JOÃO DE SÃO TOMÁS, teólogo dominicano do século xvii. I. Notícia biográfica. II. Escritos. III. Doutrina.
I. NOTÍCIA BIOGRÁFICA. — João de São Tomás nasceu em 11 de julho de 1589, em Lisboa, de pais piedosos, Pedro Poinsot, austríaco vienense, secretário do arquiduque Alberto da Áustria, e Maria Garcez, portuguesa. Fez suas humanidades e seus estudos filosóficos em Coimbra, onde obteve seus graus. Tendo o arquiduque Alberto deixado Portugal pela Flandres, em 1596, João, com toda a sua família, seguiu-o; depois de uma interrupção de vários anos, retomou, em Lovaina, por volta do ano de 1608, o curso de seus estudos eclesiásticos. Teve por professor um excelente e santo teólogo, Fr. Tomás de Torres, de Madri, mais tarde bispo de Tucumán; depois de seu exame de bacharelado, tomado de afeição por seu mestre e pela doutrina de São Tomás, renunciou ao mundo para abraçar a ordem dos frades pregadores; em 1612, aos 23 anos, entrou, por conselho de seu mestre, no convento de N. S. de Atocha, em Madri, ao qual Tomás era ele próprio afiliado.
Terminado o noviciado, João foi logo enviado por seus superiores a Alcalá, a fim de ensinar aos estudantes dominicanos do colégio São Tomás a filosofia e a teologia; desempenhou essa função durante 17 anos (1613-1630). Tendo-se tornado vaga na universidade a cátedra de vésperas do curso de teologia de São Tomás, em consequência da promoção do P. Pedro de Tapia à cátedra de prima (27 de julho de 1630), João de São Tomás foi nomeado titular dela; onze anos depois, tendo Pedro de Tapia sido promovido a bispo de Segóvia, João recebeu a cátedra de prima (1º de outubro de 1641), onde ensinou durante dois anos, até o momento em que Filipe IV da Espanha o escolheu como confessor: deixou então Alcalá para ir a Madri (29 de maio de 1643). No ano seguinte, durante a expedição da Catalunha, no momento do cerco de Lérida pelos espanhóis, acometido pela febre, esgotado pelas vigílias e pela penitência, morreu, em 17 de junho, em Fraga, em Aragão, em seu 55º ano, deixando após si um grande exemplo de sabedoria e de virtude.
Sua vida foi uma reprodução viva das virtudes do doutor angélico, cujo nome tomara, a fim de marcar sua devoção por ele. De fato, juntou a um trabalho intelectual obstinado um grande amor da oração e um ardente desejo da perfeição religiosa. Os estudantes acorriam a seu curso, atraídos pela profundidade e pela solidez de sua doutrina. Nas disputas públicas, sempre tranquilo e sereno, não deixava escapar nenhuma palavra viva. Grande amante da pobreza e da humildade, recusou várias vezes as dignidades que lhe ofereceram em sua ordem ou fora dela; de abstinência severa, jejuava frequentemente durante a quaresma a pão e água, e praticava com assiduidade as mortificações corporais. Cada dia celebrava a missa, preparando-se para ela pela confissão; o Pai dos pobres, como o chamavam, gostava de visitar os pobres e os prisioneiros, sobretudo quando era confessor do rei. Aliás, foi apenas a contragosto e por obediência que aceitara essa dignidade, dizendo então a seus irmãos em religião: « Está acabada a minha vida, meus Pères; estou morto, rezai por mim. »
