LEZANA (João Batista de), carmelita calçado espanhol (1586-1659), filósofo, teólogo, canonista, historiador e autor ascético. Nasceu em Madri, em 23 de novembro de 1586, entrou no convento dos carmelitas calçados de Alberca em 18 de outubro de 1600 e pronunciou seus votos em Madri em dezembro de 1602. Estudou filosofia em Toledo e teologia nos conventos e nas universidades de Salamanca e de Alcalá de Henares, sob a direção dos sábios Celedonio de los Santos (carmelita), João Márquez (agostiniano) e Luís de Montesinos. Em seguida, ele próprio deu cursos sobre Aristóteles e São Tomás em diversos conventos de sua ordem e foi prefeito dos estudos de Toledo. Enviado a Roma em 1625 para o capítulo geral como delegado de sua província, aí permaneceu o resto da vida. Foi prefeito dos estudos e leitor de teologia no convento de Santa Maria Transpontina e, durante 16 anos, ocupou a cátedra de metafísica na Sapienza romana. Por sua sabedoria e pela excelência de sua doutrina, bem como por sua prudência, sua piedade, sua humildade e sua austeridade, granjeou a estima de todos. Com efeito, levava uma vida religiosa exemplar, era assiduíssimo aos ofícios do coro e muito retirado em sua cela, onde se consagrava ao estudo e à oração. Apesar de numerosas e esmagadoras ocupações, jejuava rigorosamente e entregava-se a outras austeridades. Foi conselheiro ou assistente de cinco ou seis gerais de sua ordem, e honrado com os títulos de provincial da Saxônia, da Inglaterra e da Terra Santa. Urbano VIII o nomeou consultor da Congregação do Índice e Inocêncio X, da Congregação dos Ritos; escolheu-se-o ainda para examinador dos benefícios; enfim, em 1658, Alexandre VII o nomeou, motu proprio, procurador geral de sua ordem. Por humildade, recusou a dignidade de bispo. Lamentado por todos, morreu em Roma em odor de santidade, em 29 de março de 1659, com a idade de 73 anos. A autoridade de João Batista de Lezana foi muito grande e o é ainda em filosofia, em teologia e sobretudo em direito canônico. Quanto às suas obras históricas, poderiam sem dúvida ter sido feitas com mais cuidado, mas nem por isso supõem menos um trabalho considerável.
1° Obras teológicas. 1. Apologeticus liber pro immaculata Deipara Virginis conceptione, Madrid, 1616, in 1°, obra que foi muito louvada por aqueles mesmos que escreveram sobre a matéria. 2. Summa theologiœ sacrœ, na qual ele se propõe tratar com brevidade e clareza todos os tratados teológicos segundo a doutrina de São Tomás e dos outros doutores escolásticos, sobretudo os autores carmelitas. A obra permaneceu incompleta por causa da morte do autor, Roma. O t. i, 1651, fol., de xxiv-594-xliv p., corresponde à I parte da Suma de São Tomás; o t. ii, 1654, in-fol., de xxii-539-xiii p., corresponde a toda a I-II; o t. iii, in-fol. de xlviii-422-xxxvii p., corresponde a uma parte da II-II; o autor aí trata das virtudes de fé, de esperança, de caridade, de prudência, de força, de temperança e das graças gratis datœ.
2° Obras jurídicas. 3. Summa quœstionum regularium, na qual trata, do ponto de vista canônico, dos casos de consciência que podem apresentar-se aos religiosos de ambos os sexos; 5 tomos in-4°, Roma, 1637-1647. Essa obra teve sucessivamente várias edições parciais. O t. v compreende o Mare magnum de vários ordens religiosas, dominicanos, menores, agostinianos, carmelitas, servitas, etc. 4. Consulta varia theologica, juridica et regularia, Veneza, 1656, in-fol. 5. O Apanagium, estudo jurídico sobre o apanágio do príncipe Filiberto de Sabóia, Bracciani-Roma, 1654, in-4°. Todas essas obras jurídicas apareceram revistas e aumentadas nas Opéra regularia et moralia, 4 vol. in-fol., Lyon, 1655-1656 e ibid., 1688.
