JOÃO XVI, antipapa, instalado em abril-maio de 997, derrubado em março de 998. — Embora considerado antipapa, João Filagato, um grego da Calábria, tornado bispo de Placência, é contado, não obstante, na série dos papas João. Era uma criatura do antigo ditador Crescêncio, que fora trazido à razão por Oto III em 996, mas que aproveitou o retorno deste à Alemanha para derrubar o papa imperial, Gregório V, no outono de 996. Refugiado na Itália do Norte, este, depois de ter multiplicado contra seu concorrente anátemas ineficazes, dirigiu-se ao imperador. Oto chega à Itália no início de 998. À notícia de sua chegada, João foge; Crescêncio fechou-se no castelo de Santo Ângelo, cujo cerco em regra o imperador teve de fazer. Feito prisioneiro, Crescêncio foi decapitado nas ameias da cidadela; João, alcançado na campanha romana, foi mutilado, cegado e teve de sofrer em Roma a suprema injúria da cavalgada ridícula; em seguida foi encerrado num mosteiro romano, que lhe serviu de prisão. Depois desses acontecimentos perde-se-lhe o rastro; talvez só tenha morrido em 1013.
Liber Ponlificalis, t. ii, p. 261-262; Jaffé, Regesta, t. I, p. 485-486; Watterich, Pont. rom. vitœ, t. i, p. 68, 689-690; L. Duchesne, Les premiers temps de l'État pontifical, p. 192-193; Langen, t. iii, p. 385-386; Gregorovius, t. iii, p. 404-419.
E. Amann.
Autor original: E. Amann
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