JOSÉ O GALESIOTA

JOSÉ O GALESIOTA

JOSÉ O GALESIOTA, 10. patriarca de Constantinopla, de 1267 a 1275, depois em 1282, de quem se fez um herói porque recusou colaborar com o imperador Miguel VIII Paleólogo na união das duas Igrejas, grega e latina. Nascido sem dúvida na Ásia Menor, estava ligado ao palácio imperial de Niceia e de Ninfeia como sacerdote e confessor, quando perdeu sua mulher, da qual tivera uma filha. Tendo-lhe essa desgraça doméstica dado o gosto de uma vida mais perfeita, fez-se monge no monte Galésios, que se encontra na estrada de Esmirna a Éfeso, além do Caístro. Mas nem por isso perdeu sua influência na corte; foi mesmo excomungado pelo patriarca Arsênio (1261-1267) por invasão da jurisdição do chefe da Igreja. Veja-se o incidente descrito com muita vivacidade por uma testemunha ocular, Macário de Pisídia, em A. Papadopoulos-Kerameus, Varia sacra, São Petersburgo, 1909, p. 285-291.

Mas Arsênio foi deposto pelo imperador e, depois de um reinado de três meses do velho Germano III, foi José quem foi investido da dignidade patriarcal. A entronização teve lugar em 1º de janeiro de 1267 (e não 1268). Todavia, José perdeu as boas graças do imperador a partir de 1270, quando se recusou a seguir o soberano em seus projetos de união. Por isso teve de ceder o lugar, em maio de 1275, a João Beccos, para retirar-se sucessivamente ao mosteiro de Periblepto (atual mesquita de Soulou-Monastir), à fortaleza de Chilé, perto da entrada do mar Negro, e finalmente ao mosteiro de Cosmidion. Mas, com a morte de Miguel VIII, logo seguida da expulsão de Beccos, José voltou ao trono patriarcal, do qual tomou posse em 31 de dezembro de 1282, para morrer já em março de 1283, não sem ter aplaudido as medidas violentas tomadas contra os partidários da união, mas entristecido pelas divisões intestinas que separavam então o clero ortodoxo em dois campos irreconciliáveis, os arsenitas e os josefistas. A Igreja grega não deixa por isso de celebrar a festa de José em 30 de outubro.

Afora os diversos atos sinodais, que não são obra sua pessoal, temos dele: 1° uma Réplica ao memorial em favor da união apresentado pelo imperador; dela se tratou no artigo Job Jasitès, o verdadeiro autor desse factum, ver col. 1488; 2° uma Confessio propria manu scripta contra a processão do Espírito Santo; existem dela numerosas cópias nas bibliotecas, e foi impressa, sob o nome errôneo de José II (1416-1439), pelo patriarca Nectário de Jerusalém em seu Antirrhesis contra o primado romano, Jassi, 1682, p. 237-239, depois sob seu verdadeiro nome, mas como inédita, por J. Carellius no decurso de um estudo de 23 páginas sobre nosso personagem, na Nuova Raccolta di opuscoli scientifici e filologici dos PP. Angelo Calogerà e Fortunato Mandelli, Veneza, 1755-1787, t. xxnr; 3° uma epistola consolatoria ao metropolita de Tessalônica Inácio, retido na prisão pela questão da união; 4° seu Testamento. Essas duas últimas peças, ainda inéditas, encontram-se no Vaticanus regius 66, f° 35-39, separadas uma da outra por dois fragmentos estranhos; 5° duas cartas, igualmente inéditas, conservadas no Parisinus 1234, f° 6 e 267.

L. Petit.

Autor original: L. Petit

A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor