MANUEL II PALEÓLOGO

MANUEL II PALEÓLOGO

MANUEL II PALEÓLOGO, imperador, um dos mais notáveis escritores dos últimos tempos do império bizantino (1350-1425).

I. Vida e obras. Nascido em Constantinopla em 1350, era filho de João V Paleólogo e de Helena Cantacuzena. João V Paleólogo, com o propósito de assegurar o apoio do Ocidente contra os turcos cada vez mais ameaçadores, não hesitou, por uma carta de 15 de dezembro de 1355, em propor ao papa Inocêncio VI confiar-lhe como penhor seu jovem filho Manuel, que receberia assim uma educação inteiramente católica. Raynaldi, Annales, an. 1355, n. 31, 32. O honesto Spondanus observa: Quæ tanta putamus magis a necessitate et fide græca, quam ex pietate et adimplendi animo proposita fuisse. Lyon, 1678, t. I, p. 532. O papa foi sem dúvida do mesmo parecer, pois deu apenas uma resposta evasiva. Seja como for, o projeto não teve seguimento, e Manuel recebeu em Bizâncio uma educação das mais esmeradas.

Tornando-se a situação cada vez mais crítica, João V Paleólogo dirigira-se a Roma, junto a Urbano V, e fizera em 18 de outubro de 1369 sua profissão de fé católica. Raynaldi, an. 1369, n. 11. Mas, na volta, fora retido em Veneza, por falta de dinheiro para satisfazer seus credores das somas consideráveis que lhe haviam adiantado: Manuel veio libertar o infeliz soberano. Em reconhecimento desse benefício, João, afastando do trono seu filho primogênito Andrônico, associou Manuel ao império em 25 de setembro de 1373. Foi a origem de uma rivalidade da qual os venezianos, os genoveses e os turcos foram os únicos beneficiários. Em 1377, Andrônico, ajudado pelos genoveses, sai da prisão em que estava encerrado, apodera-se da capital e manda encarcerar o imperador João e seus dois filhos, Manuel e Teodoro. Ao cabo de três anos, os augustos prisioneiros, libertados, vão a Bursa pedir socorros ao sultão Bajazeto. Em 17 de setembro de 1381, Manuel regressa com seu pai a Constantinopla, e agora é a vez de Andrônico tomar o caminho de Bursa. Graças ao apoio de Bajazeto, Andrônico recebe a título de compensação a cidade de Silivri, e quando morre, em 28 de junho de 1385, seu filho João lhe sucede na posse dessa cidade, de onde lhe é fácil vigiar a capital.

Esgotado por essas lutas intestinas, João V morre em 16 de fevereiro de 1391, e Manuel, que se encontrava então na corte de Bajazeto, evade-se dela para vir a Constantinopla recolher a sucessão de seu pai. Para assegurar um herdeiro, casa-se imediatamente com Irene, filha de Constantino Dragasés, e faz-se coroar com ela pelo patriarca Antônio, em 11 de fevereiro de 1393. Intimado por Bajazeto a entregar a capital, Manuel apela ao rei da Hungria, que vem, com efeito, em seu socorro, secundado pela cavalaria francesa. Mas a derrota de Nicópolis, ocorrida em 28 de setembro de 1396, reduz o império à última extremidade. Manuel, multiplicando as diligências, dirige-se ao mesmo tempo ao papa e ao rei da França. Um primeiro contingente, comandado pelo marechal Boucicaut, consegue desbloquear a capital, e Manuel, a conselho de Boucicaut, vai ele próprio à Europa para trazer reforços. Partido de Constantinopla em 10 de dezembro de 1399, visita sucessivamente Veneza, Pádua, Vicenza, Pavia, e em 3 de junho de 1400 chega a Paris. Inicia logo as negociações com o rei, mas, tendo Carlos VI, ao cabo de alguns meses, novos acessos de loucura, Manuel passa à Inglaterra; desembarcando em Dover, faz sua entrada solene em Londres em companhia do rei Henrique, em 21 de dezembro de 1400; em fevereiro de 1401, volta a Paris para ali fazer uma longa permanência, que talvez se tivesse prolongado indefinidamente, se a batalha de Ancira, ganha por Tamerlão sobre Bajazeto, em 21 de julho de 1402, não lhe permitisse, livrando-o de seu mais temível inimigo, retomar o caminho de sua capital.

