LUMBIER

LUMBIER

LUMBIER Raimundo, — carmelita calçado, teólogo e orador (1616-1684). Nasceu em Sangüesa (Navarra), em 19 de julho de 1616, à hora das primeiras vésperas do Profeta Elias, de pais nobres, Pedro Lumbier e Ana Ângela Araus. Tomou o hábito de carmelita calçado no convento de sua cidade natal, em 25 de abril de 1632; poucos dias depois, partiu para o noviciado de Saragoça; mas antes mesmo de ter ali concluído o ano de provação, fizeram-no seguir os cursos de filosofia no convento de Calatayud (Saragoça) e, quando o propuseram a voto para a profissão definitiva, certos religiosos da comunidade (não se sabe precisamente em que basearam sua afirmação) pretenderam que, em vez de ser útil à ordem, seria antes um peso para ela; então o mestre dos noviços fez valer as virtudes e os talentos do jovem noviço, que, graças a essa enérgica intervenção de seu mestre, foi admitido à profissão; fez seus votos em 18 de abril de 1633.

Lumbier foi tão bem-sucedido em seus estudos que foi promovido aos graus de mestre em artes (filosofia) e de doutor em teologia na Universidade de Saragoça; em 1642, obteve ali uma cátedra de teologia e, desde 1652, ocupou ali a primeira cátedra. Em 1654, foi nomeado qualificador da Inquisição de Aragão; em 1656, examinador sinodal do arcebispado de Saragoça; em 1665, qualificador do conselho supremo da Inquisição da Espanha e das Índias; e, em 1666, tornou-se pregador da corte da Espanha; com efeito, à sua grande ciência juntava um talento oratório notável. Destacou-se muito especialmente na pregação das quaresmas; já em Saragoça, não pregou menos de treze, tanto na catedral del Pilar, como na da Seo e no hospital geral de Nossa Senhora da Graça. Todas essas ocupações fora da ordem não o impediram, contudo, de exercer alguns cargos nesta; com efeito, foi por três vezes provincial da província de Aragão, Valência e Navarra; além disso, foi o verdadeiro fundador do grande convento dos carmelitas, chamado « Colégio de São José », em Saragoça. Morreu piedosamente em Saragoça, em 1º de agosto de 1684.

Possuímos dele: 1. Quœstiones theologicœ scholasticæ Iam partem : Thomœ, 1672-1680, in S. Saragoça, 6 tomos in-16. Essa obra contém os seguintes tratados: da natureza da teologia; da natureza e dos atributos de Deus; da visão de Deus; da ciência de Deus; da vontade de Deus e da Trindade; outra edição, ibid., 1680, 6 tomos in-fol., em um volume. — 2. Tractatus de sacrosancto Incarnationis mysterio, ibid., 1672, in-fol. — 3. Tractatus de virtute fidei, Saragoça, 1678, in-fol. — 4. Suma moral, dita Suma de Arana, em três volumes, que tiveram muitas edições ainda em vida do autor. O tomo (do qual não pude encontrar o exemplar) teria por título, segundo o catálogo impresso do Colégio de São José dos carmelitas de Saragoça: Suma moral y fragmentos. O tomo ii: Fragmentos : En t. varios morales. prosecucion de los : suma Arana, que estan en la de 3e édit., Saragoça, 1683, in-4°, 549-1216 p. Além disso, esse volume contém um estudo sobre as 45 proposições condenadas por Alexandre VII (decr. de 24 de set. de 1665 e 18 de março de 1666); assim como certos decretos a respeito das indulgências e da comunhão cotidiana (decr. da S. Congr. do Concílio de 12 de fevereiro de 1679); Lumbier mostra-se aqui muito favorável à comunhão cotidiana. Enfim, há o decreto de Inocêncio XI concedendo a indulgência de 2 de novembro e o da S. Congregação proibindo o uso das correntinhas da escravidão de Maria.

O tomo iii contém o estudo das sessenta e cinco proposições condenadas por Inocêncio XI, em 2 de maio de 1676. 2e édit., Saragoça, 1680, in-L, xxii-1049-1336 p. Na página 1337 e seguintes, há em apêndice um estudo a respeito da Cruzada; a obra termina com 40 páginas de índices das matérias para os t. ii e iii. A 6e édit. revista e aumentada tem por título Noticias : theologicas morales acerca las proposiciones condenadas por NN. SS. PP. Inocencio XI y Alexandro VII, Saragoça, 1683, in-4°, xxvi-568 p. Este t. iii saiu também em latim, mas foi posto no Índice romano por decreto de 23 de novembro de 1683. É contra esse tomo que escreveu o dominicano Lourenço Maria Pisani, quando inseriu observações em forma de apêndice em seu livro Gedeonis gladius, Palermo, 1683, in-4°. — 5. Devem-se ainda a Lumbier muitas consultas impressas. Entre outras, encontra-se seu parecer nas p. 122-12.">dans la Consulta hecha en 2 de noviembre 1682 sobre los perjuicios de las causas de España en razón del gobierno y dependencia del Prior de Grenoble en Francia con los pareceres dados à este objeto por varones doctos y religiosos, 1779, in-l°. Cita-se ainda dois volumes de sermões. Cinco sermões de Lumbier foram conservados por Raimundo de Sos, carmelita calçado, em Oratoria carmelitana, Saragoça, 1684, in-4°, p. 197-216; 561-613. Essa mesma obra dá uma notícia de Lumbier — sobre os votos de religião no Antigo Testamento. 7. Enfim, os Sete exercícios para todos os dias da semana permaneceram provavelmente inéditos.

J. Boneta, Vida exemplar del vénérable Padre M. F. Raymundo Lumbier... Tratado historico y Panegirico dividido en tres partes, Saragoça, 1687, in-4°; entre outras coisas, há ali elogios em verso e em prosa, as orações fúnebres pronunciadas em sua honra por Filipe Aranda, S. J., Luís Puyoo y Abadia, carmelita, e José Boneta, etc. Cosme de Villiers, Bibliotheca carmelitana, Orléans, 1752, t. ii, col. 673-675, n. 18; Henrique de S. Inácio, O. C., Ethica amoris, Liège, 1709, passim; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. iv, col. 359 e 623-624.

P. Anastase de S. Paul.

Autor original: P. Anastase de S. Paul

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