MEYRONNES Francisco de, franciscano (m. 1325), mais conhecido sob a denominação de de Marone ou de Maironis, tirava esse nome do de sua terra natal, pequeno município do departamento dos Basses-Alpes.
I. Biografia. — Oriundo, dizem, de uma família degli Spedalieri, entrou entre os Frades Menores da província da Provença, provavelmente no convento de Digne. Essa é a explicação mais óbvia da denominação Franciscus de Maironis de Digna, de que se serve João XXII numa carta de 23 de maio de 1323 para designar nosso personagem. Essa carta é de importância capital para a cronologia de sua vida, pois é o documento mais seguro com data precisa que possuímos.
Onde fez seus estudos? Só Trithemius o diz Scoti auditor. Se devemos crer nesse testemunho um pouco tardio, Meyronnes teria vindo a Paris entre 1302 e 1307. Terá ensinado na Inglaterra antes de fazê-lo em Paris, como conclui o P. Pagi de uma frase um pouco enigmática de Maurice du Port: Scripsit super Magistrum non modo bis ut plerique alii, in Britannia primum aut alibi, deinde in Gallia? Não sabemos dizê-lo. Um ms. de Cesena, citado pelo mesmo Pagi, terminava assim: Explicit lectura super I Sententiarum fr. Francisci de Mayronis, sub eo reportata Parisiis, anno Domini 1320.
Pela carta acima referida, o papa, a instâncias de Roberto, rei de Nápoles, pedia ao chanceler da Universidade de Paris que conferisse o mestrado a Francisco de Meyronnes, que havia concluído o curso normal das lições impostas aos bacharéis em teologia antes de obter a licença. Ao mesmo tempo que fazia essas lições, nosso bacharel se entregava ardentemente à controvérsia, e nela se especializou tão bem que por muito tempo lhe atribuíram a instituição do Actus Sorbonicus, controvérsia que se realizava nas sextas-feiras da estação de verão e que durava doze horas consecutivas, durante as quais o mesmo argumentador devia enfrentar todos os antagonistas que se apresentassem. Hoje essa tradição está relegada entre as fábulas, pois não se encontra nenhum vestígio dela nos documentos contemporâneos.
O ms. 39 do fundo Borghese na Vaticana conservou-nos o texto de uma dessas controvérsias entre Meyronnes e Pedro Roger, prior de Saint-Pantaléon, o futuro papa Clemente VI, com as seguintes datas: Questio prima quam feci super IV Sententiarum, anno Domini 1320, in die S. Agnetis (21 de janeiro de 1321), contra fr. Franciscum baccalarium minorem. Incipit II replicatio dicti prioris contra dictum fr. Franciscum... anno Domini 1320, die martis ante festum Paschae, die 14 aprilis (1321).
No mês de maio de 1323, como vimos, João XXII pedia e obtinha que ele fosse promovido a doutor. Reencontramo-lo no grande convento dos cordeliers em setembro desse mesmo ano, assistindo nos últimos momentos a Elzéar de Sabran, morto no dia 27, que quisera fazer a confissão geral de sua vida àquele que dizia ser unus de majoribus clericis mundi, in fide instructus et firmus.
Embora proclamado mestre, Meyronnes continuou pouco tempo a ensinar em Paris, pois na primavera do ano seguinte o encontramos em Avinhão e, provavelmente no mês de abril, João XXII o designou para se dirigir à Guyenne, com o frade pregador Domingos Grima, velut un (/clos pacis, para tentar evitar um conflito entre os exércitos da França e da Inglaterra, comandados por Carlos de Valois e Edmundo, conde de Kent, ao mesmo tempo que enviava como núncios junto aos dois reis Guilherme, arcebispo de Vienne, e Hugo, bispo de Orange. Este último, pré-conizado em 28 de março e sagrado nos dias seguintes, estava na cúria em 1º de abril. A missão, portanto, não é anterior a essa data; teria ela ocorrido? Duvidamos, pois as datas das cartas de envio e dos salvo-condutos para os dois enviados ficaram em branco, e em 21 de maio João XXII agradecia ao nobre Alfonso de Espanha, que lhe anunciara que a discórdia entre os dois soberanos terminara via pacis amicabilis. Mollat, Registres de Jean XXII, n. 19 210, 19 241, 20 349, 20 350, 2(1 377, 20 384, e Archives du Vatican, Instr. Miscel. 831, 831 bis.
Por essa época, Meyronnes teria sido ministro da província da Provença, segundo este incipit que lemos no ms. 6114 da biblioteca de Assis: Determinatio paupertatis Christi et apostolorum condita a fr. Francisco de Mayronis eximio doctore s. theologiae, ordinis fratrum minorum, dum minister Provinciae, quam condidit in romana curia apud Avenionem, dum de hoc quaestio est incitula. Essa determinação deve ser anterior à bula Quia quorumdam, de 10 de novembro de 1324, pela qual João XXII pôs fim a essa longa controvérsia. Sabe-se ainda que pregou várias vezes em Avinhão diante da corte pontifícia.
