MAURÍCIO DU PORT (O'FIHELY) nasceu em 1460, segundo uns em Clonfert, segundo outros em Baltimore, no condado de Cork, Irlanda. Depois de entrar na ordem de São Francisco, estudou na Universidade de Oxford. Em 1488, o capítulo de Cremona o nomeou regente do studium generale de Milão; três anos depois, em 1491, tornava-se professor na Universidade de Pádua, onde a escola de Duns Escoto brilhava então com vivo esplendor. No Rotulus dominorum artistarum do ano de 1500, Maurício du Port é mencionado como titular da cátedra de teologia escotista. A. Favoro, Lo Studio di Padova nei diarii di Marino Sanuto, no Nuovo Archivio Veneto, nouv. série, n. 71-72, 1918, t. xxxvi, p. 75. Em 22 de fevereiro de 1501, Pedro Barozi, bispo de Pádua, intercedendo em seu favor junto à Senhoria da cidade, fazia-lhe grande elogio: Homo doctissimo et exercitatissimo, : il quale, a judicio mio, non ha alcune pare in Italia, cavando fora li reverendi maistri Antonio Trombela et Gratia. Favoro, loc. cit., p. 82-83.
Provincial da Irlanda, Maurício du Port denunciou vigorosamente, no capítulo celebrado em Roma em 1506, o ministro geral da ordem, Egídio Delfini, e provocou sua demissão. Wadding, Annales Ordinis Minorum, an. 1506, n. 4. No mesmo ano, em 26 de junho, Júlio II o nomeou para o arcebispado de Tuam, na Irlanda, e ele mesmo o sagrou em Roma. Wadding, ibid., an. 1510, n. 15. Maurício du Port não tomou posse imediatamente de sua sede, mas permaneceu na Itália. Em 29 de março de 1512, estava de passagem por Pádua. Favoro, p. 92. No mesmo ano, loc. cit., assistiu ao V Concílio Ecumênico de Latrão e assinou as Atas das duas primeiras sessões. Pouco depois partiu para a Irlanda e morreu em Galway, em 24 de junho de 1513 segundo Wadding, em 25 de março segundo Eubel, Hierarchia catholica medii ævi, Munster, 1910, t. iii, p. 310.
Maurício du Port foi um discípulo muito ativo de Duns Escoto. Escreveu vários comentários sobre as obras do mestre: Annotationes franciscani in quaestiones metaphysicales Scoti, Venise, 1497; Expositio in quaestiones metaphysicales Scoti, Venise, 1497; Expositio in quaestiones dialecticas Scoti, Venise, 1505. Editou além disso várias obras importantes de Duns Escoto e de seus discípulos imediatos: Quaestiones Scoti in Metaphysicam Aristotelis. Ejusdem de primo principio tractatus atque theoremata, Venise, 1497; Quaestiones Scoti super uniuersalibus Porphyrii et Aristotelis praedicamentis et perihermeneias ac elenchorum necnon discipuli ejus Antonii Andreæ super libro sex principiorum Gilberti Porretani, Venise, 1500; Expositio Antonii Andreæ in Metaphysicam Aristotelis, Venise, 1501; Libri IV Sent. scripti Oxoniensis D. Scoti, Venise, 1506. Essas diversas edições não são sem mérito. Maurício du Port foi tido em grande estima pelos teólogos de seu tempo. Eck, De praedestinatione, s. l., 1513, cent. 4, n. 35. A doçura de seu caráter valeu-lhe o título honorífico de flos mundi. Wadding, Annales, an. 1510, n. 15.
Franchini, O. M. Conv., Bibliosofia e memorie letterarie degli scrittori francescani conventuali, Modène, 1693, p. 454; Jean de S. Antoine, Bibliotheca uniuersa franciscana, Madrid, 1732, t. ii, p. 357-358; Little, The Grey Friars in Oxford, Oxford, 1892, p. 267-268; D'Alton, M. O' Fihily, art. de la Catholic Encyclopaedia, 1911, t. xi, p. 221; Sbaralea, Supplementum ad Scriptores, édit. Mardecchia, Rome, 1921, t. ii, p. 242-243.
E. Longpré.
Autor original: E. Longpré
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