único ponto, ao seu sonho. Havia, no entanto, mais afinidade entre Montalembert e ele — ainda que este devesse encaminhar-se rapidamente para a ideia republicana e democrática, e que Montalembert fosse monarquista e cresse na eficácia de uma aristocracia para o bem de uma nação — do que entre Lacordaire e ele, ainda que Lacordaire cresse na virtude e na missão quase divina da democracia. Nesse ponto, aliás, Montalembert e Lacordaire nunca deixaram de diferir.
Montalembert, ao lado de Lamennais, conduziu coragiosamente a luta pela libertação da Igreja e dos povos, e pela reconciliação da Igreja e dos povos na liberdade. Cf. Libéralisme catholique, t. IX, col. 526 e segs. Colabora em l'Avenir e, ao mesmo tempo, no Correspondant. Gostaria bem de unir as duas revistas, mas Lamennais, que não admite a moderação do Correspondant, opõe-se a isso, e Montalembert cede, persuadido de que Lamennais «só ele pode fazer algo de válido para o catolicismo» (carta de 24 de novembro de 1830, citada por Lecanuet, Montalembert, t. I, p. 141, n. 1). O Correspondant deveria em breve desaparecer provisoriamente.
Como é justo, é membro da Agence générale pour la défense de la liberté religieuse, cujos estatutos l'Avenir publica em 18 de dezembro de 1830; é mesmo um dos sete do conselho que a dirige. Espera dela, na França e fora, os resultados da Associação católica irlandesa. É como membro da Agência que, com Lacordaire e de Coux, abre em Paris a «escola livre», em 10 de maio de 1831. Conhece-se o processo a que essa escola deu origem (cf. Libéralisme, col. 567 e segs.), e como esse processo culminou finalmente, nos dias 19 e 20 de setembro, na corte dos pares, na qual Montalembert acabara de entrar — sem ter, porém, o direito de nela assentar-se, dada a sua pouca idade — pela morte de seu pai, em 20 de junho. Foi para Montalembert a ocasião de um magnífico discurso diante dos pares estupefatos. Cf. Articles de l'Avenir, 7 vols. in-8°, Lovaina, 1831, n. 339, 20 de setembro de 1831, Procès de l'école libre, Cour des pairs, t. VI, p. 256-257, e n. 341, 21 de setembro; Cour des Pairs, Procès, o discurso de Montalembert, t. VI, p. 263 sq. Encontra-se também esse discurso em Œuvres, t. I, p. 1. Por essa época, a Agência Geral, que quer intensificar sua ação, divide a França e os países estrangeiros que a interessam em três regiões: a Montalembert cabem o Sul da França e, no exterior, a Alemanha e a Irlanda. Ele concluía uma feliz turnê de propaganda no Sudeste quando, ante a oposição do episcopado francês, o Avenir suspendeu sua publicação e solicitou o julgamento de Roma. Cf. Suspension de l'« Avenir », n. 395, 15 de novembro de 1831, loc. cit., t. VII, p. 145 sq.
Ele foi um dos três «peregrinos de Deus e da liberdade». Sua démarche foi imprudente. Uma Declaração apresentada à Santa Sé pelos redatores do «Avenir» em 3 de fevereiro de 1832, n. 113, 6 de fevereiro de 1832, ibid., t. III, p. 457-478, para prevenir um descontentamento, ficara sem resposta. Em Roma, tiveram outro erro, o de insistir. Visivelmente, Roma queria guardar silêncio para não ter de condenar; a audiência de 13 de março, que lhes obteve, por consideração a Montalembert, o cardeal de Rohan, foi uma «repreensão muda»; Lacordaire a compreendeu e retomou no dia seguinte o caminho da França. Lamennais se obstinou, e Montalembert permaneceu com ele, menos por obstinação de espírito que por apego.
Em 9 de junho, a encíclica aos bispos poloneses — condenando uma revolta que o Avenir exaltara, Montalembert o primeiro de todos — não esclareceu Lamennais. Ele anunciou que ia retomar a publicação do Avenir, já que não lhe respondiam, e partiu com Montalembert para Munique. Foi lá que receberam, em 30 de agosto, a resposta que, por assim dizer, tinham obtido à força, a encíclica Mirari vos. Em 12 de setembro de 1832, uma Declaração dos Srs. redatores do «Avenir», datada de Paris, 10 de setembro, anunciava o desaparecimento do Avenir e a dissolução da Agência Geral. Cf. loc. cit., t. VII, p. 454.
Preso entre sua fidelidade católica e seu apego a Lamennais, que caminhava para a revolta, Montalembert passa em perturbação os anos 1832-1834. Ele vê com indignação Lacordaire, por um momento voltado à Chênaie, fugir dali definitivamente em 11 de dezembro de 1832; quando apareceu, em maio de 1833, a tradução que ele fizera do livro de Mickiewicz, Le livre des pèlerins polonais, à qual pusera um prefácio apaixonado, Œuvres, t. IV, p. 164, é-lhe doloroso ser censurado por vários, por Lacordaire em particular, e mais ainda em breve por Gregório XVI, em seu breve de 9 de outubro de 1833 ao arcebispo de Rennes sobre a atitude de Lamennais; enfim ele se esforça por deter o mestre na ladeira da defecção, dando-lhe conselhos de sabedoria e moderação, seja na Chênaie, seja sobretudo da Alemanha, para onde parte já em agosto de 1833, desviando-o de ressuscitar o Avenir para retomar a luta unicamente no terreno político e social; mais ainda, de publicar as Paroles d'un croyant, e quando apareceu a encíclica Singulari, aconselhando-o a se submeter.