Partindo de Paris em 21 de novembro de 1402, chega em 21 de janeiro de 1403 a Gênova, onde é hóspede do marechal Boucicaut, e regressa a Constantinopla por Veneza, Modon e Mistra. Durante os dez anos que se seguem, com uma destreza pouco comum, faz-se árbitro e mediador entre os cinco filhos de Bajazeto que disputam a sucessão de seu pai, assegurando por hábeis manobras alguns anos de tranquilidade ao império agonizante. Em 1413, como Maomé I permanece o único senhor pela vitória que alcança sobre seus rivais nas planícies de Tchamourlou, perto de Sófia, Manuel, sem perder tempo, conclui com o novo sultão uma estreita aliança, que lhe permite, em março de 1415, ir a Mistra, a capital do Peloponeso, onde a morte de seu irmão Teodoro havia provocado desde 1407 a mais completa anarquia. Por seus cuidados, o istmo de Corinto é fortificado pela construção de um novo muro, e toda a Acaia reconhece logo sua suserania.

Infelizmente, Maomé I morre em 1421, e Manuel, mal aconselhado por seu filho João, associado ao império desde 1417, comete o erro de tomar partido por Mustafá contra Murade II, o jovem filho de Maomé. Murade apodera-se de Mustafá e o manda enforcar em Adrianópolis em 1422, depois, desde o mês de junho do mesmo ano, para vingar-se do imperador, lança 80 000 homens contra Constantinopla. O assalto é repelido, mas, em 8 de outubro seguinte, Manuel, atingido de hemiplegia, abdica em favor de seu filho João e veste o hábito monástico sob o nome de Mateus. Finalmente, depois de dois anos e meio de penosos sofrimentos, morre em 21 de julho de 1425 e é sepultado no mosteiro do Pantocrator. Bessarion pronunciou sobre seu túmulo uma oração fúnebre, que Nicolau Perotti traduziu em latim; encontra-se em Bzovius, Annal. ecclesiast., XVIII, p. 72, sq. P. G., t. CLXI, col. 615-620.

Durante o outono de 1422, o defunto havia iniciado, pela centésima vez talvez, conversações com os embaixadores do papa em vista da união, dando ao mesmo tempo a seu filho João, já imperador, o seguinte conselho: «Servir-nos utilmente do projeto de reunião para granjear os latinos, quando se tem necessidade de seu apoio, mas nunca chegar a tentar essa mesma reunião, que as divisões dos espíritos e a depravação das almas tornam hoje impossível.» Phrantzès, Chron., t. II, c. 13, P. G., t. CLVI, col. 784. A confissão merece ser registrada.

À falta de sinceridade, Manuel tinha outras qualidades que fizeram dele um dos soberanos mais simpáticos e mais perfeitos de Bizâncio: aspecto agradável, profunda erudição, conhecimento extenso da antiga literatura grega; com isso, homem de espírito, sabendo revestir de formas agradáveis uma impecável urbanidade, um tom de familiaridade gracioso, até jocoso, mesmo em sua penúria financeira, facilidade de elocução, vivacidade de dicção, calor e movimento da eloquência, realizando à perfeição a ambição do grego de todos os tempos, εἰδέναι λέγειν, saber falar, ou, como ele próprio se exprime no início de seu primeiro discurso moral: Τοῦ καλῶς ἐπίστασθαι λέγειν οὐδὲν ἂν γένοιτο λυσιτελέστερον ἄρχουσιν, ἐθέλουσιν ἀγαθοῖς εἶναι. P. G., t. CLVI, col. 385 A. Era, aliás, dotado de uma aptidão pouco comum para o trabalho: assim, encontrou vagar, em meio às preocupações do poder, para compor muitas obras, várias das quais são absolutamente notáveis e dignas dos mais belos tempos do helenismo.

II. Obras. 1° Cartas e retórica. Para ordenar por categorias as obras de Manuel, é preciso citar: 1° Suas cartas, de forma literária acabada. Ele cuidou de reuni-las ele próprio num manuscrito autógrafo, o atual Parisinus 3041. Ao todo 62 cartas, conservadas numa ordem uniforme no Parisinus 3041 e no Barberinus 219 (II, 40), que é sem dúvida o que Montfaucon havia visto e que Émile Legrand mandara procurar em vão na Vaticana. Além disso, Teodoro Abramiotis possui dois mss. contendo as mesmas cartas, um completo, o outro com apenas 42, as 42 primeiras. O Coislin 341, f° 356-381, contém também 10 cartas que o catálogo impresso atribui a um anônimo, mas que são de Manuel Paleólogo; o texto se detém no meio do n° 9 do que possuíamos. A edição seguinte, a única desta coletânea: Émile Legrand, Lettres de l'empereur Manuel Paléologue, in-8°, Paris, 1893, p. XII-112. Essa edição conta 64 números, porque o editor incluiu entre as cartas o Epilogus epistolaris, que serve de conclusão aos sete discursos de Manuel a seu filho, de que se tratará adiante, e uma peça de pura retórica, duas peças alheias à correspondência propriamente dita.