O ms. 07 da biblioteca de Metz contém o sermão ou tratado sobre a eucaristia, Memoriam fecit suorum mirabilium. Tria sunt praeconia, com a menção facta coram papa Johanne, e no ms. 6â do Merton College encontra-se o outro sermão De indulgentiis ou De clavibus, pregado em Avinhão, no dia de São Pedro Acorrentado, 1º de agosto, in praesentia papae et cardinalium. O ano em que esses sermões foram pronunciados permanece desconhecido. Ele talvez permitisse fixar o da morte de Meyronnes.
Até o fim do século XVII, os autores aceitavam a data de 1325, quando o P. Pagi propôs atrasá-la. Ele reencontrara uma súplica apresentada a João XXII por Raymond Bot, bispo de Apt, e os habitantes dessa cidade, em 3 de maio de 1327, para obter a canonização de Elzéar de Sabran, ao pé da qual se lia a nota Ex Francisco Maironio. Daí concluía que Meyronnes ainda vivia na época em que a súplica foi apresentada, sem notar que essa indicação pode igualmente se aplicar a um escrito anterior do panegirista de Elzéar, que havia pronunciado sua oração fúnebre em Paris, e também, dizem, em Aix.
Sbaraglia quer ainda prolongar sua vida pelo menos até 1333, fundando-se no fato de que, na questão V do prólogo de seus comentários sobre as Sentenças, e na distinção XXXIV, questão VI do livro I, o autor cita magistrum Thomam Anglicum doctorem modernum, que o bibliógrafo identifica com Thomas Walleis, preso em Avinhão nessa data, depois de ter ensinado em Oxford durante vários anos.
Não reencontramos o adjetivo modernus nos lugares indicados; no primeiro, Meyronnes relata conclusões cujusdam doctoris Thomae Anglici; no segundo, admite como verdadeiro o dictum magistri Thomae Anglici. A presença de Walleis em Avinhão na data acima referida nada tem a ver com a da obra à qual Meyronnes se refere; além disso, a composição do primeiro livro dos comentários é anterior pelo menos dez anos.
Foi no convento de Plasência que morreu nosso doutor, e vê-se ainda hoje, encaixada na parede perto da sacristia, a pedra sepulcral que o geral da ordem, Francisco Sampson, havia colocado no coro dos religiosos em 1477, Illuminati doctoris ossa ne jacerent inculta. Franciscus Maroni figura entre os personagens ilustres representados nos encostos das cadeiras do coro da basílica superior de Assis, executados por iniciativa do mesmo geral (1491-1501). Sua efígie tinha ainda um direito muito especial a ser colocada num dos medalhões que decoram o túmulo erguido ao Doutor Sutil, na igreja dos Frades Menores em Colônia, no início do século XVI, pois Francisco de Meyronnes sempre foi considerado um dos principais e mais ilustres discípulos de Escoto.
Doctoris subtilis validior imitator, assim o chama Guilherme de Vaurouillon (m. 1464), ao fim de sua obra Super IV libros Sententiarum, Veneza, 1496, fol. 316. Para Dionísio Cartuxano (m. 1471), ele e Pedro de Candie são Scotistae praecipui. In I Sent., dist. II, q. II. Relataremos mais adiante o julgamento de Maurice du Port (m. 1513), seu editor, e podemos chegar até Renan, que o chamava «o mais célebre dos discípulos imediatos de Escoto». Histoire littéraire de la France, t. XXV, p. 461.
II. DOUTRINA E LUGAR NA ESCOLA FRANCISCANA. — Um autor recente, o Sr. Duhem, creu poder chamar Meyronnes o verdadeiro criador do que se chamou mal de «escotismo». Aceitamos essa expressão, pois está estabelecido que Duns Escoto não foi o inovador que se gostou de representar; ele apenas continuou as tradições da escola franciscana, que existia antes dele, como muito bem demonstrou nosso colaborador o P. Longpré. A maior parte das teses filosóficas e teológicas do B. Duns Escoto, em torno das quais se disputou durante séculos, não são nem mais nem menos que o ensinamento comum da escola franciscana antes do Doutor Marial.
O papel do Doctor illuminatus — é esse o nome que Meyronnes ostenta na série dos antigos doutores — foi diversamente apreciado segundo as tendências dos críticos. O recente historiador da filosofia medieval pronuncia este juízo severo: «François de Meyronnes é o primeiro e talvez o mais culpado desses discípulos desajeitados que sobrecarregam de realidades quiméricas e sutis a metafísica de Duns Escoto, e pela exageração dos princípios de seu mestre mereceu o título de Magister acutus abstractionum.» De Wulf, Histoire de la philosophie médiévale, Louvain-Paris, 1912, p. 531.