Quanto a ele, submisso de coração às decisões de Roma — chegou até a mandar recomprar a edição de sua tradução dos Pèlerins polonais —, ainda não dera a expressão pública dessa submissão, a fim de não se opor a Lamennais e de trazê-lo de volta mais facilmente consigo; em 8 de dezembro de 1834, de Pisa, onde então se encontrava, envia ao cardeal Pacca um ato categórico de obediência às duas encíclicas.
No Avenir, Montalembert deu os seguintes artigos, que assina com suas iniciais, Ch. de M.: 1° a propósito do levante da Polônia, ao qual aplaudiu em nome da religião e da liberdade: Révolutions de Pologne, n. 58, 12 de dezembro de 1830, loc. cit., t. I, p. 403-406, e Œuvres, t. IV, p. 123; tendo o Moniteur de Toulouse atacado esse artigo, em que ele dissera «A insurreição da Polônia é santa», ele publica, em 25 de dezembro, no Avenir, n. 71, ibid., t. II, p. 19-21, uma resposta veemente, Sur notre article de la Pologne; tendo esse mesmo artigo sido atacado pelo Globe, que lhe opunha um mandamento em que o arcebispo de Gnesen condenava a insurreição, o Avenir, n. 71, 26 e 27 de dezembro, publicou, mas não sob a assinatura de Montalembert, uma Réponse au Globe sur nos sentiments touchant la Pologne, loc. cit., p. 34-35.
2° Montalembert consagrou depois à Irlanda de O'Connell uma série de três artigos, intitulados Du catholicisme en Irlande, carta Au Rédacteur de l'Avenir, n. 77, 81, 93, de 1, 5 e 17 de janeiro de 1831, ibid., p. 72-81, 135-146, 213-254; Œuvres, t. IV, p. 127, e publicado à parte: Association lyonnaise pour la défense de la liberté religieuse. Lettre sur le catholicisme en Irlande, 33 p. in-8°, Lyon, 1831 (julho). Em 13 de junho de 1831, ele fará no Avenir, n. 210, loc. cit., t. V, p. 1, um apelo em favor da Irlanda ocidental, assolada pela fome, Souscription pour l'Irlande, não assinado mas que é dele. Cf. Œuvres, t. IV, p. 164.
3° No intervalo, em 11 de janeiro, a propósito da ordem baixada, no dia de Natal precedente, pelo ministro do Interior Mérillon, de derrubar a cruz erigida e fechar o cemitério aberto pelos missionários do Mont-Valérien, ele publicou Les tombeaux du Calvaire, n. 83, ibid., t. II, p. 1; Œuvres, t. IV, p. 168.
4° a propósito do saque de Saint-Germain-l'Auxerrois e das profanações que se seguiram em 21 de fevereiro, num artigo La croix, n. 128, ibid., t. III, p. 103-108, ele protesta contra esses atentados feitos contra Deus em nome da liberdade, Œuvres, t. IV, p. 172; depois, como num artigo Aux catholiques, de 18 de fevereiro, n. 125, ibid., p. 76-82, Lamennais se mostrara duro e ferino para com os legitimistas, em 6 de março, por seu artigo A ceux qui aiment ce qui fut, n. 141, ibid., p. 192-199; Œuvres, ibid., p. 179, ele tenta suavizar a palavra muito dura do mestre.
5° Ele se interrompe em suas lutas políticas para dar depois os dois artigos conhecidos de Littérature, Notre-Dame de Paris par Victor Hugo, n. 177 e 194; 11 e 28 de abril, ibid., t. III, p. 465-473, e t. IV, p. 100-105, Œuvres, t. VI, p. 101. O romance aparecera em 13 de fevereiro.
6° Em 16 de abril, novo artigo em favor da Polônia. Terminando, depois de um apelo à Polônia, por uma súplica à Santíssima Virgem, intitula-se Une prière, n. 182, ibid., t. III, p. 488-494; Œuvres, p. 187.
7° Du catholicisme en Suède, n. 216, 20 de maio, ibid., t. IV, p. 292-304; Œuvres, ibid., p. 192.
8° Saint-Germain-l'Auxerrois, n. 69, 12 de julho, ibid., t. V, p. 284-289; a propósito de um projeto de lei que acarretava a demolição dessa igreja para a abertura de uma rua.
9° La loi, n. 290, 31 de agosto, ibid., p. 442-449, artigo cujo título diz o assunto; Œuvres, ibid., p. 202.
9° Littérature, Du catholicisme dans la littérature allemande, Novalis, n. 328, 9 de setembro, ibid., t. VI, p. 189-203; Œuvres, t. VI, p. 387.
10° Para terminar, Le douze septembre, n. 331, ibid., p. 206-210, Œuvres, t. IV, p. 211.