Isso nos leva a falar dos exercícios de retórica, tão freqüentes em toda educação literária em Bizâncio. A essa categoria pertencem:

2. Quatro cartas intituladas Ἐπιστολαὶ ἐξ ὑποθέσεως εἰρημέναι; estão contidas no Barberinus gr. 219, f° 89, 90, continuam a série precedente sob os números 63-66, deixando bem ver, pelo título, que se trata de uma obra totalmente diferente. Eis o incipit ξγʹ. Συκοφάντας μέν. ξδʹ. Διπλῶς ἐψεύσω καλοκαγαθίαν; ξεʹ. Τί σε τὸ πεῖθον; ξςʹ. Ἐγὼ καὶ ὅτι σου τὰ πρίν.

3. Vem em seguida, fol. 90 v°, uma peça que nenhum bibliógrafo assinala, mas cujo assunto fornece excelente matéria para amplificação. Eis o título Ἄτινα συντομίαν ἄγει καὶ εἰρήνην ἐν ταῖς βουλαῖς. Inc. αʹ. Μὴ ἀνακόπτειν ἀρξάμενον.

4. A peça seguinte é um simples exercício de estilo Προοίμιον Ἀντήνορος πρὸς Ὀδυσσέα πρεσβεύοντα μετὰ Μενελάου ὑπὲρ τῆς Ἑλένης. Inc. Ἀντήνωρ. Τὸ μὲν πρὸς Μενέλεων. Publicada por Boissonade, Anecdota græca, 1830, t. II, p. 308, 309.

5. Μελέτη πρὸς μέθυσον: divertida amplificação cujo assunto é o seguinte. Um pai, amigo do vinho, expulsa seu filho que só gosta de água, depois acusa sua mulher de adultério e anuncia que vai dar-se a morte. Editada em Boissonade, loc. cit., p. 274-309. Esse erudito reuniu, ibid., p. 297 sq., sobre a προσαγγελία ou direito de suicídio motivado, curiosas passagens de autores antigos mostrando que esse singular costume não era uma pura invenção dos retores, mas criava um direito previsto pelas leis como constituindo uma exceção ao confisco que atingia os bens dos suicidas.

6. Dialogus moralis ad matrem de matrimonio. Nessa peça, escrita provavelmente por volta de 1390, Manuel examina as razões que, na situação atual do império, podem ser invocadas a favor ou contra seu casamento. Inédita, encontra-se no Parisinus 3041, f° 89.

7. Declamatio de imagine veris in aulæo textili picta, elegante página, na qual Manuel, durante sua estada em Paris, divertiu-se em descrever uma tapeçaria do Louvre que representava os encantos da primavera. Publicado por João Loevenklau (Leunclavius) em seguida aos Præcepta educationis regiæ do mesmo Manuel Paleólogo, Basileia, 1578, p. 442, e reproduzida em P. G., t. CLVI, col. 577-580.

8. Ethopoeia Tamerlanis ad Bajazetum Turcarum tyrannum, vigorosa prosopopeia, em que o mau gosto se faz infelizmente sentir, na qual o rei tártaro insulta seu inimigo vencido, depois da batalha de Ancira. Publicada por Leunclavius, op. cit., p. 446, em P. G., ibid., col. 579-582, e por É. Legrand, op. cit., p. 103, 104.

9. Oratio propitii principis ad benevolos subditos qui ætatis in flore sunt. Leunclavius, p. 438; P. G., col. 561-564; É. Legrand, p. 88, 89, onde a peça constitui, certamente por engano, o n° 59 das cartas, quando nada tem de epistolar.

10. Πρός τινα πάνυ ἀμαθῆ καὶ πλεῖστα φληναφοῦντα. Inc. Ἀκριτόμυθε Θερσῖτα. Peça de 15 versos anacreônticos publicada por Matranga, Anecdota, t. II, p. 682, segundo o Barberinus 219, f° 92, e reproduzida em P. G., col. 575, 576, em nota.

2° Obras oratórias. Ao lado desses exercícios de estilo, a herança literária de Manuel compreende verdadeiras obras oratórias, discursos que foram realmente pronunciados diante de um público, e não mais apenas, como os precedentes, no círculo estreito de alguns amadores. Eis a lista:

1. Funebris oratio in proprium eius fratrem despotam Porphyrogennetem dominum Theodorum Palæologum. Déspota de Lacedemônia e irmão caçula de Manuel, Teodoro havia morrido em 1407, depois de ter vendido seu principado aos cavaleiros de Rodes sem o conhecimento de seus súditos, que fizeram anular o contrato; assim, foi preciso a Manuel certa coragem para vir pronunciar diante desses mesmos súditos o elogio do defunto. A peça, é preciso confessá-lo, é estragada pelo mau gosto e de extensão desmedida; foram necessárias não menos de três sessões para proferi-la. Combefis a publicou em seu Auctarium novum, Paris, 1648, t. II, p. 1045-1220, com a προθεωρία, p. 1037-1045, composta por Gemisto Pletão. Outra προθεωρία, obra do próprio Manuel, permaneceu inédita. Inc. Ἥκω πενθήσων.