Esse título, do qual o Sr. De Wulf faz uma censura a Meyronnes, era, ao contrário, considerado uma honra para aquele a quem foi dado, não por ter multiplicado as formalidades, mas por ter descoberto nas obras de seu mestre algumas verdades ocultas e abstratas: Arcana quaedam et abstracta diligentissime in primis indagator invenit, quo factum est ut Abstractionum magister merito dici meruerit. Assim se exprimia Maurice du Port, no prefácio de sua edição dos comentários sobre as Sentenças. Para esse mesmo autor, sem as obras de Meyronnes: Ad unguem nec disciplinas quas profitemur, nec scholasticae apicem quisquam adipisci potest... tantum nostris studiis necessarium ut solus is Scoti doctrinam aliis ignotam nobis aperiat atque dilucidet.
Enquanto para uns ele exagerou os princípios do Doutor Sutil, para outros ele os aperfeiçoou, por exemplo, na questão da distinção formal. Foi ele, escreve o P. Prosper de Martigné, quem formulou esta proposição universal, de uso frequente em toda demonstração das formalidades: Ea de quibus demonstrantur diversa, et quibus conveniunt opposita etiam contradictorie, omni actu intellectus secluso ex sua distinguuntur natura.
Há uma outra questão, então muito discutida na escola, a da imaculada conceição de Maria, sobre a qual ele foi o primeiro a dar por escrito o argumento de conveniência que se atribui ao Doutor Marial, mas do qual este último formulara apenas a primeira proposição. Deus potuit facere quod ipsa numquam fuerit in peccato. Escoto não ousava ir mais longe: «Quid autem Deus tunc factum sit, novit.» In I lib., dist. III, q. I. Meyronnes não hesita em escrever: 1. Quod Deus matrem suam ipsius potuit praeservare; 2. Quod hoc decuit; 3. Quod de facto ipsammet ab originali praeservavit. Ibid., q. II.
Foi de fato, e é uma de suas glórias, um ardente defensor do glorioso privilégio da Virgem, a tal ponto que um partidário da opinião contrária, Henrique de Hesse, imaginava um diálogo entre os dois patriarcas dos pregadores e dos menores, no qual Domingos pedia a Francisco que despertasse e chamasse seus filhos ao respeito pelos santos doutores, por Santo Bernardo em particular; e ataca Meyronnes, tui ordinis quidam professor universitatis Parisiensis doctor theologicus, cuja autoridade um outro frade menor tivera recentemente a impudência de invocar, e dá o apelido de «maronitas» aos que o seguem.
Nem todas as teses do Doutor Iluminado tiveram o mesmo sucesso. Em sua Collectio judiciorum de novis erroribus, du Plessis d'Argentré inseriu, como censuradas pela Faculdade de Teologia, duas de suas opiniões: uma sobre a questão Utrum Deus sit causa effectiva peccati (In II, dist. IV, q. IV), cujas conclusões são qualificadas de perversa consectaria, e que, embora ele procure justificá-las, seriam difíceis de sustentar. Elas se aproximam do ensinamento que então dava em Oxford Thomas Bradwardine, cuja Causa Dei fez ruído nos anos seguintes.
A outra, dita temeraria opinio, in scholis theologorum communiter improbata, encontra-se no III, dist. IV, q. I, a. 6, onde ensina quod corpus Christi in matris utero vere habuit ordinem in toto et non in loco sicut ipse in hostia habet, ideo non erat ibi distinctio localis sed solum diffinitive.
Buscou-se ainda querela com Meyronnes por seu ensinamento sobre a origem do poder do papa de conceder indulgências. Brevemente exposto in IV, dist. XIX, q. II, é longamente desenvolvido no sermão do dia de São Pedro Acorrentado, pregado diante da corte pontifícia. Ele não considera suficientemente estabelecida a existência do tesouro da Igreja; assim, toda a eficácia das indulgências vem do poder que Cristo deu a Pedro de ligar e desligar: quem pode remitir a culpa pode igualmente remitir a pena. Maurice du Port, seu editor, contenta-se em anotar na margem, opinio singularissima; ela está em oposição com a extravagante Unigenitus, mas essa decretal de Clemente VI é de 27 de janeiro de 1343, posterior, portanto, vinte anos aos comentários.
Além disso, como observa Wadding, ela não é uma definição dogmática, mas uma exposição do ensinamento ordinário da Igreja; por isso o franciscano Miguel Medina cria poder defendê-la em suas Disputationes de indulgentiis ad Patres S. Concilii Tridentini, Veneza, 1564, disp. VIII, c. XXXIX e XL. São estas, acreditamos, as únicas críticas que se formularam contra o ensinamento de Meyronnes, cuja autoridade vemos invocada com confiança por São João de Capistrano, acusado de heresia, em seu memorial justificativo apresentado ao papa Pio II em 1462: Haec non est mea sed doctorum catholicorum omnibus sententia, qui in collegiis leguntur, videlicet domini Francisci de Mairone doctoris acutissimi et illuminatissimi, domini Bonaventurae cardinalis, Richardi de Mediavilla, in theologia utriusque juris peritissimi. Analecta franciscana, Quaracchi, 1887, t. II, p. 395.