Em 26 de julho de 1831, a Agência Geral convocara os católicos a assinar uma petição em favor de uma intervenção ao lado da Polônia, n. 283, ibid., t. V, p. 387-390; mas a prudência paralisara o governo. Em 12 de setembro, aniversário da vitória que, sob os muros de Viena, cento e quarenta e oito anos antes, «Deus e a liberdade» haviam obtido sobre a barbárie e o despotismo pela Polônia, a Polônia levantada por Deus e pela liberdade expirava, abandonada pela Europa que sua antiga vitória salvara.
No Correspondant, ele dera os seguintes artigos: 16 e 23 de novembro de 1830, Du mouvement et de la résistance en Angleterre, Œuvres, t. IV, p. 86; 14 de dezembro, De l'intolérance du parti qui se proclame vainqueur, Œuvres, ibid., p. 102; 21 de dezembro, Du procès des ministres, ibid., p. 109; 28 de dezembro, De l'impartialité ministérielle et de l'intervention des écoliers dans le gouvernement représentatif, ibid., p. 114.
— III. Anos de repouso (1834-1836). Em agosto de 1833, Montalembert, cansado da vida pública e de suas dificuldades, partira para a Alemanha. Parou em Munique, onde reviu os que havia encontrado com Lamennais em 1831, Schelling, Baader, F. Görres, e travou amizade com Döllinger. Seu pensamento era escrever uma grande obra sobre os Pèlerinages d'un catholique au dix-neuvième siècle. Mas, tendo ido a Marburgo em 19 de novembro, concebeu o projeto de escrever a vida de Santa Isabel, tanto pela beleza poética dessa vida quanto porque essa santa pertencia à Idade Média cristã que Victor Hugo lhe ensinara a ver e a amar e sobre a qual acabava de escrever novamente. Cf. Du vandalisme dans l'art. Lettre à M. Victor Hugo, Revue des Deux Mondes, 1º de março de 1833, e Œuvres, t. VI, p. 7.
A Histoire de sainte Elisabeth de Hongrie, duchesse de Thuringe, in-8°, Paris, 1836, terá doze edições em vida do autor. A 9ª edição, in-8°, t. VII e VIII das Œuvres, 1856, será seguida de uma Notice sur saint Anselme. Em 1841, ele dará um Abrégé de l'histoire de sainte Elisabeth de Hongrie, in-18, Paris. Em 16 de agosto de 1836, após uma temporada na Itália junto a Alberto e Alexandrina de la Ferronnays, desposará uma descendente de Santa Isabel, a filha do conde Félix de Mérode. Voltará depois à Itália e, em Roma, terá três audiências de Gregório XVI.
IV. A vida política. Montalembert, chefe dos LIBERAIS CATÓLICOS FRANCESES (1837-1870).
1° Os primeiros anos da vida parlamentar (1837-1842). Em 11 de maio de 1835, Montalembert, que acabara de completar vinte e cinco anos, pôde tomar assento na Câmara dos Pares. Ali falou pela primeira vez — se não se contar o discurso a propósito da escola livre, na discussão das leis de setembro. Mas é somente em 1837, depois de seu casamento e de seu retorno a Paris, que ele entra verdadeiramente na vida parlamentar.
Ele não abandona seus estudos nem seus trabalhos. Em 1835, promete lições sobre a história literária e social dos séculos cristãos na Universidade Católica, que Gerbet funda. Mas é sobre a arte cristã, sobretudo sob a influência de Victor Hugo e de Rio, que ele escreve. Cf. 1° De la peinture chrétienne en Italie, a propósito do livro do Sr. Rio, julho de 1837, Université catholique, t. IV, p. 123; Œuvres, t. VI, p. 78, seguido de um Tableau chronologique des écoles catholiques de peinture en Italie.
2° Para a publicação, em fascículos, dos Monuments de l'histoire de sainte Elisabeth, segundo Taddeo Gaddi, Andrea Orgagna, publicados por Achille Bablet, Paris, 1838-1840, ele dá como introdução um artigo que acabara de publicar na Revue des Deux Mondes, de 1º de dezembro de 1837: De l'état actuel de l'art religieux en France, Œuvres, t. VI, p. 163; o segundo fascículo oferece dele uma Notice sur le bienheureux Père Angélique Fiesole, Œuvres, ibid., p. 328.
3° De l'attitude actuelle du vandalisme en France, Revue des Deux Mondes, 25 de novembro de 1838, Œuvres, ibid., p. 210, onde ele ataca todos aqueles, eclesiásticos ou laicos, da «banda negra», que não conservam ou que massacram os monumentos de arte religiosa.
4° Ele proferirá sobre o mesmo assunto, nesses anos e nos seguintes, vários discursos na Câmara dos Pares. Reúne esses discursos com várias das brochuras já citadas e outras ainda num volume: Du vandalisme et du catholicisme dans l'art (Fragments), in-8°, Paris, 1839; 2ª edição, 1856. Encontram-se também em Œuvres, t. VI, Mélanges d'art et de littérature.
Na Câmara dos Pares, Montalembert pretende ser «católico antes de tudo». Permaneceu fiel ao lema «Deus e liberdade». É em defesa da liberdade que tomara a palavra na discussão das leis de setembro de 1835; são os princípios do liberalismo que defende a propósito da Espanha dividida, da Polônia oprimida e da Bélgica lesada, 1838-1839. É para defender os direitos da Igreja que denuncia, em artigos vibrantes, os atentados da Prússia protestante no caso de Colônia, 1838. Cf. Œuvres, t. IV.
