JOÃO XVIII (PAPA)

JOÃO XVIII (PAPA)

JOÃO XVIII, papa, substitui o precedente depois de uma vacância de algumas semanas; sagrado em 25 de dezembro de 1003, morre em junho de 1009. — Relegado por Crescêncio ao cuidado exclusivo dos assuntos eclesiásticos, João foi, ao que parece, um papa consciencioso. Na Alemanha, por solicitação de Henrique II, estabeleceu o bispado de Bamberg, apesar das dificuldades suscitadas pelo arcebispo de Würzburg. A fundação dessa sé era vivamente desejada pelo rei da Germânia, que queria fazer dela um ponto de apoio para as missões no domínio eslavo. Jaffé, n. 3054. A renovação dos direitos e privilégios da sé de Merseburgo se liga à mesma política. Na França, João entrou em conflito passageiro com o rei Roberto, o Piedoso, o arcebispo de Sens e o bispo de Orléans, a propósito dos privilégios reivindicados pela abadia de Fleury-sur-Loire. Descontente com a maneira como se havia falado, diante de seu legado, dos privilégios outrora concedidos a esse mosteiro pela Santa Sé, o papa intimou os dois prelados a virem justificar-se em Roma e ameaçou o rei de lançar o interdito sobre seu domínio, caso não obrigasse os bispos a dar essa marca de arrependimento. Jaffé, n. 3958-3961. Não sabemos se Roberto obedeceu a essa intimação.

Com base num epitáfio que Barônio dava como sendo a de João XVIII, Annales, ad an. 1009, certos autores pensaram que João devia ter intervindo no Oriente, para restabelecer a unidade, rompida mais uma vez. Nam Graios superans, eois partibus unam Schismata pellendo reddidit ecclesiam. Mas esse epitáfio certamente não é de João XVIII; seria o de Marino I. De Rossi, Inscriptiones christianae urbis Romae, t. ii a, p. 215. Aliás, João XVIII foi sepultado não em São Pedro, de onde provém a inscrição de Barônio, mas em São Paulo, onde seu epitáfio ainda se conserva. Segundo uma crônica, João se havia retirado para essa abadia: in sancto Paulo monachus discessit. Não temos outras precisões sobre esse retiro.

Liber Pontificalis, t. ii, p. 266; Jaffé, Regesta, t. i, p. 501-503; Watterich, Pont. rom. vitæ, t. i, p. 69, 89 (texto do epitáfio de Barônio), 699; Hefele, Histoire des conciles, trad. Leclercq, t. iv b, p. 303-311; L. Duchesne, Les premiers temps de l'État pontifical, p. 196; Ch. Pfister, Études sur le règne de Robert le Pieux, Paris, 1885, p. 314-316; Langen, t. iii, p. 401-403; Gregorovius, t. iv, p. 8-9.

E. Amann.

Autor original: E. Amann

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