MARTIANAY (JOÃO)

MARTIANAY (JOÃO)

MARTIANAY João, beneditino da congregação de Saint-Maur (1647-1717). João Martianay nasceu em Saint-Sever-Cap, diocese de Aire, em 30 de dezembro de 1647. Aos vinte anos, entrou no mosteiro de Notre-Dame de la Daurade, em Toulouse, e ali fez profissão em 5 de agosto de 1668. Depois de seus estudos, aprendeu o grego e o hebraico, consagrou-se inteiramente à Sagrada Escritura, sobre a qual deu lições nos mosteiros de Montmajour, de Saint-André d'Avignon, de Sainte-Croix de Bordeaux, de Notre-Dame de la Grasse, na diocese de Carcassonne. Em 1687, começou a combater o sistema do P. Pezron, cisterciense, que, em seu livro de l'Antiquité des temps rétablie, atacava o texto hebraico. Pouco tempo depois, Martianay era chamado a Paris para trabalhar numa nova edição de São Jerônimo. Deu uma ideia do que devia ser essa edição num Prodrome publicado em 1690. Apesar das dificuldades que lhe criaram os Srs. Simon e Leclercq, apesar do mal da pedra de que sofria, dom Martianay passou toda a vida compondo obras, às quais pouco faltaria, se tivesse sabido moderar sua pena mordaz e reprimir uma vivacidade excessiva. Morreu de apoplexia na abadia de Saint-Germain-des-Prés, em 16 de junho de 1717. Vivera setenta anos, dos quais cinquenta passados na prática das observâncias religiosas.

A maior parte das obras de dom Martianay se relaciona com a Sagrada Escritura: F. Vigouroux, Dictionn. de la Bible, t. IV, col. 827. Diremos apenas aqui que sua polêmica com o P. Pezron teria continuado por muito tempo sem uma proibição do arcebispo de Paris, motivada pela consideração de que libertinos e protestantes se serviam dos argumentos de Pezron para atacar verdades essenciais da fé católica. Reconhece-se que, graças ao seu conhecimento das línguas, dom Martianay conhecia a fundo a Sagrada Escritura e dominava bem o seu São Jerônimo, mas o dominava segundo o seu espírito particular: a edição que publicou é a mais defeituosa dentre as que os beneditinos deram, por confissão do próprio F. Le Cerf, Bibliothèque, p. 320. Pode-se dizer que não mereceu todos os louvores que lhe prodigalizaram os jornalistas de Paris e de Trévoux, nem todo o mal que dele disseram os Srs. Leclercq, Simon e outros sábios seus adversários. Parecia ter herdado o zelo que São Jerônimo tinha pela religião, sua vivacidade em defender suas opiniões e o desprezo que votava àqueles que não tinham a faculdade de se deixar persuadir por suas razões.

Numa obra muito recente, F. Cavallera, Saint Jérôme, sa vie, son œuvre, 2 vol. in-8°, 1922, estima que a vida de São Jerônimo escrita por Martianay é rica em citações, mas muito pouco crítica (t. ii, p. 148). Outra obra de nosso beneditino, La vie de sœur Magdeleine du Saint-Sacrement, religieuse carmélite du voile blanc... avec réflexions sur l'excellence de ses vertus, in-12, Paris, 1712, é apreciada, não sem certo humor, por H. Bremond, Hist. littér. du sentiment religieux en France, t. III, Conquête mystique, p. 558.

Dom Tassin, Histoire littéraire de la Congrégation de Saint-Maur, in-4°, Bruxelles, Paris, 1770, p. 382-397; Ph. Le Cerf de la Viéville, Bibliothèque historique et critique des auteurs de la Congrégation de Saint-Maur, in-12, La Haye, 1726, p. 320; Hœfer, Nouvelle biographie universelle, t. xxxiv, col. 1; J. B. Vanel, Nécrologe des religieux de la Congrégation de Saint-Maur, décédés à Saint-Germain-des-Prés, in-4°, Paris, 1896, p. 112-115; Journal des Savants, agosto de 1717.

J. Baudot.

Autor original: J. Baudot

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