Ele não teme afirmar-se contrário ao famoso princípio sustentado pelos legitimistas, pela maior parte dos bispos e sobretudo pelo arcebispo de Paris, de Quélen: «Não pode haver ortodoxia religiosa sem ortodoxia política. O rei, Jesus Cristo, a Igreja católica: Deus está nesses três termos.» Ele pretende bem separar a Igreja do trono e assegurar-lhe, desse lado como dos outros, uma inteira liberdade de ação. Cf. Des rapports de l'Église catholique et du gouvernement de Juillet, em France contemporaine, 15 de maio de 1838; Œuvres, t. IV, p. 272, artigo que Montalembert resume assim ao terminar: «É preciso nacionalizar o clero e catolicizar a nação.»
Em consequência, ele usa de sua influência junto ao governo para obter um episcopado favorável às suas opiniões, sem talvez conseguir sempre o que teria desejado: por exemplo, na nomeação de Dom Affre para a sede de Paris; por outro lado, para atingir a opinião, esforça-se por fazer reviver o Univers, que está morrendo.
2° Montalembert à conquista da liberdade de ensino e à cabeça de um grande partido liberal e católico (1842-1850).
1. A liberdade de ensino em 1842. Desde o caso da Meilleraye, em torno do qual o Avenir fizera grande alarido, cf. loc. cit., t. VI e VII, tendo aliás a opinião pública se abrandado, o governo de Julho mostrava-se tolerante quanto ao direito de associação. Mas, na premente questão do ensino, se os católicos tinham obtido a lei de 21 de junho de 1833, referente ao ensino primário, haviam rejeitado como insuficientes todos os projetos — o último era o projeto Villemain de 1841, referente ao ensino secundário.
2. A questão levada por Montalembert para o terreno do direito comum (1843). Ora, enquanto certo número de padres continuava a reclamar a liberdade inteira do ensino — em nome do direito imprescritível da Igreja, por onde prejudicavam à sua própria causa —, Montalembert, da Madeira, onde o retém a saúde de sua esposa, reclama essa mesma liberdade unicamente em nome da Carta e do direito comum. Ele retoma a posição do Avenir na mesma questão. Cf. sua brochura Du devoir des catholiques dans la question de la liberté d'enseignement, 80 p. in-8°, Paris, 1843; 2ª edição, in-32, 1844; Œuvres, t. IV, p. 207. Veuillot, que entrara no Univers em 1838, e o Correspondant, que acabara de renascer, o apoiam, e, pronunciando-se por ele, Dom Parisis o cobre do lado do episcopado, que escandalizam o terreno escolhido e o caráter laico do novo chefe.
A propósito do segundo projeto Villemain, abril-maio de 1844, Montalembert proferiu diante da Câmara dos Pares quatro famosos discursos: 1° uma resposta a Dupin, que, diante da Câmara dos Deputados, chamara os raios do governo sobre os bispos: Chambre des pairs: Discours de M... sur la question de la liberté de l'Église dans la discussion du projet de loi sur les fonds secrets, 64 p. in-8°, Paris, 1844; Œuvres, t. I, p. 364; 2° Chambre des pairs: Second discours de M... sur la question de la liberté d'enseignement, 32 p. in-8°, Paris, 1844; Œuvres, ibid., p. 441; 3° terceiro discurso... sur la liberté des ordres religieux. Séance de la Chambre des pairs du 8 mai 1844, sur le projet refusant aux congrégations le droit d'enseigner, 32 p. in-8°, Paris, 1844; Œuvres, ibid., p. 471; esses três discursos reunidos foram publicados numa única brochura in-18, em julho de 1844; 4° Chambre des pairs. Séance du 21 mai 1844. Dernier discours de M... dans la discussion de la loi sur l'enseignement (título relativo aos pequenos seminários); a lei lhes impunha, não o direito comum, mas um regime privilegiado, o que era uma armadilha armada aos católicos, 32 p. in-8°, Paris, 1844; Œuvres, ibid., p. 537.
Para acabar de ganhar a opinião, ele reeditava, em novembro de 1841, numa única brochura, sua Défense de l'école libre e seu escrito Du devoir des catholiques, in-18; ao mesmo tempo que, para comover os bispos, publicava uma brochura sobre Santo Anselmo, defensor dos direitos da Igreja: Saint Anselme. Fragment de l'introduction à l'histoire de saint Bernard (em projeto), in-18, Paris, 1844, reeditada mais tarde a seguir à Histoire de sainte Elisabeth.
3. Montalembert agrupa os católicos militantes num grande partido liberal (1844-1848). A despeito do silêncio, ou mesmo da oposição, da maior parte do episcopado, da hostilidade de legitimistas intransigentes e até de algumas personagens romanas que condenam em voz alta a «coda di Lamennais», enquanto Montalembert não cessa de denunciar da tribuna os atentados aos direitos da Igreja, cf. Œuvres, t. II, p. 1, e enquanto se desenrolam no país o caso do Manuel de Dupin e, até Roma, o caso dos jesuítas, Montalembert alcança seu objetivo: os católicos se agrupam num grande partido político no terreno do direito comum, que reivindica consequentemente, para a Igreja como para todos, para todos como para a Igreja, a liberdade de ensino e todas as liberdades legítimas.
