MAIGNAN (Emanuel), sábio e teólogo francês da ordem dos mínimos (1601-1676). Nascido em Toulouse, a 17 de julho de 1601, distinguiu-se muito cedo por seu pronunciado gosto pelas ciências matemáticas. Tendo entrado aos dezoito anos na ordem dos mínimos, foi enviado a Roma, em 1636, para lecionar matemática em Trinità dei Monti. De volta a Toulouse, em 1650, ali ensinou até a morte, em 29 de outubro de 1676. Seus trabalhos de matemática e de física lhe haviam granjeado real celebridade. Luís XIV, de passagem por Toulouse em 1660, quis vê-lo e convidou-o, aliás em vão, a vir a Paris.
Maignan não se confinou nos trabalhos puramente científicos; pertence à geração dos grandes sábios do século XVII que, tendo reconhecido, ao contato da experiência, as insuficiências da filosofia pseudo-aristotélica professada até então, tentaram novos caminhos, ensaiaram sistemas de filosofia e pensaram explicar em função dessas mesmas ideias os dogmas eclesiásticos. Em 1652, publica em Toulouse um Cursus philosophicus em 4 vols.; revisto e aumentado (2ª ed., Lyon, 1673, in-fol.), compõe-se de alguns pequenos tratados. Em 1703, o P. J. Saguens, religioso da mesma ordem e discípulo de Maignan, deu do Cursus uma adaptação mais acessível aos estudantes: Philosophia Maignani scholastica, sive in formam concinniorem et auctiorem scholasticam digesta et coordinata, Toulouse, 8 vols. in-12. Tendo o Cursus philosophicus sido atacado em nome de princípios teológicos, Maignan, para defendê-lo, fez aparecer um volumoso tratado: Sacra philosophia sive entis tum supernaturalis tum increati, 2 vols. in-fol., Toulouse, 1662 e 1672. Em 1673, apareceu também uma Dissertatio theologica de usu licito pecuniae, in-12, em que o autor sustentava, sobre o empréstimo a juros, a doutrina que desde então prevaleceu entre os moralistas.
Espírito arrojado e vigoroso, Maignan mereceria mais do que uma simples menção; haveria interesse, para a história da teologia no século XVII, em estudar de perto as explicações científicas por ele propostas para diversos pontos de dogma e particularmente para a transubstanciação. O P. Saguens, já nomeado, publicou De vita, moribus et scriptis P. Maignani, Toulouse, 1697; outro confrade anônimo escreveu também um Projet pour l'histoire du P. Maignan, et apologie de la doctrine de ce philosophe, en forme de lettre à tous les savants particulièrement à ceux de l'ordre des minimes, Toulouse, 1703. Ver também Nicéron, Mémoires pour servir à l'histoire des hommes illustres, t. XXXI, Paris, 1735, p. 346-353; Journal des Savants, ano de 1703, p. 384-391; Hoefer, Nouvelle biographie générale, t. xxxii, col. 861; Hurter, Nomenclator, 3ª ed., t. IV, col. 172, 173.
É. Amann.
Autor original: É. Amann
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