É o n° 109 da lista de Berger de Xivrey, que tomou esta προθεωρία por uma peça independente, quando ela não é na realidade senão um simples preâmbulo ao discurso que vai seguir-se. Manuel tinha, com efeito, adquirido o hábito de colocar assim à frente de suas obras um resumo que lhes indica o assunto e as divisões.

2. Oratio consolatoria in mortem fratris Joannis, indicada nos mss. sob este título um tanto vago Ἀπὸ συναλγοῦντος παραμυθητικὸς ἢ περὶ θανάτου. Inc. Ἰοὺ ἰού· οἷα πρόϊγμαι φιλοσοφεῖν τῶν θρήνων ἀφέμενος· ἄρά γε ὕπαρ ἐστί. Conservada no Vaticanus 1107, f° 200-219, segundo o qual Allatius fez dela uma simples menção. De octava synodo Photiana, Roma, 1662, p. 542.

3. Laudatio in sanctos patres nostros et universales doctores, qui in septem sanctis et universalibus synodis interfuerunt. Inc. Τῶν ἐν ὁσιότητι διαλαμψάντων καὶ εὐσεβείᾳ καὶ λόγων λαμπρότητι καὶ ἔργων δυνάμει, ibid., f° 219-236.

4. Laudatio in sanctissimum patrem nostrum et archiepiscopum Thessalonicensem Gabrielem. Inc. Θαυμαστὸν μὲν οἷον καὶ χαρίεν ἐν ὥρᾳ χειμῶνος. Ibid., f° 253 v°-272.

5. Laudatio in sanctum patrem nostrum David Thessalonicensem. Inc. Θεῖόν τι χρῆμα ἡ ἀρετὴ καὶ τοῦ παντὸς ὡς ἀληθῶς ἄξιον. Ibid., f° 272-288.

6. Commentarius in aliquot prodigia et in inventionem et translationem reliquiarum sanctae martyris Euphemiae. Inc. Ἀλλὰ πῶς ἂν τις μᾶλλον εὔφημον σχείη γλῶτταν. Ibid., f° 288-297 v°.

7. Oratio in dormitionem beatae Mariae virginis. Inc. Ὡ θεοῦ μῆτερ, καλὸν γάρ οἶμαι καὶ μάλα χαρίεν ἀπὸ τῆς κρείττονος προσηγορίας. Contida no Vaticanus 1619, f° 1-14, segundo o qual foi publicada pelo P. M. Jugie, Homélies mariales byzantines, em Patrol. orient., t. XVI, p. 543-566; só era conhecida anteriormente pela tradução latina de Hipólito Maracci, reproduzida por Migne, t. cit., col. 91-108, e sem o prólogo.

8. Oratio in nativitatem Christi. Inc. Οὐδ᾽ἂν ἐν δήπου γένοιτο χεῖρον τοῦ τὸν ὑπὸ τοῦ θεοῦ πεπλασμένον. Em ms. no Marcianus 505 e no Vaticanus 1619, f° 29 v°-47.

9. Laudatio in sanctum Joannem Baptistam. Inc. Χρεὼν ἐστιν ἅπαντας τιμᾶν τοὺς τὸν θεὸν ἐσπουδακότας τιμᾶν. Contida no Vaticanus 1619, f° 47-54 v°.

10. Oratio in sanctam Mariam Aegyptiacam. Inc. Ὁ λόγος οὗτος ὁ τῆς ὁσίας ἡμῖν τὸν βίον ἄριστα διαζωγραφήσας. Contido no Vaticanus 1619, f° 15-29, é um discurso todo moral; o assunto está bastante bem indicado pelo título completo assim concebido Λόγος ὅτι ἡ μὲν ἁμαρτία τὸ πάντων χείριστον· δεῖ δὲ μηδένα ἀπογινώσκειν μήτε ἑαυτὸν μήτε ἕτερον· κρίνειν δὲ ἑαυτὸν καὶ οὐχ ἕτερον, καὶ τοὺς ἡμαρτηκότας οὐ μισεῖν, ἀλλ᾽ ἐλεεῖν· καὶ περὶ μετανοίας καὶ τῆς τοῦ θεοῦ προνοίας καὶ ἀγάπης καὶ φιλανθρωπίας.