Vemos por esta frase que Meyronnes era um dos autores ensinados na escola franciscana, e encontramos a confirmação disso nas Constitutiones Alexandrinae, publicadas em 1501, que ordenavam que, nos estudos da ordem, se fizesse durante três anos a leitura das Sentenças com as questões de Escoto ou de outros doutores, Alexandre de Hales, Boaventura, Meyronnes ou Ricardo de Middletown.
III. OBRAS. — Os Scripta in IV libros Sententiarum constituem a principal obra de Meyronnes. A seu respeito, Maurice du Port, que os editou, nos diz: Scripsit super Magistrum non modo bis ut plerique, sed ter et in quosdam etiam ejus libros quater, o que se deve entender sobretudo do livro I, do qual é considerado o comentador por excelência. Daí as diferenças que se observam entre os manuscritos do Scriptum in I Sententiarum. A Biblioteca Vaticana possui cinco deles (mss. lat. 892-896) com quatro incipit diferentes.
Foi impresso uma primeira vez em Treviso, em 1476, depois em Basileia, em 1489, com o título de Conflatus. Maurice o reeditou em Veneza, em 1504, fazendo-o seguir-se dos Scripta sobre os outros três livros, 1505-1507, até então inéditos. Observa-se uma grande desproporção entre esses comentários; os sobre o primeiro livro ultrapassam em muito, em extensão, os outros três reunidos.
Antes de morrer, Maurice havia revisado essa obra, que apareceu de novo em Veneza, em 1519 e 1520, por iniciativa de um carmelita, chamado simplesmente Hipólito. Este lhe acrescentava um triplo Index copiosissimus. Encontram-se outros índices em diversos manuscritos: um, datado de 1449, na biblioteca de Dantzig, ms. 1493; outro de 1459, pelo frei Jacques Textor de Justinopoli, que fez também uma Expositio super primas quaestiones conflatus, em Assis, ms. 265. Na mesma biblioteca, o ms. 45 do fundo moderno é o Spiraculum Francisci de Mayronis, composto durante as férias de 1416 por um estudante da universidade de Bolonha, que já fizera um estágio em Paris e do qual sabemos apenas que era originário de Évora. É um compêndio de doutrina escotista, redigido por ordem alfabética e chamado Spiraculum quia fere totum spiratum a Conflatu Francisci de Mayronis, cujus doctrina fulget ut sol lunam.
Esses índices mostram que a obra de Meyronnes era muito estudada no século XV, como aliás comprovam os numerosos manuscritos disseminados pelas bibliotecas da Europa.
Ao mesmo tempo que os Scripta in IV libros Sententiarum, Maurice editava, a partir de um manuscrito incorreto e incompleto, um Quodlibetum do Doutor Iluminado, contendo dezesseis questões, das quais as treze primeiras trazem no próprio texto seu número de ordem; depois vêm mais três, que o editor numerou XIV-XVI, mas no texto as duas primeiras são chamadas a e b, e a última está sem número. Encontra-se a mesma disposição no ms. 179 de Assis. O P. Pagi escrevia ter em mãos um manuscrito com uma questão XIV diferente daquela que traz esse número na edição, e uma questão XVII igualmente inédita.
Haveria muitas coisas interessantes a destacar nessa obra; mencionaremos apenas a declaração que se lê no proœmium sobre o modus procedendi in theologia adotado pela escola franciscana. Há, diz-se, um duplo método de proceder em teologia, more peripateticorum et more platonicorum. Segundo a primeira, proceditur ab inferioribus ad superiora et a facilioribus ad difficiliora; segundo a segunda, segue-se um processo inverso, a superioribus ad inferiora et de difficilioribus ad faciliora. A primeira era a de São Paulo, a segunda a de São João. Esse segundo modus procedendi, tanquam magis huic doctrinae conveniens, est acceptus communiter a doctoribus nostris, isto é, os da escola franciscana. Repete-se a mesma declaração ao começar a primeira questão, acrescentando que esse modus est nobis innata via, e aborda-se o mistério da Trindade, que é in theologica facultate difficillimum et supereminens.
Nas edições de 1519 e de 1520 encontram-se, na sequência do Quodlibetum, diversos tratados, que já haviam aparecido anteriormente. São eles: 1. Formalitates secundum doctrinam domini Francisci Mayronis scotistarum principis ad mentem Doctoris subtilis propius accedentes, cujo título por si só prova que não foi escrito pelo Doctor acutus abstractionum; 2. Tractatus primi principii complexi secundum doctrinam...; 3. Declarationes quorumdam terminorum theologalium secundum doctrinam..., intitulado também De divinis nominibus em outras edições; 4. Tractatus de univocatione entis, que se encontra apenas na edição de 1520.
