JOÃO XI (PAPA)

JOÃO XI (PAPA)

JOÃO XI, papa, sagrado em março de 931, morto em janeiro de 936. Por morte de João X, Marózia, doravante onipotente, dera sucessivamente o trono pontifício a Leão VI (928-929) e depois a Estêvão VII (929-931), que apenas passaram. Morto este, ela não hesitou em fazer sentar na cátedra de São Pedro João XI, seu próprio filho. Este último ponto está fora de contestação; parece não menos certo que o pai de João XI não era outro senão o papa Sérgio III, e é infinitamente verossímil que Sérgio tenha tido esse filho na época de seu pontificado. «O fato de se ter podido registrar semelhante paternidade no Liber Pontificalis dá uma ideia do que a opinião tolerava então.» (Duchesne.) — João XI não foi, aliás, mais que um instrumento nas mãos de sua mãe, seu papel religioso foi quase nulo; ao menos preparou, para um futuro longínquo, a reforma da Igreja favorecendo Odão, abade de Cluny, e suas tentativas de restauração monástica, Jaffé, n. 3584, 3585, 3588.

O acontecimento mais considerável de seu pontificado foi a ruína do poder de sua mãe e a transferência da onipotência em Roma ao filho desta, Alberico. As ambições de Marózia, com efeito, ultrapassavam os limites do Estado romano; sonhou com o domínio sobre toda a Itália. Em 928 livrara-se de João X para impedir Hugo de Provença de pôr a mão em Roma; em 932 chamou esse príncipe para lá e ofereceu-lhe sua mão. Já viúva pela segunda vez, desposou Hugo em terceiras núpcias. A cerimônia, presidida por João XI, realizou-se no castelo de Santo Ângelo; mas foi perturbada por um violento incidente. Alberico, nascido do primeiro casamento de Marózia com o marquês Alberico e, portanto, meio-irmão do papa, estava por diversas razões muito descontente com esse terceiro casamento; uma viva altercação rebentou entre o jovem (tinha quando muito uns quinze anos) e seu novo padrasto; degenerou em tumulto dos romanos, que obrigou Hugo e Marózia a fugir. João XI foi confinado estreitamente na prisão por Alberico; dela só saiu para se ver lançado no domínio dos assuntos eclesiásticos.

Foi Alberico quem, durante vinte anos, será o senhor exclusivo de Roma; cumpre acrescentar que seu principado esteve longe de ser tão nefasto quanto o de sua mãe; os papas que investiu sucessivamente do pontificado supremo foram geralmente pessoas recomendáveis. Feliz se, em seu leito de morte, não tivesse designado seu próprio filho Otaviano como sucessor eventual do papa Agapito II.

Entre os atos eclesiásticos de João XI, assinalemos sua intervenção no caso do patriarca de Constantinopla Teofilato. Era o quarto filho do imperador de fato, o usurpador Romano Lecapeno; tinha apenas dezesseis anos no momento em que seu pai resolveu elevá-lo ao trono patriarcal. João XI, consultado, seja diretamente, seja, como pretende Liutprando, por intermédio de Alberico, enviou legados que entronizaram em seu nome o jovem patriarca. Essa intervenção de Roma na entronização do patriarca suscitou vivos protestos da parte dos canonistas gregos. Contudo, se fosse preciso crer em Liutprando, o papa fazia aos orientais singulares concessões, pois permitia a Teofilato e a seus sucessores usar o pálio sem terem jamais necessidade de pedi-lo a Roma.

Liber Pontificalis, t. ii, p. 243; Jaffé, Regesta, t. i, p. 454-455; Watterich, Pontificum romanorum vitæ, t. i, p. 31, 39-41, 669-671. Para a instalação de Teofilato, Theophanis continuatio, De Romano Lacapeno, n. 32, 34, em Corpus Scriptorum historiæ byzantinæ de Bonn, t. xxii, p. 421, 422; Liutprand, Legatio, n. 62, P. L., t. cxxxvi, col. 934; Baronius, Annales, ad an. 933; o documento essencial é uma carta de Romano a João XI, publicada por Pitra, Analecta novissima, t. i, p. 263. L. Duchesne, Les premiers temps de l'État pontifical, p. 170 sq.; Églises séparées, p. 220-221; Langen, t. iii, p. 329-331; Gregorovius, t. iii, p. 274-292; Baxmann, t. ii, p. 331-336.

E. Amann.

Autor original: E. Amann

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