11. Suasoria ad Thessalonicenses cum obsiderentur. Inc. ῎Εδει μέν, ὦ παρόντες, οἱ τὴν Φιλίππου οἰκεῖτε. Este discurso muito elegante, que o Catálogo de Paris atribui, com ligeira dúvida, a Demétrio Cydonès, como é certamente obra de Manuel, indica-o o Barberinus 219, f° 91; encontra-se ainda no ms. o Parisinus 3041, f° 51.

12. Oratio gratulatoria pro restituta imperatoris et patris salute. Inc. Χαίρων χαίρουσιν ὑμῖν, ὦ ἄνδρες Ῥωμαῖοι. Contida no Barberinus 36 e no Parisinus 3041, segundo o qual a peça foi publicada por Boissonade, Anecdota nova, Paris, 1844, p. 233.

3° Obras morais. Grande número de tratados de Manuel têm por finalidade a formação do espírito e do coração. À frente dessa série deve colocar-se a mais popular dessas obras, a única conhecida dos sábios durante muito tempo, intitulada:

1. Praecepta educationis ad Joannem, regis filium capita centum. É uma seleção de regras de conduta, onde abundam as vistas elevadas, as observações úteis a um príncipe, os sentimentos verdadeiramente cristãos, tudo revestido da forma mais elegante e realçado por uma feliz mistura de citações profanas ou sagradas. Publicada pela primeira vez com a tradução latina por João Leunclavius, Imp. Caes. Manuelis Palaeologi Aug. praecepta educationis regiae ad Joannem filium, Basileia, 1578, p. 12-133, é reproduzida em P. G., col. 313-384.

2. Em seguimento a esse curso de instrução imperial, vêm sete peças de moral oratória, sobre a eloqüência, a virtude e as qualidades de um bom príncipe; sobre o amor do bem; sobre o livre arbítrio; sobre os perigos da volúpia, e sobre as vantagens da volúpia como contrapartida do discurso precedente; sobre o caráter do pecado; sobre a humildade. São menos regras de conduta que exemplos de amplificação, discursos escritos para serem realmente pronunciados. Assim, estariam mais bem situados no capítulo relativo aos exercícios de retórica. Esses sete discursos terminam por uma conclusão geral em forma de carta dirigida pelo soberano a seu filho. Encontram-se impressos em Leunclavius, op. cit., p. 134-419, e em Migne, P. G., t. cit., col. 1259. O epíteto de ethico-politica, que se dá a esses discursos desde Lambecius, Bibliotheca Vindobonensis, t. VIII, p. 337, não é de modo algum justificado: são considerações de moral ou religiosas, a política não tem absolutamente nenhuma parte.

3. Podemos ligar a essa categoria uma dissertação filosófica sobre a natureza dos sonhos publicada segundo o Parisinus 3041 por Boissonade, Anecdota nova, Paris, 1844, p. 237, e reproduzida em P. G., t. cit., col. 2, em nota. Intitulada Περὶ ὀνειράτων, de insomniis, encontra-se ainda no Barberinus 219, f° 60 v°.

4° Obras apologéticas. Manuel colocou-se na primeira fila dos apologistas da religião cristã contra os muçulmanos por uma grande obra, infelizmente em sua maior parte permanecida inédita; é intitulada: Manuelis Palæologi imperatoris ad fratrem suum Theodorum dialogus quem habuit cum quodam Persa, dignitate muderize, in Ancyra Galatiæ, ou, mais brevemente, como traduziu C.-B. Hase, Entretiens avec un professeur mahométan. Esses colóquios são em número de vinte e seis; apenas os dois primeiros apareceram aos cuidados de Hase: nas Notices et extraits des manuscrits de la bibliothèque royale, 1810, t. VIII, 2e part., 2; foram reimpressos em P. G., t. cit., col. 1126-173. A obra data provavelmente do ano de 1390, em que Manuel se via obrigado a seguir Bajazeto numa expedição contra o emir de Panfília.

Tendo Manuel tido a ocasião, durante sua estada em Ancira, de travar conhecimento com seu anfitrião, um professor do lugar, teve com ele em 1390, sobre diferentes pontos da religião cristã, uma série de colóquios dos quais deu conta a seu irmão, o déspota do Peloponeso. Escritas em estilo vivo e animado, num grego bastante puro, essas vinte e seis conferências fervilham de traços curiosos, seja sobre a corte de Bajazeto, seja sobre os costumes dos turcos nessa época. Como em toda conversação, não seguem nenhum plano metódico. O 1º colóquio versa sobre os anjos, sobre a queda da alma, o céu e a terra, e sobre o Islã. A discussão sobre o paraíso de Maomé ocupa o III diálogo; trata-se, no IV, dos animais, cuja alma, segundo certos maometanos, difere pouco da dos homens. No V, vêem-se os turcos tirarem de sua prosperidade material um argumento em favor de sua religião, pretensão vivamente refutada por Manuel; o qual, mais adiante, no VI, põe em paralelo Moisés com Maomé e mostra que lhe é muito superior. No VII diálogo, Manuel acusa a religião maometana de haver herdado de seu fundador esse espírito de intolerância e de perseguição que a distingue. Essas outras discussões têm por objeto a providência, a presciência divina e a predestinação. Este X diálogo é marcado por uma digressão interessante sobre as peregrinações ao santo sepulcro e a adoração da cruz.