Um Comitê diretor para a defesa da liberdade religiosa, que tem por lema Dieu et mon droit, por órgão o Univers, por apoio o Correspondant, é fundado em Paris; comitês diocesanos, que têm por órgãos jornais departamentais ou regionais, respondem-lhe na província. O resultado é que, nas eleições de 1846, os católicos, esclarecidos por circulares enviadas em nome do Comitê diretor por Montalembert, Œuvres, t. II, p. 200 e 415, e por sua brochura Du devoir des catholiques dans les élections, in-12, Paris, 1846, enviam à Câmara dos Deputados 140 partidários da liberdade de ensino.
Preciosas adesões vêm ao mesmo tempo ao partido, como a de Dupanloup, então vigário geral de Paris e superior do pequeno seminário de Saint-Nicolas-du-Chardonnet, que se junta com certo brilho, 1846; os famosos Cas de conscience de Dom Parisis, 1847, justificam seu programa, e por fim o advento de Pio IX parece lhe assegurar o apoio de Roma. Um quarto projeto sobre a liberdade de ensino, apresentado em abril de 1847, é mal recebido pelos católicos; o relatório favorável que dele faz o deputado Lindières, diante da Câmara, é retalhado de críticas por Montalembert. Œuvres, t. IV, p. 437. A revolução de fevereiro impediu que o projeto fosse discutido.
Absorvido por essa questão da liberdade de ensino, Montalembert não deixou, no entanto, de se interessar pela política externa; na maior parte das vezes, encontrava aí a ocasião de defender a Igreja e a liberdade.
4. Montalembert e a revolução de 1848. Lacordaire, sempre confiante na democracia, aplaudiu a revolução e fundou a Ère nouvelle, onde deviam conciliar-se a Igreja e a democracia. Ficou desiludido, e no dia seguinte a 15 de maio dava sua demissão de deputado e logo depois deixava a Ère nouvelle. Monarquista e aristocrata, muito ligado à ordem social, muito desconfiado em relação à democracia, Montalembert deplorou a revolução. Inclinando-se diante da vitória dos partidos avançados, inquieta-se em limitar as consequências dessa vitória.
Ao programa de liberdade do partido católico, acrescenta a manutenção da ordem. Cf. Univers, 25 de fevereiro, Lettre sur le nouveau gouvernement, ibid., 28 de fevereiro, e Université catholique, t. XXIV, p. 193; e põe seu partido em guarda contra a confusão entre cristianismo e democracia, ou ainda república. Cf. Quelques conseils aux catholiques. Ami de la religion, de 19 e 21 de outubro de 1848, Université catholique, t. XXV, p. 462-474; 16 p. in-8°, Paris, 1848; Œuvres, t. IV, p. 489.
Já em março, o Comitê diretor ocupou-se das eleições; Montalembert redigiu instruções em seu nome, Circulaires des 8 et 15 mars, Œuvres, t. III, p. 3, e aceitou até que se apresentasse sua candidatura no Doubs. Sua profissão de fé, extremamente clara, exigia a ordem e, para a Igreja como para todas as instituições sociais, a liberdade. Cf. Œuvres, ibid., p. 11. Em 22 de junho, na própria véspera das famosas jornadas, combaterá uma proposta de tendências socialistas do ministro das Finanças. Université catholique, t. XXV, p. 60 sq.; Œuvres, ibid., p. 6.
Ele não perde de vista a liberdade de ensino. Não pode, porém, fazê-la proclamar na Constituição sem condições que pesarão mais tarde sobre o projeto Falloux. Cf. Assemblée nationale. Session de 1848. Discours de M... sur la liberté d'enseignement dans la discussion de l'article 8 du projet de constitution. Séances des 18 et 19 septembre, in-8° e in-18, Paris, 1848; Œuvres, ibid., p. 53. É ainda a liberdade de ensino que, por ocasião da eleição para a presidência, o faz preferir a Cavaignac, que não se atreve a se comprometer, um Luís Napoleão favorável, e é para este que votarão os católicos.
5. A votação da lei Falloux (1850). Pela mesma razão, com o concurso de Dupanloup, ele leva Falloux, um católico, mas que desconfia do Príncipe-presidente, a tornar-se seu ministro da Instrução pública e dos Cultos. Enfim, depois de ter sustentado o governo e a Assembleia legislativa, para a qual o departamento do Doubs o havia enviado, em todas as suas medidas para a manutenção da ordem, sobretudo depois da jornada de 13 de junho, depois de ter defendido, a propósito da carta a Edgard Ney, os direitos soberanos de Pio IX, ibid., p. 250, como já, um ano antes, havia aplaudido a decisão de Cavaignac de socorrer o papa ameaçado pela revolução, Œuvres, ibid., p. 102, ele vê enfim chegarem ao fim vinte anos de esforços. A liberdade de ensino é votada.
