JOÃO DE LA ROCHELLE

JOÃO DE LA ROCHELLE

52. JOÃO DE LA ROCHELLE, franciscano (1200-1245), nasceu verossimilmente na cidade cujo nome leva, por volta do ano 1200. Parece bastante difícil admitir que ali tenha tomado o hábito dos frades menores, pois estes só se estabeleceram em La Rochelle em 1229, e nessa data João já devia estar na universidade de Paris. Alexandre de Hales lá ensinava havia vários anos quando também ele entrou entre os menores, em 1231-1232. Autorizado a apresentar como mestre auxiliar o primeiro de seus irmãos de religião que tivesse cumprido os anos prescritos para os estudos, Alexandre hesitava quando, uma noite, enquanto rezava, viu uma luz resplandecente brilhar sobre a cabeça de um de seus confrades igualmente em oração. Era o frei João: apresentou-o, pois, e fê-lo admitir como bacharel. A época é imprecisa, mas devia ser antes de 1235, pois três anos depois João era mestre regente e, nessa qualidade, tomava parte na discussão ordenada pelo bispo de Paris sobre a questão da pluralidade dos benefícios.

Sua reputação igualou logo a de seu mestre; os contemporâneos os comparam a dois fachos resplandecentes que iluminavam o mundo: suas obras eram igualmente procuradas, morreram também no mesmo ano de 1245, e o martirológio franciscano registra a morte de João em 3 de fevereiro. Na esteira de Alexandre, foi defensor ardente da filosofia de Aristóteles, e sua Summa de anima é uma prova da alta estima em que tinha a filosofia e da inteligência que dela possuía. Não temia dizer, num sermão público, que Satanás era o instigador da luta então travada na universidade contra a filosofia: «ele não quer que os cristãos fiéis tenham o espírito penetrante.» A autoridade de que gozava em sua ordem não era menor. Com Alexandre, tomava a frente do movimento que iria conduzir à demissão do frei Elias, 1237-1238. Encontramo-los ainda ambos entre os quatro mestres em teologia a quem o novo ministro-geral pedia uma exposição da regra franciscana, que devia ser apresentada ao capítulo de Bolonha em 1242.

Depois de longo esquecimento, João de La Rochelle foi bastante estudado no século passado. O abade Cholet, cônego de La Rochelle, e o abade Th. Grasilier procuravam e copiavam suas obras para publicá-las; H. Luquet, outro compatriota, fazia aparecer um Essai d'analyse et de critique sur le texte inédit du Traité de l'âme, Paris, 1875, e tinha preparado dois outros ensaios, sobre o tratado das virtudes ou da felicidade e sobre o dos vícios ou da infelicidade, que não vieram à luz.

Obras de João de La Rochelle. Impressas: Summa de anima di F. Giovanni della Rochelle, editada pelo P. Th. Domenichelli, Prato, 1882; Expositio quatuor magistrorum in regulam, publicada em diversas edições dos Monumenta e do Firmamentum ordinis minorum. — Manuscritos. Eis a lista dada por Domenichelli: Commentarium in IV libros sententiarum, ainda não reencontrado; Summa theologica, seu de Articulis fidei: Summa de vitiis; Summa virtutum et vitiorum: De decem praeceptis; Postillæ super Danielem; Commentaria in Evangelium Matthaei; Postillæ in Marcum, in Lucam, in epistolas Pauli, in Apocalypsim. Deve-se acrescentar-lhes Sermones de tempore et de sanctis, dos quais Luquet deu extratos, e um Processus sive negociandi modi themata sermonum, ou Ars conficiendi sermones, ou ainda Forma praedicandi. João de La Rochelle tinha, com efeito, a reputação de ser o primeiro pregador de sua época.

Bernard de Besse, Liber de laudibus B. Francisci, Roma, 1897, e Analecta Franciscana, t. iii; Du Boulay, Histoire de l'université de Paris, t. iii; Hauréau, Histoire de la philosophie scolastique, Paris, 1880; Féret, La Faculté de théologie de Paris, Paris, 1894, t. i; Hilarin de Lucerne, Histoire des études dans l'ordre de Saint-François, Paris, 1908; Hurter, Nomenclator, 3ª ed., t. ii, col. 261.

P. Edouard d'Alençon

Autor original: P. Edouard d'Alençon

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