Os três primeiros, compostos secundum doctrinam Francisci de Mayronis, já tinham aparecido, Ferrara, 1490, pelos cuidados do franciscano Petrus Melfictanus, leitor na universidade dessa cidade, depois em Veneza, 1517, numa coletânea editada per eximium artium et medicinae oratorem Hieronymum de Nucciarellis romanum, que Jean de Saint-Antoine erradamente tomava por franciscano. O menor observante, Augustin Gotuccio, inseriu o 3º, revisando-o, sob o título: De explanatione terminorum, em Gymnasium theologicorum, seu speculativum, Paris, 1005. O tratado De univocatione entis, igualmente publicado por Nucciarelli, não é senão um simples extrato das questões n-xiv do prólogo do Conflatus; os outros não são senão adaptações, muitas vezes littérales, do texto de Meyronnes.
Na enumeração das obras do Doutor Iluminado, que ele dá em seu proœmium à edição des Scripta in IV libros Sententiarum, Maurice du Port coloca em primeiro lugar as Veritates in Augustinum. Nosso autor tinha, de fato, dedicado um cuidado todo particular ao estudo dos escritos do grande bispo de Hipona, doutor por excelência da escola franciscana, e cujo nome volta a cada página de suas obras. Ele os tinha lido com a pena na mão, e, como diz um velho autor, collegit flores ex agro Augustini atque super hiis scripsit documenta moralia et theologica cum objectionibus et dubiis acutis. (P. Ehrle, loc. cit.)
Eis aqui o índice segundo o ms. lat. 902 do Vaticano, que passa por ser o mais completo: Veritates collectae ex variis operibus divi Augustini: ex libris de Civitate Dei, de Trinitate, de doctrina christiana, Confessionum, Octoginta trium quæstionum, Retractationum, super Genesim ad litteram, de mirabilibus Scripturae sacræ, contra manichæos, contra Adimantum, Quaestionum super Matthaeum, super Lucam, diversarum Scripturarum, in sermone de stoicis et epicureis, in sermone de hoc quod dictum est Ego sum. As Veritates theologicæ seu compendium librorum sancti Augustini de Civitate Dei apareceram em Veneza, 1489 (Hain, n. 10 533); citam-se edições anteriores, Colônia, s. d., Treviso, 1476, Toulouse, 1488. Encontra-se a coleção dessas Flores, inseridas no corpo das obras a que se referem, na edição monumental das obras de santo Agostinho, dada pelo cisterciense Conrad de Leonberg na casa de Amerbach e dos irmãos Froben de Basileia, 1505-1506.
Maurice du Port continua seu catálogo pelos Sermones ad clerum et populum. Há dois volumes impressos desses sermões: Sermones aurei ab adventu cum quadragesima usque ad quartam feriam post Pascha, Bruxelas, 1491, Colônia, s. d., Veneza, 1491. No colofão, essa coletânea é indicada como o primeiro volume dos sermões de tempore. Todavia, o seguinte não foi publicado. Dois anos depois, o editor o prometia, anunciando os Sermones de laudibus sanctorum et dominicales per totum annum, Veneza, 1493, Basileia, 1498, mas só deu os primeiros, ut nimis operis magnitudo evitetur. Estamos longe de ter, nos 92 sermões do 1º volume e nos 90 do 2º, acrescentando-se os 5 que publicava, em seu volume, o capuchinho Mathias Belintani, In sermones S. D. S. Bonaventuræ et in Evangelia, Veneza, 1588, toda a obra oratória de Meyronnes, da qual se citam sermões permanecidos desconhecidos, como aquele De eucharistia suscipienda, Pluit illis manna. Antoine de Balocho, observante de Verceil, relata um exemplo no sermão lx de seu Quadragesimale de 12 excellentiis christianae fidei, Veneza, 1492, fol. 217. É preciso notar ainda que o texto impresso muitas vezes difere do dos manuscritos.
Os Sermones de sanctis foram publicados cum aliquibus tractatibus utilimis (que se tornou sublillimis) pro prædicandi officio. Esses tratados, em número de quatorze, dos quais um é justamente qualificado tractatus praedicabilis (ms. A'/, 278 da abadia de Saint-Florien), estão uns no corpo do volume sob o título de sermões, os outros reunidos no fim. Eis aqui os assuntos: De baptismo, de angelis, de humilitate, de suffragiis mortuorum, de pœnitentia, de indulgentiis, de articulis fidei, de jejunio, de corpore Christi, de septem donis Spiritus Sancti, de ultimo judicio, super Pater noster, super Magnificat, super Missus est. O tratado das indulgências não é outro senão o sermão In vincula sancti Petri ou De clavibus, do qual já falamos e que se encontra muitas vezes separado nos manuscritos. Quanto ao De articulis fidei, impresso no volume, não é senão a segunda questão de um tratado mais desenvolvido, Funiculus triplex, que só existe manuscrito.