6. Cisão do partido católico (1850). Mas a lei Falloux é uma lei de transação; concede não a liberdade absoluta, mas uma liberdade que basta à Igreja e que não fere nem o direito comum nem mesmo a Universidade. Por esse título, não satisfaz os católicos intransigentes, que se colocam no único ponto de vista dos direitos absolutos da Igreja, sem levar em conta as circunstâncias. À frente deles está Dom Parisis, esperando por Louis Veuillot, dois auxiliares da véspera para Montalembert. Eles pedem os raios da Igreja sobre os que fizeram votar a lei e que a aprovam, os liberais católicos, em particular sobre Dupanloup e sobre Montalembert, que em 17 de janeiro havia tentado convencer todos os adversários da lei. Cf. Discours de M... dans la discussion générale du projet de loi sur l'enseignement, 17 janvier 1850, in-8° e in-18, Paris, 1850; Œuvres, ibid., p. 340. Pio IX pôde bem impor aos intransigentes que aceitassem a lei; a unidade católica não se refez, longe disso. Outras questões acentuarão ainda mais a cisão. Cf. Libéralisme, col. 578 sq.
— 3° Último período (1850-1870). Desde então, Montalembert, sempre fiel ao lema Deus e liberdade, vê-se, um pouco como em seus começos, obrigado a lutar não só contra os inimigos da Igreja e da liberdade, mas contra católicos.
1. Suas relações com o poder. Pela ordem social, que os socialistas sempre ameaçam, Montalembert continua primeiro a sustentar o Príncipe-presidente. Cf. Assemblée nationale. Discours de M... prononcés dans les séances des 22 et 23 mai 1852, Œuvres, ibid., p. 426. Pela mesma razão, e porque espera obter do Príncipe concessões para a Igreja e para a liberdade de ensino, não se volta contra ele depois do golpe de Estado. Mas, em janeiro de 1852, diante do absolutismo que se organiza, do confisco dos bens da família de Orléans e da decepção de suas esperanças, Montalembert, se aceita entrar no Corpo legislativo como deputado de Besançon, fala sempre como opositor que lamenta o regime representativo. Cf. Corps législatif. Session de 1852. Discours de M... dans la discussion générale du budget. Séance du 22 juin 1852, 16 p. in-8°, 1852.
Fala com a mesma independência na Academia Francesa, para a qual foi eleito em 9 de janeiro, para a cadeira de Droz. Discours prononcé à l'Académie française par M..., le 5 février 1852, Œuvres, ibid., p. 550. Mas é sobretudo na famosa brochura Des intérêts catholiques au XIXe siècle, in-8°, Paris, 1852 (outubro); 2ª edição em novembro; 3ª edição, revista e aumentada, in-12, dezembro; Œuvres, t. V, p. 3, que Montalembert manifesta seu pensamento: «Que os católicos, diz ele, sem fazer oposição sistemática, guardem uma atitude reservada e independente. Todos os progressos da Igreja, desde meio século, ela os deve à liberdade e ao governo parlamentar. Prouvesse ao céu que esse regime fosse o de todos os países!»
É ao mesmo tempo para visitar os representantes da monarquia parlamentar na França, os príncipes de Orléans, e para ver em ação o regime parlamentar em sua terra de eleição, que em 1855 vai à Inglaterra. Dessa viagem nascerão os artigos De l'avenir politique de l'Angleterre, no Correspondant de 25 de novembro e 25 de dezembro de 1855, depois in-18, Paris, 1856; 2ª edição, in-12, 1856; 3ª edição, aumentada de um artigo publicado no Correspondant de 25 de abril de 1856: La paix et la pairie à vie en Angleterre, artigos em que agitava questões políticas, sociais e religiosas. Renovará essa viagem em 1858, e dará então, no Correspondant de 25 de outubro de 1858, um artigo ainda mais conhecido, que lhe valeu um processo diante da justiça francesa e uma condenação a três meses de prisão por ataques contra o regime Imperial: Un débat sur l'Inde au Parlement anglais, publicado em separata, 117 p. in-8°, Paris, 1858, reimpresso em Bruxelas, gr. in-8°, 1859.
A consequência dessa atitude foi que Montalembert não foi reeleito para o Corpo legislativo nem em 1857, nem em 1863.
2. Suas lutas com os católicos intransigentes. Essa atitude acabou de separá-lo, a ele e a seus fiéis, dos católicos intransigentes, quase todos aliados ao Império, em particular de Louis Veuillot. Para responder ao Univers, Montalembert esforçou-se por dar de novo calor e vida ao Correspondant, 1855. Encontrar-se-á, no artigo Libéralisme, col. 581 sq., a história desses conflitos, em que se veem ao lado de Montalembert Dom Dupanloup e os «conjurados da Roche-en-Brény».
3. Suas relações com Roma. Numa viagem que fez a Roma nos últimos meses de 1850, o defensor da liberdade da Igreja fora recebido com as maiores honras pelo papa e pelos cardeais. A municipalidade lhe dera até o título de cidadão romano. Montalembert não deixou de defender a Santa Sé contra os ataques, de onde quer que viessem — ataques de Walewski e de lord Clarendon; não dispondo mais da tribuna, responde-lhes no Correspondant pelo famoso artigo Pie IX et lord Palmerston, loc. cit., 25 de junho de 1856; Œuvres, t. V, p. 445; em 1859, ainda no Correspondant, a propósito do movimento revolucionário que se seguiu, nas Legações, à campanha franco-sarda, dá o artigo Pie IX et la France en 1849 et en 1859, 25 de outubro, Œuvres, ibid., p. 605. Esse artigo, por palavras bem conhecidas, valeu a seu autor novas ações judiciais.