Manuel começa, desde o XI, a estabelecer pela Escritura a divindade de Jesus Cristo, e examina, no XIII, algumas questões relativas à encarnação. Explica, no XIV diálogo, o mistério da Trindade, e nos seis seguintes justifica os cristãos por adorarem três pessoas divinas em vez de uma. No XX, defende o culto das imagens, recusando-lhes, porém, uma adoração que só a Deus é devida. Esse mistério da redenção e da satisfação é tratado bastante longamente nos quatro diálogos seguintes. No XXV, Manuel fala da missão dos apóstolos, e o XXVI, e último, da instituição da eucaristia e da presença real. É com essa conferência que termina a obra em todos os mss. que nos chegaram: Parisinus 1253, Coislin 130, suplemento grego 165, Ambrosianus 481 I. 74 sup. Este último ms. contém de fato os 26 diálogos, e não apenas os 6 primeiros, como afirma Hase, P. G., ibid., col. 1117. A obra mereceria certamente uma edição completa.

2. Pode ser incluído entre as obras apologéticas um poema de Manuel em 812 versos políticos intitulado Quomodo impium ad Dei cognitionem et pietatem possit adducere. Inc. Πολλῆς—ἄναρχον φύσιν τοῖς εὐφρονοῦσι. Ainda inédito, esse poema se encontra no Parisinus 3041, f° 39-46, e no Barberinus 219, f° 1-8.

3. Em outro opúsculo, Manuel toma vigorosamente a defesa do celibato, ou, como ele se exprime, da santa virgindade, Συνηγορία τῆς ἱερᾶς παρθενίας. Inc. Πολλὰς μὲν ἄλλας ἡμῶν—τῶν πολεμίων ἀσεβεῖς δόξας διατριβάς, ἑκάστοις ἐκδίδωσι ταῖς ἀσεβεῖς. Vaticanus 1107, f° 240-253.

4. Em outra obra, composta de 4 discursos, Manuel explica-se sobre o escândalo que resulta, para os bons, da prosperidade dos maus. Esses discursos são anônimos, mas, como se encontram em meio a outras obras de Manuel, parece que devem pertencer-lhe. Por isso cremos dever dar integralmente os títulos, a fim de permitir ao leitor verificar, se for o caso, a exatidão de nossa hipótese. Essas peças lêem-se no Vaticanus 1107, f° 190-199 sob os seguintes títulos: I. Πρὸς τοὺς σκανδαλιζομένους ἐπὶ τῇ εὐπραγίᾳ τῶν ἀσεβῶν. Λόγος α'. Δεῖ ἐμμένειν τῇ εὐσεβείᾳ καὶ μὴ τοῖς θλίβουσι ἐνδιδόναι μηδὲ γαυροῦσθαι τοῖς τέρπουσιν, ὅτι κατὰ προδρομὴν εὐτυχίας, τε δόξης καὶ τῆς νῦν τῶν Τούρκων, καὶ κατ' ἀλήθειαν εὐσεβεῖς, καὶ ὅτι παλαιὸς οὗτος ὁ ἀγὼν κατὰ τῆς τοῦ ἀνθρώπου γένους τοὺς μὲν ἁγίους ἐνταῦθα θλίβεσθαι, τοὺς δὲ ἀσεβεῖς καταηδυπαθεῖν καὶ ὅτι οὔτε ἀγαθὸν ἀτελῶς ὁ πλοῦτος, οὔτε τὸ πλουτεῖν τοῖς ἀσεβέσι παρὰ Θεοῦ. Inc. Ἀδελφοὶ ἅγιοι, κλήσεως ἐπουρανίου μέτοχοι, ἔδει μὲν ἡμᾶς ἀληθῶς ἐφ' οἷς τὸ μακάριον καὶ θεῖον ὄνομα τοῦ σωτῆρος ἡμῶν Χριστοῦ ἐπικέκληται.

