LUYNES (Paulo Alberto de), prelado francês (1703-1788). Nascido em Versalhes, em 5 de janeiro de 1703, foi destinado à carreira militar, que logo abandonou para entrar no seminário. Depois de receber as ordens, tornou-se vigário-geral de Bissy, em Meaux, em 1727, depois abade de Gérisy. Por fim, em 1729, foi nomeado bispo de Bayeux, onde sucedeu a Armand de Lorraine; foi sagrado em 25 de setembro de 1729 e, desde o início de seu episcopado, pronunciou-se contra os jansenistas que seu predecessor havia favorecido; organizou missões nas quais ele próprio pregava. Em 16 de maio de 1743, substituiu o cardeal de Fleury na Academia Francesa e, em 1747, foi nomeado primeiro esmoler da Delfina; em 1752, assinou representações ao Parlamento a respeito das recusas de sacramentos. Em 18 de agosto de 1753, substituiu Languet de Gergy na sé de Sens e, em 1754, assistiu em Paris à assembléia que examinou o livro do jesuíta Berruyer sobre a Histoire du peuple de Dieu; depois, nas assembléias do clero de 1755, 1758 e 1760, sustentou os direitos da Igreja contra o Parlamento.
Seu gosto pela astronomia fez que fosse nomeado, em 1755, membro honorário da Academia de Ciências, e fez observações eruditas que se encontram nas Mémoires de l'Académie des Sciences de 1761 a 1773 e que Quérard enumera, em La France littéraire, v, p. 399. Em 5 de abril de 1756, foi nomeado cardeal por Bento XIV e tomou parte nos conclaves de 1758, 1769 e 1774. Entrementes, havia sido nomeado comendador da ordem do Espírito Santo, em 1759; aderiu aos atos da assembléia de 1765 e, em 1º de abril de 1767, uma assembléia reuniu-se em sua casa para protestar contra os arestos e as usurpações dos parlamentos. Morreu em Paris em 21 de janeiro de 1788.
Possuímos do cardeal de Luynes seu Discours de réception à l'Académie française e alguns mandamentos, dos quais o mais célebre é sua Instruction pastorale contre la doctrine des incrédules et portant condamnation du Système de la Nature ou des lois du monde physique et du monde moral, obra do barão d'Holbach, in-12, Paris, 1771. Cf. Journal des Beaux-Arts et des Sciences de maio de 1771, p. 216-230; o Journal de Trévoux, de que esse Journal é a continuação, declara que a Instruction de Luynes é de uma « eloqüência viva, comovente e majestosa », abril de 1771, p. 173. Numa Lettre ao síndico da Sorbonne, o cardeal de Luynes havia felicitado a Faculdade de teologia por ter condenado o Émile de Rousseau. Archives nationales, MM. 258, p. 65, e Féret, La Faculté de théologie de Paris et ses docteurs les plus célèbres, Époque moderne, t. vi, 1909, p. 246. Em 1738, mandou imprimir um Bréviaire para a diocese de Bayeux e em 1739 um Processionnal. Em 1822, reeditaram-se as Règles et Constitutions données aux Filles du Bon Sauveur de Caen, que são obra de Luynes; por fim, atribui-se-lhe uma Lettre que teria escrito, em 1764, em favor dos jesuítas e do arcebispo de Paris.
Michaud, Biographie universelle, t. xxv, p. 532, 533; Hœfer, Nouvelle biographie générale, t. xxxii, col. 359-360; Quérard, La France littéraire, t. v, p. 398, 399; Feller. Biographie universelle, édit. Perennès, 1842, t. vii, p. 637; Le Gras, Éloge funèbre du cardinal de Luynes; Fisquet, la France pontificale, Métropole de Rouen, Bayeux et Lisieux, in-8°, Paris, s. d., p. 122-125, ou então Métropole de Sens, in-8°, Paris, s. d., p. 156-159 (mesmo artigo); Jean, Les évêques et archevêques de France depuis 1682 jusqu'à 1801, in-8°, Paris, 1891, p. 348.
J. Carreyre.
Autor original: J. Carreyre
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