Além desses Tractatus praedicabiles, encontra-se um bom número de outros atribuídos a Meyronnes, dos quais alguns poderiam não ser senão extratos ou adaptações de outros de seus escritos, e cujo estudo seria muito longo. Limitar-nos-emos a citar:
1. Tractatus de virtutibus moralibus, Auditu auris audivi, que existia num ms. desaparecido da biblioteca do sacro convento de Assis. Guillaume de Vaurouillon (Super IV libr. Sent., I. dist X, Veneza, 1496, fol. 25) dá uma passagem do Tractatus virtutum doctoris Francisci de Maronis. Ridolfi e Wadding mencionam, em 1641, um tratado De virtutibus et vitiis capitalibus, Circa multiplices mansiones. A biblioteca de Ravena, ms. 91, possui uma Brevis declaratio circa septem peccata mortalia — Nota de septem peccatis: será o mesmo opúsculo?
2. De dominio civili ou de principatu temporali, que talvez convenha aproximar do décimo primeiro Quodlibet: Utrum quia principatus subjectus Ecclesiæ? — regni Siciliæ ex hoc sit nobilior.
3. De hæreticis, citado por Alphonsus de Spina em seu Fortalitium 48. — fidei, Nuremberga, 1484, lib. II, cous. 1, fol.
4. De celebratione missæ, ou Expositio super Cum Marthæ 6 da decretal (c. de Gregório IX, De celebratione missarum), no ms. 586 de Tréveris e no XI, 278, de Saint-Florien, com este explicit muito interessante: Anno Domini 1319 opusculum Marci : complevi hoc die evangelistæ.
Na sequência desses tratados mencionaremos a Expositio decalogi sive decem Dei mandatorum, também chamada Praeceptorium, Basileia, 1498, Paris, duas edições diferentes, 1519; depois a Expositio super Ave Maria, Tres salutationes, da qual existem duas edições, s. d., do século XV, e Paris, 1500.
Maurice du Port acrescenta que Meyronnes escreveu ainda Quæstiones dialecticas, libros ethicos et physicos et metaphysicos, depois de ter dito, algumas linhas mais acima, que in ethicis et physicis disciplinis plurimum valuisse monumenta ipsius testantur, indica Sbaraglia — o ms. 39 do Merton Collège de Oxford, como encerrando Quæstiones, sem poder precisar o assunto; e ele continua, apoiando-se em Jean de Saint-Antoine, que se encontravam, no ms. FF, n. 9 da Biblioteca do convento dos menores de Saint-Jean-des-Rois em Toledo, Logica, physica et metaphysica. Não poderíamos dizer mais sobre isso.
Na obra impressa do Doutor Iluminado temos:
1. Expositio super octo libros physicorum Aristotelis, da qual uma editio emendata et correcta foi dada pelo frei Petrus Melfictanus, Ferrara, 1490. Reencontra-se esse opúsculo na coletânea de Nucciarelli, Veneza, 1517, e foi utilizado pelo observante Matthieu Silvagi de Catane em sua Lectura seu expositio brevis... super octo libros physicorum Aristotelis, Veneza, 1542.
2. Passus super universalia et prædicamenta Aristotelis, Bolonha, 1479, outra edição da mesma época, n. d., Lérida, 1485, s. l., Veneza, 1489, com outros opúsculos de diversos autores, Toulouse, 1490, sob o título Additiones in cathegorias Porphyrii et prædicamenta Aristotelis, e ainda na coletânea de Nucciarelli. A edição de Bolonha termina assim: Explicit opus aureum editum a rev.mo magistro doctoreque eximio fr. Francisco de oppidio Maronis ord. min., qui in urbe Placentiæ morte præventus ipsum incompletum reliquit. De fato, enquanto os passus super universalia e os sobre os prædicamenta são, respectivamente, em número de 40 e de 65, os sobre o Periermenias, que formam a terceira parte do opúsculo, não são senão sete. No começo deste último produto de sua pena, Meyronnes renova a profissão de fé platônica que notamos no prólogo do Quodlibetum; ele diz: Quia auctoritas Platonis est præstantissima inter auctoritates philosophorum apud sanctos nostros... reputatus inter philosophos sicut Jupiter inter deos.
Além das questões dialéticas, outras são atribuídas a Meyronnes. Ridolfi menciona, entre suas obras, um Quæstionum variarum librum unum. Wadding dizia ter cópia das Mille quingentæ quæstiones de variis locis Scripturæ sacræ et dubiis theologicis, Utrum Christus secundum naturam humanam. O ms. 157 da biblioteca de Assis, inscrito no catálogo moderno sob o título Quodlibeta, traz, no dorso da encadernação, relativamente recente, Mayron in prologo. É uma sequência de mais de quatrocentos Utrum... sobre os assuntos mais diversos. Se o assunto de bom número deles tem seu correspondente nas questões dos Scripta in IV libros, a maneira de responder não se aproxima em nada da do Doutor Iluminado. No antigo catálogo da biblioteca do Sacré-Couvent, esse ms. está inscrito sem nome de autor; por isso Leto Alessandri, no L'Inventario dell'antica biblioteca del S. Convento... nel 1831, Assis, 1906, p. 202, n. 157, considerava essa atribuição a Meyronnes como arbitrária.
