JOÃO II DE CONSTANTINOPLA, cognominado o Capadócio, patriarca de 517 a 520. — Havia sido primeiro síncelo de Timóteo I, um intruso que o imperador Anastácio tinha substituído a Macedônio. Timóteo II, julgado pouco zeloso com relação ao Henótico, tendo morrido em 5 de abril de 517, João lhe sucedeu; aparentemente o basileu o julgava conquistado à sua política. No fundo, porém, João era de sentimentos ortodoxos; mas não ousou declarar-se pela fé calcedoniana senão depois da morte de Anastácio, e quando o poder passou às mãos de Justino (abril de 518). Em julho desse mesmo ano, João restabeleceu nos dípticos o nome do papa Leão e o do papa reinante, Hormisdas, pondo assim fim ao cisma acaciano que durava desde 484. Desde então pôs-se a serviço da política de reunião das Igrejas inaugurada por Justino; e foi ele que, na quinta-feira santa do ano de 513, assinou definitivamente a paz entre Roma e Constantinopla.
Os legados romanos não deixaram, porém, de notar que João queria evitar, em suas diligências, tudo o que pudesse, por esse fato, parecer uma submissão com relação a Roma. O diácono Dióscoro, em particular, tinha a nítida impressão de que João queria tratar de igual para igual com o papa. Ao subscrever, como era prescrito, o formulário de Hormisdas, João fez preceder o texto imposto pelos legados de uma declaração que punha sensivelmente no mesmo pé as duas grandes igrejas da antiga e da nova Roma. Acrescentava: Omnibus actis a sanctissimis quatuor synodis, i. e. : Nicæna, Constantinopolitana, Ephesina et Chalcedonensi, de confirmatione fidei et statu ecclesiæ assentior. Esse acréscimo é de grande importância. João punha no mesmo pé os três concílios até então únicos reconhecidos por Roma, de Niceia, Éfeso e Calcedônia, de um lado, e de outro o concílio de Constantinopla, de 381, que nenhum papa ainda havia reconhecido; sobretudo, dava igual força às prescrições dogmáticas desses concílios, de confirmatione fidei, e às suas decisões disciplinares, de statu ecclesiæ. Sem nenhuma dúvida visava muito especialmente os cânones 2 e 3 de Constantinopla, relativos à organização das jurisdições eclesiásticas e à primazia de honra da Igreja de Constantinopla, cânones contra os quais, em Calcedônia, a Igreja romana havia ainda protestado.
João a dirigiu a Hormisdas em 17 de julho seguinte, Thiel, Epistolæ Hormisdæ, n. lxi. Na resposta que lhe deu, Hormisdas não relevou essas pretensões; contentou-se em traçar ao patriarca um quadro dos deveres que lhe restavam a cumprir, delicada maneira de fazê-lo sentir a superioridade da sé romana. Thiel, op. cit., n. lxxx. O papa, aliás, não conservou com relação ao patriarca nenhum pensamento oculto; quando os monges citas levantaram a questão teopasquita, João foi comissionado por Hormisdas para resolver os primeiros conflitos. Thiel, n. xcviii, 1. Sabe-se, aliás, que os monges não esperaram o fim dos debates e partiram para Roma. João não conheceu o bizarro desfecho dessa querela teológica; morreu na segunda quinzena de fevereiro de 520, e foi substituído em 25 de fevereiro pelo síncelo Epifânio. Thiel, n. cxi.
Theophanes, Chronique, ad. an. 6010, P. G., t. cviii, col. 381 ; Victor de Tunnes, Chronique, ad. an. 517, P. L., t. lxviii, col. 962 e sobretudo as cartas do papa Hormisdas, em Thiel, Epistolæ romanorum pontificum, Braunsberg, 1867. Ver o art. Hormisdas, t. vii, col. 167 sq.
E. Amann.
Autor original: E. Amann
A extração e a tradução foram feitas por IA e em caso de algum erro podem entrar em contato com o editor