Πρὸς τοὺς σκανδαλιζομένους λόγος β'. Τίς ὁ λόγος τοῦ τοὺς μὲν ἁγίους ἐνταῦθα θλίβεσθαι, τοὺς δ' ἀσεβεῖς εὐπαθεῖν καὶ ὅτι καν ταῖς ἀνάγκαις εὑρίσκεται, δεῖ πάντων τούτων παραχωρεῖν τῷ Θεῷ, ἡμᾶς δὲ τοὺς ἁγίους ζηλοῦντας μέχρι θανάτου ἐμμένειν τῇ εὐσεβείᾳ καὶ ἀρετῇ. Inc. Ἀλλ' ὅτι μὲν οὐχ οἱ τοῖς παροῦσιν ἀγαθοῖς εὐθηνούμενοι.

Πρὸς τοὺς σκανδαλιζομένους λόγος γ'. Τίνα τῶν ἁγίων ἐντεῦθεν τὰ ἆθλα, εἰ πονεῖν αὐτοῖς συγκεκλήρωται διὰ βίου, καὶ ὅτι καν δοκῶσι θλίβεσθαι, ῥᾷον ζῶσι τῶν ἀσεβῶν, μόνοι ταῖς ἀληθείαις καὶ ἄνθρωποι καὶ εὐδαίμονες ὄντες, καὶ σύγκρισις ἀκολάστου καὶ παρθενεύοντος καὶ ὅλως σπουδαίου καὶ φαύλου. Inc. Περὶ μὲν οὖν τῶν αἰτιῶν—δι' ἃς οἱ μὲν εὐσεβεῖς εὐλόγως δοκοῦνται θλίβεσθαι.

Πρὸς τοὺς σκανδαλιζομένους λόγος δ'. Ὅτι ἄρρητα τὰ ἐν ἐλπίσιν ἀγαθὰ τῶν ἁγίων καὶ παράκλησις καὶ προτροπὴ πρὸς τὴν ὑπὲρ Χριστοῦ μαρτυρίαν. Inc. Ἃ μὲν οὖν ἐχρῆν εἰπεῖν περὶ τῶν μακαρίων ἀνδρῶν, ὡς συγκεκλήρωται σφίσι.

Colocaremos ainda nesta categoria:

5. Um opúsculo em forma de carta sobre a Providência dirigido a Nicolau Cabasilas, no Parisinus 3041, f° 60 v° - 65 v° e no Barberinus 219, f° 24-29. Inc. Θέρους ἀκμῇ καὶ ἡμεῖς, ἐν Λέσβῳ ἠναγκάσθημεν.

6. Uma dissertação teológica bastante longa, igualmente em forma epistolar, dirigida a Aleixo Iagoupès, Parisinus 3041, f° 72 v° - 85 v° e Barberinus 219, f° 36 v° - 50. Inc. Νῦν ἢ πρότριτά μοι προσελθὼν ἔφης.

7. Um tratado dos sete concílios ecumênicos, seguido da decisão relativa à heresia de Paulo de Samósata, Parisinus 3041, f° 131-134.

5° Controvérsia. Resta-nos de Manuel uma grande obra de controvérsia, cuja origem se liga à sua viagem à França. Enquanto permanecia em Paris, um teólogo, provavelmente um monge da abadia de Saint-Denys, apresentou-lhe em forma de silogismo um resumo da doutrina católica sobre a processão do Espírito Santo. Manuel tomou logo a pena e refutou a dissertação de duas páginas do professor parisiense num volumoso tratado de 156 capítulos, infelizmente permanecido inédito. Eis o título e os incipit segundo o Vaticanus 1107, f° 1-130. Segundo seu costume, Manuel pôs à frente de sua obra um prólogo para explicar-lhe a origem e o plano, a) Προθεωρία συντομωτάτη. Inc. Τόδε τὸ σύγγραμμα οὐ κατ' ἀντικρὺς κατὰ Λατίνων ὑφάνθη. b) Λατίνου τινὸς ἀσκοῦντος ἐν τοῖς προαστείοις τοῦ Παρυσίου, πρὸς τὸν αὐτοκράτορα Ῥωμαίων Μανουὴλ τὸν Παλαιολόγον ἀποδημοῦντα ἐν ταῖς Γαλίαις ἐν σχήματι συλλογισμοῦ κεφαλαιώδης ἐπιτομὴ περὶ τῆς τοῦ ἁγίου πνεύματος ἐκπορεύσεως. c) Τοῦ αὐτοκράτορος τῶν Ῥωμαίων Μανουὴλ τοῦ Παλαιολόγου πρὸς ταῦτα λόγος ἀπολογητικός· καὶ πρῶτον τοῦ λόγου κεφάλαιον, ὅτι ὁ συλλογισμὸς αὐτοῦ σοφιστικὸς καὶ τῆς τάξεως ἀπάδων, ἢ χρῶνται οἱ θεολόγοι. Inc. Κρεῖττον ἂν ἦν σοι ταῦθ' ἃ σοι πρὸς ἡμᾶς.

