MACÁRIO DE ALEXANDRIA, monge egípcio (século IV). — Entre os numerosos Macários cujo nome figura nas diversas histórias dos monges do Egito, os dois mais célebres no século IV foram Macário dito do Egito, ou Macário, o Grande, ver abaixo, e Macário de Alexandria. Os relatos de segunda mão nem sempre permitem distingui-los, mas a separação é nitidamente feita nas duas fontes da história monástica, a saber, a História Lausíaca de Paládio e a Historia monachorum atribuída, erroneamente, a Rufino. Trata-se de Macário do Egito na Hist. Laus., c. xvii, Hist. mon., c. xxviii, e de Macário de Alexandria na Hist. Laus., c. xviii, Hist. mon., c. xxx. Nesta última, o alexandrino é chamado ὁ πολιτικός, o citadino. As duas notícias em questão têm o mesmo caráter e preocupam-se mais em espantar o leitor com anedotas, algumas das quais muito inverossímeis, do que em informar o historiador sobre o curriculum vitæ de seu herói.
De algumas indicações tirar-se-á que Macário nasceu logo no início do século IV, que se deu à vida monástica por volta dos quarenta anos e que morreu quase centenário. Amigo de Macário, o Grande, sacerdote como ele, parece ter exercido, como ele, grande influência sobre as colônias monásticas de Nítria. Nenhum autor antigo atribui obra literária ao nosso Macário. Contudo, G. Cave publicou em sua Historia litteraria scriptorum ecclesiasticorum, t. i, Londres, 1688, um Λόγος τοῦ ἁγίου Μακαρίου περὶ ἐξόδου ψυχῆς δικαίων καὶ ἁμαρτωλῶν, que J. Tollius, julgando-o inédito, publicou de novo nos Insignia itinerarii italici, Utrecht, 1696, p. 192-199; foi reimpresso em Gallandi, Bibl. veter. Patrum, t. vii, p. 237 sq., e na P. G., t. xxxiv, col. 385-392. É uma composição bastante medíocre, que descreve, com as imagens da escatologia popular, a sorte diversa, após a morte, da alma do justo e da do pecador; certos pormenores seriam preciosos de assinalar, se se pudesse datar esta peça com alguma certeza. Mas não há nenhuma razão para atribuí-la a Macário.
Dir-se-á o mesmo de duas Regulæ ad monachos, uma posta sob o nome de Macarii abbatis Nitriensis, a outra em que figuram os nomes de Serapião, Macário, Pafnúcio e de um outro Macário; publicadas por L. Holstenius no Codex regularum, foram reimpressas em Gallandi e na P. G.; mas não têm nenhum direito de figurar sob o nome do nosso Macário. Regras da vida cenobítica, são de nenhuma aplicação aos anacoretas que o santo de Nítria dirigia.
Quanto à bibliografia, ver abaixo Macário do Egito; com efeito, todos os autores que falam deste dão um lugar mais ou menos considerável a Macário de Alexandria. As edições foram indicadas no decorrer do artigo.
Autor original: E. Amann
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