MARGON (GUILHERME PLANTAVIT DE LA PAUZÉ DE) (1685-1760)

MARGON (GUILHERME PLANTAVIT DE LA PAUZÉ DE) (1685-1760)

MARGON (Guilherme Plantavit de La Pauze de) (1685-1760) nasceu na diocese de Poitiers por volta de 1685 e veio cedo a Paris, onde se fez notar pela vivacidade de suas críticas e de suas sátiras. Multiplicou as cartas e os ataques contra as pessoas acreditadas; por isso foi exilado primeiro nas ilhas de Lérins, em 1743, depois no castelo de If, em 1746, quando as ilhas de Lérins foram tomadas pelos austríacos. Devolveram-lhe enfim a liberdade, com a condição de que se retirasse para uma casa religiosa onde seria vigiado. Morreu em 1760 em uma casa de bernardos.

Tem-se de Margon uma Lettre à M***, au sujet du livre intitulé De l'action de Dieu sur les créatures, in-12, Paris, 1711; Margon mostra que esse livro nefasto de Boursier quer organizar uma conspiração contra a Igreja católica, que ataca, e ao mesmo tempo contra todas as religiões, pelo fatalismo e pelo ateísmo que prega (Mémoires de Trévoux, sept. 1711, p. 1578-1591). Num segundo escrito, Margon ataca de novo a obra de Boursier; é Le jansénisme démasqué dans une réfutation complète du livre de l'action de Dieu, in-12, Paris, 1715: Margon diz que o jansenismo não é senão um espinosismo disfarçado. O P. de Tournemine fez, no Journal de Trévoux de sept. 1715, p. 1575-1590, um relato em que censurava Margon por atacar os jesuítas, em parênteses que eram absolutamente alheios à discussão do livro de Boursier. Essa crítica do P. Tournemine foi a origem de uma polêmica violenta contra os jesuítas. Com efeito, Margon escreveu uma Réponse au P. Tournemine sur son extrait d'un livre intitulé Le Jansénisme démasqué, in-12, Paris, 1716; e nela declara que não fez assinar o livro publicado sob o seu nome; a obra teria sido composta pelos jesuítas que, para não serem acusados de ser seus autores, dispersaram através do livro ataques contra eles mesmos. Compreende-se que os jansenistas tenham explorado essa carta de Margon e que a Histoire du livre des Réflexions morales, t. I, p. 230-243, sublinhe com prazer esse incidente.

Margon não parou aí. Foi publicada uma Seconde lettre au P. Tournemine, na qual Margon «desaprova uma falsa edição de sua primeira carta e dá uma ideia da política e das intrigas dos jesuítas». É um ataque violento contra a duplicidade dos jesuítas, particularmente numa obra anônima intitulada Gazette des mensonges des jansénistes. Enfim, numa Troisième lettre au R. P. Lallemant, o abade Margon retoma suas críticas contra os jesuítas, a quem acusa de serem os autores da bula Unigenitus e de querer açambarcar toda a autoridade espiritual, depois de terem suprimido seus concorrentes, em particular o Oratório. O ms. 2054 da Biblioteca do Arsenal, p. 590-595, dá um Extrait d'une lettre de M. de Margon sur les jésuites, 1716, que reproduz as mesmas ideias. Esses escritos de Margon contra os jesuítas foram reeditados recentemente sob o pseudônimo J. de Récalde, num panfleto intitulado Lettres sur le confessorat du P. Le Tellier: avec une introduction et des notes sur la politique des jésuites et l'Oratoire, in-12, Paris, 1922. Os outros escritos de Margon, apesar de seus títulos, não são quase senão romances, ou, ao menos, histórias romanescas que não são de nossa alçada. Acrescentemos enfim que Margon exerceu-se também na poesia satírica, jocosa e por vezes libertina.

Michaud, Biographie universelle, t. XXVI, p. 542, 543; Höfer, Nouvelle biographie générale, t. XXXIV, col. 553-555; Quérard, La France littéraire, t. V, p. 529; Chaudon et Delandine, Dictionnaire universel, historique, critique et bibliographique, 5e édit., 1810, t. XI, p. 127, 128; Feller, Biographie universelle, édit. Pérennès, 1842, t. VIII, p. 160; Desessarts, Les siècles littéraires de la France, 7 vol., in-12, Paris, 1800-1803, t. IV, p. 275, 276; Ravaisson, Archives de la Bastille, t. XIV, p. 77-95; Poitevin-Peitavi, Notice sur Jean de Plantavit de la Pauze, évêque de Lodève et sur l'abbé de Margon, Guillaume de Plantavit, son petit neveu, in-8°, Béziers, 1817, p. 27-48.

Autor original: J. Carreyre

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