Tampouco permitiu que Cavour o ligasse à sua causa. Assim, em 12 de outubro de 1860, uma Lettre à M. le comte de Cavour, président du conseil des ministres à Turin, publicada no Correspondant de 25, protestava contra a aprovação que Cavour buscava, para sua política, na brochura Des intérêts catholiques au XIXe siècle. Datada de 15 de abril de 1861, uma Deuxième lettre à M. le comte de Cavour, 80 p. in-8°, Paris, 1866, e Œuvres, t. IX, p. 3, onde é seguida de várias cartas ao Journal des Débats, protestará contra o emprego feito por Cavour, e no sentido por ele mesmo avançado, da fórmula que se tornaria célebre, «a Igreja livre no Estado livre», já em sua primeira Carta. Cf. Ch. Benoist, La formule de Cavour: L'Église libre dans l'État libre, Revue des Deux Mondes, 15 de julho de 1905, p. 343-372, e, sobre o sentido dado por Montalembert a essa mesma fórmula, a Note explicative que fez publicar no Correspondant, 1863, t. III, p. 416, no dia seguinte aos Discours de Malines.
Essas brochuras lhe tinham valido, por diversas vezes, aprovações emocionadas por parte do sumo pontífice; Pio IX aceitou que os Moines d'Occident lhe fossem dedicados. Tudo mudou com os Discours de Malines, de 20 e 21 de agosto de 1863, que apareceram sob este título: L'Église libre dans l'État libre, no Correspondant de 25 de agosto e de 25 de setembro do mesmo ano, e em separata, 189 p. in-8°, Paris, 1863. Viu-se, no artigo Libéralisme, col. 558 sq., como esses Discursos, em que Montalembert não se desconfiara bastante de seus adversários e de sua própria eloquência, lhe valeram de Roma uma censura discreta, mas não menos dolorosa para ele.
Depois virá a Encíclica Quanta cura, o Syllabus, em que seus adversários verão a condenação de suas doutrinas, com uma alegria que combatem as explicações de Dupanloup e de Ketteler. Cf. Libéralisme, col. 592 sq. O concílio é anunciado. Por um momento, Montalembert espera que suas ideias ali triunfarão. Mas está doente, e pouco a pouco escuta os intransigentes, segundo os quais o concílio fechará ao liberalismo todas as saídas por onde ele escapou do Syllabus. A infalibilidade o assusta: «ele vê o papado tornar-se onipotente, absoluto, condenando as liberdades modernas no exato momento em que elas renascem na França» (o Império caminhava então para o regime parlamentar) «e expondo-se assim a perder, como no século XVI, a metade da influência que lhe resta». Lecanuet, op. cit., t. III, p. 468.
Daí escritos antes lamentáveis, vários dos quais, é verdade, não serão então publicados: Questions à soumettre au futur concile, inédito, cf. Lecanuet, loc. cit., p. 435 sq.; a brochura Espagne et liberté, que o Correspondant recusou inserir e que uma indiscrição entregou à Revue suisse, em 1870; a carta Aux catholiques de Coblentz, julho de 1869; a Lettre à Lallemand, publicada em março de 1869 na Gazette de France, onde uma carta de Dom Sibour lhe dita uma palavra muito dura para o papa; sem falar de sua correspondência privada.
Ele não viu nem a queda do Império nem o fim do concílio, pois morreu em 13 de março de 1870, na paz da consciência, pois sempre agira e falara segundo convicções que cria ortodoxas, e na submissão à Igreja — ele a havia bem marcado, essa submissão, nas cartas que escrevia ao P. Hyacinthe depois de sua defecção, ou a esse respeito, cf. Lecanuet, loc. cit., p. 449 sq. —, e fizera sua a divisa dos católicos poloneses: «Amamos a liberdade mais que tudo no mundo, e a religião mais que a liberdade.» Œuvres, t. I, p. 393. Cf. Un hommage à Montalembert par le cardinal Mercier, Correspondant, 25 de fevereiro de 1912.
4. Últimos escritos sobre a Polônia, a Irlanda. Numa longa viagem que fez pela Europa, para se documentar antes de começar seus Moines d'Occident, Montalembert chegou até a fronteira da Polônia russa; do que viu, do que aprendeu, compôs o emocionante artigo Une nation en deuil. La Pologne en 1861, Correspondant, 25 de agosto de 1861; Œuvres, t. IX, p. 117. Dois anos mais tarde, tendo a Polônia se levantado, Montalembert apela para a piedade da Rússia e para a intervenção diplomática, ao menos, da França: L'insurrection polonaise, Correspondant de 25 de fevereiro de 1863; Œuvres, ibid., p. 173. A Polônia não teve, para apoiá-la, senão a palavra de Pio IX. Num artigo Le pape et la Pologne, Correspondant de 25 de maio de 1864; Œuvres, t. IX, p. 207, Montalembert proclamará que não há de grande, na Europa, senão dois oprimidos: o papa e o povo polonês. Por fim, aplaudirá La victoire du Nord aux États-Unis, Correspondant de 25 de maio de 1865; Œuvres, ibid., p. 297, e ao disestablishment da Igreja anglicana na Irlanda, L'Irlande et l'Autriche, Correspondant de 25 de maio de 1868.