3° Obras ascéticas. 6. De regularium reformatione ou De disciplina monastica. É uma só e mesma obra que apareceu sob esses dois títulos e trata da vida religiosa segundo o modelo dos santos Padres e dos antigos monges. Essa obra teve seis edições, três em Roma, 1627, 1641 e 1646, in-4°, uma em Colônia, 1629, in-12, e duas em Lyon no tomo das Opéra regularia et moralia, 1655 e 1688. 7. De patronatu seu de singulari SS. Virginis Mariœ patronatu et patrocinio in sibi devotos, estudo ascético-histórico sobre a singular proteção da Virgem Maria para com a ordem dos carmelitas. O autor serviu-se aí principalmente do Collectaneum exemplorum et miraculorum de Balduíno Leersius (†1483) e do De patronatu et patrocinio B. V. Mariæ de Arnoldo Bostius (escrito em 1479). A obra apareceu em Roma, 1648, in-4°, e em Bruxelas, 1651, in-16; Daniel de la V. M. deu dela um resumo em seu Spéculum Carmelitanum, Anvers, 1680, t. i, p. 432-470.
4° Obras históricas. 8 e 9. Columna immobilis et Turris Davidica, Bracciani, 1655 e 1656, in-4°, e em Lyon no t. iv das Opéra regul. et mor., 1656 e 1688. Essas duas obras tratam da imagem milagrosa de N. S. del Pilar de Saragoça e da catedral del Pilar. 10. Em espanhol, uma Vida de Santa Maria Madalena de Pazzi, Roma, 1648, in-4°, Saragoça, 1650, foi traduzida em várias línguas. 11. Annales sacri prophetici et eliani Ordinis B. Virginis Mariœ de Monte Carmeli. Essa obra de grande envergadura, que supõe um trabalho infatigável, devia compreender cinco tomos in-fol.; apenas quatro foram publicados, o quinto permaneceu inacabado nos arquivos do convento de Lezana em Roma. Ele aí defende as tradições de sua ordem a respeito de sua descendência elianica. O t. i, Roma, 1645, viii-755-xl p., compreende o período que se estende desde o profeta Elias até Nosso Senhor Jesus Cristo. O t. ii, ibid., 1650, viii-712-xxviii p., estende-se até João de Jerusalém, xliv (ou lxii?), começo do século v. O t. iii, ibid., 1653, viii-539-xlix p., até São Bertoldo (meados do século xii). O t. iv, Roma, 1656, xii-1061-lxxi p., até o nascimento de Santa Teresa (1515). Deve-se ainda a Lezana algumas obras que permaneceram manuscritas, como o De auxiliis gratiæ, em 1653, pronto para ser impresso, e uma obra sobre as cinco proposições dos jansenistas; Votum circa recentiores propositiones, 1653.
Cf. P. Benedict Zimmerman, O. C. D., The Catholic Encyclopedia, New-York, t. ix, p. 209»; Cosme de Villiers, Bibl. carmel., Orléans, 1752, t. i, col. 772-779, que relata uma longa bibliografia; Daniel de la V. M., Spéculum carmel., Anvers, 1680, t. i, p. 433; 962»-963\ 1000»-1001», t. ii, p. 1078»; Godefroi Henschenius, S. J., que no prefácio à vida de S. Pierre-Thomas, patriarche de Constantinople, Anvers, 1659, apresenta um admirável paralelo entre Lezana e São Pedro Tomás; Nicolas Antoine, Bibl. Hispana nova, Madrid, 1733-1738, t. I, p. 490 sq.
P. Anastase de S. Paul.
Autor original: P. Anastase de S. Paul
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