MONTAIGNE Cláudio Luís de, sacerdote de Saint-Sulpice (1689-1767), nasceu em Grenoble, na paróquia de Saint-Hugues, em 17 de abril de 1689, de uma família muito honorável. Um de seus irmãos era conselheiro na câmara de contas do Delfinado, e o outro, cavaleiro de Saint-Louis. Tonsurado desde cedo e prior de Saint-Thomas de la Flèche, e de Gouis, em Durtal, na Anjou, veio ao seminário de Saint-Sulpice, em 26 de fevereiro de 1712, para lá fazer seus estudos teológicos. Na licença de 1722, foi classificado em 12º lugar entre 99 concorrentes. Foi então que foi agregado à Compagnie de Saint-Sulpice; permaneceu no seminário e tomou o barrete de doutor em 11 de outubro de 1727. Quando o Sr. de La Fosse morreu, em 1745, tornou-se diretor dos estudos no seminário.
Em seu ensino, ou na resposta às dificuldades que lhe eram apresentadas, começava sempre por expor o estado da questão: estendia-se de bom grado um pouco demais nessa exposição, e talvez por vezes demoradamente; mas depois a questão era resolvida rápida e claramente. Todo o seu tempo era partilhado entre o estudo e a oração, ou melhor, nunca separava um do outro esses dois exercícios. Como escreve um de seus discípulos, o abade Baston, em suas Mémoires (t. I, p. 176), ele era do pequeno número de teólogos persuadidos, com São Bernardo e São Tomás, de que se aprende mais na presença de Deus e ao pé dos altares do que nos livros. Viveu e morreu, diz ainda, como «vivem e morrem os santos». Quando expirou, em 30 de abril de 1767, seu quarto ficou todo perfumado de um suave odor, como atestou o Sr. Bourachot, superior geral de Saint-Sulpice, como que para marcar por um sinal exterior que esse santo sacerdote fora sempre, por seus exemplos, bonus odor Christi.
Deixou também a reputação de excelente teólogo. Foi por causa dessa reputação que, em 1750, foi agregado aos quatro bispos reunidos por ordem do rei, sob a presidência do cardeal de Rohan, para examinar a Instruction pastorale do Sr. de Rastignac, arcebispo de Tours, sobre a Justice chrétienne.
Conhece-se Honorato Tournely, célebre teólogo do início do século XVIII, que ensinou longamente em Douai e na Sorbonne e publicou (1725-1730) seus cursos em 16 volumes in-8°. Para uso do seminário e para ajudar os candidatos à licença em teologia, cuidou-se, em Saint-Sulpice, de publicar resumos práticos deles, suficientemente extensos, e, por outro lado, completados em vários pontos, continuando-se, com a autorização do mestre, a cobrir-se com o seu nome. O Journal des Savants (maio de 1731, p. 39) não soube reconhecer o verdadeiro autor, e atribui todas essas obras ao verdadeiro Tournely.
O Sr. de La Fosse havia publicado um primeiro volume, o tratado De Deo, do qual o Sr. de Montaigne deu uma segunda edição. Depois, este passou a preparar e publicar os outros volumes desse resumo: Praelectiones theologicae de septem Ecclesiae sacramentis ad usum seminariorum et examinis ad gradus theologicos praevii contractae, opus Em. S. R. E. cardinali de Fleury regni administro dicatum ab Honorato Tournely, sacrae Facultatis Parisiensis doctore, Paris 1729, 2 vols. in-12 (5ª edição em 1742). Com título semelhante, publicou sucessivamente os tratados: De mysterio sanctissimae Trinitatis et de Angelis, in-12, 1732 (nova ed. em 1741, em 1750); De opere sex dierum, in-12, 1732; De gratia Christi Salvatoris, 2 vols. in-12, em 1735. O 1º encerra, em 803 páginas, dissertações históricas sobre as heresias que se levantaram na Igreja a respeito da graça — dissertações que não se encontram em Tournely. Em 1738, fez-se dele uma nova edição, à qual se juntou a parte dogmática. Mas as onze dissertações históricas da primeira edição são reduzidas a oito, e todas são abreviadas, exceto a primeira, que trata do pelagianismo. Em 1748 apareceu uma nova edição em que as oito dissertações históricas da edição de 1738 são aumentadas de uma nona sobre o quesnelismo; nova edição em 1755.
A parte histórica desse tratado da graça foi reproduzida em Migne, Theologiae cursus completus, t. X. São as onze dissertações da edição de 1735, e, para a décima segunda, reproduz-se a nona da edição de 1748. Migne inseriu igualmente o Traité de l'œuvre des six jours no tomo VII (col. 1201-1338) de seu curso completo. Na edição publicada em Colônia em 1737 das obras do verdadeiro Tournely, reproduziu-se o tratado de Montaigne sobre os seis dias.
Em La France littéraire, Paris, 1834, in-8°, J.-M. Quérard atribui a Montaigne (a quem chama Montagne, escrevendo como se pronunciava o nome) a seguinte obra: Compendiosae institutiones excerptae ex contractis Praelectionibus Honorati Tournely ad usum seminariorum, Paris, 1731, 2 vols. in-8°. Mas engana-se. Essa obra é de Urbano Robinet, doutor da Sorbonne, vigário geral de Paris. No artigo sobre Robinet, Quérard o reconhece. Em seu Dictionnaire des ouvrages anonymes, Barbier é do mesmo parecer.
Ver L. Bertrand, Bibliothèque sulpicienne, t. I, p. 338-348; A. Gaillard, Études sur l'histoire de la doctrine de la grâce depuis S. Augustin, in-8°, Paris, 1897, p. 304-305.
Autor original: E. Levesque
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