MALLET (CARLOS)

MALLET (CARLOS)

MALLET (João Carlos) (1608-1680) nasceu em Montdidier em 1608; fez seus estudos na universidade de Paris e foi doutor da Sorbonne em 1649. Foi cônego de Ruão desde 11 de agosto de 1649, e François de Harlay, arcebispo de Ruão, de quem fora preceptor, escolheu-o como vigário-geral em 24 de maio de 1674. Mallet fundou o pequeno seminário, do qual foi o primeiro superior. Adversário resoluto do jansenismo, atacou freqüentemente Arnauld. Morreu em Ruão em 20 de agosto de 1680.

Os escritos de Mallet têm por objeto a teologia escriturística e foram provocados pela Version du Nouveau Testament, dita Version de Mons, tão cara aos jansenistas. Deve-se citar Examen de quelques passages de la traduction française du Nouveau Testament, imprimée à Mons, in-12, Rouen, 1676. A obra é dividida em várias coletâneas, segundo a diversidade das matérias, e traz as censuras que condenam essa tradução e o decreto de Sua Majestade que proíbe vendê-la e imprimi-la; uma segunda edição, revista, corrigida e aumentada com o exame de vinte passagens e com a resposta ao libelo intitulado Seconde lettre d'un ecclésiastique à une dame de qualité, foi impressa em 1677. Mallet critica as traduções de 12 passagens referentes à castidade em geral e à castidade dos bispos, dos sacerdotes, dos diáconos, ao voto de castidade, à virgindade da Santíssima Virgem, à eucaristia, à predestinação e à reprovação, à morte de Jesus Cristo por todos os homens, à graça e à liberdade, à justificação, à divindade de Jesus Cristo, à Igreja, à intercessão dos santos, à mansidão e à humildade.

Arnauld, que havia participado dessa tradução do Novo Testamento, empreendeu defender essa obra; dirigiu uma Requête au roi para lhe pedir a permissão de responder a Mallet (Œuvres d'Arnauld, t. VII, p. 54-64 et Lettres d'Arnauld servant d'introduction à son Apologie de la version du Nouveau Testament de Mons contre le P. Mallet. Bibl. Nat. fonds fr. 13.900), e publicou uma Nouvelle défense de la traduction du Nouveau Testament imprimée à Mons contre le livre de M. Mallet docteur de Sorbonne et archidiacre de Rouen, où les passages qu'il attaque sont justifiés, ses calomnies confondues et ses erreurs contre la foi réfutées, in-12, Cologne, 1682, e acrescentou logo a Continuation de la nouvelle défense..., in-12, Cologne, 1682 (Œuvres, t. VII, p. 69-904).

Mallet publicou pouco depois de seu primeiro escrito o Traité de la lecture de l'Écriture sainte en langue vulgaire, in-12, Rouen, 1679; contrariamente à opinião dos jansenistas, Mallet declara que não se deve permitir ao povo essa leitura em língua vulgar senão depois de tomadas sábias precauções; em si, a leitura em língua vulgar do Novo Testamento é vantajosa, mas apresenta alguns inconvenientes; há passagens de que os ignorantes e os espíritos mal preparados ou mal dispostos podem abusar; é preciso, portanto, recorrer à prudência e à circunspecção dos pastores de almas. Já em 16 de dezembro de 1679, Arnauld escrevia a Neercassel para lhe pedir que denunciasse a Roma o livro de Mallet (Œuvres, t. II, p. 118-121), e ele próprio compôs um escrito para refutá-lo, De la lecture de l'Écriture sainte contre les paradoxes extravagants et impies de M. Mallet... (Œuvres, t. VIII, p. 254). Aplicou-se a mostrar que as teses de Mallet estão em formal contradição com o sentimento dos Padres (Sainte-Beuve, Port-Royal, 4e édit. Paris, 1878, t. V, p. 294-297).

Michaud, Biographie universelle, t. XXVI, p. 255, 256; Moréri, Le grand dictionnaire historique, édit. de 1759, t. VII, p. 136, 137; Feller-Pérennès, Biographie universelle, t. VIII, p. 89; G. Hermant, Mémoires, édit. Gazier, t. V, p. 627-631 et t. V, p. 251-260; Dictionnaire historique des auteurs ecclésiastiques, 4 vol. in-12, Lyon, 1767, t. III, p. 158; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. IV, col. 61.

J. Carreyre.

Autor original: J. CARREYRE

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