II. ESCRITOS. — 1º Obras filosóficas. — Artis logicae I Pars, de Dialecticis institutionibus, quas summulas vocant, Alcalá, 1631, 1634, Madri. 1632, Roma. 1636 et II Pars in Isagogen Porphyrii, Aristotelis Categorias et Perihermeneias ac Posteriorum libros, Alcalá. 1632, Roma, 1637. Madri, 1640; Naturalis Philosophiae, I Pars, quae de Natura in communi ejusque affectionibus disserit, Madri, 1633, Roma, 1637, Saragoça, 1644; II Pars in octo libros Physicorum, ibid.; III Pars, quae de ente mobili corruptibili agit ad libros Aristotelis de ortu et interitu, cum decem tractatibus de meteoris, Alcalá, 1634; IV Pars, quae de ente mobili animato, ad libros Aristotelis de Anima, Alcalá, 1635. O conjunto desses tratados foi reunido e publicado sob o nome de Cursus philosophicus thomisticus, Madri, 1637, 1638, Colônia, 1638, Roma, 1636, 1637, Lião, 1663, Paris, 188
2º Obras teológicas. — 1. O Cursus theologicus compreende 8 volumes, os 3 primeiros sobre a Ia da Suma de São Tomás, o iv e o v sobre a Ia-IIae, o vi-vii sobre a IIa-IIae, os dois últimos sobre a IIIa. Os volumes apareceram primeiro separadamente. O tomo i começa por três tratados ad theologiae tyrones, scil. 1. Universum textum Magistri Sententiarum in ordinem redigit : 2. Omnium quaestionum divi Thomae et materiarum in sua Summa ordinem explicat; 3. Vindicias D. Thomae pro doctrinae eius puritate, probitate et singulari approbatione offert, Alcalá, 1637. Janna, 1654, Lião, 1663. A última dessas dissertações foi publicada à parte sob o título: Speculum sine macula, i. e. tractatus de approbatione, auctoritate et puritate doctrinae D. Thomae Aquinatis. Colônia, 1658. Uma edição geral foi publicada em Lião, 1663; falta nela o último tomo, que só devia ser publicado em 1667, depois em Colônia, 1711, enfim em Paris, 1883-1886.
Os quatro primeiros tomos foram editados em vida do autor e sob sua supervisão: os outros só apareceram após sua morte, aos cuidados do P. Diego Ramirez, seu aluno. João de São Tomás havia corrigido de próprio punho até a disp. XVIII, na Ia IIae, isto é, até o fim do tratado de donis Spiritus Sancti. O P. Diego Ramirez acrescenta: « Até aqui tínhamos o exemplar corrigido pelo autor; daqui por diante publicaremos os tratados teológicos que ele ensinou publicamente em Alcalá, isto é, do t. v, disp. XIX ao t. viii exclusive. Acerca deste último tomo o P. Ramirez acrescenta: « Nesta parte, o autor não emprega seus procedimentos habituais de estilo, pois é o trabalho que havia feito antes de vir à universidade de Alcalá; assim, a fim de publicá-lo tal como o recebemos de sua mão, editamo-lo segundo a ordem prescrita. Embora o autor não tenha empregado o título de Disputationes, nós o introduzimos, contudo, com as outras, a fim de marcar a conexão de toda a matéria desta terceira parte; assim, a cada questão responderá uma disputatio, dividida segundo os artigos de São Tomás com a explicação literal de Mestre João, e depois de cada artigo virá a solução dos pontos duvidosos, segundo sua maneira costumada, « Prologus. R. P. Did. Ramirez ad materiam de sacramentis in genere. Nem sempre foi possível dar o texto inteiro: assim, q. lxxii. a. 1. dub. 1. lê-se : Desiderantur aliquot lineae, quas supplere religio fuit auctorique supponere : et dub. 3 : Et hic paulo plures desideratae lineae, delapsa irreparabili casu chartae particula. O último tomo, o viii, foi publicado em Paris por Combefis, O. P., 1667, 1674, edições semelhantes.