Esses 156 capítulos são seguidos no mesmo ms., f° 130 vo-133, de um pequeno tratado em forma de apêndice, que Leão Allatius, sem dúvida por engano, considerou como o c. clvii. Eis o título e o incipit: Ὅτι ὑπὲρ τάξιν ἡ τριὰς καὶ τὸ θεῖον ἀσχημάτιστον καὶ οὐκ ἐκ τῶν ἡμετέρων ἢ ἐν αὐτῇ τάξις δείκνυται πραγμάτων τε καὶ παραδειγμάτων. Inc. Εὐθὺς τῶν νῦν ἀγώνων ἀπαλλαγέντι μοι βίβλῳ τῆς χρυσῆς τῷ ὄντι καὶ διανοίας καὶ γλώττης συνέπεσεν ἐντυχεῖν. O grande tratado de que acabamos de falar, assim como a pequena dissertação suplementar que o segue, encontram-se igualmente no Barberinus 219 (II, 40) f° 93-180, inteiramente preenchido pelas obras de Manuel. É sem dúvida o exemplar visto por Allatius, De Ecclesiæ occidentalis atque orientalis perpetua consensione, Colônia, 1648, p. 854. Ver ibid., p. 306 e 194, a citação do c. c.

6. Liturgia. Assinalaremos sob este título não somente as peças litúrgicas propriamente ditas, mas também as orações compostas por Manuel em certas circunstâncias.

1. Psalmus eucharisticus de fulmine Agareno Bajazeto exstincto : Oração, em forma de salmo, para agradecer a Deus a derrota de Bajazeto na batalha de Ancira. Publicada em Leunclavius, op. cit., p. 448-451, em P. G., col. 581, 582, e em É. Legrand, op. cit., p. 104.

2. Canon deprecatorius ad sanctissimam dominam Deiparam pro præsentibus periculis, em latim, segundo a edição de Maracci, em P. G., col. 107-110, e em grego, segundo o Parisinus 3041, em Legrand, op. cit., p. 94-102.

3. Oratio glorificatoria ad Deum cum confessione gratiarum et actione, em Leunclavius, op. cit., p. 422-437, P. G., col. 563-574.

4. Aliæ preces matutinæ, Leunclavius, op. cit., p. 438; P. G., col. 573-576.

5. Capita compunctionis versibus exposita, Leunclavius, op. cit., p. 438-442; P. G., col. 575, 576.

6. Δέησις κλυδονιζομένων ἢ καὶ ἁπλῶς θαλαττευόντων συντεθεῖσα ἐκ τῶν τῆς δαυιτικῆς βίβλου ψαλμῶν. Inc. Κύριε ὁ Θεὸς τῆς σωτηρίας μου. No Parisinus 3041, f° 127 vo-131, e no Barberinus 219, f° 91.

7. Μεγαλυνάρια para o ofício do sábado santo no túmulo de Cristo, seguidos das lamentações, θρῆνος, da santa Virgem, no Parisinus 3041, f° 134 vo.

Fabricius, Bibliotheca graeca, éd. Harles, t. xi, p. 617-620, notícia reproduzida em P. G., t. clvi, col. 83-92. J. Berger de Xivrey, Mémoire sur la vie et les œuvres de l'empereur Manuel Paléologue, em Mémoires de l'Académie des inscriptions et belles-lettres, 1833, t. xix b, p. 1-201; K. Krumbacher, Geschichte der byzantinischen Litteratur, Munique, 1897, p. 111, 112, 489-492; Emile Legrand, Lettres de l'empereur Manuel Paléologue, Paris, 1893, xii-112 p.; M. Jugie, Le voyage de l'empereur Manuel Paléologue en Occident (1399-1408), em Échos d'Orient, 1912, t. xv, p. 322-332; A. Monferratos, Διπλωματικαὶ ἐνέργειαι Μανουὴλ Β΄ τοῦ Παλαιολόγου ἐν Εὐρώπῃ καὶ Ἀσίᾳ. Ἱστορικαὶ σημειώσεις, Atenas, 1913, 66 p.; G. Schlumberger, Un empereur de Byzance à Paris et à Londres, Paris, 1916, 58 p.; do mesmo, Jean de Chateaumorant, Paris, 1919, 52 p.; Ἀκολουθία εἰς τὸν εὐσεβέστατον καὶ θειότατον βασιλέα ἡμῶν κῦρ Μανουὴλ διὰ τοῦ θείου καὶ ἀγγελικοῦ σχήματος μετονομασθέντα Ματθαῖον μοναχόν, editada por Sp. Lampros, Νέος Ἑλληνομνήμων, 1917, t. xiv, p. 318-341.

Autor original: L. Petit

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