É o mesmo, pensamos nós, com a opinião de Sbaraglia a respeito das interrogationes circa varias difficilesque materias, que ele identifica com o Dialogus quaestionum sexaginta quinque, impresso em várias edições das obras de santo Agostinho, segundo manuscritos anteriores a Meyronnes. Para justificá-la, o bibliógrafo supõe adições e interpolações pelas quais ele seria responsável.
No ms. Vatic. lat. 900, encontra-se uma sequência de seis questões sobre o símbolo, a anunciação, a extensão da santificação de Maria, sobre sua plenitude de graça e sobre são João Batista. São questões agitadas no curso de uma controvérsia, e das quais a segunda e a última têm sua indicação numérica. Reencontra-se sua substância nos Sermones de sanctis. No ms. 901 há outras questões, e o enunciado das duas primeiras corresponde aos Quodlibets e IX. Seria fácil prolongar essa lista já longa.
Retomemos o catálogo de Maurice du Port. Exstat etiam nobilissimus ejus liber in Dionysium Areopagitam. O pseudo-Dionísio era outro de seus doutores preferidos, e seu nome volta a cada instante sob sua pena. Nada, todavia, de sua obra dionisiana foi impresso. O Vaticano, lat. 900, encerra dele: Passus seu puncti super Dionysium Areopagitam de Mystica theologia... super eodem de ecclesiastica hierarchia..., de angelica hierarchia, super ejusdem epistolarum libro. O escrito sobre a hierarquia angélica reencontra-se no 888; o 4306 encerra também Puncti super Dionysii Areopagiti opera.
O ms. 112 (353) da Biblioteca Landi em Plaisance dá, além disso, os Puncti sobre o De divinis nominibus, e lê-se, no fim do prólogo sobre a teologia mística, uma nota que vem confirmar o que já se sabia por Wadding, que esse tratado foi composto por Meyronnes, propellente me ad istud exercitium illustrissimo domino meo Roberto Dei gratia rege Jerusalem et Siciliæ, seguida de um elogio, como se dirigia aos reis. Aproveitemos esta ocasião para dizer que Meyronnes retribuía largamente a benevolência que seu soberano lhe tinha demonstrado, recomendando-o a João XXII; já citamos o Quodlibet xi, onde ele se arrisca a equiparar aos mártires os que morrem pela causa desse monarca.
É aqui o lugar de mencionar, embora Maurice não fale disso, os Commentaria in aliquot libros sancti Anselmi, mencionados por Sbaraglia. Além do codex d'Alcalá, que ele cita segundo Jean de Saint-Antoine, o Paris, lat. 16536, encerra uma tábua onde são indicados Flores super librum Anselmi de conceptu virginali.
Maurice du Port termina sua indicação das obras de Meyronnes nestes termos: et in sacram paginam nonnulla feliciter auspicatus est et ingeniosissime absolvit. Não se possui, todavia, nada de suas obras escriturísticas, pois as Flores ex libris super Genesim, citadas por Sbaraglia, poderiam bem não ser outra coisa que as Flores ex libris D. Augustini super Genesim, mencionadas mais acima. Em seu Mariale, Nuremberga, 1494, Bernardin de Bustis invoca frequentemente a autoridade de Meyronnes, com remissões a seus sermões, que verificamos serem exatas. Além disso, no primeiro sermão da oitava parte, De purificatione, ao fim do terceiro ponto, ele indica, com outros autores, Franciscus de mayro super Lucam; algumas linhas mais abaixo, ele remete ao mesmo, ubi supra, alegando uma passagem que parece, no entanto, ser do sermão de Meyronnes para a mesma solenidade, no qual ele comenta precisamente o texto de são Lucas.
O Doutor Iluminado era, já o vimos, um zeloso protagonista da imaculada conceição de Maria. Tinha composto um Tractatus diffusus de conceptione B. M. V., que Pierre d'Alva y Astorga editou em seus Monumenta seraphica pro immaculata conceptione, Louvain, 16G4, fazendo-o precedido de passagens do comentário in IIIum Sententiarum, onde ensina a doutrina hoje definida pela Igreja, assim como de sermões nos quais a pregava aos fiéis.
Referindo-se a uma indicação do Firmamentum trium ordinum ou Speculum minorum, Veneza, 1513, que não reencontramos no lugar em que se trata de Meyronnes, e sobre um vago ferunt etiam edidisse super Decretales de Ridolfi, Sbaraglia atribui a Meyronnes uma Lectura quaedam super Decretales, que ele não indicou melhor. O inventário da biblioteca de Calisto III, ms. 362, de Merton Collège, menciona uma Expositio super illud capitulum Decretalium de summa Trinitate et fide catholica, cap. Firmiter (Mélanges Ehrle, t. v, p. 173, n. 56), ao qual se poderia acrescentar a Expositio super Cum Martha, de celebratione Missarum, já citada.