2. João de São Tomás publicou ainda, em língua espanhola: a) Explicación de la doctrina cristiana y la obligación de los fieles en creer y obrar, Madri, 1640, Valência, 1644, Alcalá, 1615, Amberes, 1651, Roma, 1663. Uma tradução latina dela foi publicada pelo P. Henrique Hechtermans, O. P., sob o título: Compendium totius doctrinae christianae, Bruxelas, 1658, Veneza, 1693. Esse opúsculo teve grande sucesso; Nicolau Antônio o chama libellum aureum, e os censores, os PP. E. Nieremberg e A. de Castro S. J., louvaram grandemente a simplicidade com que o autor punha essas difíceis questões ao alcance daqueles que não são teólogos de profissão. b) Práctica y consideración para ayudar a bien morir, Saragoça, 1645, traduzido para o italiano sob o título: Pratica e considerazioni per ajutare et per disporsi a ben morire, Florença, 1674. — c) Breve tratado y muy importante, que por mandado de Su Majestad escribió el R. P. Fr. Juan de S. Tomás para saber hacer una confesión general, Madri, 1611. Esses dois opúsculos foram traduzidos para o latim, e editados com um breve tratado das censuras eclesiásticas, sob este título: Aurea praxis adjuvandi infirmos ad bene feliciterque moriendum, simulque tractatus duo, alter ecclesiasticas censuras omnes atque cunctarum propositionum damnatarum notitiam complectens, alter confessionem regis generalem, et ut singularis persona et ut rex est, edocens, Veneza, 1693.
III. DOUTRINA. — João de São Tomás é considerado com justiça um dos maiores teólogos tomistas. Seus contemporâneos, a uma só voz, o chamaram de segundo Tomás, brilhante estrela diante do Sol (São Tomás de Aquino); e sempre o colocaram, em companhia de Caetano e de Banez, ao lado do Anjo da Escola. Sua doutrina não é outra senão a do doutor angélico, profundamente compreendida e fielmente expressa. Ele próprio protestou, no momento de sua morte, diante do Santíssimo Sacramento, que nunca escrevera nem ensinara, durante 30 anos, nada que não julgasse conforme à verdade e ao pensamento de São Tomás. Em seu notável tratado sobre a fidelidade a São Tomás, ele se revela a si mesmo, e vê-se que elevada ideia fazia do tomismo. Duas condições são requeridas, diz ele, para ser um verdadeiro discípulo de São Tomás; a primeira é seguir sua doutrina como verdadeira e católica, a segunda é desenvolvê-la com todas as forças.
Os sinais pelos quais, de fato, se reconhece um discípulo de São Tomás são os seguintes: 1. aceita e continua a obra daqueles que, no curso dos tempos, foram os discípulos do doutor angélico; 2. ama a doutrina do mestre, e esforça-se por defendê-la e desenvolvê-la; 3. longe de forçar os textos de São Tomás em favor de sua opinião, alinha-se ao sentimento de seu mestre; 4. aceita não somente suas conclusões, mas também seus processos de demonstração; 5. enfim, atém-se à tradição comum na interpretação do texto de São Tomás (De approbatione doctrinae S. Thomae, disp. II, art. 5). Como verdadeiro discípulo, dotado de todas essas qualidades, João trabalhou no desenvolvimento e na defesa do tomismo; combateu em particular, sem violência de linguagem aliás, Vázquez e Suárez: como Caetano se havia oposto a Escoto e Banez a Molina, João opôs-se a Suárez, mantendo contra sua interpretação eclética o puro tomismo: Nec enim, diz ele, defensio doctrinae S. Thomae et vindicatio ejus ab erroribus et ab improbabilitate sentiendi est solius privatae personae vindicatio, sed totius Ecclesiae, judicii et Apostolicae approbationis assertio. Quare majus aliquid in S. Thoma quam S. Thomas suscipitur et defenditur. Ibid., Prologus, ed. de Colônia, t. i, p. 133.
