JACQUEMIN Jacques-Alexis, padre de Nancy, depois bispo de Saint-Dié (1823). Nascido em Nancy a 3 de agosto de 1750, começou seus estudos em sua cidade natal, seguiu os cursos de teologia na Sorbonne e, a partir de 1772, na universidade de Nancy. Ordenado padre em 1774, doutor em teologia em 1778, foi nomeado professor de teologia, nesse mesmo ano, na referida universidade. Seu ensino ali foi brilhantíssimo, e admirava-se sobretudo no jovem professor o conhecimento dos Padres, e especialmente de santo Agostinho. Uma parte do ensino de Jacquemin conservou-se na Theologia Nanceiensis, que o professor publicou em colaboração com seu colega François Mézin. Este último havia feito aparecer em 1785 um tratado De matrimonio e, em 1788, um tratado De sacramentis in genere, de baptismo et de confirmatione; Jacquemin deu, em 1787, um De incarnatione Verbi divini; preparava a publicação do tratado De eucharistia, que a Revolução o impediu de imprimir.
Os acontecimentos políticos puseram fim definitivamente à produção teológica de Jacquemin, que passará a estar envolvido muito de perto, até 1802, nos assuntos político-religiosos da diocese de Nancy. Tendo recusado o juramento à Constituição civil do clero, teve de demitir-se de suas funções de professor, em janeiro de 1791, e tornou-se um dos representantes ocultos do bispo Mons. de la Fare, já partido para o exílio. Por meio de suas publicações anônimas, combate o bispo constitucional Lalande, sobretudo na brochura Parallèles des principes de M. Lalande avec ceux des catholiques et des hérétiques, Nancy, 1791. Forçado a deixar a França em 1792, tenta voltar a ela desde 1795 e adota uma atitude muito conciliadora a respeito da declaração de submissão às leis da República exigida pela lei de 11 de prairial do ano III. Suas Réflexions sur la lettre du Comité de législation relative aux formalités à remplir de la part de ceux qui voudront exercer, dans les édifices accordés par la Nation, le ministère de leurs cultes levaram numerosos eclesiásticos, tanto em Nancy quanto no resto da França, a prometer a submissão pedida e a restaurar assim o culto católico público.
Jacquemin não obteve, contudo, para si mesmo o direito de se mostrar, e continuou a administrar a diocese de maneira mais ou menos oculta até o momento da Concordata. Aproveitou os lazeres forçados que lhe causou a perseguição de frutidor para redigir um Abrégé des Mémoires de l'abbé Barruel pour servir à l'histoire du Jacobinisme, que apareceu em Hamburgo e em Nancy em 1801. O advento de Bonaparte pareceu-lhe de início um retorno à liberdade religiosa; e travou uma luta muito viva contra o bispo constitucional Nicolas, que em 1800 queria restabelecer a sé episcopal do Meurthe: Lettre au citoyen Nicolas, curé de Tantonville pour l'empêcher d'accepter le titre d'évêque de la Meurthe; Examen de l'écrit du citoyen Nicolas, intitulé : Lettre pastorale; Billet au citoyen Nicolas se disant évêque du diocèse de la Meurthe.
Mas a atitude que Jacquemin tomou a respeito da promessa de fidelidade à Constituição do ano VIII, prescrita pelo decreto de 7 de nivoso, vai impedi-lo desde então de desempenhar na Igreja de Nancy o papel considerável a que podia aspirar. Por diversas razões, umas de princípio, outras de ordem pessoal, Jacquemin, que se mostrara muito conciliador em 1795, julgou dever adotar em 1800 uma atitude intransigente e quase hostil em relação ao novo governo. As negociações que desembocaram na Concordata de 1801 inspiravam-lhe uma desconfiança que Mons. de la Fare cuidadosamente alimentava, o qual por fim recusará dar a Pio VII a demissão que este papa exigiu de todos os antigos bispos. Este último, mesmo depois da conclusão da Concordata, continuou a considerar Jacquemin como seu legítimo representante na diocese. O novo bispo de Nancy, Mons. d'Osmond, não podia deixar de se ofender com tal procedimento; a prefeitura, por outro lado, alarmava-se com a atitude de Jacquemin. Este foi, pois, deixado à margem pelas duas autoridades, civil e religiosa.
Somente em 1809 foi nomeado professor no liceu de Nancy. Após a queda do Império, ligou-se por algum tempo à sorte de Mons. de la Fare, regressado à França; depois retomou suas funções no colégio real de Nancy, até 1823, data em que foi nomeado bispo da diocese de Saint-Dié, reconstituída em 1817. Mons. Jacquemin consagrou-se desde então inteiramente à administração dessa Igreja, onde tudo estava por criar. Acabrunhado pelas enfermidades e pela velhice, apresentou sua demissão em maio de 1830, para retirar-se a Nancy, onde morreu a 15 de junho de 1832.
E. Mangenot, Mgr Jacquemin, évêque de Saint-Dié, Nancy, 1892; E. Martin, Histoire des diocèses de Toul, de Nancy et de Saint-Dié, t. iii, Nancy, 1903, ver índice alfabético, p. 581; Hurter, Nomenclator, 3e édit., t. v, 1911, col. 588; Michaud, Biographie universelle, t. xx, col. 858.
E. Amann.
Autor original: E. Amann
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