JOÃO XV, papa, sagrado em agosto de 985, morto em abril de 996. — Originário de Roma, filho de um sacerdote chamado Leão, João foi elevado ao trono pontifício pela vontade de Crescêncio II, filho daquele Crescêncio que, nos anos anteriores, havia oposto Bonifácio VII aos papas imperiais. Aproveitando-se da carência momentânea da autoridade germânica, Crescêncio II tomou o novo título de patrício dos romanos e relegou o papa aos assuntos estritamente eclesiásticos. O retorno a Roma da imperatriz Teofano em 989 não parece ter modificado muito a situação, tendo-se a soberana entendido com Crescêncio sobre a partilha das atribuições políticas. A morte de Teofano em 991 foi o sinal de novas discussões entre romanos e alemães. João, que tinha tendência a apoiar-se nestes últimos, tornara-se também odioso aos romanos por seu nepotismo, segundo o Liber Pontificalis. Em seguida a incidentes que é difícil precisar, e que talvez forçaram o papa a refugiar-se na Toscana, viu-se obrigado a apelar a Oto III. Este se dirigia a Roma quando soube da morte de João XV, que acabava de voltar à sua capital.
Embora seja mal conhecida, a ação eclesiástica desse papa parece ter sido bastante considerável. Em 991, intervém num desentendimento entre Etelredo, rei da Inglaterra, e Ricardo, duque da Normandia, a quem impõe a paz de Rouen. Jaffé, n. 3840. Na Alemanha apoia a política eclesiástica da regente, depois a de Oto III; é ele quem canoniza solenemente santo Ulrico, bispo de Augsburgo, primeiro exemplo conhecido de canonização pelo papa. Jaffé, n. 3848. Suas relações com o episcopado francês foram muito mais difíceis. A atitude do arcebispo de Reims, Gerberto, o futuro papa Silvestre II, é particularmente interessante de estudar. Sente-se bem que todos os escândalos que, havia um século, se haviam multiplicado em Roma tendiam a suprimir o respeito pela sé apostólica e levavam os bispos a contestar os direitos desta. O concílio de Saint-Basle em 991 é uma das primeiras e das mais graves manifestações do galicanismo eclesiástico. Mas João XV não deixou prescrever os direitos da Santa Sé. Convocou a Roma os bispos que em Saint-Basle haviam estabelecido Gerberto na sé de Reims. Jaffé, n. 3845. O abade romano Leão, nomeado legado do papa na França e na Germânia, conseguiu, após numerosas dificuldades, reunir o sínodo de Mouzon, nas Ardenas, em 2 de junho de 995, que obrigou Gerberto a recuar. Jaffé, n. 3855. Sobre todo esse caso, ver o artigo Silvestre II.
Liber Pontificalis, t. ii, p. 260; Jaffé, Regesta, t. i, p. 486-489; Watterich, Pont. rom. vitæ, t. i, p. 66-67, 687; os documentos relativos ao caso de Gerberto em Mansi, Concilia, t. xix, col. 103-168; 173-178; 193-200: e em Monumenta Germaniæ historica, Scriptores, t. iii, p. 658-693; L. Duchesne, Les premiers temps de l'État pontifical, p. 191; Hefele, Histoire des Conciles, trad. Leclercq, t. iv b, p. 867-869; Langen, t. iii, p. 369-380; Gregorovius, t. iii, p. 389-393; Baxmann, t. ii, p. 132-146; Hartmann, t. iv a, p. 97-101; Hauck, Kirchengesch. Deutschlands, t. iii, p. 255-270.
E. Amann.
Autor original: E. Amann
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