Quem quiser, acrescenta ele, penetrar até em seu espírito o verdadeiro tomismo, que considera tudo sob a razão formal de deidade, deve levar muito em conta a ordem da Suma Teológica: o meio principal, e o mais eficaz, para buscar e atingir o pensamento de São Tomás em seu admirável edifício teológico, é observar atentamente a ordem que ele seguiu, quasi aureis quibusdam nexibus discurrens, na construção de sua Suma, no encadeamento das questões, na sucessão dos tratados. Pois não é verdadeiro sábio nem doutor aquele que não apreende a ordem da ciência que estuda. » Isagoge ad D. Thomae theologiam, p. 85. Assim, ele próprio, nessa Isagoge, expôs admiravelmente a ordem e a conexão de toda a Suma, depois comentou cada questão segundo a ordem dos artigos, e por isso o mérito próprio de João de São Tomás não reside em doutrinas novas, mas numa profunda penetração do pensamento tomista.
Bastará, portanto, assinalar aqui brevemente as questões que tratou mais abundante e mais exatamente: a natureza da teologia, à qual se liga, como à suprema sabedoria, a apologética, assim como, na ordem das ciências filosóficas, a crítica se liga à metafísica, Curs. Theol., t. i, q. i, disp. II, a. 12, n. 4; t. v, disp. XVI, a. 3, q. i et ii ; a natureza da liberdade divina, ibid., t. ii, disp. IV, a. 3 sq. ; a essência da ação imanente, Curs. Phil., Phil. Nat., I, q. xiv, a. 3; o conhecimento reflexo, Log., ii, q. xxiii, a. 3-4; a potência obediencial, Curs. Theol., t. viii, disp. XXIV, a. 1, dub. 8, concl. 2 et sol. arg.; a santificação inicial da Santíssima Virgem, em que, depois de Ser. Capponi de Porrecta, mostra que São Tomás é favorável à doutrina da Imaculada Conceição, Isag. ad Theol. D. Thomae, disp. II, a. 2. Em moral, João de São Tomás defende o probabilismo, Curs. Theol., t. iv, disp. XII, a. 3, n. 4, com moderação aliás e sem cair nos excessos dos casuístas. Enfim, com notável profundidade e uma piedosa suavidade, trata dos dons do Espírito Santo, em particular do dom da sabedoria e do de inteligência: nessa matéria, pode-se dizer que é o teólogo clássico. Eis sobre esse assunto suas principais conclusões: 1.
Aqueles que se exercitam nas virtudes ordinárias assemelham-se a pessoas que, por seus próprios meios e segundo seus próprios esforços, regulam o seu caminhar; mas aqueles que são movidos pelos dons do Espírito Santo, semelhantes ao pássaro que o sopro do vento levanta, são levados, por assim dizer, no caminho do Senhor. Curs. Theol., t. v, disp. XVIII, a. 1, § 1, n. 8. — 2. Graças aos dons do Espírito Santo, o homem é passivo sob a moção divina, movido mais do que se move a si mesmo, ibid., § 2, n. 1; esses dons são disposições, hábitos graças aos quais a inteligência e a vontade são dóceis ao instinto do Espírito, que não somente as move, mas se torna a sua regra e a medida de sua atividade. Ibid., a. 2, n. 14. — 3. Somente conhece a doce inspiração e o murmúrio interior do Espírito aquele que os experimentou no fundo de sua alma. Ibid., a. 1, § 1, n. 3. — 4. O dom de inteligência proporciona-nos uma clara penetração da harmonia e da credibilidade do objeto da fé, ao mesmo tempo que nos permite afastar dele os erros e as ilusões dos sentidos. Ibid., § 2, n. 3. Cf. n. I, a. 2, sol. obj., n. 3, n. 25; a. 3, n. 11. Tendendo por si mesmo à evidência o conhecimento experimental, o dom de inteligência, segundo o seu constitutivo formal, é evidente, ibid., § 2, n. 9; ele tende à evidência mística e experimental. Ibid., n. 10.