Resta-nos ainda falar da Determinatio paupertatis Christi et apostolorum, que mencionamos na biografia de Meyronnes. Esse tratado, do qual existem vários mss. com incipit diferentes, permaneceu inédito e não foi, até onde podemos saber, objeto de nenhum estudo especial. Examinamos o texto no ms. 684 (fol. 32-64) da biblioteca de Assis, cujo texto é bem mais cuidado que o do ms. de Paris, e eis a conclusão a que chegamos.
Recordemos antes de tudo que ele se liga à questão, tão asperamente debatida sob o pontificado de João XXII, da pobreza prescrita aos frades menores por sua regra. Das questões práticas tinha-se chegado às questões teóricas. Para os espirituais, a regra se confundindo com a observação literal do Evangelho, perguntavam-se qual tinha sido a extensão da pobreza de Cristo e dos apóstolos. Teriam possuído algo em comum? Além do uso de fato das coisas necessárias, tinham eles a propriedade, o direito ao uso? João XXII, por sua decretal Ad conditorem canonum, de 8 de dezembro de 1322, estabelecia que os menores não podiam ter o simples uso de fato, e que esse simples uso não pode existir para as coisas usu consumptibiles; por aquela Cum inter nonnullos, de 12 de novembro de 1323, declarava herética a opinião que sustentava que Cristo e os apóstolos não tinham tido propriedade alguma, mas o simples uso do que quer que fosse.
A Determinatio paupertatis de Meyronnes é posterior a essa segunda decretal: foi escrita em Avignon, onde o autor não podia estar antes do fim de 1323, e é a ela que ele alude no curto prólogo quando diz: Quæstionis pars negatiua per sanctam matrem Ecclesiam fuit solemniter declarata et in sacris canonibus conscripta. A pars negatiua quaestionis é aquela que rejeitava a total désappropriatio de Cristo e dos apóstolos, e que o documento pontifício condenava.
Ele entra logo em matéria: dizia que numerosas instâncias tinham sido feitas para obter a anulação da bula, e, sem outro preâmbulo, passa em revista oitenta argumentos apresentados para estabelecer essa pars negativa, e responde a cada um mostrando em que ele pecava, haec instantia. haec. ratio peccat. Na sequência dessa discussão, que ocupa dois terços do opúsculo, expõe outros tantos argumentos para estabelecer a pobreza absoluta de Cristo e dos apóstolos, e, depois do último, detém-se bruscamente sem tirar nenhuma conclusão dessa longa sequência de raciocínios.
Seríamos facilmente levados a crer que Meyronnes esteve entre os teólogos que João XXII declara ter consultado antes de escrever sua decretal Quia quorumdam, de 13 de novembro de 1324, pela qual confirma as precedentes. Daí essa menção respeitosa à bulla summi Pontificis Christi Vicarii, confirmant mirifice a verdade lucide determinatam, que, no entanto, ele contradiz, com a independência de um doutor a quem se pediu sua opinião. É talvez a essa atitude de Meyronnes diante do papa que se deve atribuir a partida para a Itália de nosso autor, partida cujas causas não se conhecem. Sem dúvida o estudo dos outros mss. traria alguma luz sobre o que propomos como simples conjectura.
Encerramos aqui esta exposição das obras do doutor iluminado, ao qual ainda se atribuem outros opúsculos que talvez só diferissem pelo título daqueles de que falamos. Remeteremos quem desejar mais amplos detalhes ao estudo magistral que o Sr. Ch. V. Langlois acaba de dedicar a François de Meyronnes, na Histoire littéraire de la France, t. xxxvi, p. 305 sq., que uma benevolente comunicação do autor nos permitiu utilizar antes do aparecimento do volume. Faremos, todavia, alguma reserva quanto ao seu julgamento de conjunto. «Frei François, grande admirador de Platão, de Agostinho e do pseudo-Dionísio, como de Duns Scot, escreve ele, não era homem para fazer o pensamento de um mestre sofrer uma elaboração pessoal a ponto de transformá-lo. Discípulo devotado, mas sem a originalidade e a potência que fecundam e ofuscam, François de Meyronnes aparece, em suma, com François de la Marche e Landulf Caracciolo, como um dos epígonos que mais ativamente se empenharam em defender — sobretudo contra Auriol (e acrescentaremos contra Ockam) — talvez mereçamos dizer sistematizar, dionisar, e, por conseguinte, propagar o escotismo.»
Que ele tenha contribuído poderosamente para propagar o escotismo, sistematizando-o: sim. Que o tenha, por isso, mediocrizado: não. Isso será obra de seus sucessores.
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P. Edouard d'Alençon.
Autor original: P. Édouard d'Alençon
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