MALAXOS (MANUEL)

MALAXOS (MANUEL)

MALAXOS (Manuel), historiador e canonista grego do século XVI. Originário de Nauplia, na Moreia, abandonou sua pátria quando da tomada da cidade pelos turcos em 1529; em 1560 estava em Tebas, na Beócia, onde exercia junto ao metropolita Joasaf as funções de notário. Em 1577 reencontramo-lo em Constantinopla, e Estêvão Gerlach, que por vezes lhe comprava manuscritos, traça-lhe nessa data este pitoresco retrato: Est is admodum senex; pueros et adolescentulos græcos sub patriarcheio in parvula et misera casa docet, pisces siccatos in ea suspensos habet, quibus vescitur ipse coquens; libros precio describit; vino quicquid lucratur insumit; pinguis et robustus est. Crusius, Turcogræcia, Basileia, 1584, p. 185. O mesmo Crusius afirma ter sabido, em 1581, da morte de Manuel.

Entre as obras históricas do nosso autor, cumpre citar em primeiro lugar o Βιβλίον χρονογραφικόν, espécie de manual de história desde a origem do mundo até o reinado do sultão Murad IV. Possui-se dele um número muito grande de manuscritos, a maioria anônimos; por isso se tomara o costume de designar essa obra pelo título de Crônica do ano de 1570, em razão da data de sua composição. Mas já não é possível pôr em dúvida a paternidade de Malaxos sobre essa obra, depois dos notáveis artigos de Th. Preger, Die Chronik von Jahre 1570, na Byzantinische Zeitschrift, t. xi, p. 15 sq., e de Crisóstomo Papadopoulos, Περὶ τῆς ἐκκλησιαστικῆς χρονογραφίας τοῦ ιστ' αἰῶνος, no Ἐκκλησιαστικὸς Φάρος, Alexandria, t. ix, p. 410-454. Foi impressa pela primeira vez em Veneza sob o nome errôneo de Doroteu de Monembásia, e esse erro vem sendo reproduzido desde então em todas as edições, muito numerosas, que apareceram.

Possui-se ainda de Malaxos a Πατριαρχική ἱστορία Κωνσταντινουπόλεως, que vai de 1454 a 1578. Escrita em grego moderno como o Βιβλίον χρονογραφικόν, do qual não é muitas vezes senão um simples extrato, essa história foi publicada pela primeira vez, com tradução latina, por Martinho Crusius em sua Turcogræcia, e reimpressa no Corpus dos historiadores bizantinos de Bonn em 1849. Com base na autoridade de Nicolau Comneno Papadopoli, Fabrício e vários outros depois dele, mesmo em nossos dias, ainda se atribuem a Malaxos umas Memórias sobre o Peloponeso e um Opúsculo sobre as faltas dos clérigos. Mas esses títulos são puras invenções do ex-jesuíta cretense, o mais audacioso dos falsários. É inútil determo-nos mais nisso.

Se a obra histórica de Manuel Malaxos é importante, apesar da parcialidade que nela se manifesta com demasiada frequência, sua obra canônica o é ainda mais, em razão da imensa popularidade de que gozou durante três séculos. Não falamos dos Escólios sobre os cânones penitenciais de São Basílio, que são ainda uma invenção de Papadopoli, mas do Nomocanon, cujos manuscritos já não se contam. Só a biblioteca patriarcal de Jerusalém possui vinte e nove. O título varia, pois lê-se aqui Νομοκάνον, ali Νομοκάνονον, alhures Βιβλίον νομικόν, ou νομοκρίτης, mas esses diversos nomes não designam senão um único e mesmo livro. Apenas, o número dos capítulos nem sempre é o mesmo e, para reencontrar em sua integridade primeira a obra de Malaxos, é naturalmente preciso remontar aos mais antigos.

É o que acaba de fazer C. I. Dyobouniotès, professor da Universidade de Atenas, e os resultados de sua investigação modificam consideravelmente a opinião aceita até hoje. Examinando os fundos de biblioteca do falecido Alexis Colybas, o douto professor percebeu logo que se encontrava diante ou do próprio autógrafo de Malaxos, ou, ao menos, de um exemplar escrito sobre esse autógrafo, no mês de maio de 1561, para o metropolita de Tebas Joasaf. Coisa ainda mais notável, longe de estar escrito em grego moderno, como quase todos os outros manuscritos examinados até aqui pelos sábios, o exemplar em questão está em grego antigo. Diferentemente dos primeiros, os manuscritos desse gênero são muito raros, e só se conhecem dois ou três exemplares, dos quais um acaba de entrar, por nossos cuidados, na biblioteca Vaticana. Nessa redação, a obra contém 580 capítulos.

Mas nosso compilador não tardou a dar-se conta da dificuldade que o grego erudito de que se servira apresentava aos seus leitores e, já no ano seguinte, deu uma nova edição de seu manual em grego moderno; é esta a que se encontra habitualmente, mais ou menos desfigurada, é verdade, pelo arbítrio dos copistas, que não se privaram de acrescentar e de suprimir a seu gosto. Por isso é impossível indicar, para essa edição, o número total dos capítulos. Comparando uma à outra as duas recensões, constata-se que, na primeira, Malaxos transcreve simplesmente o texto original de suas fontes, ao passo que, na segunda, abrevia consideravelmente esse texto sem sempre se dar ao trabalho de indicar as referências. Muitas vezes até suprime capítulos inteiros, e muitas páginas da primeira redação não têm correspondente na segunda. Por isso, seja qual for o favor de que tenha gozado junto ao público a segunda edição, seria importante publicar integralmente a primeira. Ela mostraria em Malaxos, se não um canonista de grande envergadura, ao menos um honesto compilador que pôs ao alcance do leitor apressado tudo o que há de realmente importante nas coletâneas anteriores de Zonaras, de Balsamon, de Blastares e de Harmenópulo, para não falar dos autores secundários. Encontrar-se-iam nela também alguns inéditos, cujo número, é preciso confessá-lo, diminui de dia para dia, graças ao zelo dos pesquisadores.

S. Sgoutas, em Atenas, 1856, t. VII, p. 165-174, publica a tabela geral dos capítulos da segunda recensão. Zacharia de Lingenthal, em sua dissertação, Die Handbücher des geistlichen Rechtes aus den Zeiten des untergehenden byzantinischen Reiches und der türkischen Herrschaft, São Petersburgo, 1881, deu a tabela de um Nomocanon, que ele considera obra de Malaxos. Xenofonte A. Sidéridès, nas Memórias da Sociedade literária de Constantinopla, t. xxx, p. 182-205, trouxe igualmente à luz a tabela de uma recensão em 397 capítulos, com o texto de alguns capítulos. Enfim, Cl.

Dyobouniotès, Nomocanon tou Malaxou, Atenas, 1916, consagrou toda uma dissertação ao exame das obras canônicas de Malaxos, aplicando-se especialmente à primeira recensão, da qual publica a tabela dos capítulos e um certo número de inéditos.

L. Petit.

Autor original: L. Petit

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