Cf. § 3, n. 2, 7. — 5. A razão formal do conhecimento das causas supremas pelo dom de sabedoria é uma certa experiência de Deus e das coisas divinas, numa apreensão deleitável e saborosa, como num contato íntimo da alma com as coisas espirituais; por essa união, a alma se torna como que conatural às coisas divinas, e as discerne das criaturas por um certo gosto interior. Ibid., a. I, § I, n. 5. — 6. A contemplação é um ato eminente e espiritual da inteligência pelo qual somos unidos a Deus; ela é, portanto, propriamente o ato do dom de sabedoria, pelo qual o espírito do homem, esclarecido pela experiência saborosa das coisas divinas, torna-se dócil à luz do Espírito, para gozar divinamente das coisas divinas. Comp. tot. doct., part. II. c. xii. de oratione, § 1. — 7. Pela contemplação, a alma é estabelecida e fixada em Deus, deleitando-se em tudo o que percebe, toda transformada espiritualmente. Ibid. 8. A contemplação faz-se de duas maneiras: ou por um conhecimento infuso, ou por nosso próprio esforço. Por uma luz infusa, quando a inteligência se sente iluminada por uma claridade desacostumada e até então desconhecida, sem uma noção fora do seu poder, ao mesmo tempo que a vontade se dilata numa afeição profunda que ela não saberia explicar. É então a realização da palavra de são João: Non necesse habetis ut aliquis doceat vos, sed sicut unctio ejus docet vos... Ibid.
Outra particularidade da doutrina de João de São Tomás, é preciso notar ainda que ele coloca o constitutivo formal da deidade na intelecção atual de Deus por si mesmo, In I, q. xiv, t. i, disp. XVI, a. 2; mas essa opinião é comumente rejeitada pelos tomistas. O estilo de João de São Tomás é claro e simples, embora muitas vezes difuso; em suas questões quodlibetais, reencontram-se os defeitos literários da época. Em suma, pode-se ficar com o juízo de Mestre Cabero, O. Cist.: Angelicam doctrinam exhaurire videtur Cursu isto. Censura tomi secundi. Assim, João de São Tomás exerceu grande influência sobre os teólogos tomistas posteriores, Diaz, Guérivois, Goudin, Billuart, os Salmanticenses, Gonet e Contenson, que diz dele: Angelicae doctrinae sancti Thomae callentia et penetratione nulli secundus. Theol. mentis, t. VII, diss. V, c. 1.
Didacus Ramirez, O. P., Vita Reverendissimi P. Joannis a S. Thoma, O. P., (praemissa t. i Cursus theologici); Hechtermans, O. P., Ad Lectorem, na versão latina do catecismo de S. Thoma, Echard, O. P., Synopsis vitae R. P. Fr. Joannis a S. Thoma, em cabeça do t. viii do Curs. theol., edição de Paris, 1667; Quétif-Echard, Scriptores Ordinis Praedicatorum, t. ii, p. 538-539; Touron, O. P., Histoire des hommes illustres de l'ordre de Saint-Dominique, Paris, 1743, t. v, p. 218-258; Graveson, O.P., Historia ecclesiastica, Veneza, 1760, t. viii, p. 197; N. Antonio, Bibliotheca Hispana nova, Madri, 1783, t. i, p. 785; Biografia eclesiastica completa, Madri, 1857, t. xi, p. 472-477; Martínez Vigil, O. P., La Orden de Predicadores, III part.: ensayo de una biblioteca de dominicos españoles, Madri, 1881, p. 377; Menéndez y Pelayo, Historia de las ideas estéticas en España, Madri, 1884, t. ii, p. 193-202; La Ciencia Española, Madri, 1888, 3e édit., t. iii: Inventario bibliográfico de la ciencia española, p. 153, 193; Trapiello, T. O. P., Juan de Santo Tomás y sus obras, Oviedo, 1889; Année dominicaine, junho de 1893, p. 358-365; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. iii, col. 915; Beltran de Heredia, O.P., La enseñanza de santo Tomás en la Universidad de Alcalá, em Ciencia Tomista, t. xiv, p. 267 sq.; Getino, O. P., Dominicos españoles confesores de reyes, Ibid., p. 141-153.
J. M. Ramirez.
Autor original: J. M. Ramirez
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