5. Les moines d'Occident e a publicação das Œuvres.
Por volta de 1835, depois da Histoire de sainte Elisabeth, Montalembert teve a ideia de escrever a história de São Bernardo, a fim de contribuir para reerguer as ordens religiosas. Mas quis situá-lo, por assim dizer, em sua linhagem, e remontar até São Benedito. Essa introdução à vida de São Bernardo, terminada em 1847, compreendia inicialmente dois volumes. A conselho de Dupanloup e de Foisset, refundiu esse trabalho. Tal foi a origem de sua grande obra Les moines d'Occident depuis saint Benoît jusqu'à saint Bernard. Os t. I e II, in-8°, Paris, apareceram em 1860; tinham por assunto a origem do monaquismo, São Benedito e os primeiros desenvolvimentos de sua obra, que terminam encontrando a de São Columbano. Os t. III, IV, V, in-8°, intitulados todos três Conversion de l'Angleterre par les moines, apareceram, o primeiro em 1865, e os dois outros em 1867. Nesse mesmo ano, publicou em separata Saint Colomba, apôtre de la Calédonie. Extrait du tome III des moines d'Occident, in-8°, Paris.
Em 1860, começará a publicação de suas Œuvres, 9 vol. in-8°, terminada em 1868; nela não serão incluídos os Moines d'Occident. Os t. I, II, III, Discours, 1831-1852 (os discursos de Malines não figuram), IV e V, Œuvres polémiques et diverses, aparecerão em 1860; os t. VI, Mélanges d'art et de littérature, VII e VIII, Histoire de sainte Elisabeth, em 1861; o t. IX das Œuvres polémiques et diverses, 1868, compreenderá a maior parte dos escritos publicados a partir de 1861, entre outros as Notices biographiques: Le P. Lacordaire, p. 391-573; Le comte Beugnot, p. 575-592; Lamoricière, p. 609-646, já publicadas no Correspondant.
4° Montalembert e a questão social. Tal como ela se apresenta hoje, nasceu de seu tempo. O Avenir a assinalou e fez compreender a ele, e a experiência de seu século ainda mais. Se ela não está em primeiro plano em suas preocupações, se ele não tem fé na democracia, mesmo fazendo pesados sacrifícios para melhor combater o socialismo, ele não a negligenciará. Aristocrata e cristão, sabe-se, aliás, com um dever social. Antes de Lamartine, reclama a emancipação dos escravos, Discours sur l'émancipation, 7 de abril de 1845. Reclama a liberdade absoluta para a caridade privada, mas admite, e reclama até, em certos casos — na questão do trabalho das crianças nas manufaturas, por exemplo — a intervenção do Estado em favor das classes trabalhadoras. Apoiou o Sr. de Melun em todas as suas propostas de lei. Cf. Abbé Calippe, Les tendances sociales des catholiques libéraux, Paris, 1911; Goyau, Montalembert précurseur du catholicisme social, na Revue Montalembert, 25 de dezembro de 1910.
Encontrar-se-á uma Bibliographie de Montalembert, pelo R. P. Lecanuet, na Revue Montalembert, 25 de dezembro de 1910. Todo esse número é, aliás, consagrado a Montalembert, por ocasião de seu centenário.
A correspondência privada de Montalembert foi em parte publicada depois de sua morte, seja em volumes separados: Lettres à un ami de collège (Cornudet), in-12, Paris, 1873; Nouvelle édition aumentada das respostas de Léon Cornudet, in-8°, Paris, 1884; Correspondance avec Cornudet, in-8°, Paris, 1905; Correspondance de Montalembert et de l'abbé Texier, publicada por H. Texier, in-16, Paris; R. Oheix, Un hommage à la mémoire de Montalembert avec quelques-unes de ses lettres inédites, in-16, 1870; seja em revistas: Lettres de Montalembert à Mgr Parisis, publicadas pelo abade Guillemant, Quinzaine, 1906-1907; Lettres inédites de Montalembert à Lamennais, publicadas por Goyau, com notas, Correspondant, 1927, t. II.
A obra capital sobre Montalembert é a conhecida obra do R. P. Lecanuet, Montalembert, t. I, Sa jeunesse (1810-1836), 1896; t. II, La liberté d'enseignement (1835-1850), 1898; t. III, L'Église et le second Empire (1850-1870), 1902. Pode-se ver também Miss Oliphant, Memoirs of the count de Montalembert: a chapter of recent french history, e os dois artigos consagrados a esse livro sob o título: Une biographie anglaise du comte de Montalembert, por P. L. F. Craven, no Correspondant de 10 e 25 de dezembro de 1872; Foisset, Le comte de Montalembert, in-12, 1877; C. de Meaux, Montalembert, in-12, 1897; V. de Héricault, Ceux que j'ai connus, ceux que j'ai aimés (Montalembert), in-12, 1900; Sainte-Beuve, Causeries du lundi, t. I, Portraits littéraires, t. II; os Discours prononcés à Bruxelles le 11 février 1912 à propos du centenaire de Montalembert, cf. La Belgique et Montalembert, por A. Braun, senador da Bélgica; Un hommage à Montalembert, par le cardinal Mercier, no Correspondant de 10 e 25 de fevereiro de 1912; as Vies de Lamennais, Lacordaire, Mgr Dupanloup, dom Guéranger, Mgr Parisis, Louis Veuillot, de Falloux, e a bibliografia do artigo LIBÉRALISME, col. 627-628.
C. Constantin.
Autor original: C. Constantin
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